Mostrar mensagens com a etiqueta La copla. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta La copla. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

La copla (10) (5 remake)

click to comment
Carlos Cano - Cuaderno de coplas (1985)
Este álbum significou um salto qualitativo. Com melhores meios de produção e, sobretudo, com caminhos artísticos bem definidos, a partir daqui todos as suas gravações foram de nível elevado. Para mim este é o melhor de todos, apresentado uma notável homogeneidade de ambiente sonoro e de temas. Um excelente gosto nos arranjos instrumentais confere-lhe um valor geral que supera a soma das partes. O universo de Carlos Cano fica aqui definido como uma original conjugação de referências que se podem resumir em algo como andalucismo neo-tradicionalista. Este "caderno" é um compêndio ilustrado de tal universo através de coplas, romances, habaneras, murgas, pasodobles, peteneras... Neste desfile destaco Pasodoble torero para Gerald Brenan. É uma homenagem ao grande hispanista britânico (Gerald Brenan in Wikipedia) afincado na sua amada Andaluzia, numa aldeia escondida das granadinas Alpujarras. Canta Carlos Cano num refrão de inexcedível beleza: Ay Alpujarra, Alpujarra que grandes son las estrellas, más grandes los corazones. Olé y viva Gerald Brenan! Cierro los ojos y te siento, aunque de ti esté lejos. Ay Alpujarra, Alpujarra. Ay Alpujarra.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10



Carlos Cano - Pasodoble torero a Gerald Brenan in Cuaderno de coplas (1985)

Espanha - 22/04/1985: #17 Top Álbuns (8 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

La copla (9)

click to comment
Carlos Cano - Quédate con la copla (1987)

Graças a María la Portuguesa este álbum tornou-se o mais emblemático de Carlos Cano. Contudo, no seu conjunto, é verdadeiramente importante porque representa o culminar de um trajecto de recuperação e revalorização do tipo de canção tradicional que é usual em Espanha designar como copla. Em rigor, não se trata só da copla, mas também de outros géneros tradicionais como pasodobles, habaneras e, mesmo, marchas procesionales. É um conceito que poderíamos qualificar como neo-tradicionalismo e que assenta no orgulho da afirmação dos valores culturais autóctones contra um mundo cada vez mais estandardizado. Na sequência do álbum anterior (Cuaderno de coplas), o artista apresenta uma proposta amadurecida em todos os domínios. Em rigor, nem sequer se pode dizer que a homenagem a Amália que abre o álbum está desfasada do resto. O que leva Carlos Cano a Amália é precisamente a mesmo sentimento que o leva a espraiar-se no revivalismo coplero.
A meu ver, sendo um bom álbum, vale, sobretudo, pelo conceito amadurecido que apresenta. O anterior, a meu ver, é superior, já que em termos estritamente musicais resultou de um assomo inspirador inigualável. Ainda assim, temos aqui o artista na plenitude e, além da incontornável María la Portuguesa, encontramos magníficos temas. Aprecie-se uma conhecida marcha procesional de Semana Santa, em honra da sevilhana Virgen de la Macarena, com que o álbum encerra.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Carlos Cano - Pasan los campanilleros in Quédate con la copla (1987)

Espanha - 10/08/1987: #18 Top Álbuns (28 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

quinta-feira, junho 01, 2006

La copla (8)

Rocío Jurado (1944 - 2006)

Rocío, La más grande! Morreu Rocío Jurado. Infelizmente a notícia era esperada. Tratava-se, na actualidade, da maior das copleras. Representava bem aquela estirpe salerosa que sempre configurou o estereótipo da mulher espanhola, ou, pelo menos, da mulher andaluza. Aquela alma, raça e arrebatamento que as suas qualidades interpretativas sempre personificaram. Em todos os aspectos, Rocío reunia todas as condições para desempenhar esse papel e pairava agora bem acima de qualquer outra coplera contemporânea. O impacto que o seu desaparecimento teve agora na sociedade espanhola pode, justamente, sugerir o impacto que o desaparecimento de Amália teve entre nós. Porém, eventuais comparações com a nossa Amália podem fazer iludir que, apesar de tudo, quer entre antecessoras, quer entre candidatas a sucessoras, há, em quantidade e qualidade, uma contrastante diferença entre as duas. Amália não teve, antes e depois, rivais à altura. De Rocío, evidentemente, é de todo impossível dizer o mesmo. Sucede que as duas emergiram de universos de grandeza muito diferentes. Infelizmente, o último impacto que o fado provocou na sociedade portuguesa foi, precisamente, o da comoção provocada pela morte de Amália. Para além disso, o seu impacto quotidiano como algo vivo é praticamente nulo. O fado está longe de poder gozar do efectivo amor praticante que Espanha proporciona ao que é genuinamente seu. A comoção provocada pela morte de Rocío é, como o de Amália, uma celebração ritual, mas o universo artístico de que emana está muito mais vivo. Insisto: em Espanha existe uma amor praticante e natural em relação ao autóctone que incuba com continuado desvelo os vários géneros musicais que vão desembocar na copla e universos afins...
Páginas Especiais:
El País
El Mundo
ABC
El Periódico

domingo, janeiro 01, 2006

La copla (7)

Pasodoble Torero para Gerald Brenan

Fora do universo estritamente taurino, poucos se podem gabar de ter sido homenageados com um pasodoble taurino. O hispanista inglês Gerald Brenan foi um desses. Carlos Cano o seu autor.


(A don Geraldo Brenan que echó a los aires del mundo un águila llamada Alpujarra.)

Le voy a dedicar con to mi corazón un pasodoble a Gerald Brenan.
Pasodoble de sol de clavel reventón como si un torero fuera.
Y que nadie me hable de Londón ni ¡eches de britin ni cambrí.
Yegen, Alpujarra, Andalucía, Granada - su alegría -
y rosas de Alhaurín. Y decirle bajico, mu bajico limón, azulina y yerbagüena.
Y la casa encalá y el vino de Albondón y una sillica en la puerta.
-Y a las güenas tardes tenga usted don Gerardo.
Vaya animación- -Mucho forastero últimamente que no deja la gente vivir ni a Dios-

Estribillo

¡Ay! Alpujarra, Alpujarra.
Qué grandes son las estrellas mas grandes los corazones olé y viva Gerald Brenan.
Cierro los ojos y te siento aunque de ti yo esté lejos. ¡Ay! Alpujarra, Alpujarra, ¡ay! Alpujarra... Yo te voy a cantar de lo jondo de mí y con palabras del pueblo.
Tú te fuiste Sultán de la Cencia llustrá. Un trovero alpujarreño. Y te voy a cantar regorviura, prenda, algarabitos y balate, menda, capuana, jamucuco, olé y de trabuco: ¡Viva tu madre!

Gerald Brenan in CVC (Centro Virtual Cervantes)

segunda-feira, agosto 30, 2004

La Copla (6)

Conchita Piquer
Esta cantora valenciana foi a mais importante intérprete da canção tradicional espanhola. Foi a sua voz cheia de garra e sentimento que mais popularizou nos anos 30, 40 e 50 temas como : Ojos Verdes; La Parrala; Tatuaje... Ouvi-la nessas velhas gravações é uma imersão no domínio mais hardcore das espanholadas... y Olé! (não aconselhável a temperamentos vegetais, sensibilidades insonsas e gostos estandardizados...!)

sábado, agosto 28, 2004

La copla (5)

Carlos Cano - Cuaderno de coplas (1985)
Este álbum significou um salto qualitativo. Com melhores meios de produção e, sobretudo, com caminhos artísticos bem definidos, a partir daqui todos as suas gravações foram de nível muito bom. Para mim este é o melhor de todos, apresentado uma notável coerência de ambiente sonoro e de temas. Um excelente gosto instrumental confere-lhe um valor geral acima da soma das partes. Há um tema muito especial: Pasodoble Torero para Gerald Brenan. É uma homenagem ao grande hispanista britânico afincado na sua amada Andaluzia, numa aldeia das Alpujarras. Canta Carlos Cano num refrão de inexcedível beleza: Ay Alpujarra, Alpujarra que grandes son las estrellas, más grandes los corazones. Olé y viva Gerald Brenan! Cierro los ojos y te siento, aunque de ti esté lejos. Ay Alpujarra, Alpujarra. Ay Alpujarra.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

La copla (4)

Carlos Cano - La copla, memoria sentimental (1999)
Foi o último disco gravado por Carlos Cano. É constituído por coplas das mais populares, nomeadamente: Ay, pena, penita; La bien pagá; Ojos verdes. Os mais consagrados compositores têm presença dominante, nomeadamente a inspirada tríade: León, Quintero y Quiroga. A recriação coplera levada a cabo nesta gravação é o que poderíamos designar como copla cool, sem precisar atrever-se por experimentalismos. A interpretação de Carlos Cano dispensou potência sem perder sentimento, bem pelo contrário...
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

La copla (3)

La bien pagá
A maioria das coplas foram interpretadas por vozes femininas e veiculam um discurso feminino, não obstante quase todos os seus compositores terem sido homens. Entre as excepções, conta-se uma das mais populares: La Bien Pagá. No seu tempo, Miguel de Molina foi a voz que mais a divulgou. Consta do CD que recolhe canções das bandas sonoras dos filmes de Almodóvar. Carlos Cano também a interpretou. Eis a letra:

Na te debo na te pido
me voy de tu vera olvídame
ya que pago con oro tus carnes morenas
no maldigas paya que estamos en paz
no te quiero no me quieras
si to me lo diste yo na te pedí
no me eches en cara que to lo perdiste
también a tu vera yo to lo perdí
bien pagá
si tú eres la bien pagá
porque tus besos compré
y a mí te supiste dar por un puñao de parné
bien pagá bien pagá bien paga fuiste mujer
no te engaño
quiero a otra
no creas por eso que te traicioné
no cayó en mis brazos me dio sólo un beso
el único beso que yo no pagué
na te pido na
me llevo entre esas paredes dejo sepultás
Penas y alegrías
que te dao y me diste
y esas joyas que ahora pa otro lucirás
bien pagá
si tú eres la bien pagá
porque tus besos compré
y a mí te supiste dar por un puñao de parné
bien pagá bien pagá bien pagá fuiste mujer.
Ramón Perelló / Juan Mostaza

La copla (2)

Basílio Martín Patino - Canciones para después de una Guerra (1971)

O movimento de recuperação de La Copla não se limitou ao ambito musical, foi, até, precedida pelo cinema, através deste filme, que é um documentário de autor. Em tempos tardo-franquistas, contextualiza as castiças coplas plenas de salero e morbo, que encheram o éter radiofónico e as salas de cinema daquela desgraçada Espanha pós Guerra Civil. Império Argentina, Juanita Reina, Estrellita Castro, Lola Flores, Conchita Piquer são aqui escutadas como banda sonora de imagens que constituem um violento contraste ou uma irónica pontualização das suas mensagens.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Info IMDB

La copla (1)

Carlos Cano (1946-2000)
Este cantautor granadino esteve na primeira linha da recuperação da copla (canção tradicional espanhola). Contribuiu decisivamente para um movimento de homenagem e modernização deste género, procedendo a um cruzamento entre tradição e inovação. Espírito generoso e solidário, Carlos Cano foi coerente com os seus ideais, traduzindo-os em empenhamento político. Sentimento que foi, aliás, transposto para a música popular de outros povos deste nosso tão desconhecido mundo. A nossa Amália teve nele um fiel devoto - facto que se traduziu concretamente naquele que foi o maior êxito da sua carreira - María, la Portuguesa.
Pasodoble torero para Carlos Cano!
Página Web