terça-feira, janeiro 22, 2008

Dancing days (20)

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ABBA - Waterloo (1974)
Em 1974 os ABBA deram-se a conhecer ao mundo, ganhando o Festival Eurovisão da Canção, com Waterloo. Instalaram-se no palco global por quase uma década, coleccionando êxitos atrás de êxitos. A sua universalidade fez-se de um pop dançável, musiquinhas simples e uma imagem juvenil que sugeria o hedonismo próprio desses tempos despreocupados que foram os anos 70. Mais escape que despreocupação, deve-se sublinhar, já que de instabilidade económica e política foram feitos esses anos... Seja como for, para todos os efeitos, os ABBA estavam no mainstream. Foram , como já alguém disse, o mais universal produto da Suécia (Hoje em dia, Ikea talvez se apresente como digno sucessor a esse nível). Instalaram-se em Londres e, evidentemente, cantavam em inglês. Contudo, nos seus primórdios, antes de almejar a universalidade, também chegaram a cantar na língua nativa. Mesmo quando se apresentaram na Eurovisão, apesar de terem cantado em inglês no palco, gravaram uma versão em sueco, como também fizeram em alemão e francês. Mais tarde tornar-se-ia uma rotina ver o grupo editar versões dos seus êxitos em espanhol. Tão aparatosa manifestação de versatilidade linguística pode indiciar capacidade de saber tirar partido de um certo complexo de inferioridade. Julgo que Vinicius de Moraes, ou algum outro brasileiro espirituoso, sentenciou um dia que, a haver uma língua oficial do inferno, seria o sueco. Tal boutade pode encontrar sustentação na aparente facilidade com que grupos pop suecos têm passado ao lado da sua língua (além dos ABBA, por exemplo, os Ace of Base...). Em boa verdade, não nos é fácil conceber virtualidades canoras no sueco ou a qualquer outro idioma nórdico. Mas aqui fica uma experiência iniciática, com, nem mais nem menos, Waterloo. Certo é que esta versão não transcendeu o terrunho escandinavo. O single que chegou a milhões de pessoas por todo mundo, era, claro está, a versão inglesa e o próprio álbum abria com essa mesma versão e era composto integralmente por temas cantados nessa língua. Em seu louvor do álbum, deve-se dizer que, ao contrário do que seria de esperar, e apesar de não sair de um nível de pop do mais frívolo, aguenta-se bastante bem para lá do consagrado hino festivaleiro. Já agora, recorde-se que Waterloo foi para o Festival da Eurovisão uma oportuna revolução e que, alguns dias depois, houve uma revolução a sério em Portugal, o 25 de Abril.
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ABBA - Waterloo (Swedish version) (1974)

segunda-feira, janeiro 14, 2008

La movida (18)


Pistones - El pistolero (1984) (extracto)

Eis mais um marco de 1984. Foi um single de êxito. É tema pegadizo donde los haya... De um grupo que não conheceu maior fama do que a que instantaneamente ganhou com este achado, que remete para o imaginário do Far West em vigoroso ritmo compassado. Foi um cometa que instantaneamente surgiu no firmamento e se esfumou. Não teve continuidade. Em todo caso é representativo de uma certa juventude madrilena desses tempos. Justamente acabou por se tornar um hino incontornável de qualquer exercício nostálgico sobre la movida.


Espanha - 02/04/1984: #05 Top Singles (21 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

sábado, janeiro 12, 2008

La movida (17) (10 remake)

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Radio Futura - La ley del desierto / La ley del mar (1984)
O ano de 1984 é, definitivamente, um ano especial na pop/rock espanhola. Entre alguns álbuns marcantes saídos nesse ano conta-se este, para mim, um dos melhores no meio de toda a diluviana produção do género. Não obstante a assinalável estreia com La estatua en el Jardín Botánico, o grupo dos irmãos Auserón não tinha ainda alcançado notoriedade. Por esta e outras razões, a gravação deste álbum, se bem que tecnicamente escorreita, está longe de evidenciar luxos de produção. Aliás, nota-se uma certa "sonoridade de garagem". O registo é mais rock que pop e expressa uma crua rudeza eléctrica. Santiago Auserón, que, sob o pseudónimo Juan Perro, segue hoje mais por caminhos de inspiração latina, é uma das melhores vozes do pop/rock espnhol. Se bem que o tempo tenha aperfeiçoado tais qualidades, já em 1984 elas estavam bem patenteadas.
O álbum apresenta uma curiosa característica conceptual: está dividido em duas partes distintas e a cada uma corresponde seu nome e sua capa; La ley del desierto é a face A e La ley del mar, a face B. Se em termos estritamente musicais essa dualidade não é assim tão evidente, já o mesmo não se pode dizer das letras. Em todo o caso, os temas mais marcantes - Escuela de calor (versão cantada e versão instrumental) e Semilla negra - correspondem, respectivamente, ao deserto e ao mar, sendo que se adequam, quer na letra, quer mesmo na música, a essas distintas naturezas. Diga-se que são dois temas espectaculares e que, posteriormente, serão retomados e desenvolvidos em diferentes registos. Escuela de calor, muito particularmente, arrasou nesse verão e ainda sobrou para outros estios...
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Radio Futura - La ley in La ley del desierto, la ley del mar (1984)

Espanha - 18/06/1984: #02 Top Álbuns (31 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)


terça-feira, janeiro 01, 2008

Dancing days (19)

ABBA - Dancing queen in Arrival (1976)
Transcrevo o que escrevi no post Dancing days (2): "Reviver a música pop comercial dos anos 60, 70 e 80 é, cada vez mais, fonte de reencontrados prazeres. Neste intermitente reencontro, no topo das minhas preferências estão os ABBA (Agneta Fältskog, Björn Ulvæus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad). Agneta é a loira - a que se tornou um mito entre a homenzarrada planetária; Anni-Frid é a morena - que não deixou de ter a sua incondicional clientela libidinosa... Era uma música simples, desprestenciosa, alegre e, dentro destes parâmetros, muito bem feita. Tenho para mim, por exemplo, que Dancing queen é uma das mais bonitas canções de sempre."

domingo, dezembro 16, 2007

Dancing Days (18) (4 remake)

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Peaches & Herb - The best of Peaches & Herb (1996)
É a melhor colectânea de Peaches & Herb (2ª fase). Integra a colecção Polydor Soul Series. A entrada faz-se com o dance hit Shake your groove thing (é preferível a versão para EP, que constitui a última faixa). Continua com outro dance hit, Funtime. O destaque vai, contudo, como não podia deixar de ser, para a super balada Reunited.
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Peaches & Herb - Reunited (1978)

Dancing Days (17) (3 remake)

Peaches & Herb - Reunited (1978)
Espectacular é o que se pode dizer desta balada de Peaches & Herb! Foi um dos singles mais vendidos de sempre. Este duo (nesta altura composto por Linda Green e Herbert Feemster, de Washington DC, pela mão do compositor e produtor Freddie Perren, tornou-se relevante no cenário disco sound de finais dos anos setenta. Nesse género, estritamente considerado, o seu maior êxito foi Shake your groove thing (13 semanas no Top40 USA, onde chegou a alcançar o 5º lugar, em 1979). Contudo, o seu maior êxito absoluto e um dos maiores de toda a história da música pop foi precisamente esta balada, que esteve 15 semanas no Top40 USA, alcançou o 1º lugar nesse mesmo ano de 1979. Mereceu, pois é a mais soberba balada romântica pop alguma vez feita! É curioso tal sucesso cavalgando a onda disco, já que esta era a segunda fase de uma carreira que tinha principiado em meados dos anos sessenta em plano de rythm & blues, com uma solista diferente, Francine Barker e um produtor também diferente, Van McCoy. Foi, enfim, uma reinvenção bem sucedida.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Baúl de los recuerdos (19)


Juan & Júnior - Anduriña (1968)

A partir de meados dos anos 60 havia já uma cena musical pop espanhola bem implantada. Havia grupos que eram réplicas dos Beatles. Entre estes, Los Brincos foram os mais populares. Já havia clubes de fans e algum mediatismo, de modo que quando os dois mais populares membros deste grupo saíram abruptamente, houve estrépito. Eram o galego Juan Pardo e o filipino Antonio Morales, de nome artístico, Júnior. Foi um desenlace preparado por produtores discográficos. Imediatamente constituíram um duo e gravaram singles que tiveram grande êxito. O maior de todos foi esta balada de intrínseco sabor galego, Anduriña. Das minhas estadias de infância no Porto, recordo-me de o escutar através das ondas da Radio Popular de Vigo, que se captava bem à noite.
O duo teve uma carreira efémera. As ambições de Juan Pardo e Júnior apontavam em direcções diferentes e desenvolveu-se, parece, rivalidade entre os dois. O primeiro seguiu uma carreira mais discreta, como produtor, embora, com o tempo, dando cada vez mais espaço a uma longa carreira de compositor e solista. O segundo seguiu uma carreira mais espaventosa, incluindo incursões pelo cinema, mas cedo acabou na penumbra da carreira da sua mulher, a ex chica pop, Rocío Dúrcal. O casamento entre os dois, em 1970, foi, aliás, um evento com impacto.


Espanha - 17/06/1968: #04 Top Singles (28 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

quarta-feira, novembro 28, 2007

Mariachi y tequila (46)

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Juan Gabriel / Rocío Dúrcal - Juntos otra vez (1997)
Um encontro várias vezes repetido foi o desta parceria hispano - mexicana. Está ainda fresca a comoção provocada pelo falecimento recente de Rocío Jurado. Começou a sua carreira nos anos 60 como uma das chicas pop que ajudaram a dar um toque de modernidade no cenário artístico espanhol de então. Nos anos 70 a sua carreira enveredou pelo cançonetismo. Nesse plano, consolidou a sua projecção. Na verdade, esta opção por uma via convencional foi, no seu caso, valorizada pela elegância de estilo e por uma voz de fino timbre. Contudo, algo se constituiu como diferencial na sua carreira. Sucede que, em finais da década de 70 começou a desenvolver uma carreira paralela no México, país pelo qual se apaixonou numas daquelas digressões hispano-americanas comuns aos artistas espanhóis. Mas este facto adquire muito mais significado porque Rocío passou a interpretar um repertório de música ranchera, através, sobretudo, de temas de Juan Gabriel. Fê-lo com competência tal que não desmerece como herdeira das mais consagradas do género (Lola Beltrán, Lucha Reyes, Amalia Mendoza). Assim se tornou muito popular no México e ajudou a reavivar o interesse pela música popular mexicana em Espanha. Na sua discografia, entre os vários álbuns convencionais, há alguns exclusivamente dedicados a rancheras. Este é o último e, provavelmente, o melhor.
Juan Gabriel é um artista bizarro. Desde logo, pela sua assumida homossexualidade. Depois pelo seu carácter artisticamente multifacetado. É compositor e intérprete de estilos diversos, mas uma parte substancial da sua produção é música
ranchera. Tem muitas e excelentes composições rancheras. Neste álbum há uma cabal demonstração deste particular talento. Ainda por cima, o dueto e partilha entre Gabriel e Rocío funcionam com a cumplicidade própria de quem se conhece bem, se estima e entende a alma bravia e festiva desta música. Ainda por cima, a produção é do melhor que se encontra no género - absolutamente esmerada, com um mariachi de qualidade superlativa.
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Juan Gabriel / Rocío Dúrcal - ¿Sabes por qué? in Juntos otra vez (1997)

terça-feira, novembro 27, 2007

Mariachi y tequila (45)

José Alfredo Jiménez / Lucha Villa - La enorme distancia