Um sítio web de divulgação turística de Girona: Pedres de Girona (Pedras de Girona). Clicando sobre a imagem acede-se-lhe. A cidade precisa, efectivamente, de maior divulgação. Está obscurecida pela metrópole Barcelona e de algum modo afectada pelo atractivo da parafernália surrealista do Museu Dalí de Figueres e da mundanidade das praias da Costa Brava. Mas é assim e é pena. Em relação a Girona e não só. Existem muitas preciosidades no interior da província de Girona como, de resto, no interior de toda a Catalunha, em particular na metade setentrional que corresponde à historicamente designada como Catalunya Vella. Com o seu ar medieval, Girona é como que o mais visível estandarte das urbes da Catalunya Vella.
Tenho o prazer de conhecer Girona. É um cidade situada no norte da Catalunha, capital da província do mesmo nome. É rica pelo seu nível de vida, mas ainda é mais rica pelo seu património histórico. Na margem direita do Rio Onyar, pouco antes deste confluir com o Ter, um denso casario em torno de estreitas ruas empinadas compõe o seu centro histórico. Quase no topo desse anfiteatro sobressai a catedral. É precisamente esse centro histórico o objecto de um belíssimo álbum de fotos, da autoria de Toni Verdú Carbó que está disponível no Flickr.Ver slideshow a partir daqui.
Esta composição de imagens com a música de Feliceshoras é tecnicamente rudimentar, mas consegue o essencial: evocar os tempos áureos de Héctor Lavoe, o mesmo é dizer, os tempos áureos da salsa clássica. O destino del cantante de los cantantes parecia já inscrito naquela voz inconfundível, profunda, que soava grandiosamente de forma ora melancólica, ora trágica. Que melhor para o demonstrar que este tema, Felices horas, que é uma simples e bonita música de amor envolvida numa espectacular cadência rítmica?!
Eis um inesperado aproveitamento de Puro teatro: uma sátira a Fidel Castro. Em boa verdade, o reduto mais radical e influente do exílio anti-castrista, em Miami, tem tido sempre, regra geral, posicionamentos pouco inteligentes e desinspirados, desde o Desembarque da Baía dos Porcos ao Bloqueio. No confronto entre castristas e anti-castristas raramente tem havido sensatez e inteligência. Sempre tem sobrado muita retórica e demagogia nos dois bandos. Ao menos este é um exercício que irrompe por terrenos mais imaginativos...
Este álbum é uma compilação da editora canária Manzana para o mercado espanhol, em plena onda revivalista de La Lupe. Onda revivalista que foi impulsionada por um dos filmes de Almodóvar, que incluiu o bolero Puro teatro na banda sonora. Tem um interessante texto do jornalista Diego Manrique com um resumo da acidentada vida da artista. Na selecção de temas constam os mais conhecidos, nomeadamente três boleros de Tite Curet Alonso: Fijense, La tirana e Puro teatro. Destaque-se ainda o boleroQue te pedí, dois bogaloos (Fever e Que bueno boogaloo), assim como a famosa guajiraGuantanamera. Acima de todos paira, efectivamente, Puro teatro. Discorre sobre uma letra que se pode considerar um inspiradíssimo insulto, bem ao estilo canalha de Curet Alonso. Depois, culminando na perfeição, temos a interpretação radicalmente arrebatada da descaradona mulata cubana que La Lupe semprefoi... Percebe-se a ouvido desarmado que os boleros de La Lupe são de uma classe especial: sanguinios, febris, viscerais, passionais e este é, precisamente, o melhor exemplo.
Voz da salsa, Héctor Lavoe, El Cantante, não deixa de ser também uma voz do bolero. Dispersos pelos seus álbuns há vários boleros. É evidente que o timbre da sua voz se presta também a este género; em cadência lenta arrasta um lastro de melancolia que se lhe ajusta perfeitamente. Ora, sucede que, excepcionalmente, este álbum é dedicado só ao bolero. É, aliás, uma homenagem a um bolerista, Felipe Pirela, interpretando temas do seu repertório. Desde a imagem da capa até à matéria musical, passando pelas letras, tudo compõe um invulgar exercício nostálgico, de pendor decadente. A temática dir-se-ia que é própria de radionovela dos anos 50 ou 60: hiper-sentimental e transbordante de lugares-comuns moralistas. A voz apura ainda mais o sabor melancólico, com a perfeita complementaridade da orquestração. O resultado é soberbo. De Filipe Pirela pouco se pode apurar. Em El libro del bolero, de Tony Évora, há apenas uma menção fugidia, que refere tão-só a sua condição de portoriquenho. Mas não é. Num artigo da Wikipedia fica-se a saber que era venezuelano, que atingiu notoriedade no seu país de origem, também no México e, sobretudo, em Porto Rico. Aqui acabou por se radicar e morreu, assassinado, com 31 anos. Não se esclarece como e esta omissão acentua a estranheza que decorre do relevo que é dado ao modo como se desfez o seu casamento e à relação que se faz com o seu auto-exílio em Porto Rico.
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Héctor Lavoe - El infierno in Recordando a Felipe Pirela(1979)