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domingo, fevereiro 22, 2009

Memória do Futebol (13)

Europa Top100 2007/2008 - Média de espectadores / Clubes de futebol
A litania recorrente sobre as baixas assistências do futebol português não tem base objectiva de nenhum tipo. Seja sob que perspectiva forem analisados os dados estatísticos, nada permite adoptar tal tese. Aqui fica uma achega: o Top100 das médias de espectadores de clubes nas ligas nacionais europeias na época 2007/2008 (Excluída a Turquia por falta de dados).
Portugal está presente com 4 clubes, 3 dos quais no Top50; de notar que FC Porto e Benfica estão, inclusivamente, no Top40, à frente de clubes como Juventus, AS Roma, Lazio, Fiorentina, Torino, Everton, Tottenham Hotspur, PSV, Olympique de Lyon, PSG... São indicadores impensáveis para os demais países da ordem de grandeza de Portugal, como é o caso da Grécia, República Checa, Bélgica, Hungria, Sérvia e Áustria.
Outros indicadores confirmam que, de facto, nesta matéria, Portugal só é ultrapassado pelas 5 grandes ligas, mais a Escócia e a Holanda. Em termos relativos, comparativamente com o número de habitantes, só será ultrapassado, eventualmente, por estes dois últimos.

(Clicar sobre a imagem, a fim de se obter a visualização da lista)



Fonte: European Football Statistics

sábado, fevereiro 14, 2009

Memória do futebol (12)

Benfica: O mito dos 6 milhões
As informações sobre popularidade dos clubes de futebol são um terreno movediço que exige cautelas, já que mexe com muita paixão. Um exemplo: os 6 milhões de benfiquistas - mito que releva da megalomania. Nada sustenta esse número, na medida em que, na melhor das hipóteses, abrange todo o universo de adeptos de futebol em Portugal. Por outro lado, a diáspora da emigração portuguesa, se bem que extensa (para a proporção do universo de origem), está longe de significar um alargamento de grandeza absoluta que viabilize tal fantasia. Nem, tampouco, se se tiver em conta a população dos PALOPS que fala efectivamente português, e que podemos considerar aculturada, a qual, no total, mal passará dos 10 milhões (sobretudo, à conta de Angola).
Ora bem, pois sucede que recente sondagem da Sport+Markt confirma tudo o que admitia como provável: o universo dos que aqui em Portugal gostam de futebol é de 4,7 milhões. Os que fora de Portugal, na Europa, torcem por clubes portugueses são 2 milhões. Mas... mais interessante: o Benfica é, efectivamente, o clube português, de longe, com mais adeptos, mas são... 2,2 milhões. Em segundo, o FC Porto, com 1,3 milhões e, em terceiro, o Sporting, com 1,1 milhões. Adicionados os adeptos na Europa os resultados são estes: 2,9 (SLB), 1,9 (FCP) e 1,8 (SCP) milhões, respectivamente.
No fundo, estes dados encaixam nos que, em 1992, foram publicados por
A Bola, como resultado de uma extensa sondagem: Benfica - 40%; Sporting - 20%; FC Porto - 19%. Uma tendência anotada nessa sondagem apontava num sentido que, entretanto, se confirma: forte reforço do FC Porto pela maior penetração entre os jovens. Ver notícia do Expresso on line que reporta esta sondagem: Benfica só tem 2,2 milhões de adeptos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Memória do futebol (11)

Clubes mais ricos do mundo
Hoje, na edição do Público, vem a lista dos clubes mais ricos do mundo. É já uma tradição dos últimos anos. Trata-se de um estudo elaborado pela Deloitte para a revista Four-Two-Four (Estudo original: Football Money League 2009).
De notar que é uma lista de rendimentos e não de despesas. Ou seja, difere de qualquer uma que se possa elaborar a partir dos dados mais comuns, referentes aos orçamentos anuais. Por outro lado, sublinhe-se que os critérios seguidos nesta rich list pretendem valorizar a efectiva riqueza estrutural de cada clube; assim, não são tidos em conta os valores correspondentes à venda de direitos desportivos dos jogadores, o que, aliás, torna ainda mais difícil que um clube português a integre - só o Benfica chegou, uma vez, a integrá-la - ver post Memória do Futebol (2).
Tem-se vindo a notar uma luta taco a taco pela liderança entre o Manchester Utd e Real Madrid. Este tem levado a melhor nos dois últimos anos, sendo que neste último, a queda da libra viabilizou a manutenção da liderança. Mas, nem mesmo este factor impediu que continue a haver uma expressiva hegemonia dos clubes da Premier League na lista. São 7 em 20; 4 entre os 10 primeiros.
Eis a lista:

Football Money League 2009

Real Madrid

365,8

M€
Manchester Utd 324,8 M€
Barcelona 308,8 M€
Bayern München 295,3 M€
Chelsea 268,9 M€
Arsenal 264,4 M€
Liverpool 210,9 M€
AC Milan 209,5 M€
AS Roma 175,4 M€
Inter 172,9 M€
Juventus 167,5 M€
OL 155,7 M€
Schalke 04 148,4 M€
Tottenham Hotspur 145 M€
Hamburger SV 127,9 M€
OM 126,8 M€
Newcastle Utd 125,6 M€
VfB Stuttgart 111,5 M€
Fenerbahçe 111,3 M€
Manchester City 104 M€

Memória do futebol (10)

Os clubes mais populares do mundo
Sobre o número de adeptos de clubes de futebol há sondagens cujos resultados se encontram na Internet. A maioria dos resultados apresentados são muito resumidos, mas sobre a Argentina, Brasil, Espanha e Itália encontram-se estudos detalhados. Sobre clubes de muitos outros países encontram-se apenas informações indirectas, nomeadamente em fóruns que discutem o assunto. Há ainda sondagens de uma empresa alemã de estudos do mercado desportivo mundial (Sport+Markt), que avaliam a popularidade global. Ponderando todos esses dados, mas tendo como referência o universo correspondente à área do respectivo campeonato nacional, construi este ranking, cujo valor, evidentemente, não é mais do que aproximativo... Notórias omissões (por exemplo, clubes fora da Europa e América Latina) resultam de completa carência de informações.




De 25 a 35 milhões de adeptos
BRA Flamengo Rio de Janeiro
De 20 a 25 milhões de adeptos
BRA Corinthians São Paulo
De 15 a 20 milhões de adeptos
RUS Zenith
Sankt-Peterburg
De 10 a 15 milhões de adeptos
ARG Boca Juniors Buenos Aires
BRA Palmeiras São Paulo
BRA São Paulo São Paulo
ENG Manchester Utd Manchester
ESP Real Madrid Madrid
GER Bayern München
ITA Juventus Torino
De 7,5 a 10 milhões de adeptos
ARG River Plate Buenos Aires
BRA Vasco da Gama Rio de Janeiro
ESP Barcelona Barcelona
FRA OM Marseille
ITA AC Milan Milano
RUS CSKA Moskva
RUS Spartak Moskva
TUR Fenerbahçe İstanbul
TUR Galatasaray İstanbul
UKR Dynamo Kyyiv Kyyiv
De 5 a 7,5 milhões de adeptos
BRA Cruzeiro Belo Horizonte
BRA Grêmio Pôrto Alegre
ENG Arsenal London
ENG Liverpool Liverpool
FRA OL Lyon
ITA Inter Milano
MEX Chivas Guadalajara
NED Ajax Amsterdam
POL Wisla
Kraków
RUS Dinamo Moskva Moskva

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Memória do futebol (9)

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Keir Radnedge - 50 años de la Copa de Europa y la Liga de Campeones [50 years of the European Cup and Champions League], 2006
A mais importante e prestigiada competição mundial de clubes merecia um livro assim. Trata-se, evidentemente, da Taça dos Campeões Europeus e da vigente herdeira Liga dos Campeões. Celebra os cinquenta anos da competição. O autor é inglês, o que não admira. A maior parte da bibliografia sobre a história e a sociologia do futebol é de origem inglesa. Comprei a versão espanhola. Tanto quanto sei, não há versão portuguesa. O texto corre ao longo da história com uma sóbria objectividade, que não impede que se saliente com o merecido tom épico muitos momentos marcantes. Por exemplo, a final de Glasgow, em que o mítico Real Madrid de Di Stefano venceu os destemidos amadores alemães do Eintracht de Frankfurt por 7-3. Ou aquela em que o mesmo Real Madrid de Di Stefano, já decadente, foi batido pelo Benfica de Eusébio por 5-3, em Amesterdão. E, já agora, indo ao encontro das minhas paixões clubísticas, aquela outra, muito mais tarde, em Viena, em que os arrogantes alemães do Bayern foram derreados pelo arreganho de João Pinto, pelas fintas de Futre e pelo... calcanhar de Madjer! Tantas e tantas emoções! Como se não bastasse a magnífica crónica, existe abundante ilustração fotográfica e iconográfica e depoimentos de algumas figuras marcantes: Di Stefano, Eusébio, Bobby Charlton, Beckenbauer...
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terça-feira, novembro 27, 2007

Memória do Futebol (8): Estádios no Google Earth - Porto

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Dragão - FC Porto

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Bessa Século XXI - Boavista FC

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Mar - Leixões SC

quarta-feira, julho 11, 2007

Memória do futebol (7)

Não conhecia nenhum estudo sobre a dimensão do universo de adeptos dos clubes de futebol de Espanha. É claro que estava ciente da liderança destacada do Real Madrid. Por outro lado, estava também ciente do poder da "classe média", com vários casos de fortíssima implantação em populosos âmbitos regionais (Valencia, Athletic, Zaragoza, Bétis, Sevilla, Zaragoza, Deportivo, Celta, Real Sociedad...). Ora, finalmente, com este estudo do CIS (Centro de Investigaciones Sociológicas), inserido no Barómetro de Mayo (Estudio nº 2.705) pode-se começar a ficar com uma ideia mais rigorosa.
Registo algumas surpresas:
- O Barça está mais alto do que supunha, o que comprova uma penetração que extravasa o âmbito catalão;
- A implantação regional de Valencia, Athletic e Zaragoza é esmagadora e, certamente, extravasa para regiões limítrofes;
- Imaginava um equilíbrio entre os dois rivais sevilhanos, com ligeira inclinação a favor do Sevilla. Pois sucede precisamente o contrário em favor do Bétis e não de um modo tão ligeiro como isso...
- Não obstante estarem na penumbra da divisão secundária, clubes regionais como Sporting, de Gijón, Málaga, Cádiz, Las Palmas, Tenerife, Valladolid e Murcia demonstram um potencial notável;
- Os valores do Atlético de Madrid são decepcionantes. Não parece dispor de uma penetração verdadeiramente nacional;
- Clubes regionais como Hércules, de Alicante, e Alavés, de Vitória, apresentam também valores decepcionantes, No primeiro caso, tratar-se-á de uma hinchada pouco resistente à prolongada estância em divisões secundaríssimas? No segundo caso será que o Athletic rouba espaço de afirmação?

Veja-se os valores em escala percentual:

¿Podría decirme cuál es el equipo por el que siente Ud, más simpatía? (Respuesta espontánea)
32,8 Real Madrid
25,7 Barcelona
05,3 Valencia
05,1 Athletic de Bilbao
04,3 Atlético de Madrid
03,3 Betis
02,7 Zaragoza
02,3 Sevilla
02,2 Deportivo de la Coruña
02,2 Celta
01,3 Osasuna
01,3 Real Sociedad
01,0 Espanyol
00,8 Sporting
00,8 Racing de Santander
00,7 Málaga
00,6 Cádiz
00,6 Las Palmas
00,6 Tenerife
00,5 Mallorca
00,4 Recreativo de Huelva
00,4 Valladolid
00,4 Murcia
00,3 Almería
00,2 Gimnàstic de Tarragona
00,2 Levante
00,2 Albacete
00,2 Elche
00,2 Alavés
00,1 Getafe
00,1 Villareal
00,1 Hércules
00,1 Numancia
00,1 Xerez

00,2 La Selección Española
01,5 Cita un equipo local
00,2 Cita un equipo extranjero
00,9 N,C

domingo, maio 06, 2007

Memória do futebol (6)


Garrincha, o Anjo das pernas tortas

domingo, fevereiro 18, 2007

Memória do futebol (5)

A litania sobre o futebol português
Desde que Benfica e Sporting deixaram de dominar o futebol português, a comunicação social tem alimentado uma recorrente litania sobre o seu valor. São múltiplas as suas vertentes. A mais significativa incide na tentativa de descredibilização do mérito das vitórias do FC Porto. Em prol de uma cruzada sensacionalista são amplificadas sistematicamente todas as suspeitas que podem ir nesse sentido. Contudo, outras vertentes não deixam de ser exploradas, como, por exemplo, um suposto processo de crescente desinteresse do público português pelo futebol. Em boa verdade, em relação a estes argumentos deve-se dizer que existem dados objectivos. São números e estes, em larga medida, relativizam-nos ou, inclusivamente, desmentem-nos de modo devastador.
Todas os elementares dados demonstram, por exemplo, que a difusão de jornais desportivos aumentou dramaticamente nos últimos trinta anos (jornais que além do mais passaram a diários). O mesmo se diga das audiências televisivas do futebol (tendo como comparação apenas as que na actualidade correspondem às transmissões em sinal aberto), que, além do mais, se tornaram muito mais frequentes. O peso relativo dos espaços publicitários associados a estas transmissões, em relação ao bolo publicitário global, aumentou exponencialmente. Tudo isto significa que o futebol na televisão não só tem mais espectadores, como o impacto destas transmissões na sua vida é maior. A publicidade e o mercado publicitário conhecem bem este fenómeno de dependência futebolística, traduzindo-se este facto, por vezes, em saturação... Contudo, há uma ladainha com que constantemente nos matraqueiam: as pessoas já não vão aos estádios, dizem-nos repetidamente. Pelo menos, em comparação com o resto da Europa não se pode dizer isso. Mas, tampouco se pode dizer isso tendo em conta os valores médios dos últimos anos.
Em comparação com o resto da Europa, os índices relativos às nossas áreas metropolitanas só ficam aquém dos correspondentes às áreas metropolitanas da Escócia, Inglaterra, Alemanha e Holanda. Na globalidade, não se pode dizer que sejam inferiores aos da Itália ou Espanha. São superiores aos da França e Bélgica. São muitíssimo superiores aos da Irlanda, Suiça, Áustria, Grécia, Turquia e todos os países do leste! Sobre isto, oportunamente, avançarei com dados concretos. Entretanto, avanço com os valores médios das assistências nos últimos anos do 1º escalão do futebol português:

Médias da 1º Liga:
1999-00: 8.637;
2000-01: 7.382;
2001-02: 8.098;
2002-03: 7.012;
2003-04: 9.468;
2004–05: 10.624;
2005–06: 10.600.

Médias do Benfica:
1999-00: 27.706 (3);
2000-01: 27.206 (1);
2001-02: 29.924 (1);
2002–03: 22.541 (2);
2003-04: 28.395 (3);
2004–05: 35.053 (2) (campeão);
2005–06: 43.057 (1).

Médias do FC Porto:
1999-00: 22.029 (3) (campeão);
2000-01: 17.776 (3);
2001–02: 21.159 (3);
2002–03: 28.248 (1) (campeão);
2003-04: 34.143 (1) (campeão);
2004–05: 36.038 (1);
2005–06: 38.679 (2) (campeão);

Médias do Sporting:
1999-00: 31.640 (1) (campeão);
2000-01: 29.887 (2);
2001–02: 30.958 (2) (campeão);
2002–03: 14.789 (3);
2003-04: 25.660 (2);
2004–05: 19.000 (3);
2005–06: 28.824 (3).

Digamos que numa interpretação pessimista, o máximo que se pode dizer é que os novos estádios inverteram uma eventual tendência de quebra. E que a evolução dos grandes compensa de sobra eventuais quebras dos demais clubes.
O que se deve discutir não é um hipotético desinteresse do público pelo futebol, mas sim a sua matriz de paixão clubista e o que tal significa em Portugal, onde existe uma concentração absolutamente hipertrofiada dessa paixão nos três grandes.

Fonte: http://www.european-football-statistics.co.uk/attn.htm

sábado, fevereiro 10, 2007

Memória do futebol (4)

SL Benfica entre os clubes mais ricos

No post "Memória do futebol (2)", a propósito da patética campanha de afirmação do SL Benfica como "maior clube do mundo", com base na certificação do seu número de sócios, desmistifiquei tal intuito e apresentei como uma alternativa mais razoável a lista anual publicada pela Deloitte com os clubes mais ricos do mundo. Conclui esse post escrevendo o seguinte:
"No que diz respeito a clubes portugueses, só esteve próximo da lista o FC Porto. Passou, episodicamente pelos 5 lugares adicionais (ou seja, entre o 21º e o 25º lugar), por força da campanha que lhe deu o título europeu e os correspondentes prémios financeiros. Tal sucedeu em 2004. Não há perspectivas razoáveis que possa voltar a suceder a curto ou médio prazo com um clube português."

Ora, sucede que a lista recentemente publicada, referente a 2006, desmentiu a minha profecia. O SL Benfica atingiu o 20º lugar. Na verdade, excluindo uma dúzia de clubes da parte superior da tabela, cada vez mais, uma boa campanha na Liga dos Campeões é um factor decisivo para entrar nos restantes lugares da tabela. Este factor e o dos direitos televisivos são decisivos. Sob o ponto de vista conjuntural houve uma boa campanha na Liga dos Campeões. Sob o ponto de vista estrutural, pois se há algum clube em Portugal com capacidade para aparecer na lista é precisamente o SL Benfica, pela dimensão da sua base de apoio. Aliás, surpreende é que, desde 2002, só no ano passado a sua assistência média voltasse a ultrapassar as do FC Porto, com o magnífico número de 43.057 espectadores, que o situa entre os grandes da Europa e confirma uma tendência de subida, ano após ano.
Independentemente da grandeza estrutural do SL Benfica, há alguns factores a ter em conta para compreender a, ainda assim, algo inesperada promoção. Um factor decisivo é a crise do futebol italiano, a qual se traduz no desaparecimento da lista do SS Lazio e do AC Parma - o primeiro, note-se, até ao ano passado era um habitual dos primeiros lugares. Depois, há ainda a anotar a não qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões do CF Valencia e do Celtic, habituais da parte inferior da tabela.
Sublinhe-se, que a lista é um apuramento de receitas (receitas regulares, excluindo o valor das transferências), não de encargos. Ou seja, mais do que um retrato da saúde financeira, é um retrato (e bem fidedigno) das suas potencialidades financeiras.
Lista de 2006 (entre parêntesis a posição no ano anterior):
01 (01) Real Madrid - - - - - - - - - €292.2m
02 (06) Barcelona - - - - - - - - - - €259.1m
03 (04) Juventus - - - - - - - - - - - €251.2m
04 (02) Manchester Utd - - - - - - €242.6m
05 (03) AC Milan - - - - - - - - - - - €238.7m
06 (05) Chelsea - - - - - - - - - - - - €221.0m
07 (09) Inter - - - - - - - - - - - - - - €206.6m
08 (07) Bayern - - - - - - - - - - - - €204.7m
09 (10) Arsenal - - - - - - - - - - - - 192.4m
10 (08) Liverpool - - - - - - - - - - -€176m
11 (15) Olympique Lyon - - - - - -€127.7m
12 (11) AS Roma - - - - - - - - - - - 127m
13 (12) Newcastle Utd - - - - - - - 124.3m
14 (14) Schalke 04 - - - - - - - - - - €122.9m
15 (13) Tottenham Hotspur - - - €107.2m
16 (na) Hamburger SV - - - - - - - €101.8m
17 (17) Mancheter City - - - - - - -€89.4m
18 (na) Rangers - - - - - - - - - - - - €88.5m
19 (na) West Ham Utd - - - - - - - 60.1m
20 (na) Benfica - - - - - - - - - - - - -€58.8m

Ver relatório detalhado em: Deloitte Money League 2007

terça-feira, janeiro 16, 2007

Memória do futebol (3)

Liga espanhola 1964 -65

Campeão: Real Madrid CF (Araquistain; Isidro, Santamaría, Miera; Muller, Zoco; Amancio, Ruiz, Grosso, Puskas, Gento).

01 Real Madrid CF - 47
02 Atlético Madrid - 43
03 Real Zaragoza CD - 40
04 Valencia CF - 38
05 Córdoba CF - 35
06 CF Barcelona - 32
07 Atlético Bilbao - 32
08 Elche CF - 31
09 UD Las Palmas - 29
10 Sevilla CF - 26
11 Real CD Español - 25
12 Real Bétis Balonpié - 23
13 Real Murcia CF - 23
14 Levante UD - 21
15 Real Oviedo CF 20
16 Real Deportivo La Coruña - 15

terça-feira, novembro 14, 2006

Memória do futebol (2)

Grandezas: delírios e realidades
A iniciativa do Benfica em se alardear como recordista mundial em número de sócios suscita-me alguns reparos. Ao contrário do que possa parecer, a iniciativa é mais uma demonstração da sua decadência na galeria dos grandes do futebol mundial. Perdida a glória de ser o clube português com melhor palmarés internacional e confrontado a nível interno com a perda da hegemonia, investe nestas glórias... Iniciativas de divulgação da sua grandeza na história do futebol seriam mais sensatas e pertinentes. Esta, na verdade, é uma glória patética, que assenta na efémera mobilização de sócios, um tanto ad hoc... Tão patética quanto, sendo, indiscutivelmente, o clube com maior número de adeptos, não conseguiu, nas últimas temporadas (mesmo naquela em que foi campeão) ter a liderança na média de assistências por jogo... Além do mais, isto parece ser uma consolação para o desfazer da quimera delirante dos 300.000 sócios... A massa crítica benfiquista, qual aristocracia decadente, parece entregar-se à fruição de delírios megalómanos...
O conceito de sócio é obsoleto para os grandes clubes mundiais. Bem mais significativo é, por exemplo, o número de abonados de pacotes de bilhetes por temporada ou competição, de compras de assistências televisivas de jogos em pay per view, ou, evidentemente, de assistências nos estádios. O conceito de sócio era algo decisivo nas velhas entidades clubísticas, nas quais a prática desportiva fazia parte da afirmação da identidade. Hoje, a nível de grandes clubes, essa realidade só persiste na América do Sul. E mesmo aí, advinha-se, já em crise...
Verdadeiro Ranking de grandeza (algo cruel, mas cada vez mais incontornável) é o que a empresa de consultadoria Deloitte vem fazendo nos últimos anos, ordenando os 20 clubes mais ricos do mundo em função dos seus rendimentos. Veja-se o último, relativo a 2005, in Deloitte (España). No que diz respeito a clubes portugueses, só esteve próximo da lista o FC Porto. Passou, episodicamente pelos 5 lugares adicionais (ou seja, entre o 21º e o 25º lugar), por força da campanha que lhe deu o título europeu e os correspondentes prémios financeiros. Tal sucedeu em 2004. Não há perspectivas razoáveis que possa voltar a suceder a curto ou médio prazo com um clube português.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Memória do futebol (1)

Inglaterra, 1888
Estávamos em plena era da Rainha Vitória. O Império Britânico era ainda a principal potência imperial. No resto do mundo, para além da Mancha, não se fazia a mais remota ideia do que poderia ser o futebol. Contudo, em 1888, esta modalidade, derivação plebeia do rubgy, estabeleceu-se em Inglaterra como espectáculo profissional e organizado em campeonato de liga, por poule. Era um fenómeno circunscrito sob o ponto de vista social e geográfico, embora com crescente impacto. Dizia respeito à classe operária e a três regiões: Lancashire, West Midlands e East Midlands. Todas os clubes que inauguraram essa competição, em 1888, eram dessas três regiões. Não havia, por exemplo, nenhum de Londres. No essencial, permaneceu com esta configuração até à Grande Guerra (1914-18). Tornou-se o grande espectáculo proletário dos sábados à tarde. Os primeiros jogadores profissionais eram oriundos do operariado. A pouco e pouco as classes médias foram aderindo ao espectáculo, mas, até meados dos século XX, manteve-se como espectáculo essencialmente proletário. As classes mais elevadas mantiveram-se longe desse mundo - os seus desportos de equipa eram o cricket e o rugby.
Eis a classificação final dessa 1º edição da Liga (1888-89):

1 - Preston North End FC - 40
2 - Aston Villa FC - 29
3 - Wolverhampton Wanderers FC - 28
4 - Blackburn Rovers FC - 26
5 - Bolton Wanderers FC - 22
6 - West Bromwich Albion FC - 22
7 - Accrington FC - 20
8 - Everton FC - 20
9 - Burnley FC - 17
10 - Derby County FC - 16
11 - Notts County FC - 12
12 - Stoke FC - 12

Eram clubes de zonas fortemente industrializadas, quase todos inseridos nas conurbações de Birmingham e Liverpool-Manchester, estabelecidos em pequenas e médias cidades periféricas dessas grandes áreas. Dessas cidades, propriamente ditas, só encontramos dois: Everton (Liverpool) e Aston Villa (Birmingham), mas, é de notar, que ambos ostentavam nomes alusivos ao seu bairro, não à cidade. Curiosamente, os 3 últimos classificados são os únicos de fora dessas conurbações. O futebol nasce assim como fenómeno industrial, urbano e bairrista.