quarta-feira, dezembro 31, 2008

Boulevard nostalgie (28)


Jacques Dutronc - Il est cinq heures, Paris s'éveille (1968)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Boulevard nostalgie (27)

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François Margolin - Paris, la visite (2002)
Antes de mais, diria que estamos perante o non plus ultra dos documentários sobre cidades. A Montparnasse Édtions culmina aqui a reconhecida qualidade de excelência da colecção La visite. Tudo é excepcional: o texto, que reune as qualidades literárias às informativas; o conceito que lhe está subjacente, o qual reproduz num ciclo de 24 horas a evolução histórica da cidade; a fotografia, suavemente oscilando do poético ao realista; a música, através de temas alusivos à cidade apresentados como videoclips originais. Este último aspecto merece relevo, pois basta dizer que o primeiro clip é Il est cinq heures, Paris s'éveille, de Jacques Dutronc e o último é Mon manège à moi, de Edith Piaf. Diferentes facetas da cidade são apresentadas e de modo exaustivo. Mesmo para quem conhece Paris não deixará de descobrir mais atractivos.
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Paris, la visite - Sítio Oficial


François Margolin - Paris, la visite (Extracto)

Tour de France (2)

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Mark Daniels / Marc Bessou - France, la visite (2000)
Sobre França, antes de haver gravações com vistas aéreas, já havia com passeios de superfície e interiores. Da mesma editora de La France vue du ciel temos este France, la visite, cujo realizador é o norte-americano Mark Daniels. Este tipo de documentário oferece outras possibilidades. A Geografia cede um pouco frente à História e à Arte. Em boa verdade, este género complementa as paisagens aéreas. A produção e a matéria-prima são soberbas. Entre o muito que se poderia destacar, selecciono, por exemplo,os castelos do Loire. Se alguém tem dúvidas de que a França é em matéria de requinte e bom-gosto um paradigma de civilização, encontra aqui uma resposta.
Também em relação a este documentário há que apontar como único defeito o muito que fica de fora. Não se trata tanto da superficialidade com que Paris é tratada - compreensível se se tiver em conta que a editora contempla com documentário específico, como faz, aliás, com o Louvre e com Versailles, mas as cidades e regiões que são omitidas no La France vue du ciel e ainda outras mais. A opção é, porém, assumidamente mais intensiva que extensiva e assim há que a entender.
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France, la visite - Sítio Oficial

Tour de France (1)

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Sylvain Augier - La France vue du ciel (2006)
Existem muitas séries de gravações video com vistas aéreas de Espanha. O já veterano A vista de pájaro é nesta matéria uma referência histórica. De Itália também existe alguma coisa, que sem alcançar a sofisticação das produções espanholas, não deixa de reflectir as belezas sem paralelo desse país. Procurando se haveria algo semelhante sobre França, encontrei este duplo DVD. Deve-se dizer que, tecnicamente, está ao nível do que melhor se tem feito em Espanha, o que, atendendo às belezas paisagísticas do hexágono, é o mesmo que dizer que é muito bom. Com efeito, a produção é cuidada e o único defeito a apontar é o ser menos exaustivo do que devia... Quase tanto como na produção análoga que conheço sobre Itália, aqui fica-se com água na boca pelas omissões e escassez de desenvolvimento. Todo o Norte é ignorado. O mesmo sucede com cidades como Rennes, Bordeaux, Toulouse, Nice, Lyon e Strasbourg. As maiores cidades são, efectivamente, o mais clamoroso do que está omitido. Em contrapartida, a cobertura do Vale do Loire e da Córsega, por exemplo, são satisfatórias. O que fica registado e a forma como fica é, porém, belíssimo. A registar especialmente a sobriedade dos comentários e da banda sonora.
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La France vue du ciel - Sítio Oficial


Sylvain Augier - La France vue du ciel (Trailer)

domingo, dezembro 28, 2008

Tiro ao alvo (22)

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Laurent Cantet - Entre les murs [A turma] (2008)
É um filme francês feito com poucos recursos, mas laureado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes. Num mercado cinematográfico cada vez mais dominado por Hollywood é saudável que um filme assim consiga encontrar lugar. Acresce que o filme não só se afasta dos padrões de evasão como procura uma aproximação à realidade. Nesta procura recorre a fórmulas que em tempos caracterizaram alguns exemplos de neo-realismo, como o facto dos actores não serem profissionais e, inclusivamente, do protagonista, François Bégaudeau, ser o próprio professor que escreveu o livro que serve de argumento. Além do mais, ao debruçar-se sobre a realidade escolar, mexe numa ferida actual: o problema da educação. Fá-lo numa perspectiva de professor, note-se; o que, desde logo permite que se percebam alguns problemas concretos que o exercício desta profissão, hoje em dia, acarreta. Mas a origem e os efeitos destes problemas têm uma escala muito ampla e implicam toda a sociedade.
Desde logo se impõe uma reflexão preliminar: o problema da educação é global; parece-se colocar-se ao nível da generalidade das sociedades ocidentais. Qualquer professor português considerará as cenas e personagens estranhamente familiares. Basta referir que um dos problemas que atravessa o filme, o choque étnico, está cada vez mais presente nas nossas escolas, através do mesmo tipo de conflitos. É claro que a dimensão não é a mesma, mas a sua natureza é a mesma. Mas há um outro aspecto a realçar: os efeitos transversais da cultura pop. Na verdade, a cultura pop que nasceu e se afirmou ao longo dos anos foi impregnando mentalidades, ao mesmo tempo que se transformou num grande negócio. Música e roupa e outros gadgets (na verdade tudo tende a reduzir-se à condição de gadget...) transformaram-se num extraordinário negócio, mas sustentam-se em atitudes, comportamentos e modos de pensar. O individualismo agressivo, o hedonismo compulsivo e a rejeição da autoridade são o resultado à vista. Até que ponto a eficácia da escola é compatível com isto? Os jovens do filme, assim como uma boa parte dos jovens das nossas escolas enquadram-se nestes padrões. A escola não tem podido adaptar-se a esta situação sem, em última análise, pôr em causa a essência da sua função. Parece cada vez mais pertinente voltar a dotar a escola de princípios efectivos de valorização de autoridade e de esforço individual e assumi-los sem complexos e ambiguidades. Este será, em todo o caso, apenas o ponto de partida para a recuperação do seu lugar social e pressupõe, claro está, decisões políticas de fundo.
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Blog A turma


Laurent Cantet - Entre les murs [A turma] (Trailer)

sábado, dezembro 27, 2008

Salsa y merengue (31)


Gilberto Santa Rosa - Retrospectiva em video

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Salsa y merengue (30)

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Gilberto Santa Rosa - Nace aquí (1993)
É o quarto álbum de Gilberto Santa Rosa para a Sony. Está na linha do primeiro, seguindo a ortodoxia da salsa romántica. Melodia e ritmo estão em simbiose perfeita. Impera a suavidade ritmada. A destacar: arranjos magníficos, do melhor que o género já proporcionou e composições de um nível que vai além das fórmulas comuns. Abre com um clássico do repertório do artista, Voluntad, e ostenta ainda outro, Que manera de quererte. Para quem gosta de salsa romántica é um álbum imprescindível.
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Gilberto Santa Rosa - Sin voluntad in Nace aquí (1993)

sexta-feira, novembro 14, 2008

Tiro ao alvo (21)

A guerra dos professores (II)
É espantoso o consenso entre os professores. Por muitas razões - umas boas, outras más - velhos ou novos, do quadro ou contratados, estão quase todos em pé de guerra. Isto só diz da ainda mais espantosa incapacidade do Ministério em fazer aliados entre os professores. Mandava a prudência que se procurasse aliados - seria inteligente. Nem seria, sequer, difícil. É claro que tal pressupunha alguma capacidade de diálogo e flexibilidade, mas, optou-se sempre pelo extremismo. Na hora da verdade, o Ministério só contará com os conselhos executivos. Entretanto fomentou uma guerra absurda. Basta reflectir sobre isto: que política educativa se pode sustentar em professores menorizados e desautorizados? Dizem que este sistema de avaliação os credibilizará. Como pode ser isso feito por um faz-de-conta burocrático destinado a medrar no pântano da promiscuidade inter pares e inspirado em escolástica tecnocrática?
O que é mais provável que suceda? Que os professores sejam chamados a introduzir numa aplicação informática os seus objectivos individuais até uma data-limite. Quem não o fizer será avisado que ficará fora da lei. Cada um, evidentemente, sentir-se-á tentado a fazê-lo na privacidade, ruminando muitas possibilidades desagradáveis para si, se não obedecer. Algumas delas estarão sempre garantidas: aqueles poucos que seguramente obedecerão, passarão à frente, com implicações directas na graduação. Na melhor das hipóteses, o Ministério anunciará que este ano não haverá consequências para os desobedientes; insistirá na tecla da simplificação. Mas, na hora H cada um ficará com uma decisão estritamente pessoal nas mãos. E o processo formalmente avançará sempre, nem que seja com 1% de avaliados (mas serão sempre, em qualquer circunstância, bem mais...).

Tiro ao alvo (20)

A guerra dos professores (I)
Parece que a equipa ministerial está entregue a uma cruzada redentora para salvar o ensino. Desgraçadamente, tudo indica que se tomam a sério num empenho transcendente, missionário... Pertencem, portanto, a uma perigosa espécie: os redentores! Podiam ser apenas uns cínicos tecnocratas, conjunturalmente enquadrados nos interesses de um aparelho partidário. Mas, se assim fosse, haveria nexos de racionalidade que poderiam ser aproveitados para reparar estragos a tempo. Ora, tal não se vislumbra. É certo que, na senda de Robespierre, gente desta acaba no cadafalso ou, pelo menos, justamente difamada para a posteridade; mas, no interim do seu efémero poder, causam estragos. Não tanto por chatearem os profs até ao tutano - verdade se diga que uma parte deles merece ser chateada e é ver muito da hiperbólica prosa de queixas para o comprovar. Mas, os estragos mais devastadores derivam do facto de que o seu triunfo pode significar o triunfo...
- do pior que há nessa coisa chamada "ciências da educação", que de ciência tem pouco e se traduz, as mais das vezes, por uma tecnocracia construída a partir de abstracções vendidas em mestrados de moda;
- de uma concepção da escola rousseauniana - uma sopa onde se dilui qualquer vestígio de autoridade, respeito e responsabilidade.
A verdade é que a desordem das nossas escolas, ainda assim, assegurava bolsas, onde se podia ensinar e havia quem o fizesse com tranquilidade. Mas, o que agora se vive prenuncia a redução da escola a armazém pop de tempos livres, segundo a vulgata politicamente correcta. Alguns pais ociosos e pretensiosos terão aí livre entrada para lançar foguetório de disparate e distribuir alguma bordoada por profs. Estes, aliás, tenderão a rastejar como técnicos tendencialmente ATL, ou seja, como divulgadores de itens de virtudes de cidadania e animadores de sala e de pátio. A intriga será larvar, enfeitada aqui e ali por cenas canalhas. Triturados os seus neurónios por grelhas e desdobramentos de objectivos até à paranóia, serão premiados aqueles mais habilidosos em construir "aldeias Potenkine" no universo vivaz do portfolio e, por que não, serão também premiados alguns ascetas prontos para sacerdócios masoquistas. Imperará o optimismo e voluntarismo de fachada, assentes nas estatísticas do supérfluo. Dias não distantes chegarão em que se proclamarão todos os sucessos educativos possíveis, em cerimónias ilustradas por powerpoints transbordantes de gráficos comparativos...
Entrementes, a transição actual serve fins políticos de assessores que intuem, não sem pertinência, que a inveja - atributo fatal de um povo que tem nos seus genes a herança de famintos camponeses - compensará eleitoralmente a sova sobre os profs. Estes vivem agora um pesadelo, que uma situação longamente acomodada pelo zelo sindicalista e incompetência governativa (com destaque para os governos do PS!) não deixava entrever. Apopléticos, e-mailizam-se convulsivamente, uivam moções sobre moções e desfilam em hipermanifs desesperadas.
Talvez fosse útil reflectir e elevar a contestação ao nível onde se situa o processo mais global do desastre educativo. A própria eficácia da luta teria a ganhar com isso. Com efeito, é imperioso elevar o nível dos agravos e ser inteligente, se se quiser ter a mínima hipótese de não perder em toda a linha. Desde logo, reconheçamos que o que existia antes era uma treta e que é necessário que exista, mesmo, um mecanismo de efectivo reconhecimento do mérito, mas sem que pareça conversa fiada. Denunciemos os efectivos defeitos deste sistema, sem exageros teatrais. Centremos mais as preocupações na qualidade de ensino, sem que pareça ser slogan. Apresentem-se propostas alternativas, mas sérias! Ao mesmo tempo, ponham-se de lado ilusões sobre uma luta que só os ingénuos podem imaginar que se ganhe à força de moção... Imaginação é preciso! E, sobretudo, organização!