quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Flamenco (36)


Navajita Plateá / Alba Molina - Noches de bohemia

Flamenco (35) (2 remake)

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Manzanita - Mal de amores (1984)
Uma das vias de fusão do flamenco foi na direcção do cançonetismo. Esta via foi sempre uma ligação intermitente, transfigurada segundo as roupagens orquestrais das modas vigentes. Manzanita nunca a desprezou, mas é aqui que se lança nela plenamente. Fê-lo de um modo que constituiu uma ruptura na sua carreira. Com efeito, interrompendo a colaboração com o produtor José Luis de Carlos, fez esta gravação sob a direcção de Jorge Álvarez, vindo da área do pop/rock mais comercial. A CBS disponibilizou acrescidos recursos, os quais consistiram, por exemplo, na participação da Royal Philarmonic Orchestra e do maestro Luís Cobos. O rumo apontava, portanto, para caminhos mais comerciais. Em todo o caso, os resultados de vendas foram decepcionantes, tendo em conta os gastos de produção e as vendas atingidas por álbuns precedentes. Não segurou o seu público mais exigente e não conquistou públicos mais amplos. Sucede, contudo, que este álbum é merecedor de atenção. Os arranjos são pesados, ora dando protagonismo à caixa de ritmos, ora configurando um cançonetismo de aparato. Ainda por cima atreve-se a desplantes falhados, como pegar no La Bohème, de Aznavour, em moldes de zarzuela, ou na copla Los Piconeros com instrumentalização eléctrica... Outros excessos, porém, resultam magnificamente, como certas temas com letras liricamente toscas e de conteúdo ao estilo de macho castigador, onde avulta esse delicioso vademecum do género que é Sin darme cuenta. Nesta linha, o primeiro e último temas são também fortes e sublinham o mano a mano entre orquestrações pesadas e um desempenho vocal pleno de garra. Na verdade, a voz, entre o agreste e o aveludado, estava mais exuberante do que nunca. Para o bem e para o mal, tudo aqui é mais do que quente, é tórrido... Há coisas muito boas e muito más.
Com este álbum maldito, desenterraram-se alguns demónios relacionados com os seus antecedentes machistas (denúncias de assédio e opiniões tonitruantemente polémicas...) e começaram a esboçar-se sinais de uma decadência precoce. Depois do álbum seguinte, La quiero a morir, entrou numa fase de penumbra, de onde só chegaram os tímidos ecos da conversão a uma seita evangélica e os intermitentes testemunhos de uma carreira em retirada, através de uma série de álbuns menores.
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Manzanita - Lo averiguaste in Mal de amores (1984)

sábado, fevereiro 14, 2009

Memória do futebol (12)

Benfica: O mito dos 6 milhões
As informações sobre popularidade dos clubes de futebol são um terreno movediço que exige cautelas, já que mexe com muita paixão. Um exemplo: os 6 milhões de benfiquistas - mito que releva da megalomania. Nada sustenta esse número, na medida em que, na melhor das hipóteses, abrange todo o universo de adeptos de futebol em Portugal. Por outro lado, a diáspora da emigração portuguesa, se bem que extensa (para a proporção do universo de origem), está longe de significar um alargamento de grandeza absoluta que viabilize tal fantasia. Nem, tampouco, se se tiver em conta a população dos PALOPS que fala efectivamente português, e que podemos considerar aculturada, a qual, no total, mal passará dos 10 milhões (sobretudo, à conta de Angola).
Ora bem, pois sucede que recente sondagem da Sport+Markt confirma tudo o que admitia como provável: o universo dos que aqui em Portugal gostam de futebol é de 4,7 milhões. Os que fora de Portugal, na Europa, torcem por clubes portugueses são 2 milhões. Mas... mais interessante: o Benfica é, efectivamente, o clube português, de longe, com mais adeptos, mas são... 2,2 milhões. Em segundo, o FC Porto, com 1,3 milhões e, em terceiro, o Sporting, com 1,1 milhões. Adicionados os adeptos na Europa os resultados são estes: 2,9 (SLB), 1,9 (FCP) e 1,8 (SCP) milhões, respectivamente.
No fundo, estes dados encaixam nos que, em 1992, foram publicados por
A Bola, como resultado de uma extensa sondagem: Benfica - 40%; Sporting - 20%; FC Porto - 19%. Uma tendência anotada nessa sondagem apontava num sentido que, entretanto, se confirma: forte reforço do FC Porto pela maior penetração entre os jovens. Ver notícia do Expresso on line que reporta esta sondagem: Benfica só tem 2,2 milhões de adeptos.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Dancing days (22)



Rick Astley - Never gonna give you up (1987)

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Memória do futebol (11)

Clubes mais ricos do mundo
Hoje, na edição do Público, vem a lista dos clubes mais ricos do mundo. É já uma tradição dos últimos anos. Trata-se de um estudo elaborado pela Deloitte para a revista Four-Two-Four (Estudo original: Football Money League 2009).
De notar que é uma lista de rendimentos e não de despesas. Ou seja, difere de qualquer uma que se possa elaborar a partir dos dados mais comuns, referentes aos orçamentos anuais. Por outro lado, sublinhe-se que os critérios seguidos nesta rich list pretendem valorizar a efectiva riqueza estrutural de cada clube; assim, não são tidos em conta os valores correspondentes à venda de direitos desportivos dos jogadores, o que, aliás, torna ainda mais difícil que um clube português a integre - só o Benfica chegou, uma vez, a integrá-la - ver post Memória do Futebol (2).
Tem-se vindo a notar uma luta taco a taco pela liderança entre o Manchester Utd e Real Madrid. Este tem levado a melhor nos dois últimos anos, sendo que neste último, a queda da libra viabilizou a manutenção da liderança. Mas, nem mesmo este factor impediu que continue a haver uma expressiva hegemonia dos clubes da Premier League na lista. São 7 em 20; 4 entre os 10 primeiros.
Eis a lista:

Football Money League 2009

Real Madrid

365,8

M€
Manchester Utd 324,8 M€
Barcelona 308,8 M€
Bayern München 295,3 M€
Chelsea 268,9 M€
Arsenal 264,4 M€
Liverpool 210,9 M€
AC Milan 209,5 M€
AS Roma 175,4 M€
Inter 172,9 M€
Juventus 167,5 M€
OL 155,7 M€
Schalke 04 148,4 M€
Tottenham Hotspur 145 M€
Hamburger SV 127,9 M€
OM 126,8 M€
Newcastle Utd 125,6 M€
VfB Stuttgart 111,5 M€
Fenerbahçe 111,3 M€
Manchester City 104 M€

Memória do futebol (10)

Os clubes mais populares do mundo
Sobre o número de adeptos de clubes de futebol há sondagens cujos resultados se encontram na Internet. A maioria dos resultados apresentados são muito resumidos, mas sobre a Argentina, Brasil, Espanha e Itália encontram-se estudos detalhados. Sobre clubes de muitos outros países encontram-se apenas informações indirectas, nomeadamente em fóruns que discutem o assunto. Há ainda sondagens de uma empresa alemã de estudos do mercado desportivo mundial (Sport+Markt), que avaliam a popularidade global. Ponderando todos esses dados, mas tendo como referência o universo correspondente à área do respectivo campeonato nacional, construi este ranking, cujo valor, evidentemente, não é mais do que aproximativo... Notórias omissões (por exemplo, clubes fora da Europa e América Latina) resultam de completa carência de informações.




De 25 a 35 milhões de adeptos
BRA Flamengo Rio de Janeiro
De 20 a 25 milhões de adeptos
BRA Corinthians São Paulo
De 15 a 20 milhões de adeptos
RUS Zenith
Sankt-Peterburg
De 10 a 15 milhões de adeptos
ARG Boca Juniors Buenos Aires
BRA Palmeiras São Paulo
BRA São Paulo São Paulo
ENG Manchester Utd Manchester
ESP Real Madrid Madrid
GER Bayern München
ITA Juventus Torino
De 7,5 a 10 milhões de adeptos
ARG River Plate Buenos Aires
BRA Vasco da Gama Rio de Janeiro
ESP Barcelona Barcelona
FRA OM Marseille
ITA AC Milan Milano
RUS CSKA Moskva
RUS Spartak Moskva
TUR Fenerbahçe İstanbul
TUR Galatasaray İstanbul
UKR Dynamo Kyyiv Kyyiv
De 5 a 7,5 milhões de adeptos
BRA Cruzeiro Belo Horizonte
BRA Grêmio Pôrto Alegre
ENG Arsenal London
ENG Liverpool Liverpool
FRA OL Lyon
ITA Inter Milano
MEX Chivas Guadalajara
NED Ajax Amsterdam
POL Wisla
Kraków
RUS Dinamo Moskva Moskva

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Salsa y merengue (41)

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Spanish Harlem Orchestra - Across 110St (2004)
No topo do Central Park a 110th Street assinala a entrada no Spanish Harlem, também conhecido como El Barrio. Se na área metropolitana de New York abundam hispanos um pouco por todo o lado, é aqui e no vizinho Bronx onde há a maior concentração. Spanish Harlem fica no extremo nordeste de Manhathan e é lá que estão os símbolos mais visíveis da comunidade porto-riquenha. Foi onde surgiu a salsa. Nessa invenção o protagonismo esteve entre os porto-riquenhos de NY, os newyoricans. Deve-se dizer que tal resultou do facto de constituírem uma comunidade especial, e não só por ser a mais numerosa entre os hispanos... Foram sempre os que mais se destacaram e tornaram-se, portanto, os mais influentes. O facto de recentemente ter surgido uma salsa big band com o nome Spanish Harlem Orchestra está na ordem natural das coisas. E o mesmo se pode dizer de ter editado um álbum com o título Across 110St.
Esta big band é dirigida pelo pianista Óscar Hernández, que se destacou nos grupos que acompanharam Rubén Blades (Seis del Solar e Son del Solar) e nos que acompanharam o percussionista Ray Barretto. Propõe uma certa forma de retorno às origens da salsa e, mesmo, aos seus antecedentes orquestrais. É uma via próxima do jazz, tanto que se pode dizer que estamos em domínios do latin jazz... Neste álbum, o segundo, verifica-se que é uma proposta ao mesmo tempo de renascimento e modernização, cujo resultado é espectacular. De notar ainda a participação vocal de Rubén Blades, que é como que uma cereja no topo do bolo... Em suma, magnífico! Especialmente indicado para quem quer saber o que é salsa da mais pura.
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Spanish Harlem Orchestra / Rubén Blades - Como lo canto yo in Across 110St (2004)

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Salsa y merengue (40)

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Héctor Lavoe - El cantante: The originals (2007)
Na sequência do filme El cantante foi editado o álbum da banda sonora, com as interpretações de Marc Anthony; mas também foi editado um outro álbum, com as versões originais, de Héctor Lavoe. É este aqui em apreço, o qual é uma colectânea oportuna, na medida em que permite uma aproximação mais rigorosa à matéria inspiradora do filme.
Héctor tinha uma voz inconfundível. Nas notas incluídas no encarte do CD, da autoria de Ernesto Lechner, diz-se que era uma "voz profunda e aguerrida". Marc Anthony tem dotes de sonero mas não pode, naturalmente, fazer sugerir plenamente essa voz. E não só. Héctor tinha um jeito muito peculiar de vocalizar, jingando, que se integrava magnificamente na fraseologia rítmica da salsa. Além do mais, tinha uma imagem, digamos, de crooner decadente. Aliás, o que se pode caracterizar como decadente confundia-se com uma pose rufia. A temática de muitas das suas músicas, assim como a sua vida, reforçaram essa imagem, que encontra correspondência num dos seus apodos, "El chico malo de la salsa" e na qualificação do seu estilo como salsa brava. O que pode haver de rebelde na imagem dos modernos soneros é mais pop e, portanto, muito mais convencional.
Héctor Lavoe formou com Willie Colón o tandem que lançou a salsa. Foi com eles que a editora Fania se abalançou no propósito de se tornar numa espécie de equivalente latino da Motown ou da Stax. Viviam-se os finais dos anos 60 e inícios dos 70. Era uma parceria fulcral - um, representava a orquestra; o outro, a voz. Em meados de 70 outro grande nome da salsa, Rubén Blades, tornou-se o sucessor de Héctor como vocalista de Colón. Mas este facto, mais do que uma ruptura, representou a consagração de triângulo, pois continuaram as colaborações, só que a três e entrecambiando desempenhos. Basta referir, por exemplo, que El cantante, o tema emblemático, foi composto por Rubén; tema que, aliás, demonstra uma contundente exuberância orquestral. Refira-se, a propósito, que nas composições deste último, como nas composições e arranjos de Colón, há uma grandiosidade sinfónica que encontra na voz de Héctor a correspondência mais adequada.
Note-se, finalmente, que com abundante informação no encarte e abrangendo gravações do período inicial, em que era o vocalista da orquestra de Colón, esta colectânea é mais completa do que a maioria das que existem de Héctor Lavoe, el cantante de los cantantes.
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Héctor Lavoe - El cantante in Comedia (1978)

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Salsa y merengue (39)

Marc Anthony - El cantante (2006)
El cantante termina com esta versão do tema que dá nome ao filme. De notar que no final, são introduzidas imagens reais do funeral de Héctor Lavoe. Por elas se pode verificar a popularidade del cantante de los cantantes.