quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Memória do futebol (9)
Keir Radnedge - 50 años de la Copa de Europa y la Liga de Campeones [50 years of the European Cup and Champions League], 2006
A mais importante e prestigiada competição mundial de clubes merecia um livro assim. Trata-se, evidentemente, da Taça dos Campeões Europeus e da vigente herdeira Liga dos Campeões. Celebra os cinquenta anos da competição. O autor é inglês, o que não admira. A maior parte da bibliografia sobre a história e a sociologia do futebol é de origem inglesa. Comprei a versão espanhola. Tanto quanto sei, não há versão portuguesa. O texto corre ao longo da história com uma sóbria objectividade, que não impede que se saliente com o merecido tom épico muitos momentos marcantes. Por exemplo, a final de Glasgow, em que o mítico Real Madrid de Di Stefano venceu os destemidos amadores alemães do Eintracht de Frankfurt por 7-3. Ou aquela em que o mesmo Real Madrid de Di Stefano, já decadente, foi batido pelo Benfica de Eusébio por 5-3, em Amesterdão. E, já agora, indo ao encontro das minhas paixões clubísticas, aquela outra, muito mais tarde, em Viena, em que os arrogantes alemães do Bayern foram derreados pelo arreganho de João Pinto, pelas fintas de Futre e pelo... calcanhar de Madjer! Tantas e tantas emoções! Como se não bastasse a magnífica crónica, existe abundante ilustração fotográfica e iconográfica e depoimentos de algumas figuras marcantes: Di Stefano, Eusébio, Bobby Charlton, Beckenbauer...
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sábado, fevereiro 16, 2008
Tanguedia (2)
A Internet opera milagres. Neste caso o milagre é voltar ao passado. Melhor dizendo, em voltar ao passado, através do que se faz em lugares especiais. Com efeito, pode-se ouvir, directamente de Montevideo, República del Oriente del Uruguay, uma emissora de rádio retro, como já não se julgava possível poder existir... E, paradoxalmente, baseando-se na moderna fórmula de playlist, só que... de tango e mais tango (do puro e duro, ou seja, do clássico), temperado com música folclórica gaúcha. Na primeira metade das horas pares impera o sumo pontífice da tangocracia: Gardel. Religiosamente, assim, em cada cinco dias se passa em revista toda a sua obra gravada. A emissora é um templo consagrado ao culto gardeliano.
Sendo uma emissora uruguaia, vem a propósito esclarecer que o território natural do tango não se confina à Argentina. Este, em rigor, é a bacia do Rio da Prata, que abrange também o Uruguai. Aliás, com a sua castiça e pomposa dicção (um atractivo adicional!), os locutores anunciam que emitem para toda la cuenca del Plata. Impõe-se a alusão à dicção, que é mesmo à maneira antiga (são verdadeiros locutores e não desconchavados animadores...), assim como aos anúncios (los avisos), que parecem vindos directamente dos anos 30 ou 40...
Eis a declaração de princípios da Clarin AM580:Sendo uma emissora uruguaia, vem a propósito esclarecer que o território natural do tango não se confina à Argentina. Este, em rigor, é a bacia do Rio da Prata, que abrange também o Uruguai. Aliás, com a sua castiça e pomposa dicção (um atractivo adicional!), os locutores anunciam que emitem para toda la cuenca del Plata. Impõe-se a alusão à dicção, que é mesmo à maneira antiga (são verdadeiros locutores e não desconchavados animadores...), assim como aos anúncios (los avisos), que parecem vindos directamente dos anos 30 ou 40...

Parafraseando um lema da emissora: ¡Qué lindo és ser oriental!
(Oriental é sinónimo de uruguaio).
Web: Clarin AM580
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Tanguedia (1)
Carlos Gardel - Volver (1934)
Sublime! Carlos Gardel interpretando uma das mais belas músicas de sempre com aquela voz carismática que se soltava divinamente das espiras carcomidas de velhas gravações em vinil. Parece ser um trecho retirado do seu último filme e dir-se-ia, ignorando o argumento, que as águas só podem ser as do Rio da Prata e o volver só pode ser o voltar aos braços da amada que o esperaria em Buenos Aires...
domingo, fevereiro 10, 2008
La movida (19) (5 remake)



Gabinete Caligari - Discografia básica: Héroes de los 80 (1981-1983) / Cuatro rosas (1984) / Que Dios reparta suerte (1983) /Al calor del amor en un bar (1986)
Gabinete Caligari foi um dos grupos mais carismáticos e originais de la movida. Foram os criadores do que então foi designado como rock torero, que consistiu numa infusão de casticismo nas iconoclastas modas da vanguarda madrilena. O seu tema mais identificador foi Que Dios reparta suerte (o título é, já por si, um lema castiço...), de 1983. Teve impacto, com a sua cadência de pasodoble e ressoar de castanholas no meio de parafernália eléctrica. Um outro tema, do ano seguinte, alcançou também impacto: Cuatro rosas. Já não estava tão alinhado com esse estilo, pois, se bem que inserido na vaga neo-romântica, situava-se, um pouco inesperadamente, na vertente mais melódica. Passados já mais de vinte anos, resplandece como um dos melhores temas de sempre do pop/rock espanhol e um dos hinos de la movida. Ambos constam desta compilação de três álbuns e singles, editados originalmente entre 1981 e 1986.
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Gabinete Caligari - Cuatro rosas (1984)
Espanha - 01/04/1985: #22 Top Álbuns (12 semanas em lista)
Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)
quarta-feira, janeiro 23, 2008
terça-feira, janeiro 22, 2008
Dancing days (20)
ABBA - Waterloo (1974)
Em 1974 os ABBA deram-se a conhecer ao mundo, ganhando o Festival Eurovisão da Canção, com Waterloo. Instalaram-se no palco global por quase uma década, coleccionando êxitos atrás de êxitos. A sua universalidade fez-se de um pop dançável, musiquinhas simples e uma imagem juvenil que sugeria o hedonismo próprio desses tempos despreocupados que foram os anos 70. Mais escape que despreocupação, deve-se sublinhar, já que de instabilidade económica e política foram feitos esses anos... Seja como for, para todos os efeitos, os ABBA estavam no mainstream. Foram , como já alguém disse, o mais universal produto da Suécia (Hoje em dia, Ikea talvez se apresente como digno sucessor a esse nível). Instalaram-se em Londres e, evidentemente, cantavam em inglês. Contudo, nos seus primórdios, antes de almejar a universalidade, também chegaram a cantar na língua nativa. Mesmo quando se apresentaram na Eurovisão, apesar de terem cantado em inglês no palco, gravaram uma versão em sueco, como também fizeram em alemão e francês. Mais tarde tornar-se-ia uma rotina ver o grupo editar versões dos seus êxitos em espanhol. Tão aparatosa manifestação de versatilidade linguística pode indiciar capacidade de saber tirar partido de um certo complexo de inferioridade. Julgo que Vinicius de Moraes, ou algum outro brasileiro espirituoso, sentenciou um dia que, a haver uma língua oficial do inferno, seria o sueco. Tal boutade pode encontrar sustentação na aparente facilidade com que grupos pop suecos têm passado ao lado da sua língua (além dos ABBA, por exemplo, os Ace of Base...). Em boa verdade, não nos é fácil conceber virtualidades canoras no sueco ou a qualquer outro idioma nórdico. Mas aqui fica uma experiência iniciática, com, nem mais nem menos, Waterloo. Certo é que esta versão não transcendeu o terrunho escandinavo. O single que chegou a milhões de pessoas por todo mundo, era, claro está, a versão inglesa e o próprio álbum abria com essa mesma versão e era composto integralmente por temas cantados nessa língua. Em seu louvor do álbum, deve-se dizer que, ao contrário do que seria de esperar, e apesar de não sair de um nível de pop do mais frívolo, aguenta-se bastante bem para lá do consagrado hino festivaleiro. Já agora, recorde-se que Waterloo foi para o Festival da Eurovisão uma oportuna revolução e que, alguns dias depois, houve uma revolução a sério em Portugal, o 25 de Abril.
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ABBA - Waterloo (Swedish version) (1974)
segunda-feira, janeiro 14, 2008
La movida (18)
Pistones - El pistolero (1984) (extracto)
Eis mais um marco de 1984. Foi um single de êxito. É tema pegadizo donde los haya... De um grupo que não conheceu maior fama do que a que instantaneamente ganhou com este achado, que remete para o imaginário do Far West em vigoroso ritmo compassado. Foi um cometa que instantaneamente surgiu no firmamento e se esfumou. Não teve continuidade. Em todo caso é representativo de uma certa juventude madrilena desses tempos. Justamente acabou por se tornar um hino incontornável de qualquer exercício nostálgico sobre la movida.
Espanha - 02/04/1984: #05 Top Singles (21 semanas em lista)
Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)
sábado, janeiro 12, 2008
La movida (17) (10 remake)
O ano de 1984 é, definitivamente, um ano especial na pop/rock espanhola. Entre alguns álbuns marcantes saídos nesse ano conta-se este, para mim, um dos melhores no meio de toda a diluviana produção do género. Não obstante a assinalável estreia com La estatua en el Jardín Botánico, o grupo dos irmãos Auserón não tinha ainda alcançado notoriedade. Por esta e outras razões, a gravação deste álbum, se bem que tecnicamente escorreita, está longe de evidenciar luxos de produção. Aliás, nota-se uma certa "sonoridade de garagem". O registo é mais rock que pop e expressa uma crua rudeza eléctrica. Santiago Auserón, que, sob o pseudónimo Juan Perro, segue hoje mais por caminhos de inspiração latina, é uma das melhores vozes do pop/rock espnhol. Se bem que o tempo tenha aperfeiçoado tais qualidades, já em 1984 elas estavam bem patenteadas.
O álbum apresenta uma curiosa característica conceptual: está dividido em duas partes distintas e a cada uma corresponde seu nome e sua capa; La ley del desierto é a face A e La ley del mar, a face B. Se em termos estritamente musicais essa dualidade não é assim tão evidente, já o mesmo não se pode dizer das letras. Em todo o caso, os temas mais marcantes - Escuela de calor (versão cantada e versão instrumental) e Semilla negra - correspondem, respectivamente, ao deserto e ao mar, sendo que se adequam, quer na letra, quer mesmo na música, a essas distintas naturezas. Diga-se que são dois temas espectaculares e que, posteriormente, serão retomados e desenvolvidos em diferentes registos. Escuela de calor, muito particularmente, arrasou nesse verão e ainda sobrou para outros estios...
O álbum apresenta uma curiosa característica conceptual: está dividido em duas partes distintas e a cada uma corresponde seu nome e sua capa; La ley del desierto é a face A e La ley del mar, a face B. Se em termos estritamente musicais essa dualidade não é assim tão evidente, já o mesmo não se pode dizer das letras. Em todo o caso, os temas mais marcantes - Escuela de calor (versão cantada e versão instrumental) e Semilla negra - correspondem, respectivamente, ao deserto e ao mar, sendo que se adequam, quer na letra, quer mesmo na música, a essas distintas naturezas. Diga-se que são dois temas espectaculares e que, posteriormente, serão retomados e desenvolvidos em diferentes registos. Escuela de calor, muito particularmente, arrasou nesse verão e ainda sobrou para outros estios...
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Radio Futura - La ley in La ley del desierto, la ley del mar (1984)
Espanha - 18/06/1984: #02 Top Álbuns (31 semanas em lista)
Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)
terça-feira, janeiro 01, 2008
Dancing days (19)
ABBA - Dancing queen in Arrival (1976)
Transcrevo o que escrevi no post Dancing days (2): "Reviver a música pop comercial dos anos 60, 70 e 80 é, cada vez mais, fonte de reencontrados prazeres. Neste intermitente reencontro, no topo das minhas preferências estão os ABBA (Agneta Fältskog, Björn Ulvæus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad). Agneta é a loira - a que se tornou um mito entre a homenzarrada planetária; Anni-Frid é a morena - que não deixou de ter a sua incondicional clientela libidinosa... Era uma música simples, desprestenciosa, alegre e, dentro destes parâmetros, muito bem feita. Tenho para mim, por exemplo, que Dancing queen é uma das mais bonitas canções de sempre."
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