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domingo, outubro 15, 2006

Asturias (9)

Hevia - Tierra de nadie (1998)
José Ángel Hevia é o mais famoso nome da música de raíz popular asturiana. É também o mais destacado representante de uma nova geração de gaiteiros que aposta na modernização, através de orquestrações com caixas de ritmos e electrónica e, inclusivamente, através de adaptações na própria concepção da gaita asturiana. Este experimentalismo é significativo, atendendo ao carácter deste instrumento como um dos símbolos regionais. Na verdade, mais ainda do que na Galiza, em certas zonas de Astúrias existe um culto em torno da gaita, que se traduz, por exemplo, na existência de dinastias familiares de construtores e instrumentistas e, até, na existência de um museu temático.
Este álbum ultrapassou fronteiras. Comercialmente, foi um êxito, muito para além do que jamais alguma vez fora esperado, a ponto de se ter tornado um case study na chamada world music. Tudo se deve ao poderoso tema de entrada, Busindre reel, de uma rude beleza, que diria trazer em si a genuína essência do Norte... Além disso, é um exemplo de sonoridade moderna e ao mesmo tempo céltica (desigação de discutível rigor, mas eficaz como identificação de um determinado tipo de música). Contudo, o conjunto do álbum peca por não se libertar totalmente de esquemas algo repetitivos.
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Asturias (8)





Oviedo in Asturias: La mirada del viento (2006)

sexta-feira, abril 28, 2006

Asturias (7)

Naranjo de Bulnes / Picu Urriellu (2)

Asturias (6)

Naranjo de Bulnes / Picu Urriellu (1)

Asturias (5)

Ribadesella

Asturias (4)

Gijón / Xixón

Asturias (3)



Llan de Cubel - IV (1995)
Dentro do conceito de música tradicional asturiana, o grupo Llan de Cubel deve ser o mais representativo. Este CD é uma boa apresentação da sonoridade asturiana. Sendo uma sonoridade céltica, não se move exclusivamente dentros dos lugares-comuns já tão conhecidos deste género - há uma particular rusticidade que a aproxima do carácter da região. Tudo nos sugere as paisagens de montanhas e pastos verdejantes por entre as brumas... Significativamente os trechos cantados, assim como as notas do encarte estão escritas em asturiano. O mesmo sucede com o sítio oficial do grupo.
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Asturias (2)



Astúrias
Região Autónoma: Principado de Asturias (1.079.000 habitantes)
Capital: Oviedo (201.000) / Outras cidades: Gijón (271.000); Avilés (83.000)
Índice Paridades de Poder de Compra: 79,5 (Média UE25 = 100)

O Principado de Asturias é uma região montanhosa e verdejante. Abundam espectaculares paisagens de montanha (Parque Natural de Somiedo; Parque Nacional Picos de Europa) e a costa apresenta também paisagens magníficas. A promoção turistica da região salienta esta condição de "paraíso da natureza", que permite, inclusivamente, a sobrevivência de alguns dos últimos redutos europeus de vida selvagem, como lobos e, note-se, ursos. Porém, o contraste surge, quase paredes-meias com estes paraísos naturais, nas zonas industriais e mineiras do Valle de Caudal (Mieres) e do Valle del Nalón (Langreo, Sotrondio, Laviana). Aí a acção do homem irrompeu do modo mais agressivo para com a natureza e deixou marcas perenes. Apesar de parte destes sectores de actividade terem entrado em decadência, a extracção mineira, a indústria pesada, as lutas operárias e a poluição são ainda elementos marcantes na política, história e geografia asturiana. Estas zonas estão situadas perto do triângulo constituído pelas três maiores cidades da região: Gijón, Oviedo e Avilés. Estas cidades têm abundantes motivos de interesse.
Gijón tem um enquadramento paisagistico favorecido por uma extensa praia e por uma costa recortada. O centro apresenta construções imponentes e recantos de casas tradicionais. É uma cidade que, apesar de industrial, não deixa de ter um aspecto senhorial e airoso.
Oviedo, a capital, tem um rico centro histórico, onde avulta a catedral com uma única torre imponente. Tem artérias repletas de edifícios de bom gosto burguês, assim como amplos parques. Na periferia, junto ao monte Naranco (que domina a cidade), há dois exemplos de pré-românico asturiano: as ermidas de Santa María del Naranco e de San Miguel del Lillo (ambas declaradas Património da Humanidade).
Avilés está longe de se resumir à condição de decadente cidade industrial que acolhe uma siderúrgia que já foi das maiores do mundo. O centro histórico ostenta rico património evocativo das suas raízes medievais. É cidade de carácter.
Os centros históricos destas cidades estão cuidados e integrados na vitalidade urbana. Com efeito, há aí múltiplas ruas pedonais, movimentadas e plenas de actividades de comércio, serviços e lazer.
Toda a região denota personalidade cultural vincada, apesar da língua própria - asturianu, bable ou simplesmente llingua (juntamente com o mirandês, é o que resta do leonês) - ter uma existência quase residual, não deixa de haver empenhados movimentos em sua defesa, incluindo uma Academia. A esta personalidade pode-se aplicar o lugar-comum celticismo, muito embora, convenha não a confudir com a Galiza, não obstante certas semelhanças e contiguidades. A gaita de foles asturiana, a sidra (bebida feita a partir da maçã), os grandes espigueiros quadrados (hórreos asturianos) e a habada (feijoada asturiana) são os seus símbolos. Há em boa parte desta simbologia um sabor rústico e arcaico que denuncia um isolamento geo-histórico e que se pode traduzir numa imagem de Norte Profundo.
Finalmente, é de salientar que é uma região historicamente destacada, quanto mais não seja pelo facto de aqui se ter iniciado a Reconquista num processo que denota continuidade com os tempos visigóticos. Testemunho disso é o original estilo pré-românico, patente em ermidas e outros monumentos religiosos.

sexta-feira, abril 21, 2006

Asturias (1)

Asturias - La Mirada del Viento (2006)
Multiplicam-se os documentários de panorâmicas aéreas de Espanha. O rol é cada vez mais extenso: A Vista de Pájaro (toda a Espanha - o pioneiro); Catalunya des del Aire (Catalunha); La Mirada Mágica (País Basco); Terra e Vento (Galiza); Andalucia es de Cine (Andaluzia); Madrid desde el Aire (Comunidade de Madrid); Entre el Cielo y la Tierra (toda a Espanha); Un Paseo por las Nubes (Canárias); Un Paseo por las Nubes (Castilla - La Mancha). O último que acabei de conhecer é este: La Mirada del Viento (Astúrias). Foi distribuido com o jornal diário de maior tiragem de Astúrias, La Nueva España. Não se limita a ser uma colecção de 14 DVDs, com cerca de 45 minutos cada um, pois há também um livro que acompanha cada DVD.
Recém-chegado ao rol, esta colecção também demonstra méritos para se tornar uma referência. Não se trata apenas da privilegiada matéria-prima (as paisagens asturianas) - a qualidade técnica e o conceito são excepcionais. Na verdade, o conceito não varia muito do modelo dominante, só que é superior no detalhe. Este facto manifesta-se na quantidade e natureza das informações transmitidas pela locução, na aproximação das imagens tomadas de helicóptero e na adequada lentidão dos travelings de câmara. Além disso, há também imagens tomadas do solo e no interior de alguns edifícios importantes. Destaque-se ainda a banda sonora musical, de Manuel Pacho. Exclusivamente instrumental e dominada por teclados electrónicos, sugere constantemente tons e ambientes que vulgarmente se convencionaram designar como célticos. Seja como for, é particularmente adequada às paisagens asturianas e evoca eficazmente a música popular da região. Para quem ainda ignora a espectacularidade da "Espanha Verde" esta colecção pode ser o início de uma surpresa.

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