Segunda-feira, Agosto 25, 2008
Euskal Herria (25)
Tapia eta Leturia - Dultzemeneoa (1992)
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Tapia eta Leturia - Trpitaira in Dultzemeneoa (1992)
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Euskal Herria (24) (10 remake)
Iker Goenaga - Soinugorri (1998)
O êxito de Kepa Junkera acabou por fazer vir ao de cima um conjunto de virtuosos do acordeão diatónico basco (trikitixa), os quais têm vindo a assegurar a continuidade de uma tradição que remonta aos casarios rurais de Navarra, Guipúzcoa e Vizcaya de finais do século XIX. Iker Goenaga é um deles. Neste seu álbum temos uma sonoridade menos cosmopolita do que aquela que Kepa tem vindo a alardear, mas mais próxima da tradicional, a qual assentava na combinação rudimentar entre triki e pandeireta. O tema Elgeta merece destaque. Além de ser uma bela toada de expressiva rudeza, é uma homenagem a um velho tocador de San Sebastián, conhecido como Elgeta, que nos anos 40, 50 e 60 tocava triki pelas ruas e bares da cidade, vivendo da mendicidade.
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Iker Goenaga - Elgeta in Suinogorri (1998)
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Segunda-feira, Julho 14, 2008
Guia hispânico (32)
Ernest Hemingway - Fiesta [The sun also rises (1926)]
Li algures que as festas de San Fermín são actualmente o maior evento festivo do mundo a seguir ao Carnaval do Rio e à Festa da Cerveja de Munique. É bem possível que assim seja, tanto mais que, ano após ano, acresce a afluência de jovens forasteiros de todo o mundo. Uma boa parte deles são britânicos e a maioria são norte-americanos. A origem do fenómeno está, evidentemente, em Ernest Hemingway e, em particular, no romance Fiesta.
Pamplona está reconhecida ao escritor e são múltiplas as referências que o atestam. Por exemplo, junto à Praça de Touros há um grande busto acompanhado por palavras que traduzem eloquentemente um espírito cívico de gratidão. É como se o escritor norte-americano se tivesse tornado património pamplonês; e é justo que assim seja! Ora, sucede que o romance é, além do mais, excelente. Merece ser lido não só por dar uma visão expressiva dos festejos, mas também por ser representativo de um género que mistura realismo documental com trama própria de ficção. Hemingway foi um dos melhores exemplos de jornalista-escritor ou, talvez mais apropriadamente, de escritor-jornalista e este romance é do mais inspirado que nessa dupla condição se produziu.
Pamplona está reconhecida ao escritor e são múltiplas as referências que o atestam. Por exemplo, junto à Praça de Touros há um grande busto acompanhado por palavras que traduzem eloquentemente um espírito cívico de gratidão. É como se o escritor norte-americano se tivesse tornado património pamplonês; e é justo que assim seja! Ora, sucede que o romance é, além do mais, excelente. Merece ser lido não só por dar uma visão expressiva dos festejos, mas também por ser representativo de um género que mistura realismo documental com trama própria de ficção. Hemingway foi um dos melhores exemplos de jornalista-escritor ou, talvez mais apropriadamente, de escritor-jornalista e este romance é do mais inspirado que nessa dupla condição se produziu.
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Web: The sun also rises in Time: All-time 100 novels
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Quarta-feira, Julho 09, 2008
Domingo, Julho 06, 2008
Sexta-feira, Julho 04, 2008
Andalucía (25)
Salmarina - Filigrana (1993)
O que valoriza as sevillanas de Salmarina, para além de qualidade vocal, tem sido a qualidade dos produtores. Primeiro os irmãos Muñoz e Évoras, seus conterrâneos. Depois, com Manuel Ruíz Queco. Este cordovês, sempre próximo do seu compadre Vicente Amigo, esteve nos anos 80 e 90 em muito do que inovador foi surgindo no universo flamenco, através de experiências fusionistas que foram desde as fronteiras do rock até aos domínios mais comerciais - foi, por exemplo, produtor de Las Ketchup e autor do seu êxito Aserejé. Note-se que tem sido não só produtor como também guitarrista e cantor. Neste caso interessa-nos como produtor, já que a qualidade de arranjos e direcção artística patenteada no álbum aqui em apreço constitui como que um paradigma de qualidade em termos de sevillanas. Na senda do que havia sido feito por Muñoz e Évoras, Queco conduz Salmarina a um conceito de sevillanas com fronteiras totalmente esbatidas em relação ao flamenco e com uma estética comum a muitas formas de nuevo flamenco. Impera o acústico. As guitarras, o cajón, o baixo e aqui e ali a flauta envolvem com suavidade as vozes sempre vibrantes do trio de Sanlúcar. Finalmente, a qualidade das composições, em boa parte da autoria de Queco, está muito acima do estereótipo do género e é ainda um factor mais decisivo que tudo o resto, que já não é pouco.
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Sal Marina - La luz del entedimiento in Filigrana (1993)
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Andalucía
Quarta-feira, Julho 02, 2008
Perros callejeros (9) (6 remake)


Los Chorbos - Poder gitano (1975)
Aquando do desaparecimento precoce de Manzanita surgiram evocações do início da sua carreira, como membro de Los Chorbos. Com 18 anos, Manzanita integrava esse grupo, quando em 1975 foi editado o álbum Poder gitano. Era apenas guitarrista - a sua voz não contava, o que não deixa de ser incrível... Faziam ainda parte do grupo os irmãos Losada (Amador e Miguelín) e Veneno. Contudo, a alma mater desse projecto era o produtor José Luís de Carlos, da CBS. Foi um projecto revolucionário. Apontou caminhos que conduziram, por um lado, à rumba pop e, por outro, ao nuevo flamenco. De notar que José Luís de Carlos, três anos antes, fora o responsável pela erupção do duo Las Grecas com o retumbante êxito Te estoy amando locamente, que abrira uma nova era. Este produtor, de uma estadia nos EUA, trouxera ideias que incutiu em músicos dispostos a trilhar caminhos inovadores - ideias que começaram a concretizar-se com Las Grecas. Havia que consolidar a conquista. Deste modo, aqui reencontramos a mesma equipa de produção, onde, curiosamente, tem lugar um músico português, Johnny Galvão. A matéria prima de ocasião era este quarteto de jovens ciganos. Com excepção de Manzanita, eram de um bairro pobre do sul de Madrid - Caño Roto. As letras das músicas tinham, aliás, um carácter de denúncia social e de orgulho rácico, sendo, neste particular, um passo em frente em relação a Las Grecas e um prenúncio do que fariam Los Chichos e Los Chunguitos. A este género se chamou Sonido Caño Roto. Está visivelmente marcado por uma transposição, a vários níveis, do conceito black power para algo que poderíamos designar como gypsy power.
O álbum começa com Vuelvo a casa (mais tarde versionado por Los Chunguitos). Ao ouvi-lo temos uma sensação peculiar - algo assim como a que resultaria de uma improvável mistura de um instrumental de Isaac Hayes (em plano Shaft) com vozes aflamencadas e com um batido sincopado de palmas em contratempo, à sevilhana... Toda a gravação discorre a partir deste enunciado e mais de trinta anos depois ainda é fascinante. Quase uma década antes do produtor Mario Pacheco, de Nuevos Medios, ter lançado o conceito Nuevo flamenco, pode-se dizer que a coisa, afinal, já existia.
O álbum começa com Vuelvo a casa (mais tarde versionado por Los Chunguitos). Ao ouvi-lo temos uma sensação peculiar - algo assim como a que resultaria de uma improvável mistura de um instrumental de Isaac Hayes (em plano Shaft) com vozes aflamencadas e com um batido sincopado de palmas em contratempo, à sevilhana... Toda a gravação discorre a partir deste enunciado e mais de trinta anos depois ainda é fascinante. Quase uma década antes do produtor Mario Pacheco, de Nuevos Medios, ter lançado o conceito Nuevo flamenco, pode-se dizer que a coisa, afinal, já existia.
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Los Chorbos - Vuelvo a casa in Poder gitano (1975)
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Perros callejeros
Sábado, Junho 28, 2008
Radio (9)
Radiolé já tem uma página web. Clicando-se no logotipo acima pode-se-lhe aceder e, entre outras coisas, escutá-la em directo. Era a única cadeia de emissoras de rádio do conglomerado Unión Radio que até agora não estava na rede. É uma rádio diferente. Evidentemente que só poderia existir em Espanha. Assenta numa fórmula exclusivamente dedicada ao flamenco, às sevillanas e rocieras, à rumba e à copla, abrangendo todas as mais distintas variantes destes géneros. Há um programa do qual me tornei irredutível fan: Son de la tribu. É transmitido aos sábados, entre as 20h00 e as 22h00 (19h00 - 21h00, hora portuguesa). É apresentado por Miguel Ángel Fernández, ou melhor, Miguelón, e está dedicado ao nuevo flamenco.
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Media
Segunda-feira, Maio 12, 2008
Guia hispânico (29)
Giles Tremlett - Fantasmas de Espanha: Viagens pelo presente escondido de um país (2008) [Ghosts of Spain (2006)]
Os comentários citados na contra-capa ajudam mesmo a perceber a valia deste livro. O autor é jornalista, correspondente em Madrid de The Guardian. Vive há década e meia em Madrid, tendo antes vivido uns anos em Barcelona. Por força dos seus afazeres profissionais, tem percorrido Espanha de lés a lés. Contudo, o que é essencial é a base de conhecimentos de natureza histórica e sociológica que possui, a qual vai além registo jornalístico. Evita-se assim cair em lugares comuns mais ou menos sensacionalistas e, pelo contrário, em certos casos, somos conduzidos a uma percepção desmistificadora. Nota-se que há um fascínio pelo país. É, diga-se, da mesma filiação da de muitos intelectuais britânicos e norte-americanos... Releva de um conceito tocado na sua origem por concepções românticas. É também daí que provem o meu fascínio... Deste modo senti como que uma espécie de cumplicidade espiritual com muitas das observações e reflexões que são desfiadas. Há ainda uma verve de pendor humorístico que constitui um valor acrescido. Só é possível porque provem de alguém que está suficientemente entranhado na condição de estar e de viver em Espanha, entendendo a forma e filosofia de vida dos seus autóctones, mas que não deixa de ser um estrangeiro, ainda por cima munido de uma matriz cultural, em vários aspectos, antagónica.
Ninguém pode encontrar melhor guia para conhecer a Espanha contemporânea, com pistas para se poder entranhar na sua rica história e cultura(s) e poderosos descodificadores para entender as suas tensões actuais. Brilhante!
Ninguém pode encontrar melhor guia para conhecer a Espanha contemporânea, com pistas para se poder entranhar na sua rica história e cultura(s) e poderosos descodificadores para entender as suas tensões actuais. Brilhante!
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Web: Giles Tremlett in Guardian
Web: Ghosts of Spain
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Guia hispânico
Sábado, Maio 10, 2008
Sexta-feira, Maio 09, 2008
Mediterráneo / Mediterrània (52): Catalunya
Companyia Elèctrica Dharma - Catalluna (1983)
Antes de mais, o título sugere o duplo sentido Catalunha e "agarra a lua", reiterado pela capa. É uma sugestão poética, coerente com o conteúdo do álbum. Um álbum que se pode considerar o culminar de um projecto da Companyia Elèctrica Dharma de fusão da música tradicional catalã com a música electrónica de uma forma, digamos, pop. Algumas das mais populares canções tradicionais são aqui transfiguradas sem nunca perderem o seu carácter intrinsecamente catalão. A sonoridade das sardanes perpassa por todos de um modo, por vezes, grandioso, épico. Com efeito, são estes os adjectivos apropriados para alguns dos temas, nomeadamente o primeiro e o remate do último, que é extenso. Este, aliás, inspira-se nas danças de La Patum - festejos da cidadezinha de Berga, no extremo norte da província de Barcelona, num vale pirenaico. É um álbum indispensável para quem queira ter uma noção suficientemente informada do que é a música catalã.
Companyia Elèctrica Dharma - La presó de Lleida in Catalluna (1983)
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Mediterráneo / Mediterrània
Mediterráneo / Mediterrània (51): Catalunya
Companyia Elèctrica Dharma - Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)
Companyia Elèctrica Dharma é um grupo difícil de definir. Assenta numa base familiar que, ao longo do tempo, integra cinco de sete irmãos de uma família originária do bairro barcelonês de Sants, os Fortuny, à qual acresce sempre Carles Vidal e, pontualmente, mais alguns outros que não partilham o apelido Fortuny. Coincidindo com o fim de um período de maior projecção, em 1986 faleceu, repentinamente, um dos irmãos, Esteve, após um concerto. Para todos os efeitos, esse foi um momento marcante na trajectória do grupo. Contudo, manteve-se em actividade, sem cair na penumbra. Para além desta feição de trupe familiar, o que lhes confere originalidade é a música que fazem - uma mistura entre rock electrónico e música tradicional catalã (sardanes), ligada por conceitos perfeitamente jazzísticos de fusão, que estimulam o improviso. Note-se que os instrumentos que imperam são os mesmos das coblas (pequenas orquestras tradicionais) que presidem às danças das sardanes. A sonoridade é, assim, marcada por cornetins e outros instrumentos de sopro que são uma imagem de marca da identidade musical catalã. Contudo, há um aparatoso envolvimento de sintetizadores e baterias.
Desde os seus inícios, em meados dos anos 70, o grupo inscreveu-se no universo do catalanismo. Até essa altura era um universo esmagadoramente ocupado pela canção de texto (nova cançó), mas que vira, pouco antes, surgir algo que se apresentava como rock catalão por via de Jaume Sisa e Pau Riba. Em todo o caso, a proposta de Dharma não tinha a ver nem com uma coisa nem com outra. Tal originalidade granjeou-lhes aplausos da crítica e, depois, no início dos anos 80, também reconhecimento comercial. Este álbum corresponde, precisamente, a esse período. Das forças e das fraquezas desse tipo de música nesse período dá a devida conta. Esgrimindo os tópicos mais militantes do nacionalismo, procurou as referências dançáveis e festivas das tradições, não ignorando também uma das mais contemporâneas como transparece na associação do lema Força Dharma ao lema futebolístico Força Barça.
Há temas bem conseguidos e outros que nem tanto... Os três fortíssimos de entrada são, de longe, o melhor, em particular o exótico e arrebatador Anònim empordanés que se desenvolve numa improvável junção de uma marcha tradicional ampurdanesa com uma furiosa bateria.
Desde os seus inícios, em meados dos anos 70, o grupo inscreveu-se no universo do catalanismo. Até essa altura era um universo esmagadoramente ocupado pela canção de texto (nova cançó), mas que vira, pouco antes, surgir algo que se apresentava como rock catalão por via de Jaume Sisa e Pau Riba. Em todo o caso, a proposta de Dharma não tinha a ver nem com uma coisa nem com outra. Tal originalidade granjeou-lhes aplausos da crítica e, depois, no início dos anos 80, também reconhecimento comercial. Este álbum corresponde, precisamente, a esse período. Das forças e das fraquezas desse tipo de música nesse período dá a devida conta. Esgrimindo os tópicos mais militantes do nacionalismo, procurou as referências dançáveis e festivas das tradições, não ignorando também uma das mais contemporâneas como transparece na associação do lema Força Dharma ao lema futebolístico Força Barça.
Há temas bem conseguidos e outros que nem tanto... Os três fortíssimos de entrada são, de longe, o melhor, em particular o exótico e arrebatador Anònim empordanés que se desenvolve numa improvável junção de uma marcha tradicional ampurdanesa com uma furiosa bateria.
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Web: Companyia Elèctrica Dharma
Web: Companyia Elèctrica Dharma
Companyia Elèctrica Dharma - Anònim empordanès in Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)
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Mediterráneo / Mediterrània
Segunda-feira, Maio 05, 2008
Mediterráneo / Mediterrània (50): Catalunya
Joan Manuel Serrat - Cançons tradicionals (1967)
Tinha Serrat 24 anos quando publicou esta álbum, o segundo da sua carreira, mas já era uma figura de impacto na cena musical espanhola, muito em particular na Catalunha. Integrava a vaga fundadora e era uma das suas figuras de proa da nova cançó. No ano seguinte, em 1968, causou sensações contraditórias: quebrou como que uma regra implícita e começou a cantar em castelhano; por outro lado, renunciou com estrépito à intérpretação da canção La, la, la, no Festival da Eurovisão, por não lhe ter sido dada autorização para a cantar em catalão. Nem mesmo esta atitude corajosa impediu os zelotas do catalanismo de encarar a opção pelo bilinguismo como uma traição. Contudo, era uma opção compreensível - a sua mãe, aragonesa, era de língua castelhana e seu pai, de origem autóctone, era de língua catalã. Era também bilingue a realidade que o rodeava no popular bairro barcelonês de Poble Sec, onde afluíam emigrantes aragoneses, murcianos, andaluzes.
Nas vésperas destas polémicas, este álbum constitui como que uma serena proclamação de acrisolado amor pela Catalunha, através de algumas das suas mais emblemáticas canções tradicionais. São, na maior parte dos casos, de recorte bucólico e extravasando referências de vetusta catalanidade incrustados numa história de ressentimentos seculares. Estão magnificamente orquestradas e servidas por uma voz adequadamente melancólica. Enfim, é um álbum conceptual e, a vários títulos, original e brilhante.
Nas vésperas destas polémicas, este álbum constitui como que uma serena proclamação de acrisolado amor pela Catalunha, através de algumas das suas mais emblemáticas canções tradicionais. São, na maior parte dos casos, de recorte bucólico e extravasando referências de vetusta catalanidade incrustados numa história de ressentimentos seculares. Estão magnificamente orquestradas e servidas por uma voz adequadamente melancólica. Enfim, é um álbum conceptual e, a vários títulos, original e brilhante.
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Joan Manuel Serrat - L'estudiant de Vic in Cançons tradicionals (1967)
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Mediterráneo / Mediterrània
Sábado, Abril 19, 2008
Mediterráneo / Mediterrània (49): Catalunya

Ildefonso Falcones - La catedral del mar (2006)
Este romance histórico tem sido um estrondoso êxito de vendas. É um facto tanto mais notável quanto se trata da estreia de um escritor, no caso um advogado barcelonês de meia idade. Porém, o êxito é compreensível dada a junção de dois ingredientes: um sedutor cenário histórico e um enredo imaginativo, recheado de peripécias e emoções. Este último factor decorre de algo indispensável para se obter um bom romance: ter uma boa história para contar. Na verdade, estamos perante uma boa história, que, aliás, daria um bom filme... Contudo, é precisamente o impacto da história que suscita algumas debilidades, as quais se manifestam em certos aspectos da sua articulação com a História.
É evidente que um romance histórico não se confunde com um compêndio de História, mas presume-se que cumpra regras básicas de verosimilhança. Ou seja, sabe-se que é ficção, mas não é ilógico admitir que pudesse ter sucedido. Portanto, a erudição historiográfica do romancista é, geralmente, muito útil. Pois, note-se que o autor, para além do visível gosto pela História, teve o cuidado de se documentar. Num esclarecimento final refere as suas fontes, nomeadamente a mais importante que foi a Crónica de Pedro III, o Cerimonioso, monarca da coroa aragonesa, cujo reinado incide no centro do convulsionado século XIV. Assim, muitos acontecimentos descritos não são ficção, estando detalhadamente descritos nessa crónica. Do mesmo modo, muitos detalhes sobre as leis, usos e costumes foram retirados de diversas fontes da épocas, nomeadamente compilações jurídicas como as Usatges catalãs. É assim um romance intrinsecamente histórico, sendo emblemático desta natureza que seja inspirado e desenvolvido em torno da igreja de Santa María del Mar - um dos mais destacados exemplos do gótico na Catalunha - implantada no coração de um dos mais antigos bairros de Barcelona, El Born. Em certo contraste com esta natureza e com tão evidentes cuidados de inserção histórica, sucede que o enredo aqui e ali implica que se incorra em algum anacronismo, mais concretamente, naquele tipo de anacronismo que diz respeito às mentalidades. Com efeito, os heróis protagonistas, Bernat Estanyol e, sobretudo, o seu filho Arnau Estanyol, por vezes, pensam e vêem o mundo não tanto como homens daquele tempo medieval, mas mais como homens deste nosso tempo. Diga-se que tal óbice é frequente nos romances históricos, mas que neste caso, dado os cuidados de rigor, não deixa de ser assinalável. Seja como for, para além de ser uma excelente história, não deixa de ser um magnífico contributo para se entrar na História de um tempo e de um lugar fascinantes: Barcelona e o mundo mediterrâneo nos finais da Idade Média.
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É evidente que um romance histórico não se confunde com um compêndio de História, mas presume-se que cumpra regras básicas de verosimilhança. Ou seja, sabe-se que é ficção, mas não é ilógico admitir que pudesse ter sucedido. Portanto, a erudição historiográfica do romancista é, geralmente, muito útil. Pois, note-se que o autor, para além do visível gosto pela História, teve o cuidado de se documentar. Num esclarecimento final refere as suas fontes, nomeadamente a mais importante que foi a Crónica de Pedro III, o Cerimonioso, monarca da coroa aragonesa, cujo reinado incide no centro do convulsionado século XIV. Assim, muitos acontecimentos descritos não são ficção, estando detalhadamente descritos nessa crónica. Do mesmo modo, muitos detalhes sobre as leis, usos e costumes foram retirados de diversas fontes da épocas, nomeadamente compilações jurídicas como as Usatges catalãs. É assim um romance intrinsecamente histórico, sendo emblemático desta natureza que seja inspirado e desenvolvido em torno da igreja de Santa María del Mar - um dos mais destacados exemplos do gótico na Catalunha - implantada no coração de um dos mais antigos bairros de Barcelona, El Born. Em certo contraste com esta natureza e com tão evidentes cuidados de inserção histórica, sucede que o enredo aqui e ali implica que se incorra em algum anacronismo, mais concretamente, naquele tipo de anacronismo que diz respeito às mentalidades. Com efeito, os heróis protagonistas, Bernat Estanyol e, sobretudo, o seu filho Arnau Estanyol, por vezes, pensam e vêem o mundo não tanto como homens daquele tempo medieval, mas mais como homens deste nosso tempo. Diga-se que tal óbice é frequente nos romances históricos, mas que neste caso, dado os cuidados de rigor, não deixa de ser assinalável. Seja como for, para além de ser uma excelente história, não deixa de ser um magnífico contributo para se entrar na História de um tempo e de um lugar fascinantes: Barcelona e o mundo mediterrâneo nos finais da Idade Média.
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Mediterráneo / Mediterrània
Terça-feira, Abril 15, 2008
Flamenco (35)
Flamenco 2008 - Festival de Lisboa
No próximo sábado, na Aula Magna da Reitoria da Universidade Clássica de Lisboa actuará um dos maiores nomes da actual cena flamenca: Miguel Poveda. Não é demais dizer que é um grande acontecimento para os amantes da arte flamenca em terras lusas... De notar que o recital se insere num festival flamenco, que, desde o passado mês de Março, tem vindo a levar a cabo iniciativas variadas, como colóquios e exibições de filmes.
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Flamenco
Quarta-feira, Abril 09, 2008
Flamenco (34)

Miguel Poveda - Viento del Este (1995)
Este é o primeiro álbum de um cantaor que, sob diversas formas, foge aos parâmetros comuns, mas que vem adquirido crescente projecção. Não tem origens ciganas e é catalão - nascido em Badalona, subúrbios de Barcelona. A sua família, ainda que humilde e imigrante, não tem tradições musicais, nem tampouco raízes andaluzas. O pai é murciano; a mãe é manchega.
A discografia de Miguel Poveda é ainda curta, mas já apresenta destaques de monta. Assim, contactar com este primeiro álbum pode ser, até certo ponto, algo de contrastante com o que que é mais actual na sua carreira. Nesta primeira gravação predominam os cantes mineros, mas quer estes, quer os mais ortodoxos cantes aí interpretados dão-nos um registo de um flamenco mais próximo do jondo do que de experiências fusionistas... Seja como for, sobressai um voz de forte expressividade. Desde então para cá, Poveda tem percorrido caminhos mais ousados e, por isso, tem sabido seduzir uma crítica que o tem enaltecido, mas é sobre esta voz, entretanto mais amadurecida, que assenta o essencial do seu valor.
A discografia de Miguel Poveda é ainda curta, mas já apresenta destaques de monta. Assim, contactar com este primeiro álbum pode ser, até certo ponto, algo de contrastante com o que que é mais actual na sua carreira. Nesta primeira gravação predominam os cantes mineros, mas quer estes, quer os mais ortodoxos cantes aí interpretados dão-nos um registo de um flamenco mais próximo do jondo do que de experiências fusionistas... Seja como for, sobressai um voz de forte expressividade. Desde então para cá, Poveda tem percorrido caminhos mais ousados e, por isso, tem sabido seduzir uma crítica que o tem enaltecido, mas é sobre esta voz, entretanto mais amadurecida, que assenta o essencial do seu valor.
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Web: Miguel Poveda
Web: Miguel Poveda
Miguel Poveda - Y yo qué culpa tengo (tangos) (1995)
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Flamenco
Segunda-feira, Março 31, 2008
Flamenco (33)

Diego Carrasco - Inquilino del mundo (2000)
Diego Carrasco é um dos mais originais artistas flamencos. Significativamente, é também, como muitos outros artistas flamencos, de Jerez de la Frontera. Definitivamente, este é o epicentro de todas as geografias do flamenco, do mais puro ao mais heterodoxo. A alusão faz aqui todo o sentido, na medida em que Diogo Carrasco representa um compromisso entre o purismo e a heterodoxia. A sua voz é agreste e sentida, como é próprio do cante jondo. Contudo, é uma música aberta em direcções variadas, que acolhe contributos de vários estilos, ainda que dirigida por um critério muito pessoal. Critério esse que passa por letras de corte introspectivo e por arranjos surpreendentes. No tema que dá nome ao álbum, por exemplo, temos algo que não anda longe do conceito rap... É uma opção artística arriscada, entre o génial e o fiasco. Ou se gosta ou não se gosta. Em todo o caso, é, francamente pouco comercial. Perante este álbum fiquei com a sensação que esta música é algo que está relativamente próximo do génio, mas na forma arriscada em que se desenvolve não evita aqui e ali algum passo em falso.
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Diego Carrasco - Poeta de Cai in Inquilino del mundo (2000)
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Flamenco
Domingo, Março 23, 2008
Imprensa (5)
Os maiores jornais diários hispânicos
A partir de dados apresentados no anuário Tendencias 07 Medios de comunicación eis aqui a lista dos jornais diários de língua espanhola com difusão superior a 100.00 exemplares diários. Excluem-se os diários cujos números declarados não são confirmados por auditorias independentes, assim como os que são de distribuição gratuita. Destacam-se os jornais de informação geral de referência, de âmbito estatal com *** e de âmbito regional com *.435.238 - El País (Madrid, España) ***
401.287 - Clarín (Buenos Aires, Argentina) ***
320.161 - El Mundo (Madrid, España) ***
314.007 - Marca (Madrid, España)
274.404 - El Tiempo (Santa Fé de Bogotá, Colombia) ***
207.371 - La Vanguardia (Barcelona, España) *
207.157 - As (Madrid, España)
204.413 - Trome (Lima, Perú)
191.892 - El Popular (Lima, Perú)
166.296 - Últimas Noticias (Caracas, Venezuela)
162,562 - El Periódico de Catalunya (Barcelona, España) *
161.006 - La Nación (Buenos Aires, Argentina) ***
155.000 - El Nuevo Día (San Juan Puerto Rico) ***
153.872 - El Mercurio (Santiago, Chile) ***
146.723 - La Cuarta (Santiago, Chile)
145.207 - Las Últimas Noticias (Santiago, Chile)
144.413 - Meridiano (Caracas, Venezuela)
144.404 - Correo (Lima, Perú)
144.000 - La Razón (Madrid, España)
140.000 - Diario Extra (San José, Costa Rica)
131.783 - La Tercera (Santiago, Chile) ***
125.624 - La Opinión (Los Angeles, Estados Unidos) *
121.316 - El Correo Español (Bilbao, España) *
118.399 - Sport (Barcelona, España)
114.286 - El Universal (Ciudad de México, México) ***
107.621 - El Comercio (Lima, Perú) ***
105.714 - La Nación (San José, Costa Rica) ***
103.330 - La Voz de Galicia (La Coruña, España) *
101.523 - Mundo Deportivo (Barcelona, España
100.414 - El Comercio (Quito, Ecuador) ***
100.000 - El Norte (Monterrey, México) *
Fonte: Tendencias’07 Medios de comunicación - El escenario iberoamericano (Elaboração própria)
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Imprensa (4)
Tendencias 07 Medios de comunicación: El escenario iberoamericano
O professor Bernardo Diáz-Nosty é um destacado perito em estudos sobre comunicação social. Entre muitas actividades, tem dirigido a elaboração de anuários sobre a evolução da comunicação social em Espanha. Sob a designação genérica de Tendencias, estas publicações têm constituído um retrato exaustivo em todos os domínios (imprensa escrita, rádio, televisão...) através da apresentação e interpretação de estatísticas e de variadas sínteses qualitativas. Durante alguns anos estes anuários foram editados por uma fundação especialmente dedicada ao estudo da comunicação social (Fundesco). Depois houve uma interrupção na sua publicação, mas, entretanto, reapareceram editados por uma fundação da Telefónica. A grande novidade da última edição é que se abalança na análise de todo o vasto universo da comunicação social iberoamericana, incluindo Portugal e Brasil. É algo de extremamente ambicioso, mas que, para já, e tendo em conta as limitações dos estudos e dados estatísticos da maioria dos países abrangidos, se apresenta como excedendo as melhores expectativas.Pode-se baixar esta publicação a partir da seguinte hiperligação:
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Sábado, Março 22, 2008
Flamenco (32) (7 remake)

José Soto Sorderita - Mi secreto pirata (1995)
José Soto Sorderita foi a primeira voz solista de Ketama e, na verdade, mesmo depois de ter saído, não deixou de continuar ligado ao grupo, já que regressou expressamente para participar nas duas edições do extraordinário Songhaï, que é, talvez, a obra cimeira do nuevo flamenco e, mundialmente, um dos mais aclamados produtos da chamada world music. Tem um timbre de voz bem flamenco, mas na variante fina. Sem desprimor para Antonio Carmona, que herdou a condição de voz solista de Ketama, Sorderita tem uma maior delicadeza, que, em certos temas, consegue ser oportunamente expressiva. Este álbum foi editado numa época em que Ketama estava já consagrado e a projecção de Sorderita continuava subsidiária da fama do grupo. Era o momento para reafirmar um caminho autónomo, em que o fusionismo é entendido de uma forma menos heterodoxa. Não temos aqui experimentalismo radical, temos, isso sim, uma linha de fusão que nunca ultrapassa um determinado limite. Em que consiste? Por exemplo: numa seguiriya utiliza-se um piano em vez da guitarra; nuns tanguillos ou numas bulerías recorre-se a guitarras eléctricas. Mas, com estas roupagens nunca deixam de ser bem reconhecíveis os palos (estilos básicos do flamenco). A destacar: Puros sesenta e o tema que dá nome ao álbum (respectivamente tanguillos e seguiriyas) que sintetizam inspiradamente o espírito de fusão entre casticismo e modernidade.
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José Soto Sorderita - Puros sesenta (1995)
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Flamenco
Terça-feira, Março 11, 2008
Tanguedia (3)
Há muitas antologias em CD de Carlos Gardel, mas são poucas as que apresentam qualidade de edição. Aparte algumas provenientes da Argentina ou de editoras sofisticadas do Japão, EUA, Grã-Bretanha ou França, cuja pontaria a públicos minoritários contempla os cultores do tango clássico, o que se encontra é, regra geral, descuidado e, por vezes, indigente. Contudo, no mercado português pode-se encontrar uma excelente antologia. É composta por dois volumes e é da editora britânica Nimbus. Apesar de desconcertante não inclusão de alguns dos êxitos mais conhecidos (Mi Buenos Aires querido, por exemplo), é compensador encontrar um encarte com abundante informação, incluindo resumos das letras de todos os temas. Além disso, a apresentação gráfica tem bom-gosto e é cuidada.
As gravações de Carlos Gardel têm, inevitavelmente, uma rusticidade que choca com modernos padrões de pulcritude sonora e sofisticação orquestral. Mas, em certa medida, por isso mesmo, ressalta a qualidade da voz carismática, plena de expressividade, onde o característico sotaque porteño tem um papel relevante. Além disso, há as letras... que expressam emoções excessivas, num registo oscilante entre o macho castigador e o macho enganado. É, enfim, o tango mais puro consagrado assim no arquétipo gardeliano para a eternidade. Aliás... Gardel cada día canta mejor.
As gravações de Carlos Gardel têm, inevitavelmente, uma rusticidade que choca com modernos padrões de pulcritude sonora e sofisticação orquestral. Mas, em certa medida, por isso mesmo, ressalta a qualidade da voz carismática, plena de expressividade, onde o característico sotaque porteño tem um papel relevante. Além disso, há as letras... que expressam emoções excessivas, num registo oscilante entre o macho castigador e o macho enganado. É, enfim, o tango mais puro consagrado assim no arquétipo gardeliano para a eternidade. Aliás... Gardel cada día canta mejor.
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Carlos Gardel - Mano a mano (1928)
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Tanguedia















































