sábado, outubro 18, 2008

Salsa y merengue (29)

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Victor Manuelle - Victor Manuelle (1996)
El sonero de la juventud é o apodo de Victor Manuelle. Nascido em Nova Iorque, mas originário de La Isabela - pequena cidade do oeste de Puerto Rico. Foi aí também que passou a infância antes de regressar à cidade natal. Não se percebe o porquê do barroquismo do elle final do seu nome artístico; o seu nome verdadeiro é mesmo Victor Manuel, como manda a lógica e, pelo menos nas rádios hispanas norte-americanas, é também assim que é pronunciado. Líder de vendas nos tops soneros, é, hoje em dia, o mais popular artista do género. Isto enquanto o seu, digamos, rival, Marc Anthony, se vai espraiando para fora desse âmbito. Lançado pela Sony a seguir a Gilberto Santa Rosa, Victor Manuelle foi crucial na estratégia da companhia para o mercado latino. Teve um sucesso quase imediato. A verdade é que apresenta um trunfo especial: um invulgar timbre vocálico. É daquelas vozes inconfundíveis. Este disco, da fase inicial da sua carreira, é, provavelmente, o melhor da sua discografia. Aqui temos o santo e senha de qualquer produção do género que se pretenda de referência: excelentes arranjos, magníficas secções de percursão e metais; estupendos montunos. Além do mais, impera sabrosura e ritmo em alto grau por um desfile de temas que, sem deixarem a marca romântica, têm uma evidente autenticidade étnica.
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Victor Manuelle - Sin querer queriendo in Victor Manuelle (1996)

quarta-feira, outubro 15, 2008

Salsa y merengue (28)

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Gilberto Santa Rosa - Esencia (1996)
Gilberto Santa Rosa é originário de Puerto Rico; tem o apodo de El caballero de la salsa e é a figura mais consagrada da salsa romántica, também conhecida pela designação depreciativa de salsa monga. Efectivamente, no que diz respeito a letras e a significado social, estamos a anos luz da salsa original, de Willy Colón e Rubén Blades, que transbordava compromisso político e social... É assumidamente comercial e, nesse empenho, tem tido sucesso; tem, inclusivamente, alguma penetração fora do universo hispano. Assim se percebe que, excepto pontuais afirmações de orgulho étnico, a sua temática seja exclusivamente amorosa e, geralmente, da mais convencional. Em todo o caso, não só conserva a essência rítmica da salsa original, como a enriquece com orquestrações de poderio. Se houve intérprete que se tornou a sua referência foi, precisamente, Gilberto Santa Rosa. Sucede que El caballero de la salsa tem uma voz suave, propiciadora de emoções românticas, e que, além do mais, joga, de modo contrastante, com arranjos magníficos, quer em cadência rítmica, quer em envolvimento harmonioso. Foi, enfim, uma aposta de êxito da divisão latina da Sony, na sua estratégia de ocupar o lugar das editoras durante muito tempo líderes no universo salsero, a Fania e a RMM. Uma continuada produção discográfica ao longo das duas últimas décadas confirma-o. Este álbum é um dos melhores. Destaque-se, desde logo, que, no habitual recurso à salserização de temas oriundos de outros géneros, apresenta um dos mais felizes exemplos: o bolero No ha pasado nada, de Armando Manzanero, transfigurado de um modo que até parece que foi concebido como salsa romántica... Mas o ecletismo ultrapassa os limites do género. Temos a conhecida balada Para vivir, de Pablo Milanés, interpretada num registo próximo do original e temos também um pedaço de rap hispano (a cargo de dois convidados) em ...Y eso duele. Contudo, sublinhe-se, a mais valia do álbum está na riqueza de arranjos dos temas retintamente salseros, onde se destaca o desempenho de uma esplêndida secção de metais.
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Web: Gilberto Santa Rosa

Gilberto Santa Rosa - No ha pasado nada in Esencia (1996)

sexta-feira, outubro 10, 2008

Salsa y merengue (27)


Gilberto Santa Rosa / Victor Manuelle - Controversia in Dos soneros, una historia (2005)

Eis aqui um trecho de um espectáculo realizado en San Juan de Puerto Rico por dois dos maiores soneros da actualidade: Gilberto Santa Rosa e Victor Manuelle. O primeiro é mais veterano e consagrado, enquanto que o segundo partilha com Marc Anthony a liderança da geração mais jovem, se bem que, dada a recente trajectória do marido de Jennifer López, Victor parece em vantagem entre o público mais genuinamente salsero.
O tema aqui apresentado é uma desgarrada entre um urbano, Gilberto, e um jíbaro (camponês das montanhas da ilha), Victor. É uma sátira convencional que, ainda assim, faz algum sentido, pois, apesar de ambos estarem radicados em Nova Iorque, o certo é que o primeiro é originário da capital de Puerto Rico, San Juan; e o segundo é originário de uma pequena cidade do oeste da mesma ilha, Isabela. Porém, como proclama o refrão montuno, os dois são boricuas de pura cepa. Boricua ou borinqueño é um termo popular para designar os habitantes de Puerto Rico que e deriva do nome pré hispânico da ilha, Borinquén.


quinta-feira, outubro 02, 2008

Radio (10) (3 remake)

La Mega 97,9 FM / Nueva York
Esta é uma das várias emissoras que emitem exclusivamente em espanhol na área metropolitana de NY. Como a maioria, dedica a maior parte dos seus espaços musicais à salsa e reggaeton. A animação é constante, graças a um forte ritmo de emissão, que está sustentado em jingles imaginativos e numa locução agressiva. O programa estrela é El vacilón de la mañana.
(Clicar logotipo para aceder à respectiva página web - para escutar em directo: clicar en vivo)

domingo, setembro 28, 2008

La movida (21) (6 remake)

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Golpes Bajos - Todas sus grabaciones 1983-85 (1990)
O mais importante afluente da movida madrilena foi a movida viguesa. Com efeito, de Vigo vieram alguns dos grupos mais originais: Siniestro Total, Os Resentidos, de Antón Reixa; Semen Up, de Alberto Comesaña e Sérgio Castro (dos portuenses Os Trabalhadores do Comércio); Golpes Baixos, de Teo Cardalda e Germán Coppini. Destes últimos reuniu-se num duplo CD toda a sua obra, a qual se resume a três albuns editados entre 1983 e 1985. São apenas três álbuns, porém, foram importantes na história do pop/rock espanhol. Ainda hoje, ao ouvi-los, sente-se que é uma sonoridade que não ficou inexoravelmente datada. A voz de Germán Coppini, de exótica delicadeza, os arranjos de Teo Cardalda, assim como uma aguda ironia na pose e nas letras, configuraram um estilo que não mais se reencontrou, nem sequer na carreira a solo do primeiro ou na carreira do segundo no seu alter ego artístico Cómplices... Além do mais, a Golpes Bajos se devem algumas das canções identificativas do espírito de uma etapa tão criativa como foi a que se viveu até meados de 80: No mires a los ojos de la gente; Malos tiempos para la lírica; Escenas olvidadas; Santos de devocionario...
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Golpes Bajos - Santos de devocionario in Santos de devocionario (1985)

terça-feira, setembro 23, 2008

La movida (20)


Los Sencillos - Bonito es (1992)


Espanha - 25/05/1992: #07 Top Singles (17 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

Viagens (66): Navarra, Guipúzcoa, Labourd (7)

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Desfiladeiro de Lumbier

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Viagens (65): Navarra, Guipúzcoa, Labourd (6)

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El Roncal

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quarta-feira, setembro 17, 2008

Viagens (64): Navarra, Guipúzcoa, Labourd (5)

Pamplona / Iruña
A capital de Navarra é uma cidade de identidade dividida, à imagem do seu duplo nome oficial. E a vários níveis pode-se assinalar uma espécie de sobreposição de duplas identidades: Castelhana vs Basca; Popular vs Burguesa; Tradicionalista vs Moderna... Curiosamente, já na Idade Média a cidade estava dividida em dois burgos: Navarrería e San Cernín; no primeiro concentrava-se a população basco-navarra; no segundo, a população de origem francesa. A junção formal não resolveu ferozes rivalidades. O edifício municipal, localizado precisamente onde hoje está o seu sucessor, de exuberante fachada barroca, foi, aliás, estrategicamente construído em local neutro, entre os dois burgos. Tão acusado estigma de divisões dá à cidade uma auréola de dramáticos excessos, para a qual concorre, ainda mais do que qualquer outro factor, a imagem de marca que granjeou no mundo à conta dos Sanfermines. Contudo, é uma cidade, onde, segundo os mais variados padrões, se vive bem. Como outras cidades de média dimensão do norte da Espanha, Pamplona permite gozar benefícios das metrópoles e benefícios do viver provinciano; mas tem acrescido pitoresco e casticismo. É na cidade antiga, precisamente nas artérias por onde correm os touros (com destaque para a Estafeta), onde se concentram tais atractivos. Aí se exerce o culto das tapas y pinchos em inúmeros bares e se patenteia a memorabilia sanfermínica em não menos numerosas lojas de recuerdos. São ruas estreitas e antigas, repletas de gente, situadas em torno da ampla Plaza del Castillo, onde há música e outros espectáculos de rua.
Fora do perímetro antigo, temos os Ensanches, onde impera o sossego, o bem-estar burguês provinciano. Alarga-se em avenidas arborizadas, entremeadas por parques. Destacam-se edifícios modernos - hotéis, empresas, escolas, clínicas e hospitais. Com efeito, aí aprecia-se uma outra faceta menos conhecida do turista comum: a de pólo universitário e hospitalar. O seu centro é a Universidad de Navarra, abrangendo várias instituições de ensino, clínicas e hospitais privados. É um complexo de excelência, conotado com a Opus Dei. Está na vanguarda em certas especialidades da ciência, em particular, da medicina. Por esta razão, aqui se realizam congressos e afluem estudantes, investigadores e doentes. Os modernos hotéis florescem muito mais à conta desses visitantes do que dos turistas festivos dos Sanfermines. É interessante, como o tradicionalismo católico, que sob a forma de carlismo aqui se implantou beligerantemente contra a modernidade, de algum modo contribuiu para uma certa forma de modernidade. Hoje em dia, não é obvio rever em Pamplona o feudo reaccionário que foi em momentos decisivos da história contemporânea espanhola. Exige um certo esforço imaginar, por exemplo, o General Mola a abrir as hostilidades da Guerra Civil, arengando numa Plaza del Castillo repleta de fanáticos carlistas, prontos para todas as violências, de cruz em riste... Além do mais, as marcas do tradicionalismo, patentes em algum património monumental, parecem desfasadas da cidadania ou ambiguamente valorizadas. A ambiguidade está na exaltação do ambivalente autonomismo fuerista, que é partilhado pelo tradicionalismo e pelo nacionalismo basco. Aliás, marcas mais evidentes, ainda que, talvez, mais artificiais, são as da identidade basca. Artificiais, porque parecem decorrer mais do militantismo político do que da realidade sociológica. Três exemplos: Veêm-se mais ikurriñas (bandeiras bascas) do que bandeiras navarras, não obstante não terem acesso aos edifícios oficiais; não são raras as manifestações de apoio aos radicais independentistas bascos (presenciei uma, silenciosa, de familiares de presos etarras), mas a maior parte das pessoas é-lhes indiferente ou hostil; todas as artérias estão rotuladas em castelhano e basco, mas, ao contrário das pequenas localidades do norte de Navarra, não se ouve falar basco nos bares e nas rua.
Há ainda a Pamplona periférica, constituída por localidades suburbanas (Villava, Huarte, Berrioplano, Berriozar...). São bairros residenciais e zonas fabris. Lembra-nos que a cidade é um pólo industrial composto por pequenas e médias empresas e por uma grande fábrica, da Wolkswagen. É uma zona onde se reencontra a paisagem suburbana comum às periferias citadinas de Espanha, composta por bairros incaracterísticos de classes médias baixas e por recentes urbanizações de vivendas geminadas, de sectores sociais mais elevados. Entre estas, encontram-se algumas zonas residenciais de qualidade, como Zizur Mayor/Zizur Nagusia. Seja como for, esta realidade dá-nos conta desse delírio de especulação infrene assente na construção civil, que assolou a Espanha nos últimos anos. Felizmente, no caso de Pamplona, algumas das consequências urbanísticas menos agradáveis são atenuadas por uma progressiva transição para um ambiente rural. Com efeito, rapidamente se entra num cenário de belas paisagens, em especial, pelo Norte, onde vislumbram-se já os encantos dos Pirenéus. Sublinhe-se este aspecto, já que, efectivamente, o enquadramento geográfico é uma mais-valia para a cidade, a qual está num vale formado pelo Rio Arga, entre as montanhas e a meseta. É um local estratégico, a um pulo de realidades humanas e naturais de grande beleza, mas contrastantes.