sexta-feira, julho 13, 2007

Soulsville (10) (6 remake)

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Isaac Hayes - Black Moses (1971)
Estava Isaac Hayes no seu apogeu, logo após a edição da banda sonora de Shaft quando saíu este duplo álbum. É megalómeno! O delírio começa, desde logo, na apresentação. Com efeito, o duplo LP original ficou na história da art cover. Depois de sucessivamente desdobrado (da operação resultava uma enorme foto em formato de cruz), aparecia-nos Isaac Hayes (quase em tamanho natural) como uma réplica de Moisés, em teatrais vestes e cenário bíblicos... A megalomania é extensível à produção. Nunca uma gravação sua teve roupagens orquestrais de tão grande pompa! A Stax não se fez rogada em lhe proporcionar meios de uma super estrela e, aliás, a própria editora parece ter-se engalanado num desmedido triunfalismo ao levar a cabo, nessa mesma época, um evento como foi Wattstax (uma espécie réplica de Woodstock para a América Negra, em Los Angeles - onde, diga-se já agora, Isaac Hayes teve uma actuação destacada).
Significativamente, a unânimidade da crítica desfez-se perante Black Moses. A verdade é que o estado de graça perdeu-se... E, no entanto, é uma obra magnífica. Desigual, desproporcionada, mas, magnífica. Algumas das mais brilhantes pérolas da sua lavra estão aqui: Never can say good-bye (grande êxito, mesmo antes da ultra-famosa versão disco de Gloria Gaynor); Never gonna give you up (recriação de um tema de Jerry Butler); Help me love; Your love is so dogonne good; I'll never fall in love again (recriação do standard de David / Bacharach, popularizado por Dionne Warwick). Há também muitos raps, ao seu genuíno estilo. Aparecem numerados (Ike's rap I, Ike's rap IV...) e introduzem da melhor forma algumas das mencionadas pérolas, ajudando a criar uma atmosfera especial ...
Nota: Há uma edição digipack remasterizada deste álbum, da editora alemã Zyx, a qual apesar de conter a versão extensa de Never gonna give you up (não disponível no álbum original, nem na primeira reedição em CD), está amputada de alguns dos melhores temas.
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Isaac Hayes - Never gonna give you up in Black Moses (1971)

quarta-feira, julho 11, 2007

Memória do futebol (7)

Não conhecia nenhum estudo sobre a dimensão do universo de adeptos dos clubes de futebol de Espanha. É claro que estava ciente da liderança destacada do Real Madrid. Por outro lado, estava também ciente do poder da "classe média", com vários casos de fortíssima implantação em populosos âmbitos regionais (Valencia, Athletic, Zaragoza, Bétis, Sevilla, Zaragoza, Deportivo, Celta, Real Sociedad...). Ora, finalmente, com este estudo do CIS (Centro de Investigaciones Sociológicas), inserido no Barómetro de Mayo (Estudio nº 2.705) pode-se começar a ficar com uma ideia mais rigorosa.
Registo algumas surpresas:
- O Barça está mais alto do que supunha, o que comprova uma penetração que extravasa o âmbito catalão;
- A implantação regional de Valencia, Athletic e Zaragoza é esmagadora e, certamente, extravasa para regiões limítrofes;
- Imaginava um equilíbrio entre os dois rivais sevilhanos, com ligeira inclinação a favor do Sevilla. Pois sucede precisamente o contrário em favor do Bétis e não de um modo tão ligeiro como isso...
- Não obstante estarem na penumbra da divisão secundária, clubes regionais como Sporting, de Gijón, Málaga, Cádiz, Las Palmas, Tenerife, Valladolid e Murcia demonstram um potencial notável;
- Os valores do Atlético de Madrid são decepcionantes. Não parece dispor de uma penetração verdadeiramente nacional;
- Clubes regionais como Hércules, de Alicante, e Alavés, de Vitória, apresentam também valores decepcionantes, No primeiro caso, tratar-se-á de uma hinchada pouco resistente à prolongada estância em divisões secundaríssimas? No segundo caso será que o Athletic rouba espaço de afirmação?

Veja-se os valores em escala percentual:

¿Podría decirme cuál es el equipo por el que siente Ud, más simpatía? (Respuesta espontánea)
32,8 Real Madrid
25,7 Barcelona
05,3 Valencia
05,1 Athletic de Bilbao
04,3 Atlético de Madrid
03,3 Betis
02,7 Zaragoza
02,3 Sevilla
02,2 Deportivo de la Coruña
02,2 Celta
01,3 Osasuna
01,3 Real Sociedad
01,0 Espanyol
00,8 Sporting
00,8 Racing de Santander
00,7 Málaga
00,6 Cádiz
00,6 Las Palmas
00,6 Tenerife
00,5 Mallorca
00,4 Recreativo de Huelva
00,4 Valladolid
00,4 Murcia
00,3 Almería
00,2 Gimnàstic de Tarragona
00,2 Levante
00,2 Albacete
00,2 Elche
00,2 Alavés
00,1 Getafe
00,1 Villareal
00,1 Hércules
00,1 Numancia
00,1 Xerez

00,2 La Selección Española
01,5 Cita un equipo local
00,2 Cita un equipo extranjero
00,9 N,C

sábado, julho 07, 2007

Flamenco (25)



Radio Macandé - Mientras espero el alba


quarta-feira, julho 04, 2007

Flamenco (24) (3 remake)

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Manzanita - Talco y bronce (1981)
A CBS organizou uma digressão de Manzanita aos Estados Unidos, a fim de fazer alguns espectáculos e gravar com músicos locais. Tinha sucedido que uma emissora FM de Nova Iorque divulgara o seu segundo álbum, Espirítu sin nombre, obtendo uma inesperada adesão, sobretudo, em relação ao tema Paloma blanca. Ou seja, Manzanita tinha-se tornado quase um objecto de culto entre uma elite de iniciados, como, de resto, sucedera em mais algumas paragens (Israel, Japão...). Tal deveu-se à capacidade da multinacional CBS. Pois esta gravação é resultado imediato dessa digressão. As imagens da capa e contra-capa ilustram o facto. Mas a coisa não se limitou a ser uma operação de marketing - teve um efectivo conteúdo. Foi uma gravação parcialmente concebida e realizada em Nova Iorque. Os arranjos, a cargo de Dave Thomas, imprimem um carácter decididamente fusionista e o mínimo que há que dizer é que são espectaculares. Provavelmente nunca houve tão ousada fusão flamenca na vertente ligeira, a qual atreveu-se a utilizar instrumentos tão inusuais, como, por exemplo, o violino e a cítara. Tudo isto desembocou num ambiente sonoro refinado. A voz de Manzanita é decisiva para o resultado, estando mais domesticada, mais aveludada, sem perder a reconhecida tonalidade flamenca. É o trabalho mais criativo de toda a sua carreira. Não há um tema fraco e há um punhado de temas notáveis. Note-se que, com excepção do refrão do tema inicial de Por tu ausencia, tampouco se pode dizer que houvesse concessões comerciais. Refrão que merece, aliás, uma referência pelo facto de ser cantado em português com sotaque brasileiro – algo que voltará a suceder em temas do álbum seguinte. Temas como o instrumental Talco y bronce, Quien fuera luna (poema de Gustavo Adolfo Bécquer) Un ramito de violetas (da malograda cantautora Cecília) e El rey de tus sueños são soberbos e os melhores de uma inspiradíssima colheita que representará para sempre o apogeu da sua carreira. Resta acrescentar esta ironia: sem denotar particulares concessões comerciais, acabou por se tornar um espectacular êxito de vendas, com mais de meio milhão de cópias vendidas! Nunca Manzanita foi tão bem sucedido comercialmente, ao mesmo tempo que nunca foi tão aclamado pela crítica.
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Manzanita - Talco y bronce in Talco y bronce (1981)

Flamenco (23)

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Manzanita - Espiritu sin nombre (1980)
Para mim este será sempre um álbum especial. É o segundo de Manzanita, mas é o primeiro que dele conheci. Comprei-o nas desaparecidas Galerías Preciados, em Madrid, onde hoje é a FNAC, no Verão de 1982. Até então, o flamenco que conhecia era o apenas o mais puro, ou seja, o cante jondo. Cheguei a Manzanita, curiosamente, por uma estranha pista brasileira: um álbum de Raimundo Fagner, Traduzir-se/Traducir-se. Nesse disco, comprado em Lisboa, na Compasso (Campo de Ourique), atraíra-me a figura flamenca ostentada na capa, assim como o repertório e colaborações que confirmavam um conteúdo de acordo com a mesma. Entre os convidados estavam Camarón de la Isla e um tal Manzanita. Posteriormente, vim a saber que este empreendimento se integrava na estratégia do departamento espanhol da CBS, que, por iniciativa de um ousado produtor, José Luis de Carlos, visava alargar os horizontes do universo flamenco. Fagner, um brasileiro nordestino, de origem libanesa, também gravava para essa mesma multinacional. Nesse álbum Manzanita cantava a duo com Fagner o poema de Federíco García Lorca, Verde (Verde que te quiero verde...). Fiquei preso na voz agreste/aveludada de Manzanita e decidi que logo que pusesse os pés em Espanha demandaria algum disco dele. Foi precisamente Espíritu sin nombre. Vim a saber depois que este jovem gitano era de origem malaguenha e que tinha uma recente carreira a solo, com bom acolhimento por parte da crítica. O álbum é bom do princípio ao fim e, apesar de ter muito de heterodoxo, tem também muito de genuinamente flamenco. Em algum dos temas apercebemo-nos que Manzanita poderia ter sido um bom cantaor, se tivesse optado por tal. Note-se que, sob várias formas, o caminho aqui enunciado para a renovação do flamenco é refinado, sofisticado. Se no seu primeiro álbum tinha posto em música os tais famosos versos de Lorca (Verde que te quiero verde...), neste atreve-se com dois poemas de famosos autores novecentistas, respectivamente Gustavo Adolfo Bécquer (o tema que dá nome ao álbum) e José Zorrilla (Romance árabe). Para além destes dois, destaco ainda o empolgante Gitano e o tema que acabou por ser tornar mais emblemático, Paloma blanca. Passam os anos e o que é verdadeiramente bom nunca desvaloriza...
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Manzanita - Gitano in Espiritu sin nombre (1980)

sexta-feira, junho 15, 2007

Musseque (3) (1 remake)

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Papa Wemba - Papa Wemba (M' fono yami) (1988)
A matéria musical aqui presente é o Sokous - género pop oriundo do Congo (Zaire). É o melhor álbum de música africana que conheço. Sem a rusticidade das produções feitas em África e sem o artificioso de algumas produções feitas na Europa. Diria que está no perfeito meio termo. Mas, acima de tudo há dois elementos essenciais: a poderosa cadência rítmica que sugere aquela África verdadeiramente selvagem e a voz vibrante de Papa Wemba, a qual reitera esse carácter, no melhor sentido que pode ter... Deve-se dar particular atenção ao tema Esclave, que é das coisas mais emocionantes que a música africana já alguma vez deu.
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Papa Wemba - Esclave in M' fomo yami (1988)

sábado, junho 09, 2007

Salsa y merengue (21) (8 remake)

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Rubén Blades / Son del solar - Caminando (1991)
No início dos anos 70 o panamenho Rubén Blades encontra-se entre os que em Nova York deram origem ao que se designou como salsa (tradução literal: molho). Uma música intrinsecamente latina, pois baseia-se em ritmos tradicionais, particularmente, de Cuba, Puerto Rico e Santo Domingo (son, bomba, merengue, respectivamente). Contudo, elementos modernos fazem parte do seu código genétco e definiram o seu carácter. Esses elementos vieram sobretudo, do jazz, mas também, em alguma medida, do pop/rock. Em muitas das suas formas mais sofisticadas a salsa é um subgénero do jazz. Por outro lado, uma linha de evolução mais melódica, acabou por originar o que se designa como salsa romántica. Em todo o caso, a salsa mais genuína está a meio caminho das duas tendências e tem em Rubén Blades um dos seus melhores representantes. É, por excelência, o género mais representativo do universo hispânico da área metropolitana de Nova York, onde vivem cerca de três milhões de pessoas de língua espanhola.
Caminando é um dos melhores exemplos da música de Blades. Não teve, ao contrário de dois outros álbuns anteriores (Escenas e Antecedente) o reconhecimento dos grammys latinos, mas é, dentro da carreira de Blades, uma obra de maturidade, onde existe um conjunto de temas poderosos, começando, aliás, pelos dois iniciais (Caminando e Camaleón), fortíssimos, que dão o mote para o resto. A temática é quase exclusivamente de carácter político-social e o ambiente é poderosamente rítmico. Não se pode dissociar Blades de um radicalismo pan-hispano-americano e, mesmo, anti-gringo, sendo, talvez, o seu mais destacado representante nesta área. Aliás, não por acaso, acabou por fundar um partido político no seu país natal e aí concorreu às eleições presidenciais, sendo derrotado, é certo, mas obtendo uma votação expressiva. Que era uma espécie de homem dos sete instrumentos já se sabia, na medida em que, para além da música, sustentava uma carreira cinematográfica, ainda que limitada a papéis secundários. Seja lá como for, o seu talento musical é indiscutível, quer como compositor, quer como intérprete - tem uma voz de timbre metálico muito expressiva.

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Rubén Blades / Son del Solar - Camaleón in Caminando (1991)

terça-feira, junho 05, 2007

Mariachi y tequila (38)

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Vicente Fernández - La tragedia del vaquero (2006)
A mais recente fase da carreira discográfica de Vicente Fernández tem com este álbum a confirmação de uma qualidade de produção elevada. Sem chegar, naturalmente, ao nível superlativo do anterior, La tragedia del vaquero consegue evitar de todo o que pareceria quase inevitável: que o álbum sucessivo ficasse remetido à obscuridade por contraste com o brilhantismo do antecessor. Na verdade, mais parece uma continuação. Sucede que, embora não o seja pela temática mais variada aqui apresentada, a verdade é que a voz e os arranjos estão no mesmo tom. Quase todos os temas são de grande qualidade tendo ainda a virtude de proporcionarem demonstrações do virtuosismo de uma voz que abarca os registos mais díspares, sempre natural e sensível. Curiosamente, aparece mais um tema clássico de José Alfredo Jiménez, El coyote. Quer o original, quer este são, cada um à sua maneira, magníficos.

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Vicente Fernández - La tragedia del vaquero in La tragedia del vaquero (2006)

domingo, junho 03, 2007

Mariachi y tequila (37) (21 remake)

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Vicente Fernández - Vicente Fernández y sus corridos consentidos (2005)
Este é o penúltimo álbum de Vicente Fernández, exclusivamente composto por corridos. Desde 1980 que Vicente Fernández não fazia um álbum assim. Tem, portanto, coerência temática. Além disso, é produzido com inusitado requinte, o qual se manifesta no grafismo do encarte (explanando pletórica iconografia da Revolução Mexicana), na qualidade da gravação e dos executantes. A voz, essa está melhor do que nunca. Continua poderosa e rica de nuances, tendo vindo a ganhar, com o tempo, um acento agreste. Fora do mundo da ópera não haverá voz, com excepção da de Mina, tão versátil. Num ápice vai do sussurro ao troar poderoso, sem fissuras. É expressiva nos mais diferentes registos e alardeia grandiosidade. Ou seja, as qualidades da interpretação de Vicente Fernández e a esmerada produção (Pedro Ramírez) puseram de pé um trabalho modelar! Todos os temas são fortes e todos se inserem na categoria de corridos tradicionais. Destaco: Valentín de la Sierra; El martes me fusilan - evocação dos levantamentos católico-tradicionalistas (Los Cristeros) contra o laicismo militante dos governos de Obregón e Calles nos anos 30; Valente Quintero; Los dos hermanos - um jogo de vozes entre um dueto sottovoce de Alejandro Fernández e Vicente Fernández Jr e a voz tenor do pai e protagonista, Don Chente; Le pusieron 7 leguas (mais um tema para a longa série de homenagens a cavalos).
É um álbum épico e, na intrínseca rudeza da sua matéria, na forma exímia como a trata, é sublime! A rudeza é a própria do género ranchero e, em particular, do corrido. Rudeza inscrita na temática das crónicas narradas, muitas delas centradas em heróis da Revolução Mexicana (1910-1919), mais ou menos subsidiárias da mítologia de Pancho Villa e Emiliano Zapata. São efectivamente crónicas, desenrolando tramas com impacto, repletas de violência. O epílogo chega, quase sempre, com a morte do herói, em estereotipado dramatismo. Sucedem-se cenas de fanfarronadas, desplantes absurdos e caprichos cruéis. Enfim, o politicamente correcto vive numa galáxia muito distante, como se pode apreciar neste exemplo: "que bonitos son los hombres que se matan pecho a pecho, cada uno con su pistola, defendiendo su derecho" (corrido de Arnulfo González).
Estes corridos consentidos entraram há muito na categoria de clássicos populares. Foi uma forma comum de perpetuar a memória de bandoleros, soldados, charros valientes y... caballos. É um completo devocionário de virtudes viris e valores essenciais. Aliás, o álbum tem uma faixa extra multimédia, que é um filme de animação, cujo enredo é significativo: Don Chente e seus dois filhos (Alejandro e Vicente Jr), passeando a cavalo, inquirindo estes sobre o seu famoso currículo de conquistador; o patriarca não dá confiança para se discutir o assunto, mas acaba por sair de cena abraçado a uma jovem, com visível vaidade de todos. É significativo, sobretudo, pela cumplicidade de valores varonis estabelecida entre pai e filhos. Na verdade, deste universo de corridos rancheros, o mulherio está num plano secundário. O seu lugar é o de figurante que ajuda a dar nexo à trama ou embeleza a paisagem. A excepção é enquanto mala mujer e/ou objecto de disputa, tornando-se um detonador de desgraças. Seja como for, como é evidente, não se deixa de cantar (e muito) o sexo, mas sempre em rigoroso plano machista. Os afectos e emoções que predominam são o amor paternal, o filial, o fraternal, assim como a camaradagem. Afectos e emoções que se sustentam em valores - precisamente os mais tradicionais e que, no caso, formam parte de uma imagem de um México profundo, que é já um mito. Enfim, para quem esse mito é sedutor e, particularmente, para quem conhece e gosta mesmo de música ranchera este álbum não é um apenas um álbum muito bom, é um objecto de culto!
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Vicente Fernández - Los dos hermanos in Vicente Fernández y sus corridos consentidos (2005)