domingo, novembro 28, 2004
Guia hispânico (5)
sábado, novembro 27, 2004
Vintage (2)
Vintage (1)
Soulsville (2)
Soulsville (1)
Rádio (3)
sexta-feira, novembro 26, 2004
Salsa y merengue (6)
Na origem da salsa foram decisivos artistas como a cubana Célia Cruz, o porto-riquenho Tito Puente, o panamenho Rubén Blades e produtores como Ralph Mercado. Todos convergiram nos meados de 70, em Nova Iorque, tecendo inovadores cruzamentos de son, mambo, jazz e rock... A cubana estabeleceu-se como la reina de la salsa e nesse indisputado trono permaneceu até ao fim da vida. Porém, deixou uma sucessora, à qual consentiu o apodo de princesa de la salsa. Trata-se de India. Lançada por Ralph Mercado - produtor hegemónico no universo salsero - e apoiada por tão fortes credenciais, a jovem teve oportunidade de demonstrar as suas qualidades. Entre estas destacam-se a garra interpretativa e a voz poderosa. Parcialmente limadas certas arestas (a saber, alguma estridência), chega a este seu segundo álbum. Apoiada por adequados meios de produção, India vê-se consolidada como princesa de la salsa - algo que foi reforçado por uma imagem de mulher agressiva e descomplexada. Ora, importa salientar que este álbum torna-se incontornável por Ese hombre (música de Manuel Alejandro; letra de uma tal Ana Magdalena). Originalmente interpretada por Rocío Jurado, dir-se-ia (sem nenhum desprimor para a andaluza) que a canção encontra finalmente a voz e o estilo a que estava destinada... É um explosivo concentrado de despeito feminino em forma de insulto, disparado com toda a fúria salsera. É insólito e grandioso! Por alturas de 1994-95 ouvia-se assiduamente em Espanha através das ondas da Cadena Dial..
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Audio Sampler CDUniverse
Salsa y merengue (5)
A salsa é de Nova Iorque, mais do que de outro lugar. Na área metropolitana desta cidade vivem cerca de três milhões de hispanos, ou seja, quase um quinto do total da população. Aí, em muitos sítios, a língua mais comum é o castelhano. Há muitas estações de rádio e de TV que emitem exclusivamente em castelhano. À semelhança do que ocorre por todos os Estados Unidos, os hispanos, mais do que uma comunidade, constituem um conglomerado de comunidades. Se, na imensidão que vai do o Texas até à California predominam os chicanos, na Florida predominam os cubanos. Sucede que em NY predominam os porto-riquenhos. Pois foi entre a comunidade porto-riquenha que surgiu a salsa, em meados dos anos 70. Contudo, os seus antecedentes entroncam-se no son cubano e alguns dos seus mais destacados protagonistas foram cubanos exilados. Com efeito, se a cubana La Lupe pode ser considerada um "pré-arranque" da salsa, outra cubana, Célia Cruz, é indiscutivelmente o nome maior da salsa propriamente dita. Daí, aliás, ter sido conhecida como la reina de la salsa. Recentemente desaparecida, a artista permanece como um dos mais poderosos símbolos do muundo hispano nos Estados Unidos.
Rompecorazones (3)
Guia hispânico (4)
quarta-feira, novembro 24, 2004
domingo, novembro 21, 2004
Mariachi y tequila (9)
terça-feira, novembro 16, 2004
Viagens (9): Picos de Europa / 2001 (3)
Passou-se a fronteira. Depois da placa azul com as estrelinhas da UE anunciando “España”, a placa “Castílla y León” e logo outra indicando “Província de Zamora”. A estrada continuava estreita e cheia de curvas, mas o piso melhorara e surgiram guias de berma. Logo a seguir passei por Calabor. O contraste com a aldeia de França era evidente. O aspecto desértico era o mesmo, só que todas casas eram tradicionais, com telhados de ardósia e alpendres de madeira. Uma boa parte delas eram modernas. Algumas das mais antigas estavam em ruína.
Os vinte quilómetros seguintes demonstraram o isolamento dos calaboreños. Não se viu nenhum carro ou vivalma e não se avistou uma única casa. A paisagem ia ficando cada vez mais árida. Era lógico concluir que estavam mais próximos do resto da humanidade, passando a fronteira. Aliás, farão caminho mais directo para a sua capital de província através de Bragança, reentrando em Espanha por Quintanilha.
Subitamente, ao fim de um curva, deparou-se Puebla de Sanabria e o seu castelo. Casas novas e velhas tinham todas telhados de ardósia. O aspecto era agradável. No centro havia vários bancos e um comércio airoso. Daí, atingiu-se rapidamente o lago de Sanabria. Encaixado entre grandes moles rochosas, que do noroeste descem de mais de 2000 metros (Peña Trevinca), o lago, com águas escuras, tinha um aspecto selvagem que condizia com as suas origens glaciares. Comi numa cafeteria de Ribadelago e foi uma experiência má, pois a conta apresentada por uma mulher antipática era inverosímil, dada a correspondente falta de qualidade. Tendo em conta algumas lendas locais, aquela criatura foi como que um monstro saído do lago, que acabara de consumar um acto de extorsão com um gesto glaciar...
Após o almoço, tomei a Autovía das Rías Baixas até Benavente. É a ligação entre o sul da Galiza e Madrid e o seu tráfico intenso foi um contraste com as estradas ermas de onde vinha. Adentrei-me numa paisagem cada vez mais castelhana, com planuras extensas e montanhas ao fundo. Não havia tempo para ver Benavente, que, certamente, terá motivos de interesse, ou não fosse uma das muitas localidades castelhanas com História. Aí virei a norte, tomando a estrada que seguia rumo a León e que faz parte do eixo que liga as Astúrias à Andaluzia. Passei ao lado de León. No sábado e domingo haveria oportunidade de visitar a cidade, como se impunha.
Daí para cima as opções restringiam-se a estradas muito secundárias. A paisagem foi-se tornando cada vez mais verde e montanhosa. Belíssimas aldeias foram surgindo ao longo do trajecto, o qual era ladeado, quase sempre, por pequenos cursos de água revolta. Surgiam prados e mais prados, assim como montanhas cada vez mais altas de onde iam sobressaindo, por detrás, alguns cumes nevados... Era uma paisagem de bilhete postal, que só não incutia paz de espírito por alguma incerteza sobre a existência de hotel no fim da jornada, que era em Riaño. Na verdade, os sinais de povoamento iam-se tornando cada vez mais raros na penumbra do fim da tarde, não deixando dúvidas que me internava num extremo isolamento.
Finalmente apareceu Riaño, num enquadramento fantástico - implantada numa península saliente a meio da albufeira. Em seu torno, os abruptos picos nevados davam à paisagem um ar de conto de fadas. Sabia que a primitiva aldeia ficara debaixo das águas da albufeira. As duas igrejas tinham sido reimplantadas pedra a pedra – o resto era novo, mas com uma arquitectura de qualidade.. A sensação de paz e isolamento era total... mas havia, senão um hotel, pelo menos um hostal! Um hostal de aspecto montanhês. O jantar (cordero asado acompanhado por um Rioja) foi uma redenção em relação ao almoço!
sábado, novembro 13, 2004
Castilla (9): Castilla y León
Nada te turbe;
Boulevard Nostalgie (16)
A decadência progressiva do grupo é patética! Algumas imagens são inolvidáveis, nomeadamente a morte de Michel Piccoli, suspenso num parapeito, em épico transe de libertação de gases... O patético acentua-se quando o instrumento viril de Marcello deixa de funcionar, suscitando nele um desconcertante desespero. Os quatro morrem de formas bizarras, mas Andrea sobrevive-lhes melancolicamente e volta para as suas funções docentes - a senhora era mestre-escola...
Boulevard Nostalgie (15)
quinta-feira, novembro 11, 2004
Perros callejeros (5)
Perros callejeros (4)
Perros callejeros (3)
segunda-feira, novembro 08, 2004
Noites tropicais (6)

Sobre Todas as Coisas nasceu como show e só depois passou á condição de disco, o que se nota, aliás, em certos aspectos do seu conceptualismo. Note-se que a artista tem uma voz de grande beleza e é ao mesmo tempo pianista de formação clássica. Sobre esta base privilegiada, a partir de finais dos anos 80 (com Estrebucha Baby), a sua carreira beneficia de um salto qualitativo, com produções sofisticadas e com um cada vez mais apurado critério na escolha de repertório. No caso em apreço, os temas são standards da canção brasileira ou da autoria de nomes grados da MPB - é, portanto, um disco eminentemente brasileiro. Porém, acentua-se uma configuração intimista que se assume, por vezes, como recriação num plano de intenso lirismo e delicadeza. É um produto do mais refinado bom-gosto, parecendo ser estes adjectivos que naturalmente emanam da sua figura de sempiterna beleza...
Viagens (8): New York - New Jersey / Agosto de 2000 (2)
domingo, novembro 07, 2004
Rompecorazones (2)
Rompecorazones (1)
sexta-feira, novembro 05, 2004
Viagens (7): Picos de Europa / 2001 (2)
O primeiro destino do dia seria a Serra de Montesinho, o segundo o Lago de Sanabria e o terceiro, Riaño, já nos Picos de Europa. O tempo não estava soalheiro, porém parecia esconjurada a ameaça de chuva. Ao deixar Mirandela, confirmei a ideia de véspera – era uma localidade agradável e que poderia ser um ponto de partida para uma futura exploração do Nordeste Transmontano.
Em breve se chegou a Bragança – para não deixar de ter alguma imagem da cidade, deixei a IP4 e internei-me no núcleo urbano. Foi decepcionante – a zona nova era vulgar; a zona antiga estava demasiado degradada e sem encanto especial. De atraente encontrei somente a imagem do castelo, com a sua torre de menagem. Foi pena que nesta incursão, feita exclusivamente de automóvel, não se me tivesse deparado o ex-libris brigantino – Domus Municipalis.
De Bragança tomei uma estrada secundária em direcção a Espanha, através do Parque Natural da Serra de Montesinho. Ao longe avistavam-se os cumes nevados das serranias de Sanabria. As referências sobre a região destacavam duas localidades: França e Rio de Onor. Resultava incompatível conciliar uma passagem pelas duas. A opção pela segunda era pouco prática, pois o mapa indicava que a estrada em Espanha não era alcatroada. Além disso, tinha a ideia de que o interesse de Rio de Onor residiria apenas no facto de estar dividida pela fronteira. Note-se que em tempos antigos as gentes destas terras falavam leonês e tinham a mesma forma de vida, de um e de outro lado da fronteira. O mirandês (dialecto astur-leonês), cujos resquícios ainda hoje sobrevivem mais para sudeste, é, juntamente com esta comunidade aldeã transfronteiriça, o que ficou dessa primitiva unidade.
Montesinho, fazendo jus ao nome, mais que uma serra é uma bucólica colecção de montes. A aldeia de França, porém, foi uma desilusão - notei um punhado de casas características, com telhado de ardósia, mas degradadas, perdidas num conjunto incaracterístico, onde imperavam as portas e marquises de alumínio. Além disso, parecia uma aldeia fantasma, habitada por cães... Num café, onde se cumpriu o ritual de despedida do café português, indaguei as razões do nome da terra, mas a sorumbática mulher, que estava atrás do balcão, nada esclareceu, encolhendo os ombros com enfado.
Imediatamente antes de se abandonar Portugal, uma pequena placa apontava a direcção para uma aldeia anunciada como "preservada". De facto, perante o exemplo de França, é sensato imaginar que se impunha preservar alguma aldeia. Por um caminho poeirento entrei nas profundezas da Serra e, no fim, pude admirar uma aldeia genuína. Suspeito que foram os serviços do Parque Natural que possibilitaram a sua preservação.