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terça-feira, janeiro 06, 2009

Cuore Matto (24) (9 remake)

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Ornella Vanoni - La voglia di sognare (1974)
Nos anos 70, um pouco em contra-tendência, a canção italiana atinge a sua plenitude. É um facto que o Festival de San Remo estava cada vez mais longe do esplendor da década anterior, mas, em contrapartida, a produção discográfica utiliza meios de produção mais modernos, incorporando, pontualmente, alguns elementos oriundos do pop/rock. A perda de importância do cançonetismo, em Itália, traduz-se, assim, mais no plano quantitativo e, eventualmente, comercial, do que no plano substantivo da qualidade. É o que se passa com Ornella Vanoni, uma das consagradas dos tempos áureos de San Remo.
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
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Ornella Vanoni - Un mondo di più in La voglia di sognare (1974)

Cuore matto (23)


Mina - L'importante e' finire in La Mina (1975)

quinta-feira, novembro 13, 2008

Cuore matto (22)

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Mina - Oggi ti amo di più (1988)
Um bom minófilo tende a torcer o nariz a qualquer antologia de Mina. Haverá sempre motivos de escândalo por se deixar de fora um punhado de temas da sua predilecção. Em todo o caso, haverá uma meia-dúzia que suscitam unanimidade e é certo que estão presentes em todas as antologias globais, de qualidade. Esta antologia é uma delas e, provavelmente, será, entre as mais concisas, a que gerará maior consenso. Tem, além disso, duas outras grandes vantagens: a inclusão de Ancora, ancora, ancora e a capa. Na verdade, essa belíssima canção saiu em single e nunca num álbum de originais. Deveria pertencer à tal meia-dúzia de canções de referência que geram unanimidade, mas, de facto, não é assim. Quanto à capa, está reproduzida neste post e creio que dispensa explicações sobre a sua valia.
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Mina - Ancora, ancora, ancora (1978) in Oggi ti amo di più (1988)

sábado, abril 26, 2008

Cuore matto (21)

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Antonello Venditti - Diamanti (2007)
Antonello Venditti é um cantautor já veterano da cena musical italiana. Com efeito, tem uma carreira com já mais de trinta anos e assinalada por um punhado de êxitos. O seu registo é um pop mais próximo do rock do que do cançonetismo. Nada na sua música é especialmente relevante, a não ser que alguns dos seus êxitos têm uma qualidade acima do padrão do género e que a sua voz apresenta um timbre deveras original. Muitas das letras, mediante um certo azedume céptico, contribuem para uma imagem de herói rebelde ou, pelo menos, incompreendido. Ao mesmo tempo, tem o cuidado em não não cultivar uma imagem comercial, nem, tampouco, em sustentar forçadamente receitas musicais para o público mais jovem - em contraste, por exemplo, com o que sucede com o seu conterrâneo Eros Ramazzotti. Nem por isso, Venditti deixou de alcançar níveis de popularidade interna talvez superiores, mas, em contrapartida, não pôde, jamais transcender as fronteiras transalpinas... Provavelmente, nunca apostou decidamente nessa expansão e sente-se realizado com a grande popularidade que alcançou na sua cidade, Roma. Na verdade, nas suas músicas, há constantes referências à cidade e, por outro lado, sempre fez gala da sua devoção fuebolística pela AS Roma, a ponto de ser o intérprete do hino oficial do clube.
Para conhecer Antonello Venditti esta antologia é a forma mais indicada. Na ausência da possibilidade de a adquirir por cá, a alternativa é a compra via Internet ou, então, anotar como encargo para futura visita a Itália. É uma súmula num único CD de uma antologia mais ampla, de três CDs, com o mesmo título e a mesma capa. Nesta, porém, cabem todos os seus grandes êxitos.
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Web: Antonellovenditti.com



Antonello Venditti -
Ci vorrebbe un amico (1984)

sexta-feira, abril 18, 2008

Cuore matto (20)

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Mina - Catene (1984)
Numa carreira tão longa e eclética como a de Mina é inevitável que se destaquem períodos de maior e menor fulgor. Alguns álbuns dos anos 80 encontram-se, definitivamente, entre o que de menos interessante se apresenta na sua carreira. Catene é um duplo álbum, cujo 1º volume (em certas edições os dois volumes chegaram a ser vendidos como unidades independentes) é um pouco desafortunado. É certo que alguém disse, e é possível que fosse a propósito de Mina, que, com certas vozes de eleição, até ouvir cantar a lista telefónica pode ser emocionante... Contudo, a manifesta displicência na escolha de repertório, que é em alguns outros álbuns como que um divertido desplante, assume aqui proporções um pouco caricatas, pela futilidade dos diversos estilos contemplados e porque, às vezes, os arranjos não ajudam. É esse o caso da abominável versão de Strangers in the night... Contudo, não deixam de existir momentos bem compensadores. Assim, encontramos, como que perdido no 1º volume, uma agradável versão evanescente de Estate e, no 2º volume, um naipe de interessantes originais, onde sobressai Rose su rose. Em todo o caso, sublinhe-se que a sua voz apresenta-se aqui com elevado poder, confirmando que nos anos 80 esta, talvez, tivesse atingido o climax, pelo menos no que diz respeito à sua cambiante de timbre mais agreste.
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Mina - Rose su rose in Catene (1984)

terça-feira, março 25, 2008

Cuore matto (19)

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Mina - Si, Buana (1986)
Este duplo CD é a reedição dos LPs Si, Buana Vol 1 e Si, Buana Vol 2, originalmente editados em 1986. Foi uma das apostas mais comerciais de Mina, atacando com um punhado de temas consagrados da canção italiana ou da pop internacional. Estava então a sua carreira discográfica numa fase de indefinição, não tendo esta opção mais ligeira, que vinha dominando desde início dos anos 80, continuidade a partir daqui. Ou seja, este álbum pode ser considerado o culminar da Mina pop... O resultado foi bastante bom, quanto mais não fosse porque as potencialidades vocais da diva estariam, porventura, no seu auge - este não é, evidentemente, pormenor de somenos... O valor médio das canções é mais do que aceitável, tendo em conta uma magnífica meia-dúzia, nomeadamente a versão italiana de Zingaro (Retrato em branco e prêto) de Tom Jobim. De notar, porém, que o repertório é um pouco desconexo entre géneros tão variados e que os arranjos descambam, aqui e ali, da excelência, através, por exemplo, da intervenção de alguns coros em tonalidade desajustada. Em todo o caso, sublinhe-se, Si, Buana é um momento importante - um dos mais altos de Mina nos anos 80.
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Mina - L'altra metà di me in Si, Buana (1986)

domingo, outubro 28, 2007

Cuore matto (18)

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Ornella Vanoni - Ornella Vanoni (Hanno ammazzato il Mario (1961)
É o primeiro álbum de Ornella Vanoni, mas limita-se a ser uma compilação de singles previamente editados. Era o normal nessa época. O formato de longa duração ainda era encarado apenas com o verdadeiro significado do termo álbum: um repositório do que já havia sido feito. A carreira de Ornella tinha começado em meados dos anos 50 numa combinação de teatro e música, em ambiente intelectual. Com cerca de vinte anos integrava o elenco do Piccolo Teatro di Milano, sob a direcção de Giorgio Strehler. A jovem beldade ruiva, com um belo fio de voz e dotes interpretativos exercitados sobre temas de Berthold Brecht, tornou-se diva de uma espécie de sucursal transalpina da rive gauche...
Boa parte do repertório é composto por canções do espectáculo Canzoni della malavita, que glosa os meios da má vida milanesa. Veiculam uma visão romântica e social, com uma auréola de mistério propositadamente reforçada com insinuações de Giorgio Strehler sobre as supostas circunstâncias em que teriam sido encontrados os manuscritos onde constavam. Na verdade, tinham sido compostas por alguns dos mais destacados elementos do circulo desenvolvido em torno do Piccolo Teatro. Algumas têm a particularidade de ser cantadas em milanês. É o caso de
Sentii come la vosa la sirena, de Dario Fo. O idioma hoje em dia, está em forte recessão, mas nos anos 50 ainda era corrente nas ruas de Milão. É um dialecto do lombardo. Tem uma sonoridade suave, com vogais muito mais fechadas do que no italiano. De um modo simplista dir-se-ia estar situado a meio caminho do francês...
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Ornella Vanoni - Sentii come la vosa la sirena in Ornella Vanoni (Hanno ammazzato il Mario (1961)

sábado, outubro 13, 2007

Cuore matto (17)

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Mina - Cinquemilaquarantatre (1972)
Este é um dos mais famosos álbuns de Mina. Deve tal fama ao título e capa e, sobretudo, à canção Parole parole. O título corresponde tão-só ao número de série de registo de edição discográfica (5.043). A capa, em estilo pop art, foi insolitamente, editada em três ou quatro variantes de cores. Mas o mais importante é, evidentemente, Parole parole - um original dueto entre Mina e Alberto Lupo. Este corteja-a com palavras (parole) insinuantes e a destinatária desdenha tais palavras e desacredita o esforçado galanteador. A coisa é não só original, como, musicalmente resulta em pleno. Pois fique-se sabendo que resultou de um artifício para pano de fundo do genérico final de um show televisivo da RAI... Registe-se ainda o nome dos três inspirados compositores: Leo Chiosso, Giancarlo Del Re e Gianni Ferrio. A canção, no seu tempo, teve impacto, mesmo além das fronteiras transalpinas. Mas, o maior impacto correu por conta da versão francesa interpretada pelo dueto Dalida / Alain Delon. Sem desprimor para esta última versão (também magnífica!), a original é melhor, não só porque cantada em italiano, como pela suprema capacidade interpretativa de Alberto Lupo e Mina. Parole parole é o último tema do álbum, que abre como uma bonita canção Fiume Azzurro e atravessando um conjunto de temas de valor mediano desagua assim nesta obra-prima.
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Mina - Parole, parole in Cinquemilaquarantatre (1972)

sexta-feira, outubro 12, 2007

Cuore matto (16)

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Mina - Mina (E penso a te) (1971)
Entre mais de meia centena de álbuns de originais de Mina (com as compilações ultrapassar-se-á a centena...), este álbum estará muito longe de se poder incluir entre os melhores. Contudo, contém Grande, grande, grande - a canção interpretada por Mina que sempre foi mais divulgada, pelo menos, fora de Itália. Resulta irónico que essa divulgação corresse mais a cargo da versão inglesa de Shirley Bassey, já que nada, absolutamente nada (nem a excelente voz da galesa) pode arrogar-se a condição de sucedâneo de tão acabada versão como é esta, a original! O belíssimo tema foi composto por uma das glórias do Festival de San Remo, Tony Renis e foi orquestrado por aquele que permanece até hoje como um dos maestros mais carismáticos da carreira de Mina, Pino Presti. Há uma outra canção que merece destaque: Amor Mio, de uma dupla fulcral de compositores da canção italiana: Mogol / Lucio Battisti.
Uma nota final sobre a insólita capa: Parece que a diva, num determinado dia da fase inicial da sua gravidez, desgostosa perante a aparência da sua face no espelho, decidiu num arroubo de radical ironia, que a capa do disco que estava em preparação haveria de ostentar um símio...
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Mina - Grande, grande, grande in Mina (E penso a te) (1971)

Cuore matto (15)

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Mina - Frutta e verdura (1973)
Entre fans e críticos tormou-se desde há muito consensual situar este disco como um dos melhores de Mina. De facto, o valor médio é muito elevado, embora nenhum tema tivesse ascendido à condição de emblemático ou popular, com a parcial excepção de E poi... Contudo, junto com este, deve-se destacar Devo tornare a casa (os dilemas de uma mulher em ruptura com o seu casamento), Domenica sera e Tentiamo ancora. De notar ainda que há uma versão italiana de Águas de Março, de Tom Jobim (La pioggia di marzo). Graças à voz ímpar da cantora, à natureza das letras e das músicas, assim como aos arranjos de Pino Presti, impera uma quente sensualidade que marca a identidade deste álbum.
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Mina - Tentiamo ancora in Frutta e verdura (1973)

quinta-feira, outubro 11, 2007

Cuore matto (14)

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Mina - La Mina (1975)
Mina tem percorrido, desde 1958 até aos dias de hoje, uma carreira extensa e multifacetada, marcada pela sua intrínseca italianidade... Versatilidade, ecletismo e elegância podem aqui ajudar a definir tal atributo, não esquecendo esse ponto de mistério que acompanha o seu desaparecimento como entidade pública visível desde finais dos anos 70. Precisamente, dessa década datam alguns dos seus melhores álbuns. Este é um deles. Sem um tema desinteressante e configurando de início a fim um ambiente cálido e insinuante. Temas a destacar: Signora più che mai, Immagina un concerto, Tu no e, acima de todos, L'importante è finire - uma das suas mais famosas canções e... justificadamente. Tem uma densa atmosfera sensual, que se deve aos arranjos de Pino Presti e à voz de Mina, aqui mais insinuante e expressiva do que nunca... Definitivamente, foi nos anos 70 que la tigre di Cremona atingiu o apogeu como cançonetista, sendo certo, porém, que não tinha ainda revelado outras faculdades (ver-se-ia a partir de finais de 70 que a sua versatilidade não conheceria limites...).
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Mina - L'importante è finire in La Mina (1975)

sexta-feira, outubro 05, 2007

Cuore matto (13)

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Mina - Italiana (1982)
Italiana foi originalmente editado como duplo LP, identificado cada um como Italiana Vol. 1 e Italiana Vol. 2. As sucessivas reedições em CD mantiveram o conceito. Contudo, há continuidade entre os dois volumes. Partilham a mesma sonoridade. Há variedade, mas indistintamente repartida por ambos. É um ponto de encontro de várias tendências do seu repertório, predominando uma sonoridade pop standard. A cuidada produção dá consistência ao projecto. É consensual entre os “minófilos” tratar-se de uma trabalho importante, embora sugerindo rumos duvidosos para os mais afeiçoados ao cançonetismo tradicional. Mina está aqui rodeada pela sua habitual equipa desta época, liderada por Vittorio Buffoli. A importância do seu filho Massimiliano Pani é já evidente e aparece Celso Valli como responsável de arranjos de alguns temas. Note-se que predominam originais de compositores italianos, o que não impede que existam três temas cantados em inglês.
No Vol 1, Magica follia abre da melhor forma. É um tema quente, bem à medida da cantora. Deve-se destacar ainda Per averti qui, Già visto e Sapori de civiltà. Há ainda a versão de um velho tema de Chico Buarque – Que Serà (O que será?).
O Vol 2 inicia-se com o melodioso Mi piace tanto la gente e acaba em força com Oggi è nero – peça de construção elaborada. Pelo meio, temos Sweet Transvestite - uma espécie de hino para drag queens, cuja insólita sonoridade é sublinhada por um registo andrógeno, demonstrativo da variada gama de virtuosismos da sua voz - e It’s your move, que é do mais elementar e puro disco.
Italiana
consagra uma nova fase na trajectória de Mina, iniciada em 1979 – definitivamente na vanguarda da canção italiana num ponto de cruzamento de influências diversas. Por fim, note-se que as capas são das mais conseguidas dentro da feição vanguardista característica de Mauro Baletti - aparece uma sugestiva Mina de feições clownescas, em fundo de azul veludo.
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Mina - Sapori di civiltà in Italiana Vol 1 (1982)

segunda-feira, maio 07, 2007

Cuore Matto (12)


Bobby Solo - Una lacrima sul viso (1964)

terça-feira, novembro 21, 2006

Cuore matto (11)


Mina - Ancora, ancora, ancora
(1978)
Este vídeo ilustra, ao que parece, a última aparição televisiva de Mina, algures nos finais dos anos 70. É uma transbordante manifestação de sensualidade e poderio interpretativo. Apesar da amostra aqui presente estar truncada (pela duração abruptamente encurtada e pelo desfilar do genérico), é um testemunho incrível - um autêntico desplante da artista, que dir-se-ia estar no limiar do descontrolo. Veja-se como, num arrebatamento de impetuosa gestualidade (que lhe era, aliás, comum), a páginas tantas enceta uma desconexa batalha com o cabelo, que resulta num desenlace sem solução de continudade. Nesse impasse, expeditamente retoma a desenvoltura com um sorriso trocista... É um vulcão de eruptiva sensualidade. Comparado com isto, os exibicionismos de madonnas e outras divas de pacotilha do actual pop mainstream, mais não são do que insonsas imposturas pronto-a-vestir de marketing para o povinho...
Para ser visto (e idolatrado!) ancora, ancora, ancora... sempre ancora.

Cuore matto (10)

Ornella Vanoni - A un certo punto... (1974)
O ano de 1974 é particularmente notável na carreira discográfica de Ornella Vanoni. Apenas uns meses antes de La voglia di sognare, havia surgido este álbum, A un certo punto.... São os dois muito bons. Neste, descontado o último tema - versão do alegre tema de Caetano Veloso, Chuva, suor e cerveja - há uma nuvem de suavidade que perpassa por todo o álbum. É algo que esbate os conteúdos fortes, modulando a expressão das emoções. Sucedem-se as canções de amor tocadas pela melancolia. Bela melancolia, diga-se, iluminada por laivos de dramatismo contido... É um dos registos em que os dotes de Ornella mais sobressaem. Para completar, as canções são de boa colheita compositora e os arranjos orquestrais são um primor. Enfim, é maais um momento alto do cançonetismo italiano.

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Ornella Vanoni - Prime ore del mattino in A un certo punto... (1974)


Ornella Vanoni - Il continente delle cose amate in A un certo punto... (1974)

Cuore matto (9)

Ornella Vanoni - La voglia di sognare (1974)
Nos anos 70, um pouco em contra-tendência, a canção italiana atinge a sua plenitude. É um facto que o Festival de San Remo estava cada vez mais longe do esplendor da década anterior, mas, em contrapartida, a produção discográfica utiliza meios de produção mais modernos, incorporando, pontualmente, alguns elementos oriundos do pop/rock. A perda de importância do cançonetismo, em Itália, traduz-se, assim, mais no plano quantitativo e, eventualmente, comercial, do que no plano substantivo da qualidade. É o que se passa com Ornella Vanoni, uma das consagradas dos tempos áureos de San Remo.
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
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Ornella Vanoni - Un mondo di più in La voglia di sognare (1974)

Cuore matto (8)


Grande senhora da canção italiana, Ornella Vanoni é quem mais tem sustentado um estatuto de paridade em relação a Mina. Entre os fans de ambas (gente já com idade para ter juízo...) há um longo passado de rivalidades, um pouco à maneira do que ocorria cá, nos anos 60, entre os fans de Madalena Iglésias e os de Simone, mas em ponto muito maior. A verdade é que, quer Ornella, quer Mina, cada uma no seu estilo, representam o melhor da música ligeira. Por mim, adoro as duas, reconhecendo, obviamente, que são muito diferentes. Em todo o caso, a disputa, se é que verdadeiramente existe, pode-se presumir no que diz respeito às respectivas páginas oficiais na Web. Neste particular, parece que se pretende não ficar atrás de Mina... Com efeito, no seu sítio oficial há um excelente grafismo, que se adequa ao seu estilo.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Cuore matto (7)


Mina - Grande, grande, grande (1972)
Eis um video de Mina interpretando (em directo) o mítico Grande, grande, grande num daqueles saudosos programas musicais da RAI. Perante isto, só há que exclamar: Grande! Grande! Grande!

Cuore matto (6)

Romy Padovano - I Mille Volte di una Voce (1988)
Este livro é um album da iconografia de Mina, onde os artifícios fotográficos de Mauro Belletti são protagonistas. É um produto de italian design.
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Cuore matto (5)

Mina tem um sítio oficial com excelente desenho e repleto de todo o tipo de informação. Para cada disco existe informação detalhada e também um audio sampler para cada tema. O sítio reflecte um dos aspectos interessantes do seu percurso artístico, que é a crescente importância que o grafismo foi adquirindo em torno da sua imagem, a ponto de se ter criado uma espécie de iconografia própria. Se desde o início dos anos 70 já era visível o cuidado com as capas dos discos, a partir do seu desaparecimento artístico público, com a limitação da sua actividade à edição anual de um álbum, a dimensão gráfica alcançou uma imaginação e fantasia pouco comuns. Grande responsável por esta faceta foi o fotógrafo Mauro Belletti.