sábado, maio 10, 2008
sexta-feira, maio 09, 2008
Mediterráneo / Mediterrània (52): Catalunya
Companyia Elèctrica Dharma - Catalluna (1983)
Antes de mais, o título sugere o duplo sentido Catalunha e "agarra a lua", reiterado pela capa. É uma sugestão poética, coerente com o conteúdo do álbum. Um álbum que se pode considerar o culminar de um projecto da Companyia Elèctrica Dharma de fusão da música tradicional catalã com a música electrónica de uma forma, digamos, pop. Algumas das mais populares canções tradicionais são aqui transfiguradas sem nunca perderem o seu carácter intrinsecamente catalão. A sonoridade das sardanes perpassa por todos de um modo, por vezes, grandioso, épico. Com efeito, são estes os adjectivos apropriados para alguns dos temas, nomeadamente o primeiro e o remate do último, que é extenso. Este, aliás, inspira-se nas danças de La Patum - festejos da cidadezinha de Berga, no extremo norte da província de Barcelona, num vale pirenaico. É um álbum indispensável para quem queira ter uma noção suficientemente informada do que é a música catalã.
Companyia Elèctrica Dharma - La presó de Lleida in Catalluna (1983)
Mediterráneo / Mediterrània (51): Catalunya
Companyia Elèctrica Dharma - Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)
Companyia Elèctrica Dharma é um grupo difícil de definir. Assenta numa base familiar que, ao longo do tempo, integra cinco de sete irmãos de uma família originária do bairro barcelonês de Sants, os Fortuny, à qual acresce sempre Carles Vidal e, pontualmente, mais alguns outros que não partilham o apelido Fortuny. Coincidindo com o fim de um período de maior projecção, em 1986 faleceu, repentinamente, um dos irmãos, Esteve, após um concerto. Para todos os efeitos, esse foi um momento marcante na trajectória do grupo. Contudo, manteve-se em actividade, sem cair na penumbra. Para além desta feição de trupe familiar, o que lhes confere originalidade é a música que fazem - uma mistura entre rock electrónico e música tradicional catalã (sardanes), ligada por conceitos perfeitamente jazzísticos de fusão, que estimulam o improviso. Note-se que os instrumentos que imperam são os mesmos das coblas (pequenas orquestras tradicionais) que presidem às danças das sardanes. A sonoridade é, assim, marcada por cornetins e outros instrumentos de sopro que são uma imagem de marca da identidade musical catalã. Contudo, há um aparatoso envolvimento de sintetizadores e baterias.
Desde os seus inícios, em meados dos anos 70, o grupo inscreveu-se no universo do catalanismo. Até essa altura era um universo esmagadoramente ocupado pela canção de texto (nova cançó), mas que vira, pouco antes, surgir algo que se apresentava como rock catalão por via de Jaume Sisa e Pau Riba. Em todo o caso, a proposta de Dharma não tinha a ver nem com uma coisa nem com outra. Tal originalidade granjeou-lhes aplausos da crítica e, depois, no início dos anos 80, também reconhecimento comercial. Este álbum corresponde, precisamente, a esse período. Das forças e das fraquezas desse tipo de música nesse período dá a devida conta. Esgrimindo os tópicos mais militantes do nacionalismo, procurou as referências dançáveis e festivas das tradições, não ignorando também uma das mais contemporâneas como transparece na associação do lema Força Dharma ao lema futebolístico Força Barça.
Há temas bem conseguidos e outros que nem tanto... Os três fortíssimos de entrada são, de longe, o melhor, em particular o exótico e arrebatador Anònim empordanés que se desenvolve numa improvável junção de uma marcha tradicional ampurdanesa com uma furiosa bateria.
Desde os seus inícios, em meados dos anos 70, o grupo inscreveu-se no universo do catalanismo. Até essa altura era um universo esmagadoramente ocupado pela canção de texto (nova cançó), mas que vira, pouco antes, surgir algo que se apresentava como rock catalão por via de Jaume Sisa e Pau Riba. Em todo o caso, a proposta de Dharma não tinha a ver nem com uma coisa nem com outra. Tal originalidade granjeou-lhes aplausos da crítica e, depois, no início dos anos 80, também reconhecimento comercial. Este álbum corresponde, precisamente, a esse período. Das forças e das fraquezas desse tipo de música nesse período dá a devida conta. Esgrimindo os tópicos mais militantes do nacionalismo, procurou as referências dançáveis e festivas das tradições, não ignorando também uma das mais contemporâneas como transparece na associação do lema Força Dharma ao lema futebolístico Força Barça.
Há temas bem conseguidos e outros que nem tanto... Os três fortíssimos de entrada são, de longe, o melhor, em particular o exótico e arrebatador Anònim empordanés que se desenvolve numa improvável junção de uma marcha tradicional ampurdanesa com uma furiosa bateria.
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Web: Companyia Elèctrica Dharma
Web: Companyia Elèctrica Dharma
Companyia Elèctrica Dharma - Anònim empordanès in Força Dharma!: Deu anys de resistència (1985)
segunda-feira, maio 05, 2008
Mediterráneo / Mediterrània (50): Catalunya
Joan Manuel Serrat - Cançons tradicionals (1967)
Tinha Serrat 24 anos quando publicou esta álbum, o segundo da sua carreira; contudo, já era uma figura de impacto na cena musical catalã. Integrava a vaga fundadora e era uma das figuras de proa da nova cançó. No ano seguinte, em 1968, causou sensações contraditórias: por um lado, quebrou como que uma regra implícita e começou a cantar em castelhano; por outro, renunciou com estrépito à intérpretação da canção La, la, la, no Festival da Eurovisão, por não lhe ter sido dada autorização para a cantar em catalão. Esta atitude corajosa não impediu os zelotas do catalanismo de encarar a opção pelo bilinguismo como uma traição. Contudo, era uma opção compreensível - a sua mãe, aragonesa, era de língua castelhana, e seu pai, de origem autóctone, era de língua catalã. Era também bilingue a realidade que o rodeava no popular bairro barcelonês de Poble Sec, onde afluíam emigrantes aragoneses, murcianos, andaluzes.
Nas vésperas destas polémicas, este álbum constitui como que uma serena proclamação de acrisolado amor à Catalunha, através de algumas das suas mais emblemáticas canções tradicionais. São, na maior parte dos casos, de recorte bucólico e extravasando referências de vetusta catalanidade, incrustadas numa secular história de agravos e ressentimentos. Estão magnificamente orquestradas e servidas por uma voz adequadamente melancólica. Enfim, é um belo álbum conceptual e de referência.
Nas vésperas destas polémicas, este álbum constitui como que uma serena proclamação de acrisolado amor à Catalunha, através de algumas das suas mais emblemáticas canções tradicionais. São, na maior parte dos casos, de recorte bucólico e extravasando referências de vetusta catalanidade, incrustadas numa secular história de agravos e ressentimentos. Estão magnificamente orquestradas e servidas por uma voz adequadamente melancólica. Enfim, é um belo álbum conceptual e de referência.
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Joan Manuel Serrat - L'estudiant de Vic in Cançons tradicionals (1967)
sábado, maio 03, 2008
Geografia íntima (23)

Porto - Ribeira

Porto - Vista geral desde Vila Nova de Gaia

Porto - Rio Douro

Porto - Rua das Aldas (Sé)

Porto - Rua da Pena Ventosa (Sé)

Porto - Rua dos Pelames (Sé)

Porto - Rua dos Caldeireiros (Vitória)
Porto - Fotos de José Paulo Andrade in Ruas do Porto
Parabéns ao autor destas fotos do Porto (José Paulo Andrade)! São apenas uma amostra do vasto conjunto disponível no sítio com hiperligação em cima. Vale a pena apreciar.
Este é o meu Porto. O Porto histórico do velho burgo.
Este é o meu Porto. O Porto histórico do velho burgo.
Geografia íntima (23) (17 remake)
GNR - Rock in Rio Douro (1992)
Este álbum dos GNR tem dois temas especiais: Sangue Oculto e Pronúncia do Norte. Neles, a voz semi-falsete de Rui Reininho contracena, respectivamente, com Javier Andreu (vocalista do grupo espanhol La Frontera) e com a essa vibrante mulher do Norte que é Isabel Silvestre. De resto, todos os outros temas são vulgares, revelando que cá, como em todo o lado, as fórmulas do pop/rock se foram esgotando a partir de finais dos 80... Mas esses dois temas são, de facto, especiais. O primeiro tem força genuína, sendo, além disso, um original diálogo em castelhano e português. O segundo, descontados muitos exemplos vindos da Galiza, é o "hino" mais apropriado que conheço para aquele mundo de brumas e granito que é o Norte. Em dueto com Reininho, a voz de Isabel Silvestre parece esvair-se num fio etéreo, mas há uma superior expressão emotiva nesse fio que impregna toda a canção, dominando-a. Além de que o tema assenta no enunciado da pronúncia do Norte como expressão de carácter - essa pronúncia que se recusa a emudecer as vogais e que transporta a expressão em sonoridade. O português que vem do mais fundo dos tempos...
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GNR / Isabel Silvestre - Pronúncia do Norte in Rock in Rio Douro (1992)
sábado, abril 26, 2008
Cuore matto (21)
Antonello Venditti é um cantautor já veterano da cena musical italiana. Com efeito, tem uma carreira com já mais de trinta anos e assinalada por um punhado de êxitos. O seu registo é um pop mais próximo do rock do que do cançonetismo. Nada na sua música é especialmente relevante, a não ser que alguns dos seus êxitos têm uma qualidade acima do padrão do género e que a sua voz apresenta um timbre deveras original. Muitas das letras, mediante um certo azedume céptico, contribuem para uma imagem de herói rebelde ou, pelo menos, incompreendido. Ao mesmo tempo, tem o cuidado em não não cultivar uma imagem comercial, nem, tampouco, em sustentar forçadamente receitas musicais para o público mais jovem - em contraste, por exemplo, com o que sucede com o seu conterrâneo Eros Ramazzotti. Nem por isso, Venditti deixou de alcançar níveis de popularidade interna talvez superiores, mas, em contrapartida, não pôde, jamais transcender as fronteiras transalpinas... Provavelmente, nunca apostou decidamente nessa expansão e sente-se realizado com a grande popularidade que alcançou na sua cidade, Roma. Na verdade, nas suas músicas, há constantes referências à cidade e, por outro lado, sempre fez gala da sua devoção fuebolística pela AS Roma, a ponto de ser o intérprete do hino oficial do clube.
Para conhecer Antonello Venditti esta antologia é a forma mais indicada. Na ausência da possibilidade de a adquirir por cá, a alternativa é a compra via Internet ou, então, anotar como encargo para futura visita a Itália. É uma súmula num único CD de uma antologia mais ampla, de três CDs, com o mesmo título e a mesma capa. Nesta, porém, cabem todos os seus grandes êxitos.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10Para conhecer Antonello Venditti esta antologia é a forma mais indicada. Na ausência da possibilidade de a adquirir por cá, a alternativa é a compra via Internet ou, então, anotar como encargo para futura visita a Itália. É uma súmula num único CD de uma antologia mais ampla, de três CDs, com o mesmo título e a mesma capa. Nesta, porém, cabem todos os seus grandes êxitos.
Web: Antonellovenditti.com
Antonello Venditti - Ci vorrebbe un amico (1984)
terça-feira, abril 22, 2008
Viagens (57): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (9)
6º Dia (5ª Feira)
Nesta viagem, o hotel de Milão foi o melhor de todos e, curiosamente, também o mais barato. Estava localizado na zona ocidental, próximo do recinto de exposições, sendo esta proximidade apresentada na sua página web como a sua maior vantagem. Porém, a localização afastada do centro implicava a utilização de transportes públicos. O metro era o mais prático, só que estava um pouco distante. A alternativa era o eléctrico. Com efeito, Milão tem linhas de eléctrico com composições de cor alaranjada, compridas e estreitas. Logo de manhã o objectivo era ir à Igreja de Santa Maria delle Grazie, a fim de garantir a entrada para o Cenáculo, onde está a Última Ceia de Da Vinci. Não queria correr o mesmo risco que em Florença. Sucede que a igreja ficava perto e para lá chegar bastaram alguns minutos a pé, por agradáveis zonas residenciais, onde se respirava conforto e bom-gosto burguês. Quando cheguei à igreja, comprovei que, definitivamente, a avalanche turística não chegara ali; havia bastante gente mas nada que se comparasse com o que se vira nos dias anteriores. Mesmo assim foi necessário fazer uma marcação para as duas da tarde. Assim, o objectivo imediato tornou-se, entretanto, o centro, via eléctrico. Quando ao entrar fazia menção de pagar os bilhetes, o condutor fez um simpático sorriso, abanando a cabeça – não vendia bilhetes; ao mesmo tempo, fechou as portas e senti-me, assim, convidado a viajar à borla. Ocorreu-me que seria de aproveitar para visitar o Museu do Teatro alla Scala. Milão é a capital do mundo operístico. Nova Iorque (Metropolitan), Londres (Covent Garden), Paris (L’Opera) e Barcelona (Liceo) são os pontos fulcrais do circuito operístico, mas La Scala é o mais importante. O museu está no edifício do teatro e não só acolhe um amplo espólio de adereços de artistas e compositores como proporciona uma panorâmica da sala de espectáculos a partir de alguns camarotes. Causa impacto estar naquela sala tão famosa, que, tanto quanto sei, é parecida com a do São Carlos. Perto de La Scala está o “quarteirão da moda” (Il Quadrilatero). Do que se seguiu, só vi coisa comparável na parte superior da Quinta Avenida de Nova Iorque. A Via Monte Napoleane, a mais importante das que compõem o quarteirão, é toda ela glamour. Montra após montra deparamo-nos com sofisticação. Zara e outros simpáticos contributos para melhorar a indumentária popular não tem ainda guarida aqui. É coutada de Versace, Ferragamo, Giorgio Armani, Gucci e afins... Aqui estão as suas sedes. São lojas amplas e espaventosamente decoradas. Os preços são inverosímeis. Encarar um par de sapatos que ostentasse menos de 250.000 liras (25.000 escudos) foi impossível. A média não deveria andar longe das 500.000. Mas havia abundância de preços delirantes, que eram mais do que inacessíveis... Apesar da minha quase indigência em matéria de roupa, não desdenho sempre quem se veste bem – é uma algo que não é demasiado importante para mim, mas não encaro como inconveniente em certas pessoas... O certo é que gostei do que vi. Bem antes das duas horas estava de novo junto a Santa Maria delle Grazie. O regresso fora de eléctrico e... (outra vez) à borla - sempre era mais agradável que de metro e... pagando. Era um modesto contributo para dar razão ao qualificativo portoghese que em Itália, desde uma embaixada quinhentista de D. Manuel I a Roma, significa borlista ou "penetra".
São impressionantes os cuidados que rodeiam a visita ao Cenáculo. Para ver um dos mais famosos frescos da humanidade os visitantes são filtrados de modo a que lá dentro o número de presenças seja sempre reduzido. A Última Ceia apreciada no seu verdadeiro contexto parece estranha. À força de tanto vê-la reproduzida, resulta insólito verificar que ocupa toda a parte superior do espaço de uma parede, que nem sequer é muito ampla e que colide com a ombreira de uma porta, a qual lhe rouba espaço vital.. As cores são tão suaves que se tornam esbatidas, mas a sensação de profundidade é notória, sobretudo quando nos afastamos. No exterior havia todo o tipo de informações, incluindo as referentes aos trabalhos de restauro, por conta da Olivetti. É um pequeno espaço museológico exemplar que sabe enquadrar da melhor maneira o que apresenta.
O resto da tarde foi passado no quarto do hotel - formidável refúgio do calor que não dava tréguas. À noite voltei ao mesmo restaurante da véspera e cirandei pelas lojas da Galleria Vittorio, em particular pela labiríntica livraria Feltrinelli...
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