sábado, fevereiro 28, 2009

Para siempre boleros! (30)

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Héctor Lavoe - Recordando a Felipe Pirela (1979)
Voz da salsa, Héctor Lavoe, El Cantante, não deixa de ser também uma voz do bolero. Dispersos pelos seus álbuns há vários boleros. É evidente que o timbre da sua voz se presta também a este género; em cadência lenta arrasta um lastro de melancolia que se lhe ajusta perfeitamente. Ora, sucede que, excepcionalmente, este álbum é dedicado só ao bolero. É, aliás, uma homenagem a um bolerista, Felipe Pirela, interpretando temas do seu repertório. Desde a imagem da capa até à matéria musical, passando pelas letras, tudo compõe um invulgar exercício nostálgico, de pendor decadente. A temática dir-se-ia que é própria de radionovela dos anos 50 ou 60: hiper-sentimental e transbordante de lugares-comuns moralistas. A voz apura ainda mais o sabor melancólico, com a perfeita complementaridade da orquestração. O resultado é soberbo.
De Filipe Pirela pouco se pode apurar. Em El libro del bolero, de Tony Évora, há apenas uma menção fugidia, que refere tão-só a sua condição de portoriquenho. Mas não é. Num artigo da Wikipedia fica-se a saber que era venezuelano, que atingiu notoriedade no seu país de origem, também no México e, sobretudo, em Porto Rico. Aqui acabou por se radicar e morreu, assassinado, com 31 anos. Não se esclarece como e esta omissão acentua a estranheza que decorre do relevo que é dado ao modo como se desfez o seu casamento e à relação que se faz com o seu auto-exílio em Porto Rico.
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Héctor Lavoe - El infierno in Recordando a Felipe Pirela (1979)

Para siempre boleros! (29)


Moncho / Tomatito - Encadenados

domingo, fevereiro 22, 2009

Memória do Futebol (13)

Europa Top100 2007/2008 - Média de espectadores / Clubes de futebol
A litania recorrente sobre as baixas assistências do futebol português não tem base objectiva de nenhum tipo. Seja sob que perspectiva forem analisados os dados estatísticos, nada permite adoptar tal tese. Aqui fica uma achega: o Top100 das médias de espectadores de clubes nas ligas nacionais europeias na época 2007/2008 (Excluída a Turquia por falta de dados).
Portugal está presente com 4 clubes, 3 dos quais no Top50; de notar que FC Porto e Benfica estão, inclusivamente, no Top40, à frente de clubes como Juventus, AS Roma, Lazio, Fiorentina, Torino, Everton, Tottenham Hotspur, PSV, Olympique de Lyon, PSG... São indicadores impensáveis para os demais países da ordem de grandeza de Portugal, como é o caso da Grécia, República Checa, Bélgica, Hungria, Sérvia e Áustria.
Outros indicadores confirmam que, de facto, nesta matéria, Portugal só é ultrapassado pelas 5 grandes ligas, mais a Escócia e a Holanda. Em termos relativos, comparativamente com o número de habitantes, só será ultrapassado, eventualmente, por estes dois últimos.

(Clicar sobre a imagem, a fim de se obter a visualização da lista)



Fonte: European Football Statistics

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Salsa y Merengue (43)

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Héctor Lavoe - Comedia (1978)
É o álbum mais carismático de Héctor Lavoe, o que sucede devido a incluir o tema que acabou por se tornar como que a sua senha de identidade, El cantante, composto por Rubén Blades. O título do álbum e respectiva imagem de capa reforçam a composição carismática, acentuando o que era cada vez mais evidente: a vida de Héctor Lavoe descambava descontroladamente para terrenos escatológicos entre a comédia e a tragédia. De resto, é um álbum que definitivamente consolida um repertório que se reparte entre a salsa pura e dura e o bolero, consagrando os dotes interpretativos excepcionais em ambos os géneros.
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Héctor Lavoe - El cantante in Comedia (1978)

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Salsa y Merengue (42)

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Héctor Lavoe - De ti depende (1976)
Depois de uma fase inicial em que foi voz solista da orquestra de Willie Colón, Héctor Lavoe aparece como protagonista, à frente da sua própria orquestra. Esta, em pouco difere da anterior. O que se passa é que Willie Colón cedeu-lhe a direcção, dedicando-se a outros projectos. Alguns problemas causaram este afastamento, o que, aliás, é mostrado no filme El cantante. Mas não foi um afastamento inamistoso e radical em termos pessoais e menos ainda em termos artísticos. Colón assegura-lhe a produção das gravações e a sonoridade continua a ser a mesma. Este é o segundo álbum desta fase. A voz de el cantante de los cantantes está na plenitude e o envolvimento orquestral está à sua altura. Aqui temos salsa da mais clássica, com o atractivo adicional de estar entrecortada por boleros, onde a voz adquire um lastro melancólico. Mas o tema mais carismático é Periódico de ayer. Este é, digamos, como que a quinta-essência da salsa. Letra e música são do portoriquenho Tite Curet Alonso, o mesmo que compôs o bolero Puro teatro, celebrizado por La Lupe. Do mesmo modo, trata-se de um tema de amor em clave de despeito canalha (e como a voz de Héctor tem um travo canalha!). Mais espectacular ainda é a parte musical, cujo desenvolvimento está poderosamente assente em metais e ritmo, sobre um fundo orquestral grandioso. Daqui se retirou o trecho que foi utilizado para o menu da edição em DVD de El cantante. Pode ainda ser escutado, na versão original e na íntegra durante o genérico final. É, enfim, um clássico da salsa mais clássica. Porém, estão presentes outros temas excepcionais, como Felices horas, Vamos a reír un poco e Hacha y machete. É, em suma, um álbum de referência na história da salsa.
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Héctor Lavoe - Periódico de ayer in De ti depende (1976)

Flamenco (36)


Navajita Plateá / Alba Molina - Noches de bohemia

Flamenco (35) (2 remake)

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Manzanita - Mal de amores (1984)
Uma das vias de fusão do flamenco foi na direcção do cançonetismo. Esta via foi sempre uma ligação intermitente, transfigurada segundo as roupagens orquestrais das modas vigentes. Manzanita nunca a desprezou, mas é aqui que se lança nela plenamente. Fê-lo de um modo que constituiu uma ruptura na sua carreira. Com efeito, interrompendo a colaboração com o produtor José Luis de Carlos, fez esta gravação sob a direcção de Jorge Álvarez, vindo da área do pop/rock mais comercial. A CBS disponibilizou acrescidos recursos, os quais consistiram, por exemplo, na participação da Royal Philarmonic Orchestra e do maestro Luís Cobos. O rumo apontava, portanto, para caminhos mais comerciais. Em todo o caso, os resultados de vendas foram decepcionantes, tendo em conta os gastos de produção e as vendas atingidas por álbuns precedentes. Não segurou o seu público mais exigente e não conquistou públicos mais amplos. Sucede, contudo, que este álbum é merecedor de atenção. Os arranjos são pesados, ora dando protagonismo à caixa de ritmos, ora configurando um cançonetismo de aparato. Ainda por cima atreve-se a desplantes falhados, como pegar no La Bohème, de Aznavour, em moldes de zarzuela, ou na copla Los Piconeros com instrumentalização eléctrica... Outros excessos, porém, resultam magnificamente, como certas temas com letras liricamente toscas e de conteúdo ao estilo de macho castigador, onde avulta esse delicioso vademecum do género que é Sin darme cuenta. Nesta linha, o primeiro e último temas são também fortes e sublinham o mano a mano entre orquestrações pesadas e um desempenho vocal pleno de garra. Na verdade, a voz, entre o agreste e o aveludado, estava mais exuberante do que nunca. Para o bem e para o mal, tudo aqui é mais do que quente, é tórrido... Há coisas muito boas e muito más.
Com este álbum maldito, desenterraram-se alguns demónios relacionados com os seus antecedentes machistas (denúncias de assédio e opiniões tonitruantemente polémicas...) e começaram a esboçar-se sinais de uma decadência precoce. Depois do álbum seguinte, La quiero a morir, entrou numa fase de penumbra, de onde só chegaram os tímidos ecos da conversão a uma seita evangélica e os intermitentes testemunhos de uma carreira em retirada, através de uma série de álbuns menores.
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Manzanita - Lo averiguaste in Mal de amores (1984)

sábado, fevereiro 14, 2009

Memória do futebol (12)

Benfica: O mito dos 6 milhões
As informações sobre popularidade dos clubes de futebol são um terreno movediço que exige cautelas, já que mexe com muita paixão. Um exemplo: os 6 milhões de benfiquistas - mito que releva da megalomania. Nada sustenta esse número, na medida em que, na melhor das hipóteses, abrange todo o universo de adeptos de futebol em Portugal. Por outro lado, a diáspora da emigração portuguesa, se bem que extensa (para a proporção do universo de origem), está longe de significar um alargamento de grandeza absoluta que viabilize tal fantasia. Nem, tampouco, se se tiver em conta a população dos PALOPS que fala efectivamente português, e que podemos considerar aculturada, a qual, no total, mal passará dos 10 milhões (sobretudo, à conta de Angola).
Ora bem, pois sucede que recente sondagem da Sport+Markt confirma tudo o que admitia como provável: o universo dos que aqui em Portugal gostam de futebol é de 4,7 milhões. Os que fora de Portugal, na Europa, torcem por clubes portugueses são 2 milhões. Mas... mais interessante: o Benfica é, efectivamente, o clube português, de longe, com mais adeptos, mas são... 2,2 milhões. Em segundo, o FC Porto, com 1,3 milhões e, em terceiro, o Sporting, com 1,1 milhões. Adicionados os adeptos na Europa os resultados são estes: 2,9 (SLB), 1,9 (FCP) e 1,8 (SCP) milhões, respectivamente.
No fundo, estes dados encaixam nos que, em 1992, foram publicados por
A Bola, como resultado de uma extensa sondagem: Benfica - 40%; Sporting - 20%; FC Porto - 19%. Uma tendência anotada nessa sondagem apontava num sentido que, entretanto, se confirma: forte reforço do FC Porto pela maior penetração entre os jovens. Ver notícia do Expresso on line que reporta esta sondagem: Benfica só tem 2,2 milhões de adeptos.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Dancing days (22)



Rick Astley - Never gonna give you up (1987)