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sábado, fevereiro 10, 2007

Il bel paese (11)

Amalfi
A cidade histórica de Amalfi está situada no Golfo di Salerno, na parte sul da peninsula de Amalfi / Sorrento, a cerca de 50 Km de Nápoles. A costa amalfitana é escarpada e de extraordinária beleza. Sucedem-se os lugares de referência, onde gente endinheirada e de bom-gosto tem o privilégio de possuir villas de estilo clássico ou fin de siécle.

Il bel paese (10)


Zizi Possi - Per amore (1997)
Para quem retém num lugar privilegiado do seu espírito uma ideia de Itália romântica, este videoclip poderá ser um objecto de culto. Com um pano de fundo de melodia e voz dulcíssimas, aqui se congregam todos os correspondentes sinais desse lugar-comum, diríamos que... em excesso. Há uma desmesurada teatralidade e até o cenário, se, porventura, real, parece intrinsecamente cénico. Seja cenário ou seja real, a luxuosa villa e a paisagem de Positano (ou algum outro abençoado recanto da costa amalfitana) são o vislumbre do que pode ser o paraíso. Com tal música e paisagem, a realidade é, aliás... dispensável.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Il bel paese (9)

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Riccardo Tesi / Maurizio Geri - Acqua, foco e vento (2003)
Sob vários critérios a Toscana é o epicentro da Itália. A língua oficial da Itália (o italiano) resultou da adopção do toscano como língua oficial de estado, o qual, recorde-se, foi tardiamente criado (último terço do século XIX). Era o idioma dos florentinos, reconhecido como o prestigiado idioma de Dante e Petrarca, que desde finais da Idade Média fora adoptado pelas elites transalpinas. Sucede que, além do mais, era inteligível quer pelas populações que falavam dialectos do norte, quer por aquelas que falavam dialectos do sul. Este facto é demonstrativo de como a Toscana pode ser considerado o lugar da mais genuína italianidade. Ora, este álbum demonstra um outro aspecto dessa centralidade: a música popular tradicional. Ao ouvi-lo encontramos elementos do norte e do sul. A sonoridade do organetto diatonico sugere algo do Norte. Os ritmos, muitos deles dançantes, deixam-nos um sabor meridional. O jogo de vozes sublinha o carácter mediterrânico.
Já tinha notícia de que Riccardo Tesi era um virtuoso do acordeão tradicional (organetto diatonico). Com o irlandês Kirkpatrick e o basco Kepa Junkera participara no projecto Trans Europe diatonique. Por outro lado, não ignorava a importância da fisarmonica (acordeão comum) na música italiana em geral, nem, tampouco, a sua popularidade. Em Amarcord, de Fellini, vê-se como em Rimini estava presente nas romarias de rua. Riccardo Tesi é de Pistoia, cidade de pergaminhos históricos, situada no norte da Toscana. Tem um longo trabalho de recuperação e divulgação do organetto. Pois este álbum, feito em parceria com Maurizio Geri, é um comprovativo do seu virtuosismo. Mas é mais do que isso. É, em riqueza instrumental, uma das mais notáveis gravações que conheço na música popular tradicional. Nele participam vários músicos de grande qualidade, nomeadamente a vocalista Anna Granata. Acqua Foco e Vento é obrigatório para quem queira introduzir-se na música popular tradicional italiana. Ouça-se, por exemplo, La ballata del carbonaro que bem se pode considerar uma síntese das suas qualidades.
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Riccardo Tesi / Maurizio Geri - La ballata del carbonaro in Acqua, foco e vento (1968)

domingo, dezembro 24, 2006

Il bel paese (8)

Palermo - Postais (finais dos anos 40)

sábado, dezembro 02, 2006

Il bel paese (7)

Genova, Portofino, Paraggi, Camogli, Santa Margherita Ligure in L'Italia dal cielo (2005)

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Il bel paese (6)

Lago Maggiore: Stresa / Isole Borromee in L'Italia dal cielo (2005)

Il bel paese (5)

L'Italia dal cielo (2005)
Desde que em meados dos anos 80 a RTVE produziu a monumental série A vista de pájaro, foram surgindo em Espanha sucessivas séries análogas, mas de âmbito ainda mais detalhado, focando especificamente diversas regiões. Têm vindo a ser realizadas por iniciativa, ou com a participação, de emissoras televisivas autonómicas. Hoje em dia, a Espanha é uma referência para esse tipo de documentários.
Sempre ambicionei encontrar documentários do mesmo género referentes a outros países, muito em particular, em relação à Itália. Que melhor matéria se poderia ter do que as paisagens italianas? Finalmente encontrei e acedi a esta série, editada em 3 DVDs. Note-se que é a versão italiana de uma produção originariamente norte-americana.
Depois de a ver, deixa-me sensações contraditórias. Como seria de esperar, as belas paisagens naturais e citadinas sustentam um produto notável. Sucede ainda que a qualidade técnica é excelente, com imagem de alta definição. Os textos cumprem adequadamente com a sua função. A locução e a música estão a um nível igualmente adequado. Contudo, fiquei com um sabor próprio de um magnífico aperitivo, mas como que privado do resto da refeição... O problema traduz-se simplesmente da seguinte maneira: Como meter a Itália toda em 3 horas e 45 minutos? Muita, muita coisa tem que ficar de fora e em quase todos os sítios por onde se passa a passagem é demasiado superficial. Dois exemplos: nada sobre Milão ou Turim! Habituado que estou ao detalhe das produções espanholas, aguardarei que um dia surjam produções de nível idêntico para a Itália. Para já saboreio este aperitivo.

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sexta-feira, novembro 10, 2006

Il bel paese (4)

Florença - finais dos anos 40

terça-feira, setembro 05, 2006

Il bel paese (3)

Itália - Mapa Dialectal

Il bel paese (2)

Italia Irredenta
A Itália é um estado recente. Foi formada no terceiro quartel do século XIX a partir do Piemonte (Monarquia da Casa de Sabóia). Esse estado englobava também o Vale d’Aosta, a Ligúria e a Sardenha. Todo o resto da Península Itálica estava retalhado por várias soberanias (Império Austríaco, no Norte e Nordeste; vários pequenos estados independentes, no Centro-Norte; Estados Pontifícios, no Centro (incluindo Roma); Reino de Nápoles, no Sul e Sicília.
O processo de unificação designa-se Rissorgimento. O seu objectivo era estabelecer uma unidade estatal em toda a Península Itálica e ilhas adjacentes. O novo estado corresponderia a uma unidade geográfica natural e, neste contexto, Roma estaria naturalmente destinada a ser a capital, sendo que, ainda por cima, estava investida de poderoso significado histórico. Por outro lado, em todos esses territórios falavam-se línguas latinas e havia uma óbvia unidade religiosa – ao longo de séculos o catolicismo reforçara uma unidade cultural básica.
A consciência patriótica italiana desenvolveu-se a partir do início do século XIX, sobretudo entre a burguesia. Estabeleceu-se, sem grande discussão, o superior prestígio do toscano (idioma de Dante, Petrarca e Bocaccio) sobre todos os demais, assim como a vantagem de ser inteligível pelas populações meridionais e setentrionais. O toscano já era, aliás, a língua literária da inteligência de toda a Península, ainda que, no Norte, em situação de partilha com o francês ou alemão.
Alcançar a unificação política implicou guerras com o Império Austríaco e com a Santa Sé, que tiveram desenlaces vitoriosos, não só graças à mobilização do entusiasmo patriótico, mas também, ao apoio da França.
Contudo, quando o Rissorgimento alcançou os seus objectivos básicos, permaneciam fora da Itália territórios que reuniam requisitos geográficos e culturais de italianidade. Eram: Córcega e Nice (França); Ticino (Suiça); Trentino, Trieste e Fiume (Império Austro-Húngaro). Os patriotas radicais ainda adicionavam, com voluntarismo: Zara e toda a Dalmácia (Império Austro-Húngaro), Albânia e Malta. Em relação aos territórios franceses havia como que um tácito acordo de renúncia como contrapartida tácita pelo apoio francês. Quanto ao Ticino havia a consciência de que a população local permanecia alheia a qualquer tendência centrífuga em relação à Suiça. Onde a questão se colocava de forma aguda era em relação aos territórios sob soberania austríaca – extensos, importantes e onde havia uma opinião pública entusiasticamente envolvida no objectivo de se unir à Itália. É a partir daqui que surge o movimento Italia Irredenta, que visa completar a unidade italiana. Ele foi decisivo na reviravolta de alianças, aquando da eclosão da Grande Guerra em 1914, e foi a base sobre a qual se alicerçaram os primeiros ímpetos imperialistas do Fascismo. No pós II Guerra Mundial o irredentismo corporizou-se no vasto movimento de reintegração de Trieste no território italiano.

segunda-feira, abril 03, 2006

Il bel paese (1)

Lago Maggiore
Eram assim os folhetos turísticos na era anterior ao turismo de massas, quando só os ricos se poderiam dar ao luxo de viajar. O Lago Maggiore é sublime. Percorri-o nos finais de Julho de 2001 desde Sesto Calende a Locarno, na Suiça. Em Stresa, a meio do percurso, fiquei num pequeno hotel sobranceiro ao lago. A famosa canção de Mort Schuman, Lac Majeur, faz-lhe jus.

Le Lac Majeur


Il neige sur le lac Majeur
Les oiseaux-lyre sont en pleurs
Et le pauvre vin italien
S'est habillé de paille pour rien ...
Des enfants crient de bonheur
Et ils répandent la terreur
En glissades et bombardements
C'est de leur âge et de leur temps
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
Voilà de nouveaux gladiateurs
Et on dit que le cirque meurt
Et le pauvre sang italien
Coule beaucoup et pour rien...
Il neige sur le lac Majeur
Les oiseaux-lyre sont en pleurs
J'entends comme un moteur
C'est le bateau de cinq heures
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
Mort Schuman