segunda-feira, agosto 25, 2008

Viagens (60): Navarra, Guipúzcoa, Labourd / 2008 (1)

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Pamplona / Iruña

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terça-feira, julho 29, 2008

Extravagâncias (3)

Monty Python - Spam in Monty Python's flying circus - 25º Episódio, sketch final (1970)
O ponto mais alto do humor foi alcançado pelos Monty Python na série Monty Python's flying circus, que por cá recebeu a nome de Os malucos do circo. A RTP passou-a nas emissões da hora de almoço, no início dos anos 70. Representa o ponto mais alto do humor e, em particular, do humor absurdo, tipicamente non sense, do qual os ingleses, melhor do que ninguém, conhecem os ingredientes. Muitos foram os sketches brilhantes, que podem agora ser apreciados em edições em DVD que, finalmente, chegaram ao nosso mercado. Este é um dos mais notáveis e tem uma história que merece ser contada. Spam era, e é, o nome de uma marca americana de carne de porco enlatada (tipo presunto). Durante a II Guerra Mundial era a a única carne não sujeita a racionamento. Daí resultou que a sua ruim qualidade se tornasse mais abominável pelas escassas alternativas. Gerações de britânicos, mesmo dos que da guerra já não tinham memória directa, guardaram Spam como sinónimo de algo enjoativo, indesejável. Foi com este lastro de quase trauma colectivo, que a trupe se lembrou da coisa no anárquico e improvisado processo produção de script para um sketch. O bando de vikings cantando as excelsas virtudes do Spam e a descrição da presença obsessiva do mesmo no menu é das coisas mais delirantes que já se viu... Contudo, a história não acaba aqui. Sucede que muito anos depois alguém se lembrou do Spam, por via deste sketch, como termo apropriado para designar a invasão de correio electrónico não solicitado. Ora, como se sabe, o termo pegou.
PS: No sketch a obsessão Spam contamina a própria ficha técnica que encerra o episódio. É demais...
Monty Python Spam Song

segunda-feira, julho 14, 2008

Guia hispânico (31)

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Ernest Hemingway - Fiesta [The sun also rises (1926)]
Li algures que as festas de San Fermín são actualmente o maior evento festivo do mundo a seguir ao Carnaval do Rio e à Festa da Cerveja de Munique. É bem possível que assim seja, tanto mais que, ano após ano, acresce a afluência de jovens forasteiros de todo o mundo. Uma boa parte deles são britânicos e a maioria são norte-americanos. A origem do fenómeno está, evidentemente, em Ernest Hemingway e, em particular, no romance Fiesta.
Pamplona está reconhecida ao escritor e são múltiplas as referências que o atestam. Por exemplo, junto à Praça de Touros há um grande busto acompanhado por palavras
que traduzem eloquentemente um espírito cívico de gratidão. É como se o escritor norte-americano se tivesse tornado património pamplonês; e é justo que assim seja! Ora, sucede que o romance é, além do mais, excelente. Merece ser lido não só por dar uma visão expressiva dos festejos, mas também por ser representativo de um género que mistura realismo documental com trama própria de ficção. Hemingway foi um dos melhores exemplos de jornalista-escritor ou, talvez mais apropriadamente, de escritor-jornalista e este romance é do mais inspirado que nessa dupla condição se produziu.

domingo, julho 06, 2008

Andalucía (26)


Salmarina - Fué en Sevilla in Carlos Saura - Sevillanas (1992)

sexta-feira, julho 04, 2008

Andalucía (25)

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Salmarina - Filigrana (1993)
O que valoriza as sevillanas de Salmarina, para além de qualidade vocal, tem sido a qualidade dos produtores. Primeiro os irmãos Muñoz e Évoras, seus conterrâneos. Depois, com Manuel Ruíz Queco. Este cordovês, sempre próximo do seu compadre Vicente Amigo, esteve nos anos 80 e 90 em muito do que inovador foi surgindo no universo flamenco, através de experiências fusionistas que foram desde as fronteiras do rock até aos domínios mais comerciais - foi, por exemplo, produtor de Las Ketchup e autor do seu êxito Aserejé. Note-se que tem sido não só produtor como também guitarrista e cantor. Neste caso interessa-nos como produtor, já que a qualidade de arranjos e direcção artística patenteada no álbum aqui em apreço constitui como que um paradigma de qualidade em termos de sevillanas. Na senda do que havia sido feito por Muñoz e Évoras, Queco conduz Salmarina a um conceito de sevillanas com fronteiras totalmente esbatidas em relação ao flamenco e com uma estética comum a muitas formas de nuevo flamenco. Impera o acústico. As guitarras, o cajón, o baixo e aqui e ali a flauta envolvem com suavidade as vozes sempre vibrantes do trio de Sanlúcar. Finalmente, a qualidade das composições, em boa parte da autoria de Queco, está muito acima do estereótipo do género e é ainda um factor mais decisivo que tudo o resto, que já não é pouco.
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Sal Marina - La luz del entedimiento in Filigrana (1993)

quarta-feira, julho 02, 2008

Perros callejeros (9) (6 remake)

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Los Chorbos - Poder gitano (1975)
Aquando do desaparecimento precoce de Manzanita surgiram evocações do início da sua carreira, como membro de Los Chorbos. Com 18 anos, Manzanita integrava esse grupo, quando em 1975 foi editado o álbum Poder gitano. Era apenas guitarrista - a sua voz não contava, o que não deixa de ser incrível... Faziam ainda parte do grupo os irmãos Losada (Amador e Miguelín) e Veneno. Contudo, a alma mater desse projecto era o produtor José Luís de Carlos, da CBS. Foi um projecto revolucionário. Apontou caminhos que conduziram, por um lado, à rumba pop e, por outro, ao nuevo flamenco. De notar que José Luís de Carlos, três anos antes, fora o responsável pela erupção do duo Las Grecas com o retumbante êxito Te estoy amando locamente, que abrira uma nova era. Este produtor, de uma estadia nos EUA, trouxera ideias que incutiu em músicos dispostos a trilhar caminhos inovadores - ideias que começaram a concretizar-se com Las Grecas. Havia que consolidar a conquista. Deste modo, aqui reencontramos a mesma equipa de produção, onde, curiosamente, tem lugar um músico português, Johnny Galvão. A matéria prima de ocasião era este quarteto de jovens ciganos. Com excepção de Manzanita, eram de um bairro pobre do sul de Madrid - Caño Roto. As letras das músicas tinham, aliás, um carácter de denúncia social e de orgulho rácico, sendo, neste particular, um passo em frente em relação a Las Grecas e um prenúncio do que fariam Los Chichos e Los Chunguitos. A este género se chamou Sonido Caño Roto. Está visivelmente marcado por uma transposição, a vários níveis, do conceito black power para algo que poderíamos designar como gypsy power.
O álbum começa com Vuelvo a casa (mais tarde versionado por Los Chunguitos). Ao ouvi-lo temos uma sensação peculiar - algo assim como a que resultaria de uma improvável mistura de um instrumental de Isaac Hayes (em plano Shaft) com vozes aflamencadas e com um batido sincopado de palmas em contratempo, à sevilhana... Toda a gravação discorre a partir deste enunciado e mais de trinta anos depois ainda é fascinante. Quase uma década antes do produtor Mario Pacheco, de Nuevos Medios, ter lançado o conceito Nuevo flamenco, pode-se dizer que a coisa, afinal, já existia.
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Los Chorbos - Vuelvo a casa in Poder gitano (1975)

sábado, junho 28, 2008

Radio (9)

Radiolé na rede
Radiolé já tem uma página web. Era a única cadeia de emissoras de rádio do conglomerado Unión Radio que até agora não estava na rede. É uma rádio diferente. Evidentemente que só poderia existir em Espanha. Assenta numa fórmula exclusivamente dedicada ao flamenco, às sevillanas e rocieras, à rumba e à copla, abrangendo todas as mais distintas variantes destes géneros. Há um programa do qual me tornei irredutível fan: Son de la tribu. É transmitido aos sábados, entre as 20h00 e as 22h00 (19h00 - 21h00, hora portuguesa). É apresentado por Miguel Ángel Fernández, ou melhor, Miguelón, e está dedicado ao nuevo flamenco.
(Clicar logotipo para aceder à respectiva página web - para escutar em directo: clicar escucha en directo)

sexta-feira, junho 06, 2008

Geografia íntima (24)

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Futebol Clube do Porto

segunda-feira, maio 12, 2008

Guia hispânico (27)

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Giles Tremlett - Fantasmas de Espanha: Viagens pelo presente escondido de um país (2008) [Ghosts of Spain (2006)]
Os comentários citados na contra-capa ajudam mesmo a perceber a valia deste livro. O autor é jornalista, correspondente em Madrid de The Guardian. Vive há década e meia em Madrid, tendo antes vivido uns anos em Barcelona. Por força dos seus afazeres profissionais, tem percorrido Espanha de lés a lés. Contudo, o que é essencial é a base de conhecimentos de natureza histórica e sociológica que possui, a qual vai além registo jornalístico. Evita-se assim cair em lugares comuns mais ou menos sensacionalistas e, pelo contrário, em certos casos, somos conduzidos a uma percepção desmistificadora. Nota-se que há um fascínio pelo país. É, diga-se, da mesma filiação da de muitos intelectuais britânicos e norte-americanos... Releva de um conceito tocado na sua origem por concepções românticas. É também daí que provem o meu fascínio... Deste modo senti como que uma espécie de cumplicidade espiritual com muitas das observações e reflexões que são desfiadas. Há ainda uma verve de pendor humorístico que constitui um valor acrescido. Só é possível porque provem de alguém que está suficientemente entranhado na condição de estar e de viver em Espanha, entendendo a forma e filosofia de vida dos seus autóctones, mas que não deixa de ser um estrangeiro, ainda por cima munido de uma matriz cultural, em vários aspectos, antagónica.
Ninguém pode encontrar melhor guia para conhecer a Espanha contemporânea, com pistas para se poder entranhar na sua rica história e cultura(s) e poderosos descodificadores para entender as suas tensões actuais. Brilhante!

sábado, maio 10, 2008

Viagens (59): Barcelona, Girona, Figueres e Montserrat / 2007 (4)

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Girona

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Viagens (58): Barcelona, Girona, Figueres e Montserrat / 2007 (3)

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Montserrat

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sexta-feira, maio 09, 2008

Mediterráneo / Mediterrània (52): Catalunya

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Companyia Elèctrica Dharma - Catalluna (1983)
Antes de mais, o título sugere o duplo sentido Catalunha e "agarra a lua", reiterado pela capa. É uma sugestão poética, coerente com o conteúdo do álbum. Um álbum que se pode considerar o culminar de um projecto da Companyia Elèctrica Dharma de fusão da música tradicional catalã com a música electrónica de uma forma, digamos, pop. Algumas das mais populares canções tradicionais são aqui transfiguradas sem nunca perderem o seu carácter intrinsecamente catalão. A sonoridade das sardanes perpassa por todos de um modo, por vezes, grandioso, épico. Com efeito, são estes os adjectivos apropriados para alguns dos temas, nomeadamente o primeiro e o remate do último, que é extenso. Este, aliás, inspira-se nas danças de La Patum - festejos da cidadezinha de Berga, no extremo norte da província de Barcelona, num vale pirenaico. É um álbum indispensável para quem queira ter uma noção suficientemente informada do que é a música catalã.
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Companyia Elèctrica Dharma - La presó de Lleida in Catalluna (1983)

Mediterráneo / Mediterrània (51): Catalunya

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Companyia Elèctrica Dharma - Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)
Companyia Elèctrica Dharma é um grupo difícil de definir. Assenta numa base familiar que, ao longo do tempo, integra cinco de sete irmãos de uma família originária do bairro barcelonês de Sants, os Fortuny, à qual acresce sempre Carles Vidal e, pontualmente, mais alguns outros que não partilham o apelido Fortuny. Coincidindo com o fim de um período de maior projecção, em 1986 faleceu, repentinamente, um dos irmãos, Esteve, após um concerto. Para todos os efeitos, esse foi um momento marcante na trajectória do grupo. Contudo, manteve-se em actividade, sem cair na penumbra. Para além desta feição de trupe familiar, o que lhes confere originalidade é a música que fazem - uma mistura entre rock electrónico e música tradicional catalã (sardanes), ligada por conceitos perfeitamente jazzísticos de fusão, que estimulam o improviso. Note-se que os instrumentos que imperam são os mesmos das coblas (pequenas orquestras tradicionais) que presidem às danças das sardanes. A sonoridade é, assim, marcada por cornetins e outros instrumentos de sopro que são uma imagem de marca da identidade musical catalã. Contudo, há um aparatoso envolvimento de sintetizadores e baterias.
Desde os seus inícios, em meados dos anos 70, o grupo inscreveu-se no universo do catalanismo. Até essa altura era um universo esmagadoramente ocupado pela canção de texto (nova cançó), mas que vira, pouco antes, surgir algo que se apresentava como rock catalão por via de Jaume Sisa e Pau Riba. Em todo o caso, a proposta de Dharma não tinha a ver nem com uma coisa nem com outra. Tal originalidade granjeou-lhes aplausos da crítica e, depois, no início dos anos 80, também reconhecimento comercial. Este álbum corresponde, precisamente, a esse período. Das forças e das fraquezas desse tipo de música nesse período dá a devida conta. Esgrimindo os tópicos mais militantes do nacionalismo, procurou as referências dançáveis e festivas das tradições, não ignorando também uma das mais contemporâneas como transparece na associação do lema Força Dharma ao lema futebolístico Força Barça.
Há temas bem conseguidos e outros que nem tanto... Os três fortíssimos de entrada são, de longe, o melhor, em particular o exótico e arrebatador Anònim empordanés que se desenvolve numa improvável junção de uma marcha tradicional ampurdanesa com uma furiosa bateria.

Companyia Elèctrica Dharma - Anònim empordanès in Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)

segunda-feira, maio 05, 2008

Mediterráneo / Mediterrània (50): Catalunya

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Joan Manuel Serrat - Cançons tradicionals (1967)
Tinha Serrat 24 anos quando publicou esta álbum, o segundo da sua carreira; contudo, já era uma figura de impacto na cena musical catalã. Integrava a vaga fundadora e era uma das figuras de proa da nova cançó. No ano seguinte, em 1968, causou sensações contraditórias: por um lado, quebrou como que uma regra implícita e começou a cantar em castelhano; por outro, renunciou com estrépito à intérpretação da canção La, la, la, no Festival da Eurovisão, por não lhe ter sido dada autorização para a cantar em catalão. Esta atitude corajosa não impediu os zelotas do catalanismo de encarar a opção pelo bilinguismo como uma traição. Contudo, era uma opção compreensível - a sua mãe, aragonesa, era de língua castelhana, e seu pai, de origem autóctone, era de língua catalã. Era também bilingue a realidade que o rodeava no popular bairro barcelonês de Poble Sec, onde afluíam emigrantes aragoneses, murcianos, andaluzes.
Nas vésperas destas polémicas, este álbum constitui como que uma serena proclamação de acrisolado amor à Catalunha, através de algumas das suas mais emblemáticas canções tradicionais. São, na maior parte dos casos, de recorte bucólico e extravasando referências de vetusta catalanidade, incrustadas numa secular história de agravos e ressentimentos. Estão magnificamente orquestradas e servidas por uma voz adequadamente melancólica. Enfim, é um belo álbum conceptual e de referência.
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Joan Manuel Serrat - L'estudiant de Vic in Cançons tradicionals (1967)

sábado, maio 03, 2008

Geografia íntima (23)

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Porto - Ribeira

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Porto - Vista geral desde Vila Nova de Gaia

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Porto - Rio Douro

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Porto - Rua das Aldas (Sé)

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Porto - Rua da Pena Ventosa (Sé)

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Porto - Rua dos Pelames (Sé)

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Porto - Rua dos Caldeireiros (Vitória)

Porto - Fotos de José Paulo Andrade in Ruas do Porto
Parabéns ao autor destas fotos do Porto (José Paulo Andrade)! São apenas uma amostra do vasto conjunto disponível no sítio com hiperligação em cima. Vale a pena apreciar.
Este é o meu Porto. O Porto histórico do velho burgo.

Geografia íntima (23) (17 remake)

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GNR - Rock in Rio Douro (1992)
Este álbum dos GNR tem dois temas especiais: Sangue Oculto e Pronúncia do Norte. Neles, a voz semi-falsete de Rui Reininho contracena, respectivamente, com Javier Andreu (vocalista do grupo espanhol La Frontera) e com a essa vibrante mulher do Norte que é Isabel Silvestre. De resto, todos os outros temas são vulgares, revelando que cá, como em todo o lado, as fórmulas do pop/rock se foram esgotando a partir de finais dos 80... Mas esses dois temas são, de facto, especiais. O primeiro tem força genuína, sendo, além disso, um original diálogo em castelhano e português. O segundo, descontados muitos exemplos vindos da Galiza, é o "hino" mais apropriado que conheço para aquele mundo de brumas e granito que é o Norte. Em dueto com Reininho, a voz de Isabel Silvestre parece esvair-se num fio etéreo, mas há uma superior expressão emotiva nesse fio que impregna toda a canção, dominando-a. Além de que o tema assenta no enunciado da pronúncia do Norte como expressão de carácter - essa pronúncia que se recusa a emudecer as vogais e que transporta a expressão em sonoridade. O português que vem do mais fundo dos tempos...
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GNR / Isabel Silvestre -
Pronúncia do Norte in Rock in Rio Douro (1992)

sábado, abril 26, 2008

Cuore matto (21)

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Antonello Venditti - Diamanti (2007)
Antonello Venditti é um cantautor já veterano da cena musical italiana. Com efeito, tem uma carreira com já mais de trinta anos e assinalada por um punhado de êxitos. O seu registo é um pop mais próximo do rock do que do cançonetismo. Nada na sua música é especialmente relevante, a não ser que alguns dos seus êxitos têm uma qualidade acima do padrão do género e que a sua voz apresenta um timbre deveras original. Muitas das letras, mediante um certo azedume céptico, contribuem para uma imagem de herói rebelde ou, pelo menos, incompreendido. Ao mesmo tempo, tem o cuidado em não não cultivar uma imagem comercial, nem, tampouco, em sustentar forçadamente receitas musicais para o público mais jovem - em contraste, por exemplo, com o que sucede com o seu conterrâneo Eros Ramazzotti. Nem por isso, Venditti deixou de alcançar níveis de popularidade interna talvez superiores, mas, em contrapartida, não pôde, jamais transcender as fronteiras transalpinas... Provavelmente, nunca apostou decidamente nessa expansão e sente-se realizado com a grande popularidade que alcançou na sua cidade, Roma. Na verdade, nas suas músicas, há constantes referências à cidade e, por outro lado, sempre fez gala da sua devoção fuebolística pela AS Roma, a ponto de ser o intérprete do hino oficial do clube.
Para conhecer Antonello Venditti esta antologia é a forma mais indicada. Na ausência da possibilidade de a adquirir por cá, a alternativa é a compra via Internet ou, então, anotar como encargo para futura visita a Itália. É uma súmula num único CD de uma antologia mais ampla, de três CDs, com o mesmo título e a mesma capa. Nesta, porém, cabem todos os seus grandes êxitos.
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Web: Antonellovenditti.com



Antonello Venditti -
Ci vorrebbe un amico (1984)