sexta-feira, janeiro 16, 2009

Mediterráneo / Mediterrània (55): Valencia (37 remake)

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Valencia (anos 50) (2)

Mediterráneo / Mediterrània (54): Valencia (37 remake)

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Valencia (anos 50) (1)

Mediterráneo / Mediterrània (53) (34 remake)

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Raimon - Nov
a integral Edició 2000 (2000)
Raimon (Ramón Sanchis Pelejero) é o decano da cançó catalana, mas não é propriamente catalão, é valenciano. Nasceu em Xàtiva, no sul da província de Valencia. Convém saber que a área linguística catalã estende-se pelo litoral das terras valencianas até ao sul da província de Alicante. As localidades de Elx (Elche) e Crevillent, já próximas de Murcia, assinalam os seus limites meridionais. A forma valenciana de falar catalão (valencià) diferencia-se por uma fonética de vogais mais abertas e por um vocabulário com certas especificidades, uma boa parte das quais de origem árabe. Juntamente com um punhado de intelectuais valencianos, onde avulta Joan Fuster, Raimon foi, nos anos 60 e 70, intérprete de um ideal pan-catalanista que se traduzia no conceito Països Catalans - comunidade linguística entre Principat (Catalunya), Illes (Menorca, Mallorca, Eivissa) e País Valenciá. Tornou-se figura de proa do catalanismo. Mas, em boa verdade, foi mais do que isso, foi uma dos primeiros cantautores com projecção e nessa medida chegou a ter notoriedade em toda a Espanha, apesar de ter cantado sempre só em catalão. Alguns dos hinos antifranquistas dos anos 60 foram da sua lavra. Em qualquer lugar de Espanha os seus espectáculos transformavam-se em comícios. Porém, a sua música foi-se desenvolvendo para além das intervenção política. No início, a crua simplicidade da sua música, assente numa simples guitarra e em acordes lineares, fazia ressaltar uma voz poderosa e expressiva. Este trunfo sempre o manteve. Mas, já em 1966 havia sinais num outro sentido. Nesse ano saiu o álbum Cançons de la roda del temps, onde Raimon pôs em música poemas de Salvador Espriu e tinha uma capa da autoria de Joan Miró. Esta linha levá-lo-ia mais tarde aos poetas valencianos de finais da Idade Média, como Ausiàs March. Nos anos 80 e 90 estava já longe do panfletarismo, apostando por uma via mais valiosa de canção de texto.
Em 2000 é lançada uma reedição de toda a sua carreira discográfica em 10 volumes. No sexto consta Cançons de la roda del temps, não na versão original, mas numa outra, que havia sido entretanto gravada em 1981. A voz ainda poderosa e límpida de Raimon e o adusto lirismo de Espriu proporcionam uma experiência tão interessante como na versão original.



Raimon - Cançó del matí encalmat (1981) in Raimon: Nova integral (2000)

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Tiro ao alvo (23)

Medina Carreira in Nós por cá (SIC) (05/01/2009)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Cuore Matto (24) (9 remake)

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Ornella Vanoni - La voglia di sognare (1974)
Nos anos 70, um pouco em contra-tendência, a canção italiana atinge a sua plenitude. É um facto que o Festival de San Remo estava cada vez mais longe do esplendor da década anterior, mas, em contrapartida, a produção discográfica utiliza meios de produção mais modernos, incorporando, pontualmente, alguns elementos oriundos do pop/rock. A perda de importância do cançonetismo, em Itália, traduz-se, assim, mais no plano quantitativo e, eventualmente, comercial, do que no plano substantivo da qualidade. É o que se passa com Ornella Vanoni, uma das consagradas dos tempos áureos de San Remo.
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
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Ornella Vanoni - Un mondo di più in La voglia di sognare (1974)

Cuore matto (23)


Mina - L'importante e' finire in La Mina (1975)

Viagens (67): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (10)

7º Dia (6ª Feira)
O último dia foi dedicada às compras, tanto quanto o remanescente de liras e saldo do Visa permitissem. Entretanto, aprendi que os bilhetes para os eléctricos (e metro), no valor de 2.000 liras, eram exclusivamente comprados em bares, quiosques e estações de metro. Finalmente, o calor abrandara. Comecei por me dirigir à estação de Cadorna para me assegurar que era dali que saía o comboio para o aeroporto. Depois fui caminhando até ao centro. Não consegui encontrar a igreja desconsagrada que funcionou nos anos 70 como estúdio e onde Mina gravou alguns dos seus melhores discos.
Passei junto ao Castelo Sforzesco. É uma construção austera, com uma torre imponente, que se situa num parque. Os Sforza dominaram o Milanado nos finais da Idade Média. Depois, o território passou para a soberania da Casa de Áustria, vindo a integrar o Império Espanhol. Em meados do século XVII passou para o Império Austríaco. Assim se manteve até ao Rissorgimento. Há vestígios do domínio espanhol, mas há muitos mais do domínio austríaco. Até meados do século XIX as pessoas cultas dominavam tanto o italiano como o alemão. O povo falava milanês, o qual já não se ouve hoje em dia nas ruas - parece que subsiste nas zonas rurais. Escutei-o numa rádio local (Radio Meneghina) e soa assim como que uma mistura de italiano com francês.
Do Castelo Sforzesco parte a elegante Via Dante, que está reservada a peões... e bicicletas. Diga-se, que é frequente ver gente a andar de bicicleta, tanto nestas artérias como nas de trânsito normal. O castelo ainda dominava, ao fundo, quando uma curva me fez desaguar no Duomo.
Perdi-me nas livrarias e lojas de discos situadas à volta do Duomo. Não me admirei com a ampla oferta de temas de arte e arquitectura. A de mapas é também muito boa. Há uma abundante literatura sobre futebol. Quanto às lojas de discos, é visível que a fórmula Virgin é mais bem sucedida que a fórmula FNAC, ao contrário do que sucedeu em Espanha e Portugal.
Os quiosques têm uma oferta variada, quer pelas revistas, quer pelos diários provinciais. Contudo, em Milão mais de metade das pessoas que levam jornais nas mãos (e são muitas), fazem-no com o Corriere della Sera, que desde há muito (pese o nome) passou a ser matutino. Entre os quatro jornais de informação geral de difusão nacional, um está sediado em Roma (La Repubblica), outro em Turim (La Stampa) e os outros dois em Milão (Corriere della Sera e Il Giornale). São magníficos no conteúdo e conservadores no seu grafismo – as primeiras páginas têm texto, não são dominadas por grandes títulos e fotos. A ascensão de La Repubblica tem sido notável – é o hoje o jornal da opinião de esquerda, a nível nacional, equivalente ao El País, em Espanha. O Corriere della Sera é conservador moderado e traduz uma sensibilidade própria da burguesia do Norte de Itália. Entre os dois, a disputa pela liderança é cerrada e faz-se acima dos 700.000 exemplares de venda média diária! A vantagem vai ainda para o Corriere. Mais atrás, vem o jornal ligado à FIAT - La Stampa (300.000) - e o que de melhor produziu a constelação mediática de Berlusconi, o Il Giornale (250.000). Aqui, os índices de leitura de jornais são altos, mas a média nacional é inferior à de Espanha, algo que só se percebe se se souber que a sul de Roma esses índices são os mais baixos de toda a União Europeia.
Milão, estando muito longe de ser dominada pelo turismo, proporciona uma noção mais precisa da realidade social italiana. Impressionou-me a quantidade de orientais e árabes que vi. Era de esperar ver alguns negros com a tez própria dos somalis ou etíopes (antigas colónias italianas). Vi-os, de facto, mas em quantidade menor do que magrebinos, paquistaneses, tailandeses, vietnamitas... Finalmente, devo referir que os contactos com italianos deram-me deles uma imagem de simpatia natural, sorridentes e solícitos.
O comboio que me levou ao aeroporto de Malpenza, a meio da tarde, durou quase uma hora no trajecto. A minha última imagem de Itália foi, o avião levantando voo, a panorâmica do Lago di Como, do Lago Maggiore e dos Alpes. Bela imagem!

domingo, janeiro 04, 2009

Argel - Cairo - Beirute (5) (Cinecittà 3 bis)

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Gillo Pontecorvo - A batalha de Argel [La battaglia di Argeli (1966)]

Nos anos 50 e 60 a produção cinematográfica italiana era prolífica. Na Europa, os estúdios da Cinecittà eram os que mais filmes faziam. A variedade e a qualidade eram diversificadas. Abrangiam-se todos os géneros e públicos. Esse passado brilha com fulgor. Tanto, que qualquer história do cinema reserva lugar destacado para o neo-realismo italiano (anos 40 e 50), exalta o melhor do western spaghetti (anos 60 e 70), não ignora a melhor comédia (anos 50, 60 e 70) e regista o impacto comercial de variados géneros populares (anos 50 e 60). Contudo, existem filmes que podem não ser tão facilmente detectados, já que não são enquadráveis nesses géneros. É o caso deste.
O género é docudrama político-militar. O tema é a Guerra da Argélia. Não é um documentário, mas parece. Na verdade, é um exemplo de integração de uma trama ficcional num contexto histórico. Tem implicações políticas, pelo que esta guerra representou - o ponto mais dramático do processo de descolonização dos anos 50 e 60. Note-se que o realizador tinha um empenho político - era militante do PCI, à semelhança de outros realizadores italianos (incluindo alguns dos mais famosos) e que é uma co-produção italo-argelina. Dir-se-ia reunir todos os ingredientes para ser um instrumento propagandístico. Em boa verdade, não se pode dizer que não o seja, porque a realidade que retrata é favorável à causa da descolonização. Mas, há seriedade na abordagem. Cenas de guerra suja são-nos apresentadas com crueza e protagonizadas por ambas as partes. É particularmente arrepiante a frieza com que três mulheres árabes levam e colocam bombas em cafés para causar o maior número de vítimas entre civis. Não menos arrepiante é a inteligência cruel do Coronel Mathieu, chefe militar francês nessa Argel insurrecta. Corresponde ao Tenente-Coronel Jacques Massu, a quem a esquerda crismou como o "carrasco de Argel". Mas, o filme evita um retrato simplista deste personagem. Aliás, não escamoteia que a sua estratégia foi decisiva para uma viragem que desembocou numa vitória. Foi uma vitória fatalmente provisória, mas, dadas as circunstâncias, foi notável. O fatalmente prende-se com uma realidade que não podia ser ultrapassada, da qual fazia parte a empedernida cegueira dos pieds-noires (colonos), que teria que deitar tudo a perder, fosse como fosse... O que se pode entender através de algo que o filme atira à cara do espectador: a sociedade franco-argelina assentava numa profunda discriminação, num apartheid. Somos levados tanto ao interior da Kasbah como passamos pela mentalidade e forma de vida do pied-noir. O contraste é violento. É um cenário de tragédia sem solução. Na Argélia, como em muitas outras colónias ficaram todos as perder.
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Info IMDb


Gillo Pontecorvo - La battaglia di Argeli (Trailer)

Argel - Cairo - Beirute (4)

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Chaba Zahouania - Nights without sleeping (1988)


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Chaba Zahouania - Goulou limma (1988)

Argel - Cairo - Beirute (3)

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Robert Fisk - A Grande guerra pela civilização (2008) [Great war for civilisation (2005)]

Robert Fisk é um jornalista inglês, correspondente no Médio Oriente há mais de trinta anos. A partir de Beirute tem trabalhado para meios de comunicação social britânicos, nomeadamente o The Times e o The Independent. Poucos terão tanto conhecimento e experiência desta região. Tem-se destacado, não só por isso, mas também por uma abordagem que divulga expressiva e detalhadamente a visão e a perspectiva dos muitos ressentimentos e enfrentamentos em relação ao Ocidente. Tal abordagem tem-lhe feito abrir portas que não se abrem facilmente a jornalistas ocidentais; tem-lhe garantido acesso a fontes privilegiadas de informação. Basta dizer, por exemplo, que Bin Laden foi por ele entrevistado duas vezes - uma no Sudão; outra no Afeganistão. Na verdade, Fisk demonstra a preocupação de entender as razões do outro lado, levando o princípio da neutralidade jornalística a limites que podem, inclusivamente, ser mal-entendidos no mundo ocidental. Em boa verdade, dá-nos pistas para entender equívocos, omissões e contradições em que o Ocidente tem incorrido e que têm contribuído para o arrastamento e agravamento de problemas. O conflito israelo-palestiano é o mais importante, mas está longe de ser o único numa lista que começa, pelo menos, no tempo da I Grande Guerra, aquando do desmoronamento do Império Otomano. É o desfile de uma história de contumaz sobranceria, incompreensão e displicência por parte do Ocidente. Pode-se dizer que, de alguma forma, esta é a tese do livro.
O caudal informativo é portentoso. As descrições são detalhadas e abrangem situações limite, muitas vezes vividas na primeira pessoa. Diga-se, já agora, que Fisk corporiza a figura romântica do correspondente de guerra. Contudo, o livro, se bem que assente nas suas reportagens e artigos, está muito além de uma compilação. É uma síntese com nexo temático em torno dos grandes problemas do Médio Oriente, sendo este aqui um conceito que abrange o mundo árabe (desde o Magrebe), turco, persa, afegão e o indiano islamizado. Para além disso, faz incursões até à I Grande Guerra - "a guerra do seu pai" -, que acabam por ser muito mais pertinentes do que se possa imaginar... Não segue uma orientação cronológica. Está próximo de ser uma síntese de história contemporânea, regional com algumas limitações advindas do facto de ser feita por um jornalista. Contudo, a condição de jornalista propicia também vantagens, como a de se conseguir imagens impressivas de tantas e tantas situações extremas, que têm o condão de fazer perceber e sentir a realidade mais eficazmente do que através de descrições genéricas filtradas por conceitos académicos. Mais do que isso; em matérias como o genocídio arménio (remonta ao desmoronamento do Império Otomano e construção da Turquia moderna) e como a carnificina da Guerra Irão-Iraque, tornam-se pertinentes as descrições fortes, dadas as circunstâncias de omissão que têm rodeado esses extraordinários acontecimentos.
Maneja-se tão vasta e diversificada informação que, muitas vezes. surgem perguntas que não têm resposta. Apetece complementar a leitura desta obra com informações de índole histórica que dêem uma compreensão mais profunda. E já agora, questionarmo-nos se aquilo que atrás referi como tese do livro não será tão-só um dos aspectos para a compreensão dos problemas do Médio Oriente, porventura não o mais decisivo. Com efeito, muita da informação fornecida pode ir ao encontro de outras teses, nomeadamente, as que sustentam que os problemas essenciais preexistiam e já estavam configurados antes do choque contemporâneo com o mundo ocidental.
Uma nota final para um aspecto salientado na recensão critica feita no Público - as deficiências de tradução. No mínimo, parece que os tradutores não estarão suficientemente familiarizados com certos aspectos da cultura árabe. Designar Oum Kalsoum como cantor - ela que foi um autêntico mito, ícone maternal da cultura popular árabe - é, só por si sintomático...

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sábado, janeiro 03, 2009

Argel - Cairo - Beirute (2)


Oum Kalthoum - Al Atlaal (extracto) (1966)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Salsa y merengue (33) (7 remake)

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Willie Colón / Rubén Blades - Siembra (1978)
Este álbum, editado pela Fania, produzido e dirigido pelo novaiorquino Willie Colón, composto e interpretado pelo panamenho Rubén Blades, é consensualmente considerado o mais importante na história da Salsa. Sobressai, desde logo, o facto de conter o famosíssimo tema Pedro Navaja, crónica de um marginal hispano de Nova York, cuja letra e desenvolvimento rítmico marcarão um estilo de referência. Contudo, os demais temas são magníficos, com destaque para a mordaz crítica social do tema incial, Plástico, (que começa em irónico ritmo disco...), para a sabrosura de Buscando guayaba e para a melodiosa Dime. No seu conjunto constitui uma álbum programático, quer pela proposta artística, quer pela temática, a qual se pode resumir no lema: orgulho hispano.

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Willie Colón / Rubén Blades - Buscando guayaba in Siembra (1978)

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Salsa y merengue (32)

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Gilberto Santa Rosa - Expresión (1999)
É, sem dúvida, um dos mais notáveis álbuns de Gilberto Santa Rosa e, ao mesmo tempo, um dos mais emblemáticos, porque ostenta um dos maiores hits da sua carreira (Que alguien me diga) e porque aponta uma tendência que se consolidará nos anos vindouros. Essa tendência consiste em compatibilizar a condição de sonero com uma emergente faceta de baladeiro. É sintomático que, a partir daqui se torne comum o recurso a versões alternativas (balada vs salsa), tal como, por exemplo, ocorreu com Marc Anthony. É uma estratégia comercial que tem proporcionado um punhado de baladas interessantes e não tem impedido que continue a haver, de forma dominante, muita e boa salsa.
Um dos aspectos mais estimulantes das gravações do Caballero de la Salsa, que é a riqueza orquestral, encontra aqui um dos seus pontos mais altos Na verdade, trata-se de uma produção muito cuidada, com evidentes pretensões comerciais. Não é apenas Que alguien me diga, em versão salsa e versão balada, tendo esta última sido um hit (sendo que, a versão salsa, é que o mereceria... ); é também o explosivo tema de entrada, Dejate querer, que disfere, mesmo no mais sisudo, incontroláveis impulsos dançarinos... E há ainda mais uma meia-dúzia de temas muito bons. Tanto quanto parece, tais pretensões comerciais conseguiram os seus objectivos: ultrapassaram-se os limites do mercado salsero tradicional (Nueva York, Puerto Rico, Santo Domingo, Caracas, Miami) e alcançou-se toda a Hispano-América. Abriu-se, inclusivamente, uma porta para a Europa, timidamente, através do mercado espanhol.
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Gilberto Santa Rosa - Que alguien me diga (versión salsa) in Expresión (1999)

Boulevard nostalgie (29)

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Edith Piaf - Platinum collection (2007)
Esta colectânea de Edith Piaf é constituída por 45 temas divididos por 3 CDs. Para além de abranger tudo o de mais importante, tem uma introdução escrita e notas informativas sobre cada tema. Para os mais exigentes saiba-se que há 2 edições integrais das suas gravações: uma, luxuosa, ligeiramente acima dos 100€ e outra, minimalista, por um incrível preço que anda na casa dos 25€! As gravações de Edith Piaf estenderam-se pelos anos 40, 50 e início dos 60. Era uma época em que, pelo menos fora dos EUA e, eventualmente, da Grã-Bretanha, não havia ainda álbuns LP. Na verdade, o formato esmagadoramente dominante era o EP de 78rpm, que permitia, no máximo 4 canções - duas de cada lado. Os primeiros álbuns apareceram como compilações dessas edições. Presumo, portanto, que de Piaf jamais tivessem existido álbuns de originais. Nestas circunstâncias as compilações têm uma importância especial e para os amantes da música é chocante que em relação aos artistas cuja carreira discográfica passou à margem dos LPs, raramente existam compilações criteriosas e informativas. Piaf, graças à projecção que tem, ainda assim é uma das excepções, pois, como referi, dela existem duas compilações integrais e uma compilação de média dimensão e qualidade aceitável como esta.

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Edith Piaf - Mon manège à moi (tu me fais tourner la tête) (1958)

Boulevard nostalgie (28)


Jacques Dutronc - Il est cinq heures, Paris s'éveille (1968)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Boulevard nostalgie (27)

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François Margolin - Paris, la visite (2002)
Antes de mais, diria que estamos perante o non plus ultra dos documentários sobre cidades. A Montparnasse Édtions culmina aqui a reconhecida qualidade de excelência da colecção La visite. Tudo é excepcional: o texto, que reune as qualidades literárias às informativas; o conceito que lhe está subjacente, o qual reproduz num ciclo de 24 horas a evolução histórica da cidade; a fotografia, suavemente oscilando do poético ao realista; a música, através de temas alusivos à cidade apresentados como videoclips originais. Este último aspecto merece relevo, pois basta dizer que o primeiro clip é Il est cinq heures, Paris s'éveille, de Jacques Dutronc e o último é Mon manège à moi, de Edith Piaf. Diferentes facetas da cidade são apresentadas e de modo exaustivo. Mesmo para quem conhece Paris não deixará de descobrir mais atractivos.
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Paris, la visite - Sítio Oficial


François Margolin - Paris, la visite (Extracto)

Tour de France (2)

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Mark Daniels / Marc Bessou - France, la visite (2000)
Sobre França, antes de haver gravações com vistas aéreas, já havia com passeios de superfície e interiores. Da mesma editora de La France vue du ciel temos este France, la visite, cujo realizador é o norte-americano Mark Daniels. Este tipo de documentário oferece outras possibilidades. A Geografia cede um pouco frente à História e à Arte. Em boa verdade, este género complementa as paisagens aéreas. A produção e a matéria-prima são soberbas. Entre o muito que se poderia destacar, selecciono, por exemplo,os castelos do Loire. Se alguém tem dúvidas de que a França é em matéria de requinte e bom-gosto um paradigma de civilização, encontra aqui uma resposta.
Também em relação a este documentário há que apontar como único defeito o muito que fica de fora. Não se trata tanto da superficialidade com que Paris é tratada - compreensível se se tiver em conta que a editora contempla com documentário específico, como faz, aliás, com o Louvre e com Versailles, mas as cidades e regiões que são omitidas no La France vue du ciel e ainda outras mais. A opção é, porém, assumidamente mais intensiva que extensiva e assim há que a entender.
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France, la visite - Sítio Oficial

Tour de France (1)

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Sylvain Augier - La France vue du ciel (2006)
Existem muitas séries de gravações video com vistas aéreas de Espanha. O já veterano A vista de pájaro é nesta matéria uma referência histórica. De Itália também existe alguma coisa, que sem alcançar a sofisticação das produções espanholas, não deixa de reflectir as belezas sem paralelo desse país. Procurando se haveria algo semelhante sobre França, encontrei este duplo DVD. Deve-se dizer que, tecnicamente, está ao nível do que melhor se tem feito em Espanha, o que, atendendo às belezas paisagísticas do hexágono, é o mesmo que dizer que é muito bom. Com efeito, a produção é cuidada e o único defeito a apontar é o ser menos exaustivo do que devia... Quase tanto como na produção análoga que conheço sobre Itália, aqui fica-se com água na boca pelas omissões e escassez de desenvolvimento. Todo o Norte é ignorado. O mesmo sucede com cidades como Rennes, Bordeaux, Toulouse, Nice, Lyon e Strasbourg. As maiores cidades são, efectivamente, o mais clamoroso do que está omitido. Em contrapartida, a cobertura do Vale do Loire e da Córsega, por exemplo, são satisfatórias. O que fica registado e a forma como fica é, porém, belíssimo. A registar especialmente a sobriedade dos comentários e da banda sonora.
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La France vue du ciel - Sítio Oficial


Sylvain Augier - La France vue du ciel (Trailer)

domingo, dezembro 28, 2008

Tiro ao alvo (22)

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Laurent Cantet - Entre les murs [A turma] (2008)
É um filme francês feito com poucos recursos, mas laureado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Num mercado cinematográfico cada vez mais dominado por Hollywood é saudável que um filme assim consiga encontrar lugar. Acresce que o filme não só se afasta dos padrões de evasão como procura uma aproximação à realidade. Nesta procura recorre a fórmulas que em tempos caracterizaram alguns exemplos de neo-realismo, como o facto dos actores não serem profissionais e, inclusivamente, do protagonista, François Bégaudeau, ser o próprio professor que escreveu o livro que serve de argumento. Além do mais, ao debruçar-se sobre a realidade escolar, mexe numa ferida actual: o problema da educação. Fá-lo numa perspectiva de professor, note-se; o que, desde logo permite que se percebam alguns problemas concretos que o exercício desta profissão, hoje em dia, acarreta. Mas a origem e os efeitos destes problemas têm uma escala muito ampla e implicam toda a sociedade.
Desde logo se impõe uma reflexão preliminar: o problema da educação é global; parece-se colocar-se ao nível da generalidade das sociedades ocidentais. Qualquer professor português considerará as cenas e personagens estranhamente familiares. Basta referir que um dos problemas que atravessa o filme, o choque étnico, está cada vez mais presente nas nossas escolas, através do mesmo tipo de conflitos. É claro que a dimensão não é a mesma, mas a sua natureza é a mesma. Mas há um outro aspecto a realçar: os efeitos transversais da cultura pop. Na verdade, a cultura pop que nasceu e se afirmou ao longo dos anos foi impregnando mentalidades, ao mesmo tempo que se transformou num grande negócio. Música e roupa e outros gadgets (na verdade tudo tende a reduzir-se à condição de gadget...) transformaram-se num extraordinário negócio, mas sustentam-se em atitudes, comportamentos e modos de pensar. O individualismo agressivo, o hedonismo compulsivo e a rejeição da autoridade são o resultado à vista. Até que ponto a eficácia da escola é compatível com isto? Os jovens do filme, assim como uma boa parte dos jovens das nossas escolas enquadram-se nestes padrões. A escola não tem podido adaptar-se a esta situação sem, em última análise, pôr em causa a essência da sua função. Parece cada vez mais pertinente voltar a dotar a escola de princípios efectivos de valorização de autoridade e de esforço individual e assumi-los sem complexos e ambiguidades. Este será, em todo o caso, apenas o ponto de partida para a recuperação do seu lugar social e pressupõe, claro está, decisões políticas de fundo.
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Blog A turma


Laurent Cantet - Entre les murs [A turma] (Trailer)

sábado, dezembro 27, 2008

Salsa y merengue (31)


Gilberto Santa Rosa - Retrospectiva em video