Mina - Tentiamo ancora in Frutta e verdura (1973)
sexta-feira, outubro 12, 2007
Cuore matto (15)
Mina - Tentiamo ancora in Frutta e verdura (1973)
quinta-feira, outubro 11, 2007
Cuore matto (14)
Mina - L'importante è finire in La Mina (1975)
sexta-feira, outubro 05, 2007
Cuore matto (13)
No Vol 1, Magica follia abre da melhor forma. É um tema quente, bem à medida da cantora. Deve-se destacar ainda Per averti qui, Già visto e Sapori de civiltà. Há ainda a versão de um velho tema de Chico Buarque – Que Serà (O que será?).
O Vol 2 inicia-se com o melodioso Mi piace tanto la gente e acaba em força com Oggi è nero – peça de construção elaborada. Pelo meio, temos Sweet Transvestite - uma espécie de hino para drag queens, cuja insólita sonoridade é sublinhada por um registo andrógeno, demonstrativo da variada gama de virtuosismos da sua voz - e It’s your move, que é do mais elementar e puro disco.
Italiana consagra uma nova fase na trajectória de Mina, iniciada em 1979 – definitivamente na vanguarda da canção italiana num ponto de cruzamento de influências diversas. Por fim, note-se que as capas são das mais conseguidas dentro da feição vanguardista característica de Mauro Baletti - aparece uma sugestiva Mina de feições clownescas, em fundo de azul veludo.
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Mina - Sapori di civiltà in Italiana Vol 1 (1982)
quinta-feira, outubro 04, 2007
Guía hispânico (26)


Em El imperio español, a conquista do México já merecia extenso destaque. Aqui temos um desenvolvimento minucioso da saga de Cortés. É matéria fascinante em si, como exemplo de choque de civilizações e ponto de partida de um processo de mestiçagem cultural. Mas há um fascínio adicional para os historiadores avisados: desfazer mitos que decorrem da visão anacrónica com que muitas vezes tal choque é apreciado. Foram mitos que constaram da visão tradicional do nacionalismo espanhol. São ainda outros mitos que continuam vigentes na visão hipercrítica racionalista, afim à sensibilidade das esquerdas, digamos, e que têm tido livre curso na percepção comum. São mitos opostos, mas nocivos à compreensão da história e, portanto, devem ser denunciados. Porém, não estamos perante uma obra articulada em torno da denúncia, nem de qualquer outro proselitismo. Nada disso! Temos um criterioso levantamento de factos, contrastados e acompanhados de perspectivas de enquadramento. É precisamente a sobriedade e o bom-senso que acabam por desencadear um posicionamento naturalmente alheio a tais mitos.
O México acabou por se tornar uma realidade mestiça de incomensurável riqueza e em poucos lugares do mundo encontraremos algo de tão fascinante a este nível! O fascínio desata-se imediatamente nas peripécias únicas da conquista, em que determinados detalhes podem adquirir um significado crucial. São páginas que se lêem como num romance fantástico ou como em certas parábolas bíblicas, seja pela trama de acontecimentos extraordinários, seja pelas abundantes lições de vida. Vejamos uma, bem conhecida e absolutamente sintomática: Perante os desafios de um Mundo Novo, frente a perigos desconhecidos, Cortés, contrariando as instruções que recebera, manda destruir os barcos que os conduziram até esse ponto - um ponto de não retorno. A ele e aos seus 500 homens só restariam duas opções: conquistar ou morrer!
domingo, setembro 30, 2007
Euskal Herria (23)

É de notar que em ...Y la palabra se hizo música: La canción de autor en España, de Fernando González Lucini, esclarece-se que o título, Apoaren edertasuna, significa A beleza do sapo. O original desenho da capa confirma a informação. Tem um traço infantil, o que sugere historietas moralizadoras. Contudo, saiba-se que, tal como é explicado no referido livro, o título está de acordo com um elaborado propósito que atravessa todo o álbum intencionalmente: a pretensão de ajudar a descobrir a beleza onde, aparentemente, ela não está visível. Há, portanto, um objectivo político (em sentido amplo), que se louva em tempos de maciça estandardização de gostos. Enfim, o sapo também tem a sua beleza... E tem! Este "sapo musical" soa, assim, muito bem e suscita emoções que ultrapassam os limites do hermetismo idiomático, conferindo-lhe um certo fascínio acrescido. Finalmente, é de salientar que há aqui uma proposta de valorização da trikitixa e da música popular basca, num sentido contrário ao que segue, por exemplo, Kepa Junkera. Menos cosmopolita e despojado, mais próximo das raízes. Igualmente fascinante!
Joseba Tapia - Igela ideari beha in Apoaren edertasuna (1998)
quarta-feira, setembro 26, 2007
Euskal Herria (22)


Negu Gorriak - BSO in Gure Jarrera (1991)
domingo, setembro 23, 2007
Flamenco (30)
El Bicho - Locura in El Bicho (2003)
Aqui segue mais um exemplo do carácter iconoclasta de El Bicho. Este clip foi feito para um tema do primeiro álbum, intitulado apenas com o nome do grupo.
sábado, setembro 22, 2007
Flamenco (29)
De regresso às heterodoxias, com um exemplo de manifesta impureza, ostentando reconhecidas contaminações: El Bicho - grupo de flamenco - fusión. Fusão com hip-hop, heavy e sabe-se lá que mais... É um projecto que parece ir além da dimensão estritamente musical, já que é uma espécie de trupe de performance em vários sentidos, com a música num lugar central. A página web oficial (versão mais completa - web de viaje, em construção; versão abreviada - web de prisa) confirma tendências ecléticas. É mais uma prova da vitalidade dos territórios periféricos do continente flamenco. O clip ilustra, através de animação de estética sinistra, mas bastante imaginativa, um tema do último álbum, El Bicho VII. A mensagem também é, digamos, um tanto sinistra, se bem que nada original. O curioso é o contexto em que aparece.
terça-feira, setembro 18, 2007
Flamenco (28)


Antonio Mairena foi um dos últimos patriarcas do cante. Fez um trabalho de compilação e apuramento que, em parte, foi apresentado nesta gravação. Dedicado aos palos (géneros) mais jondos (profundos), que são as seguiriyas e os soleares, é um trabalho quase académico, de todo alheio a modas e facilidades. Assim se cimentou o conceito mairenismo, que traduz a afirmação da ortodoxia e da tradição. Mas, mais do que isso... Mairena, gitano plebeu, foi um flamencólogo. Imerso em prática e teoria. Fez escola e teceu doutrina. Severa e intransigentemente.
Estamos a anos-luz das experiências fusionistas, que a partir dos anos 70 tanto dinamizaram o flamenco. Porém, não é necessário entender o mairenismo como uma tendência hostil à modernidade, mas antes complementar. Ao fim e ao cabo, não faz sentido ignorar o modelo de referência. Impõe-se preservá-lo, desde qualquer perspectiva.
Mairena tinha uma voz poderosa e rude e uma interpretação arrebatada. À força de pulmão e, sobretudo, de garra, remetia, naturalmente, as guitarras para o plano marginal em que a tradição sempre as confinara. Deixou um conjunto de gravações que constituem um acervo privilegiado do cante jondo, na medida em que, os grandes patriarcas que o antecederam jamais gravaram, ou fizeram-no muito parcialmente e em condições precárias. Consciente deste papel de portador de testemunho, condescendeu em gravar frequentemente em frios estúdios. Foi uma das suas raras concessões, mas deliberada...
Não é fácil entrar no cante jondo. Mesmo para os amantes, há momentos em que não dá... e outros há em que se torna uma necessidade purificadora. Esta música tem uma força e rudeza telúrica que a tornam uma provocação à vigente futilidade destes tempos que vivemos. É, de certo modo, uma experiência de religiosidade mística inacessível ao vulgo...
Antonio Mairena - Ovejitas (Seguiriyas tradicionales) in Esquema historico del cante por seguiriyas y soleares (1976)






