sexta-feira, janeiro 16, 2009
Salsa y merengue (34)
Mediterráneo / Mediterrània (56)
Raimon - Al vent / La pedra / Som / A cops (1963)
Raimon canta Al vent. É um dos mais emblemáticos temas deste cantautor de Xàtiva, terra onde se fala valenciano, o dialecto catalão que, pela fonética, se aproxima do castelhano. É, sublinho, um tema emblemático. Tenho o EP original, com o "fritado" próprio do vinil muito usado. Comprei-o, em segunda mão, por 15 euros, há ano e meio em Barcelona. Data de 1963 e é material de valia entre coleccionadores. É um símbolo de um tempo e de um país (D'un temps i d'un país é título de um outro tema de Raimon e foi retomado por Serrat como título de um álbum evocativo dos tempos áureos da cançó).
Al vent foi, nos anos 60, um hino anti-franquista. Diz Raimon que lhe surgiu quando, estrada fora, em cima de uma vespa, se dirigia de Xàtiva a Valencia, onde era aluno de História. Na letra e cadência transporta sentimento de rebeldia. Por isto e pelo facto de não ser cantado na lengua del imperio, tornou-se emblemático; basta dizer que trinta anos depois de ter sido gravado, a efeméride foi pretexto para o espectáculo de onde este vídeo foi extraído. Já agora, repare-se que, no palco, atrás de Raimon, estão Luís Cília e Paco Ibañez. Pode-se ainda ver Joan Manuel Serrat cantando emotivamente. Ao fundo está uma tela gigante que reproduz a pintura que Joan Miró fez para a capa do álbum de Raimon, Cançons de la roda del temps.
Raimon - Al vent (Barcelona, Palau Sant Jordi, 1993)
Mediterráneo / Mediterrània (53) (34 remake)
Em 2000 é lançada uma reedição de toda a sua carreira discográfica em 10 volumes. No sexto consta Cançons de la roda del temps, não na versão original, mas numa outra, que havia sido entretanto gravada em 1981. A voz ainda poderosa e límpida de Raimon e o adusto lirismo de Espriu proporcionam uma experiência tão interessante como na versão original.
Raimon - Cançó del matí encalmat (1981) in Raimon: Nova integral (2000)
segunda-feira, janeiro 12, 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009
Cuore Matto (24) (9 remake)
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
Viagens (67): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (10)
Passei junto ao Castelo Sforzesco. É uma construção austera, com uma torre imponente, que se situa num parque. Os Sforza dominaram o Milanado nos finais da Idade Média. Depois, o território passou para a soberania da Casa de Áustria, vindo a integrar o Império Espanhol. Em meados do século XVII passou para o Império Austríaco. Assim se manteve até ao Rissorgimento. Há vestígios do domínio espanhol, mas há muitos mais do domínio austríaco. Até meados do século XIX as pessoas cultas dominavam tanto o italiano como o alemão. O povo falava milanês, o qual já não se ouve hoje em dia nas ruas - parece que subsiste nas zonas rurais. Escutei-o numa rádio local (Radio Meneghina) e soa assim como que uma mistura de italiano com francês.
Do Castelo Sforzesco parte a elegante Via Dante, que está reservada a peões... e bicicletas. Diga-se, que é frequente ver gente a andar de bicicleta, tanto nestas artérias como nas de trânsito normal. O castelo ainda dominava, ao fundo, quando uma curva me fez desaguar no Duomo.
Perdi-me nas livrarias e lojas de discos situadas à volta do Duomo. Não me admirei com a ampla oferta de temas de arte e arquitectura. A de mapas é também muito boa. Há uma abundante literatura sobre futebol. Quanto às lojas de discos, é visível que a fórmula Virgin é mais bem sucedida que a fórmula FNAC, ao contrário do que sucedeu em Espanha e Portugal.
Os quiosques têm uma oferta variada, quer pelas revistas, quer pelos diários provinciais. Contudo, em Milão mais de metade das pessoas que levam jornais nas mãos (e são muitas), fazem-no com o Corriere della Sera, que desde há muito (pese o nome) passou a ser matutino. Entre os quatro jornais de informação geral de difusão nacional, um está sediado em Roma (La Repubblica), outro em Turim (La Stampa) e os outros dois em Milão (Corriere della Sera e Il Giornale). São magníficos no conteúdo e conservadores no seu grafismo – as primeiras páginas têm texto, não são dominadas por grandes títulos e fotos. A ascensão de La Repubblica tem sido notável – é o hoje o jornal da opinião de esquerda, a nível nacional, equivalente ao El País, em Espanha. O Corriere della Sera é conservador moderado e traduz uma sensibilidade própria da burguesia do Norte de Itália. Entre os dois, a disputa pela liderança é cerrada e faz-se acima dos 700.000 exemplares de venda média diária! A vantagem vai ainda para o Corriere. Mais atrás, vem o jornal ligado à FIAT - La Stampa (300.000) - e o que de melhor produziu a constelação mediática de Berlusconi, o Il Giornale (250.000). Aqui, os índices de leitura de jornais são altos, mas a média nacional é inferior à de Espanha, algo que só se percebe se se souber que a sul de Roma esses índices são os mais baixos de toda a União Europeia.
Milão, estando muito longe de ser dominada pelo turismo, proporciona uma noção mais precisa da realidade social italiana. Impressionou-me a quantidade de orientais e árabes que vi. Era de esperar ver alguns negros com a tez própria dos somalis ou etíopes (antigas colónias italianas). Vi-os, de facto, mas em quantidade menor do que magrebinos, paquistaneses, tailandeses, vietnamitas... Finalmente, devo referir que os contactos com italianos deram-me deles uma imagem de simpatia natural, sorridentes e solícitos.
O comboio que me levou ao aeroporto de Malpenza, a meio da tarde, durou quase uma hora no trajecto. A minha última imagem de Itália foi, o avião levantando voo, a panorâmica do Lago di Como, do Lago Maggiore e dos Alpes. Bela imagem!


















