segunda-feira, janeiro 12, 2009

Tiro ao alvo (23)

Medina Carreira in Nós por cá (SIC) (05/01/2009)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Cuore Matto (24) (9 remake)

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Ornella Vanoni - La voglia di sognare (1974)
Nos anos 70, um pouco em contra-tendência, a canção italiana atinge a sua plenitude. É um facto que o Festival de San Remo estava cada vez mais longe do esplendor da década anterior, mas, em contrapartida, a produção discográfica utiliza meios de produção mais modernos, incorporando, pontualmente, alguns elementos oriundos do pop/rock. A perda de importância do cançonetismo, em Itália, traduz-se, assim, mais no plano quantitativo e, eventualmente, comercial, do que no plano substantivo da qualidade. É o que se passa com Ornella Vanoni, uma das consagradas dos tempos áureos de San Remo.
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
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Ornella Vanoni - Un mondo di più in La voglia di sognare (1974)

Cuore matto (23)


Mina - L'importante e' finire in La Mina (1975)

Viagens (67): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (10)

7º Dia (6ª Feira)
O último dia foi dedicada às compras, tanto quanto o remanescente de liras e saldo do Visa permitissem. Entretanto, aprendi que os bilhetes para os eléctricos (e metro), no valor de 2.000 liras, eram exclusivamente comprados em bares, quiosques e estações de metro. Finalmente, o calor abrandara. Comecei por me dirigir à estação de Cadorna para me assegurar que era dali que saía o comboio para o aeroporto. Depois fui caminhando até ao centro. Não consegui encontrar a igreja desconsagrada que funcionou nos anos 70 como estúdio e onde Mina gravou alguns dos seus melhores discos.
Passei junto ao Castelo Sforzesco. É uma construção austera, com uma torre imponente, que se situa num parque. Os Sforza dominaram o Milanado nos finais da Idade Média. Depois, o território passou para a soberania da Casa de Áustria, vindo a integrar o Império Espanhol. Em meados do século XVII passou para o Império Austríaco. Assim se manteve até ao Rissorgimento. Há vestígios do domínio espanhol, mas há muitos mais do domínio austríaco. Até meados do século XIX as pessoas cultas dominavam tanto o italiano como o alemão. O povo falava milanês, o qual já não se ouve hoje em dia nas ruas - parece que subsiste nas zonas rurais. Escutei-o numa rádio local (Radio Meneghina) e soa assim como que uma mistura de italiano com francês.
Do Castelo Sforzesco parte a elegante Via Dante, que está reservada a peões... e bicicletas. Diga-se, que é frequente ver gente a andar de bicicleta, tanto nestas artérias como nas de trânsito normal. O castelo ainda dominava, ao fundo, quando uma curva me fez desaguar no Duomo.
Perdi-me nas livrarias e lojas de discos situadas à volta do Duomo. Não me admirei com a ampla oferta de temas de arte e arquitectura. A de mapas é também muito boa. Há uma abundante literatura sobre futebol. Quanto às lojas de discos, é visível que a fórmula Virgin é mais bem sucedida que a fórmula FNAC, ao contrário do que sucedeu em Espanha e Portugal.
Os quiosques têm uma oferta variada, quer pelas revistas, quer pelos diários provinciais. Contudo, em Milão mais de metade das pessoas que levam jornais nas mãos (e são muitas), fazem-no com o Corriere della Sera, que desde há muito (pese o nome) passou a ser matutino. Entre os quatro jornais de informação geral de difusão nacional, um está sediado em Roma (La Repubblica), outro em Turim (La Stampa) e os outros dois em Milão (Corriere della Sera e Il Giornale). São magníficos no conteúdo e conservadores no seu grafismo – as primeiras páginas têm texto, não são dominadas por grandes títulos e fotos. A ascensão de La Repubblica tem sido notável – é o hoje o jornal da opinião de esquerda, a nível nacional, equivalente ao El País, em Espanha. O Corriere della Sera é conservador moderado e traduz uma sensibilidade própria da burguesia do Norte de Itália. Entre os dois, a disputa pela liderança é cerrada e faz-se acima dos 700.000 exemplares de venda média diária! A vantagem vai ainda para o Corriere. Mais atrás, vem o jornal ligado à FIAT - La Stampa (300.000) - e o que de melhor produziu a constelação mediática de Berlusconi, o Il Giornale (250.000). Aqui, os índices de leitura de jornais são altos, mas a média nacional é inferior à de Espanha, algo que só se percebe se se souber que a sul de Roma esses índices são os mais baixos de toda a União Europeia.
Milão, estando muito longe de ser dominada pelo turismo, proporciona uma noção mais precisa da realidade social italiana. Impressionou-me a quantidade de orientais e árabes que vi. Era de esperar ver alguns negros com a tez própria dos somalis ou etíopes (antigas colónias italianas). Vi-os, de facto, mas em quantidade menor do que magrebinos, paquistaneses, tailandeses, vietnamitas... Finalmente, devo referir que os contactos com italianos deram-me deles uma imagem de simpatia natural, sorridentes e solícitos.
O comboio que me levou ao aeroporto de Malpenza, a meio da tarde, durou quase uma hora no trajecto. A minha última imagem de Itália foi, o avião levantando voo, a panorâmica do Lago di Como, do Lago Maggiore e dos Alpes. Bela imagem!

domingo, janeiro 04, 2009

Argel - Cairo - Beirute (5) (Cinecittà 3 bis)

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Gillo Pontecorvo - A batalha de Argel [La battaglia di Argeli (1966)]

Nos anos 50 e 60 a produção cinematográfica italiana era prolífica. Na Europa, os estúdios da Cinecittà eram os que mais filmes faziam. A variedade e a qualidade eram diversificadas. Abrangiam-se todos os géneros e públicos. Esse passado brilha com fulgor. Tanto, que qualquer história do cinema reserva lugar destacado para o neo-realismo italiano (anos 40 e 50), exalta o melhor do western spaghetti (anos 60 e 70), não ignora a melhor comédia (anos 50, 60 e 70) e regista o impacto comercial de variados géneros populares (anos 50 e 60). Contudo, existem filmes que podem não ser tão facilmente detectados, já que não são enquadráveis nesses géneros. É o caso deste.
O género é docudrama político-militar. O tema é a Guerra da Argélia. Não é um documentário, mas parece. Na verdade, é um exemplo de integração de uma trama ficcional num contexto histórico. Tem implicações políticas, pelo que esta guerra representou - o ponto mais dramático do processo de descolonização dos anos 50 e 60. Note-se que o realizador tinha um empenho político - era militante do PCI, à semelhança de outros realizadores italianos (incluindo alguns dos mais famosos) e que é uma co-produção italo-argelina. Dir-se-ia reunir todos os ingredientes para ser um instrumento propagandístico. Em boa verdade, não se pode dizer que não o seja, porque a realidade que retrata é favorável à causa da descolonização. Mas, há seriedade na abordagem. Cenas de guerra suja são-nos apresentadas com crueza e protagonizadas por ambas as partes. É particularmente arrepiante a frieza com que três mulheres árabes levam e colocam bombas em cafés para causar o maior número de vítimas entre civis. Não menos arrepiante é a inteligência cruel do Coronel Mathieu, chefe militar francês nessa Argel insurrecta. Corresponde ao Tenente-Coronel Jacques Massu, a quem a esquerda crismou como o "carrasco de Argel". Mas, o filme evita um retrato simplista deste personagem. Aliás, não escamoteia que a sua estratégia foi decisiva para uma viragem que desembocou numa vitória. Foi uma vitória fatalmente provisória, mas, dadas as circunstâncias, foi notável. O fatalmente prende-se com uma realidade que não podia ser ultrapassada, da qual fazia parte a empedernida cegueira dos pieds-noires (colonos), que teria que deitar tudo a perder, fosse como fosse... O que se pode entender através de algo que o filme atira à cara do espectador: a sociedade franco-argelina assentava numa profunda discriminação, num apartheid. Somos levados tanto ao interior da Kasbah como passamos pela mentalidade e forma de vida do pied-noir. O contraste é violento. É um cenário de tragédia sem solução. Na Argélia, como em muitas outras colónias ficaram todos as perder.
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Info IMDb


Gillo Pontecorvo - La battaglia di Argeli (Trailer)

Argel - Cairo - Beirute (4)

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Chaba Zahouania - Nights without sleeping (1988)


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Chaba Zahouania - Goulou limma (1988)

Argel - Cairo - Beirute (3)

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Robert Fisk - A Grande guerra pela civilização (2008) [Great war for civilisation (2005)]

Robert Fisk é um jornalista inglês, correspondente no Médio Oriente há mais de trinta anos. A partir de Beirute tem trabalhado para meios de comunicação social britânicos, nomeadamente o The Times e o The Independent. Poucos terão tanto conhecimento e experiência desta região. Tem-se destacado, não só por isso, mas também por uma abordagem que divulga expressiva e detalhadamente a visão e a perspectiva dos muitos ressentimentos e enfrentamentos em relação ao Ocidente. Tal abordagem tem-lhe feito abrir portas que não se abrem facilmente a jornalistas ocidentais; tem-lhe garantido acesso a fontes privilegiadas de informação. Basta dizer, por exemplo, que Bin Laden foi por ele entrevistado duas vezes - uma no Sudão; outra no Afeganistão. Na verdade, Fisk demonstra a preocupação de entender as razões do outro lado, levando o princípio da neutralidade jornalística a limites que podem, inclusivamente, ser mal-entendidos no mundo ocidental. Em boa verdade, dá-nos pistas para entender equívocos, omissões e contradições em que o Ocidente tem incorrido e que têm contribuído para o arrastamento e agravamento de problemas. O conflito israelo-palestiano é o mais importante, mas está longe de ser o único numa lista que começa, pelo menos, no tempo da I Grande Guerra, aquando do desmoronamento do Império Otomano. É o desfile de uma história de contumaz sobranceria, incompreensão e displicência por parte do Ocidente. Pode-se dizer que, de alguma forma, esta é a tese do livro.
O caudal informativo é portentoso. As descrições são detalhadas e abrangem situações limite, muitas vezes vividas na primeira pessoa. Diga-se, já agora, que Fisk corporiza a figura romântica do correspondente de guerra. Contudo, o livro, se bem que assente nas suas reportagens e artigos, está muito além de uma compilação. É uma síntese com nexo temático em torno dos grandes problemas do Médio Oriente, sendo este aqui um conceito que abrange o mundo árabe (desde o Magrebe), turco, persa, afegão e o indiano islamizado. Para além disso, faz incursões até à I Grande Guerra - "a guerra do seu pai" -, que acabam por ser muito mais pertinentes do que se possa imaginar... Não segue uma orientação cronológica. Está próximo de ser uma síntese de história contemporânea, regional com algumas limitações advindas do facto de ser feita por um jornalista. Contudo, a condição de jornalista propicia também vantagens, como a de se conseguir imagens impressivas de tantas e tantas situações extremas, que têm o condão de fazer perceber e sentir a realidade mais eficazmente do que através de descrições genéricas filtradas por conceitos académicos. Mais do que isso; em matérias como o genocídio arménio (remonta ao desmoronamento do Império Otomano e construção da Turquia moderna) e como a carnificina da Guerra Irão-Iraque, tornam-se pertinentes as descrições fortes, dadas as circunstâncias de omissão que têm rodeado esses extraordinários acontecimentos.
Maneja-se tão vasta e diversificada informação que, muitas vezes. surgem perguntas que não têm resposta. Apetece complementar a leitura desta obra com informações de índole histórica que dêem uma compreensão mais profunda. E já agora, questionarmo-nos se aquilo que atrás referi como tese do livro não será tão-só um dos aspectos para a compreensão dos problemas do Médio Oriente, porventura não o mais decisivo. Com efeito, muita da informação fornecida pode ir ao encontro de outras teses, nomeadamente, as que sustentam que os problemas essenciais preexistiam e já estavam configurados antes do choque contemporâneo com o mundo ocidental.
Uma nota final para um aspecto salientado na recensão critica feita no Público - as deficiências de tradução. No mínimo, parece que os tradutores não estarão suficientemente familiarizados com certos aspectos da cultura árabe. Designar Oum Kalsoum como cantor - ela que foi um autêntico mito, ícone maternal da cultura popular árabe - é, só por si sintomático...

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sábado, janeiro 03, 2009

Argel - Cairo - Beirute (2)


Oum Kalthoum - Al Atlaal (extracto) (1966)

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Salsa y merengue (33) (7 remake)

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Willie Colón / Rubén Blades - Siembra (1978)
Este álbum, editado pela Fania, produzido e dirigido pelo novaiorquino Willie Colón, composto e interpretado pelo panamenho Rubén Blades, é consensualmente considerado o mais importante na história da Salsa. Sobressai, desde logo, o facto de conter o famosíssimo tema Pedro Navaja, crónica de um marginal hispano de Nova York, cuja letra e desenvolvimento rítmico marcarão um estilo de referência. Contudo, os demais temas são magníficos, com destaque para a mordaz crítica social do tema incial, Plástico, (que começa em irónico ritmo disco...), para a sabrosura de Buscando guayaba e para a melodiosa Dime. No seu conjunto constitui uma álbum programático, quer pela proposta artística, quer pela temática, a qual se pode resumir no lema: orgulho hispano.

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Willie Colón / Rubén Blades - Buscando guayaba in Siembra (1978)