sábado, dezembro 27, 2008

Salsa y merengue (31)


Gilberto Santa Rosa - Retrospectiva em video

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Salsa y merengue (30)

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Gilberto Santa Rosa - Nace aquí (1993)
É o quarto álbum de Gilberto Santa Rosa para a Sony. Está na linha do primeiro, seguindo a ortodoxia da salsa romántica. Melodia e ritmo estão em simbiose perfeita. Impera a suavidade ritmada. A destacar: arranjos magníficos, do melhor que o género já proporcionou e composições de um nível que vai além das fórmulas comuns. Abre com um clássico do repertório do artista, Voluntad, e ostenta ainda outro, Que manera de quererte. Para quem gosta de salsa romántica é um álbum imprescindível.
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Gilberto Santa Rosa - Sin voluntad in Nace aquí (1993)

sexta-feira, novembro 14, 2008

Tiro ao alvo (21)

A guerra dos professores (II)
É espantoso o consenso entre os professores. Por muitas razões - umas boas, outras más - velhos ou novos, do quadro ou contratados, estão quase todos em pé de guerra. Isto só diz da ainda mais espantosa incapacidade do Ministério em fazer aliados entre os professores. Mandava a prudência que se procurasse aliados - seria inteligente. Nem seria, sequer, difícil. É claro que tal pressupunha alguma capacidade de diálogo e flexibilidade, mas, optou-se sempre pelo extremismo. Na hora da verdade, o Ministério só contará com os conselhos executivos. Entretanto fomentou uma guerra absurda. Basta reflectir sobre isto: que política educativa se pode sustentar em professores menorizados e desautorizados? Dizem que este sistema de avaliação os credibilizará. Como pode ser isso feito por um faz-de-conta burocrático destinado a medrar no pântano da promiscuidade inter pares e inspirado em escolástica tecnocrática?
O que é mais provável que suceda? Que os professores sejam chamados a introduzir numa aplicação informática os seus objectivos individuais até uma data-limite. Quem não o fizer será avisado que ficará fora da lei. Cada um, evidentemente, sentir-se-á tentado a fazê-lo na privacidade, ruminando muitas possibilidades desagradáveis para si, se não obedecer. Algumas delas estarão sempre garantidas: aqueles poucos que seguramente obedecerão, passarão à frente, com implicações directas na graduação. Na melhor das hipóteses, o Ministério anunciará que este ano não haverá consequências para os desobedientes; insistirá na tecla da simplificação. Mas, na hora H cada um ficará com uma decisão estritamente pessoal nas mãos. E o processo formalmente avançará sempre, nem que seja com 1% de avaliados (mas serão sempre, em qualquer circunstância, bem mais...).

Tiro ao alvo (20)

A guerra dos professores (I)
Parece que a equipa ministerial está entregue a uma cruzada redentora para salvar o ensino. Desgraçadamente, tudo indica que se tomam a sério num empenho transcendente, missionário... Pertencem, portanto, a uma perigosa espécie: os redentores! Podiam ser apenas uns cínicos tecnocratas, conjunturalmente enquadrados nos interesses de um aparelho partidário. Mas, se assim fosse, haveria nexos de racionalidade que poderiam ser aproveitados para reparar estragos a tempo. Ora, tal não se vislumbra. É certo que, na senda de Robespierre, gente desta acaba no cadafalso ou, pelo menos, justamente difamada para a posteridade; mas, no interim do seu efémero poder, causam estragos. Não tanto por chatearem os profs até ao tutano - verdade se diga que uma parte deles merece ser chateada e é ver muito da hiperbólica prosa de queixas para o comprovar. Mas, os estragos mais devastadores derivam do facto de que o seu triunfo pode significar o triunfo...
- do pior que há nessa coisa chamada "ciências da educação", que de ciência tem pouco e se traduz, as mais das vezes, por uma tecnocracia construída a partir de abstracções vendidas em mestrados de moda;
- de uma concepção da escola rousseauniana - uma sopa onde se dilui qualquer vestígio de autoridade, respeito e responsabilidade.
A verdade é que a desordem das nossas escolas, ainda assim, assegurava bolsas, onde se podia ensinar e havia quem o fizesse com tranquilidade. Mas, o que agora se vive prenuncia a redução da escola a armazém pop de tempos livres, segundo a vulgata politicamente correcta. Alguns pais ociosos e pretensiosos terão aí livre entrada para lançar foguetório de disparate e distribuir alguma bordoada por profs. Estes, aliás, tenderão a rastejar como técnicos tendencialmente ATL, ou seja, como divulgadores de itens de virtudes de cidadania e animadores de sala e de pátio. A intriga será larvar, enfeitada aqui e ali por cenas canalhas. Triturados os seus neurónios por grelhas e desdobramentos de objectivos até à paranóia, serão premiados aqueles mais habilidosos em construir "aldeias Potenkine" no universo vivaz do portfolio e, por que não, serão também premiados alguns ascetas prontos para sacerdócios masoquistas. Imperará o optimismo e voluntarismo de fachada, assentes nas estatísticas do supérfluo. Dias não distantes chegarão em que se proclamarão todos os sucessos educativos possíveis, em cerimónias ilustradas por powerpoints transbordantes de gráficos comparativos...
Entrementes, a transição actual serve fins políticos de assessores que intuem, não sem pertinência, que a inveja - atributo fatal de um povo que tem nos seus genes a herança de famintos camponeses - compensará eleitoralmente a sova sobre os profs. Estes vivem agora um pesadelo, que uma situação longamente acomodada pelo zelo sindicalista e incompetência governativa (com destaque para os governos do PS!) não deixava entrever. Apopléticos, e-mailizam-se convulsivamente, uivam moções sobre moções e desfilam em hipermanifs desesperadas.
Talvez fosse útil reflectir e elevar a contestação ao nível onde se situa o processo mais global do desastre educativo. A própria eficácia da luta teria a ganhar com isso. Com efeito, é imperioso elevar o nível dos agravos e ser inteligente, se se quiser ter a mínima hipótese de não perder em toda a linha. Desde logo, reconheçamos que o que existia antes era uma treta e que é necessário que exista, mesmo, um mecanismo de efectivo reconhecimento do mérito, mas sem que pareça conversa fiada. Denunciemos os efectivos defeitos deste sistema, sem exageros teatrais. Centremos mais as preocupações na qualidade de ensino, sem que pareça ser slogan. Apresentem-se propostas alternativas, mas sérias! Ao mesmo tempo, ponham-se de lado ilusões sobre uma luta que só os ingénuos podem imaginar que se ganhe à força de moção... Imaginação é preciso! E, sobretudo, organização!


quinta-feira, novembro 13, 2008

Cuore matto (22)

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Mina - Oggi ti amo di più (1988)
Um bom minófilo tende a torcer o nariz a qualquer antologia de Mina. Haverá sempre motivos de escândalo por se deixar de fora um punhado de temas da sua predilecção. Em todo o caso, haverá uma meia-dúzia que suscitam unanimidade e é certo que estão presentes em todas as antologias globais, de qualidade. Esta antologia é uma delas e, provavelmente, será, entre as mais concisas, a que gerará maior consenso. Tem, além disso, duas outras grandes vantagens: a inclusão de Ancora, ancora, ancora e a capa. Na verdade, essa belíssima canção saiu em single e nunca num álbum de originais. Deveria pertencer à tal meia-dúzia de canções de referência que geram unanimidade, mas, de facto, não é assim. Quanto à capa, está reproduzida neste post e creio que dispensa explicações sobre a sua valia.
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Mina - Ancora, ancora, ancora (1978) in Oggi ti amo di più (1988)

domingo, novembro 09, 2008

American dream (9)

Boletim de voto americano
Um boletim de voto norte-americano é, só por si, elucidativo do que é verdadeiramente uma democracia. Este exemplo diz respeito a um condado do estado de Montana, que não foram só presidenciais, como se pode constatar. Para além da escolha presidencial, escolheram-se ainda vários cargos e questionou-se de modo referendário, por exemplo, o destino de um alto cargo do supremo tribunal estadual. Isto, note-se, é apenas a 1ª de 4 páginas. De salientar que prevalece o nome dos candidatos sobre os dos partidos, que constituem apenas uma referência secundária.
Pela minha parte estou longe de ter uma devoção radical pela democracia - penso, aquilo que tantas e tantas vezes é citado como um certo desabafo de Churchill, que é o menos mau dos regimes; penso ainda que só pode haver democracia na sequência de um natural desenvolvimento das sociedades dentro de determinados enquadramentos culturais e que, portanto, resulta absurdo e, eventualmente, desastroso, decretá-la ou impô-la em certos países (a maioria).
Dito isto, se se pretende saber o que é uma democracia a sério, pois olhe-se para os Estados Unidos. Entre outras coisas, aí temos a demonstração que a democracia implica necessariamente não só um certo grau de literacia como um empenho voluntário e preparado para tomar opções inerentes ao acto de votar; implica também um vínculo de responsabilização pessoal directa em relação ao eleito.

sábado, outubro 18, 2008

Salsa y merengue (29)

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Victor Manuelle - Victor Manuelle (1996)
El sonero de la juventud é o apodo de Victor Manuelle. Nascido em Nova Iorque, mas originário de La Isabela - pequena cidade do oeste de Puerto Rico. Foi aí também que passou a infância antes de regressar à cidade natal. Não se percebe o porquê do barroquismo do elle final do seu nome artístico; o seu nome verdadeiro é mesmo Victor Manuel, como manda a lógica e, pelo menos nas rádios hispanas norte-americanas, é também assim que é pronunciado. Líder de vendas nos tops soneros, é, hoje em dia, o mais popular artista do género. Isto enquanto o seu, digamos, rival, Marc Anthony, se vai espraiando para fora desse âmbito. Lançado pela Sony a seguir a Gilberto Santa Rosa, Victor Manuelle foi crucial na estratégia da companhia para o mercado latino. Teve um sucesso quase imediato. A verdade é que apresenta um trunfo especial: um invulgar timbre vocálico. É daquelas vozes inconfundíveis. Este disco, da fase inicial da sua carreira, é, provavelmente, o melhor da sua discografia. Aqui temos o santo e senha de qualquer produção do género que se pretenda de referência: excelentes arranjos, magníficas secções de percursão e metais; estupendos montunos. Além do mais, impera sabrosura e ritmo em alto grau por um desfile de temas que, sem deixarem a marca romântica, têm uma evidente autenticidade étnica.
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Victor Manuelle - Sin querer queriendo in Victor Manuelle (1996)

quarta-feira, outubro 15, 2008

Salsa y merengue (28)

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Gilberto Santa Rosa - Esencia (1996)
Gilberto Santa Rosa é originário de Puerto Rico; tem o apodo de El caballero de la salsa e é a figura mais consagrada da salsa romántica, também conhecida pela designação depreciativa de salsa monga. Efectivamente, no que diz respeito a letras e a significado social, estamos a anos luz da salsa original, de Willy Colón e Rubén Blades, que transbordava compromisso político e social... É assumidamente comercial e, nesse empenho, tem tido sucesso; tem, inclusivamente, alguma penetração fora do universo hispano. Assim se percebe que, excepto pontuais afirmações de orgulho étnico, a sua temática seja exclusivamente amorosa e, geralmente, da mais convencional. Em todo o caso, não só conserva a essência rítmica da salsa original, como a enriquece com orquestrações de poderio. Se houve intérprete que se tornou a sua referência foi, precisamente, Gilberto Santa Rosa. Sucede que El caballero de la salsa tem uma voz suave, propiciadora de emoções românticas, e que, além do mais, joga, de modo contrastante, com arranjos magníficos, quer em cadência rítmica, quer em envolvimento harmonioso. Foi, enfim, uma aposta de êxito da divisão latina da Sony, na sua estratégia de ocupar o lugar das editoras durante muito tempo líderes no universo salsero, a Fania e a RMM. Uma continuada produção discográfica ao longo das duas últimas décadas confirma-o. Este álbum é um dos melhores. Destaque-se, desde logo, que, no habitual recurso à salserização de temas oriundos de outros géneros, apresenta um dos mais felizes exemplos: o bolero No ha pasado nada, de Armando Manzanero, transfigurado de um modo que até parece que foi concebido como salsa romántica... Mas o ecletismo ultrapassa os limites do género. Temos a conhecida balada Para vivir, de Pablo Milanés, interpretada num registo próximo do original e temos também um pedaço de rap hispano (a cargo de dois convidados) em ...Y eso duele. Contudo, sublinhe-se, a mais valia do álbum está na riqueza de arranjos dos temas retintamente salseros, onde se destaca o desempenho de uma esplêndida secção de metais.
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Web: Gilberto Santa Rosa

Gilberto Santa Rosa - No ha pasado nada in Esencia (1996)

sexta-feira, outubro 10, 2008

Salsa y merengue (27)


Gilberto Santa Rosa / Victor Manuelle - Controversia in Dos soneros, una historia (2005)

Eis aqui um trecho de um espectáculo realizado en San Juan de Puerto Rico por dois dos maiores soneros da actualidade: Gilberto Santa Rosa e Victor Manuelle. O primeiro é mais veterano e consagrado, enquanto que o segundo partilha com Marc Anthony a liderança da geração mais jovem, se bem que, dada a recente trajectória do marido de Jennifer López, Victor parece em vantagem entre o público mais genuinamente salsero.
O tema aqui apresentado é uma desgarrada entre um urbano, Gilberto, e um jíbaro (camponês das montanhas da ilha), Victor. É uma sátira convencional que, ainda assim, faz algum sentido, pois, apesar de ambos estarem radicados em Nova Iorque, o certo é que o primeiro é originário da capital de Puerto Rico, San Juan; e o segundo é originário de uma pequena cidade do oeste da mesma ilha, Isabela. Porém, como proclama o refrão montuno, os dois são boricuas de pura cepa. Boricua ou borinqueño é um termo popular para designar os habitantes de Puerto Rico que e deriva do nome pré hispânico da ilha, Borinquén.