Mostrar mensagens com a etiqueta American dream. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta American dream. Mostrar todas as mensagens

domingo, novembro 09, 2008

American dream (9)

Boletim de voto americano
Um boletim de voto norte-americano é, só por si, elucidativo do que é verdadeiramente uma democracia. Este exemplo diz respeito a um condado do estado de Montana, que não foram só presidenciais, como se pode constatar. Para além da escolha presidencial, escolheram-se ainda vários cargos e questionou-se de modo referendário, por exemplo, o destino de um alto cargo do supremo tribunal estadual. Isto, note-se, é apenas a 1ª de 4 páginas. De salientar que prevalece o nome dos candidatos sobre os dos partidos, que constituem apenas uma referência secundária.
Pela minha parte estou longe de ter uma devoção radical pela democracia - penso, aquilo que tantas e tantas vezes é citado como um certo desabafo de Churchill, que é o menos mau dos regimes; penso ainda que só pode haver democracia na sequência de um natural desenvolvimento das sociedades dentro de determinados enquadramentos culturais e que, portanto, resulta absurdo e, eventualmente, desastroso, decretá-la ou impô-la em certos países (a maioria).
Dito isto, se se pretende saber o que é uma democracia a sério, pois olhe-se para os Estados Unidos. Entre outras coisas, aí temos a demonstração que a democracia implica necessariamente não só um certo grau de literacia como um empenho voluntário e preparado para tomar opções inerentes ao acto de votar; implica também um vínculo de responsabilização pessoal directa em relação ao eleito.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

American dream (8)

Johnny Cash - Man in black: The very best of Johnny Cash (2002)
Da América profunda vem a música de Johnny Cash - a América vigorosa, decidida e individualista; de valores simples e sólidos. Um desses valores é o orgulhoso patriotismo. Nesta colectânea, criteriosa e excelentemente apresentada, figura, precisamente, um dos seus temas mais patrióticos, That ragged old flag. Mais do que uma canção é um poema declamado. Criado e interpretado pelo próprio com a devida carga emocional. Passa em revista momentos marcantes da história nacional, curta, mas recheada de feitos heróicos. Originalmente, figura num álbum do mesmo nome, exclusivamente dedicado à temática patriótica, onde na capa, o artista aparece com a bandeira nacional desfcraldada em fundo. Esta colectãnea abrange exemplos muito diversos da música produzida durante uma longa carreira. Inclui, por exemplo, outro dos temas mais carismáticos, o que foi gravado ao vivo num espectáculo efectuado na prisão de Folson. Foi, aliás, um tema composto expressamente para esse insólito espectáculo e que o abriu. Depois de ouvir o álbum apetece dizer: God bless America!.

Johnny Cash - Folson Prison Blues (Live version) in Man in black: The very best of Johnny Cash (2002)

domingo, dezembro 31, 2006

American dream (7)

David Frankel, Tom Hanks, David Leland, Richard Loncraine, David Nutter, Phil Alden Robinson, Mikael Salomon, Tony To - Irmãos de armas (Band of brothers) (2001)

Em todas as épocas o pacifismo tem sido, geralmente, um perigo. Sucede que, em muitas circunstâncias, é, objectivamente, um incentivo à guerra. A violência está na natureza humana e não se deve ignorar o facto. São algumas das ideologias que encaram a possibilidade da guerra e fomentam a preparação activa para tal, que melhor contribuem para as evitar ou minimizar.
Nos Estados Unidos o pacifismo nunca teve força, excepto quando, nos anos sessenta, se desenvolveu um vasto movimento juvenil contra a Guerra do Vietname. Para além do facto de, em vários sectores na sociedade norte-americana, imperar, inclusivamente, o que se pode designar como uma cultura de violência (facto, obviamente, muito negativo), a verdade é que a disposição dos Estados Unidos para a guerra tem sido uma benesse para a humanidade. Basta pensar que sem a sua intervenção a agonia da Grande Guerra de 1914-18 ter-se-ia prolongado e que, na II Guerra Mundial, o nazismo não teria sido derrotado; que, no final da Guerra Fria, graças à sua capacidade de dissuasão militar o comunismo não teria sido derrotado; que, hoje em dia, nos encontraríamos ainda mais indefesos frente ao megaterrorismo islâmico.
Esta série televisiva, da HBO, luxuosamente editada em pack DVD, lembra-nos como foi decisiva a participação norte-americana no desenlace da II Guerra Mundial. Como quase sempre sucede, muito do que de bom passa na televisão escapa-me. Felizmente, que de forma inesperada acabei por ver a edição em DVD. Deve-se salientar a qualidade técnica irrepreensível, a todos os níveis. Contudo, o mais importante é que mostra de uma forma extremamente realista o que é a guerra. Neste particular, só conheço um precedente com tal grau de rigor, O resgate do soldado Ryan. Para quem teima ignorar o que é essa realidade, talvez seja adequado uma imersão nesta série. Note-se que se baseia em histórias verídicas, que ocorreram com uma divisão de elite das forças aerotransportadas em cenários de guerra europeus (Normandia, Holanda, Bastogne, Hagenau...). Tanto assim é, que há o cuidado da ficção nunca se desprender de um tom de documentário - algo que é evidente, por exemplo, com a integração dos depoimentos de veteranos combatentes, que, em cada episódio, começam por fazer uma introdução. Finalmente, registe-se que a série é dirigida por distintos realizadores, entre os quais figura Tom Hanks. Cada um imprime um estilo um pouco diferenciado de episódio para episódio, o que, dado o formato em questão, é pertinente e enriquecedor. De notar, finalmente, que a página web da série constutui um autêntico guião histórico complementar (hiperligação em baixo). Produtos como este são uma verdadeira lição de história - um memorial em honra de todos aqueles que com extrema coragem e sacrifício lutaram e morreram pela liberdade!

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Info IMDb
Página web Oficial

sábado, outubro 21, 2006

American dream (6)

Bob Dylan: Highway 61 revisited (1965)

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Pandora sample

domingo, outubro 15, 2006

American dream (5)

Martin Scorcese - Bob Dylan: No direction home (2005)
Martin Scorcese, um dos meus realizadores preferidos, dirigiu este documentário sobre Bob Dylan. Incide sobre o período que vai de 1961 a 1966 - o mais brilhante. O documentário parte desde os tempos que antecedem os primeiros passos no domínio da folk tradicional e chega até aos tempos em que está já plenamente instalado no universo rock. Perante os nossos olhos vai-se desenrolando a evolução de um jovem seduzido por um ídolo marginal (Woody Guthry), de um género tradicional (folk) até se tornar, ele mesmo, um ídolo de um género revolucionário (rock), que seduziu milhões de jovens por todo o mundo. Foi um percurso de contradições e tensões. Gerou polémica. Perdeu públicos e ganhou outros mais. O ponto de viragem foi a electrização da sua música. Relembre-se o sucesso dos seus primeiros álbuns: acústicos, profundamente marcados pela voz desgarrada e pela harmónica. Configuravam um lugar especial que estava na confluência do folk com o rythm & blues. Pois, de forma inesperada, a partir de certo momento, Dylan resolve intercalar esse registo com um outro, que à partida lhe era contíguo, só que transfigurado pela instrumentalização eléctrica. Mantendo o essencial, resolve incorporar o contributo do rock & roll. Tal, fazia sentido, em função da sua lógica de rebeldia juvenil, mas assinalava uma irreversível ruptura com o universo baladeiro, assolado pelo espírito da intelectualidade de esquerda que o benzera até então. A perplexidade de Pete Seeger perante uma das primeiras actuações eléctricas, no Festival de Newport (patenteada no documentário), ilustra tal reacção. O lastro de ressentimento que deixou em parte do seu público, particularmente aquele que o erigira num ícone político, patenteia-se de modo ainda mais eloquente nas reacções iradas que pontuaram os seus espectáculos na digressão pela Grã-Bretanha. Esses espectáculos aparecem, aliás, intercalados ao longo de todo o documentário. Situados no ponto final do período que abrange, é a partir deles que, em flashback, se vai percorrendo a sua carreira.
Dylan atinge a plenitude quando desfere a ruptura eléctrica. Os seus três melhores álbuns serão para sempre Bringing it all back home (1965), Higway 61 revisited (1965) e Blonde on blonde (1966). Neles, nunca chega a haver um abandono de temas acústicos, (muito menos do seu registo vocal e da harmónica!) mas, de forma progressivamente dominante, há a erupção rock. O mais emblemático é o segundo da tríade. Abre, com Like a rolling stone, onde está o trecho que Scorcese escolhe para título do documentário - um lema que sintetiza o espírito individualista dylaninano: No direction home. Na segunda parte do documentário há uma história sobre Like a rolling stone. Aí, o músico Alan Kooper, que tinha sido contratado pelo produtor Tom Wilson para as sessões de gravação como pianista, conta como acabou por protagonizar o mais decisivo contributo para a gravação desse tema, ao tomar conta dos teclados do órgão hammond. Tal ocorreu quando, por inesperada falta do organista, e durante uma temporária saída do produtor, resolveu inopinadamente mudar de teclas, em jeito de brincadeira. No regresso ao estúdio, o produtor interrogou-o, incrédulo, sobre o que fazia ele ali. Foi a expressiva complacência de Dylan que permitiu que a brincadeira continuasse... E pensar no que seria este tema sem aquela quente sonoridade que lhe presta o órgão hammond... Desde o primeiro acorde é esse o som mais carismático. Na música, como em muitas outras coisas da vida, os grandes achados têm muitas vezes explicações simplórias.
Por fim, quero notar que este documentário, ainda que editado há pouco tempo em DVD, passou já na televisão, concretamente, na RTP2, em duas noites consecutivas, no final do passado mês de Agosto.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Info IMDb

domingo, outubro 30, 2005

American Dream (4)

CD: Bob Dylan - John Wesley Harding (1967)

Toda a crítica qualifica muito bem este álbum de Bob Dylan. Contudo, permanece como um dos mais ignorados em toda a sua vasta discografia. Compreende-se que não tivesse atingido a projecção dos três extraordinários que o antecedem e, sem discussão, os mais brilhantes (com permissão do posterior Blood on the Tracks...), mas não mereceria a penumbra em que acabou por estacionar. Depois ter atingindo, fulgurantemente, a fama com os três álbuns que correspondem ao período de apogeu de toda a sua carreira discográfica, Dylan tem um período de afastamento da ribalta. É também nesse período que sofre um acidente de mota. A fase parece ter sido algo turbulenta. Reaparece em 1967 com este álbum, de uma extraordinária simplicidade meios, que parece uma renúncia ao rock/folk e um retorno às origens, ao folk acústico. Dylan na guitarra e com a sua harmónica, mais um discretíssimo acompanhamento de bateria singela e baixo. Em dois temas há uma guitarra adicional. É tudo! É um trabalho melancólico e bucólico. Na capa aparece entre índios e as letras parecem parábolas bíblicas. Uma cabal demostração de como a simplicidade de meios pode ser eficaz. Três temas a destacar: All along the watchtower (será recriado de forma radicalmente eléctrica, em memorável versão, por Jimi Hendrix em Woodstock); The ballad of Frankie Lee and Judas Priest; I'll be your baby tonight.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Audio Sampler Amazon.com

quinta-feira, dezembro 23, 2004

American Dream (3)

Toponímia Francesa na América do Norte
O sonho americano, antes de se concretizar anglo-saxonicamente na forma individualista e competitiva de encarar a vida, foi um sonho vago, assente num Novo Mundo de recursos ilimitados, com oportunidades para os que arriscassem passar o Atlântico. Neste sentido, começou por ser uma aventura de espanhóis (El Dorado); foi de portugueses (bandeirantes do sertão brasileiro) e de holandeses; e foi também de franceses...
Até meados do século XVIII a América do Norte era um Novo Mundo tripartido entre Espanha (Florida, West e Far West), Inglaterra (Costa Leste e Norte) e França (Mid West). Na verdade, mais até do que a Espanha, a França estava envolvida num consistente projecto de colonização da América do Norte. Enquanto o Império Espanhol, espraiando-se por vastidões de todas as Américas, deixara um pouco ao abandono os seus longínquos territórios do Oeste, a França pós-Richelieu, potência de primeira grandeza, concentrara a parte decisiva das suas energias ultramarinas no esforço de garantir uma forte presença no Centro e no Nordeste. Em vésperas da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) dominava todo um conjunto de territórios a oeste dos Apalaches, que configuravam um arco que se estendia desde as margens do São Lourenço (Québec) até ao delta do Mississipi (Louisiana). Mais importante ainda é saber que nas extremidades deste arco havia fortes núcleos de colonização com tendência para se expandirem. Eram núcleos connstituídos, sobretudo, por empreendedores huguenotes. Nos territórios intermédios havia uma presença militar que seria superior, em qualidade e quantidade, à dos ingleses na Costa Leste. Havia também comerciantes franceses que exploravam rotas assentes no comércio de peles e, sobretudo, importantes núcleos de jesuítas franceses. Estes últimos conseguiram cristianizar e afrancesar vários povos índios, quer do ramo algonquíno, quer do ramo dos nómadas das pradarias centrais. Note-se que a maior parte dos algonquinos lutou ao lado dos franceses na Guerra dos Sete Anos.
Perante esta realidade, em meados do século XVIII, qualquer projecção sobre o futuro da América do Norte, poderia imaginar com razoabilidade, que à França estaria reservado o destino de potência dominante. A Guerra dos Sete Anos desfaria qualquer possibilidade de tal vir a concretizar-se. Mas, dos tempos anteriores ficaram abundantes marcas: o Québec, como comunidade homogénea francófona; a Louisiana, com a sua herança cultural francesa; a nomenclatura de povos índios, como Cheyenne e Assiniboine, que denotam uma transcrição pela grafia francesa; a toponímia. Em relação a este último aspecto, vejamos alguns exemplos, sem ter em conta o Québec e sem pretender ser minimamente exaustivo:
Detroit (1701 - Antoine de Cadillac funda Pontchartrain de l'Étroit), Marquette, Sault Saint-Marie, Pontiac, Cadillac, Charlotte, Saint-Claire (Michigan); La Crosse , Fond du Lac (Wiscosin); Terre Haute (Indiana); Belleville, Champaign, Du Quoin, Rochelle (Illinois); Des Moines, Dubuque (Iowa); Saint-Louis , Mâcon, Cape Girardeau (Missouri); Bâton Rouge, Thibodaux, Laplace, Plaquemine, Ville Platte, Abbeville (Louisiana).

sexta-feira, outubro 01, 2004

American Dream (2)

DVD: Pack Sopranos - Série 1
É certo que a qualidade média do escpectáculoo televisivo tem vindo a degradar-se - é um fenómeno mundial... Contudo, verdadeiras preciosidades continuam a ser produzidas e exibidas - é questão de se estar atento... Sopranos - Série 1 nunca pude ver na TV, mas vi posterirmente em DVD. Ver desta forma tem, aliás, vantagens... Fiquei empolgado - é uma das coisas mais notáveis alguma vez feita em séries televisivas! São imensos os assuntos que sugere. Num blog de José Pacheco Pereira consta um artigo sobre a série: Traidora Tradução - A Nossa Mafia Caseira A RTP 2 está a emitir a Série 4. Tenciono ver todos os episódios de todas as séries em DVD.

segunda-feira, setembro 27, 2004

American Dream (1)

New York - Foto (2000)
Faz pouco mais de 4 anos que tirei esta foto do topo do Empire State Building. Como se sabe esta panorâmica foi dramaticamente mutilada e toda a humanidade sofreu um abalo. Com efeito, aqui é o centro do mundo - o ponto zénite da nossa civilização. Tudo o que de melhor e pior ela tem produzido encontra aqui o seu máximo expoente de realização. A globalização trouxe enormes benefícios e muitos problemas novos. O mundo globaizado é, sobretudo, o mundo das imagens e também, embora cada vez menos, dos sons. O cinema americano e a música popular anglo-americana representam o mais eficaz elemento desse processo. O seu êxito consiste em veicularem, ou de algum modo reflectirem, o american dream - o sonho da felicidade individual possível neste mundo.
Há muita coisa que destesto na galáxia de espectáculo mediático (sobretudo o mais comercial e superficial), mas há, igualmente, muita coisa de gosto - em muitos casos, o melhor que se pode encontrar. Sob a rubrica American Dream, proponho-me abordar o que mais aprecio mo cinema e na música popular anglo-americanos e também fazer algumas observações sobre o american way of life.