sábado, junho 09, 2007

Salsa y merengue (21) (8 remake)

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Rubén Blades / Son del solar - Caminando (1991)
No início dos anos 70 o panamenho Rubén Blades encontra-se entre os que em Nova York deram origem ao que se designou como salsa (tradução literal: molho). Uma música intrinsecamente latina, pois baseia-se em ritmos tradicionais, particularmente, de Cuba, Puerto Rico e Santo Domingo (son, bomba, merengue, respectivamente). Contudo, elementos modernos fazem parte do seu código genétco e definiram o seu carácter. Esses elementos vieram sobretudo, do jazz, mas também, em alguma medida, do pop/rock. Em muitas das suas formas mais sofisticadas a salsa é um subgénero do jazz. Por outro lado, uma linha de evolução mais melódica, acabou por originar o que se designa como salsa romántica. Em todo o caso, a salsa mais genuína está a meio caminho das duas tendências e tem em Rubén Blades um dos seus melhores representantes. É, por excelência, o género mais representativo do universo hispânico da área metropolitana de Nova York, onde vivem cerca de três milhões de pessoas de língua espanhola.
Caminando é um dos melhores exemplos da música de Blades. Não teve, ao contrário de dois outros álbuns anteriores (Escenas e Antecedente) o reconhecimento dos grammys latinos, mas é, dentro da carreira de Blades, uma obra de maturidade, onde existe um conjunto de temas poderosos, começando, aliás, pelos dois iniciais (Caminando e Camaleón), fortíssimos, que dão o mote para o resto. A temática é quase exclusivamente de carácter político-social e o ambiente é poderosamente rítmico. Não se pode dissociar Blades de um radicalismo pan-hispano-americano e, mesmo, anti-gringo, sendo, talvez, o seu mais destacado representante nesta área. Aliás, não por acaso, acabou por fundar um partido político no seu país natal e aí concorreu às eleições presidenciais, sendo derrotado, é certo, mas obtendo uma votação expressiva. Que era uma espécie de homem dos sete instrumentos já se sabia, na medida em que, para além da música, sustentava uma carreira cinematográfica, ainda que limitada a papéis secundários. Seja lá como for, o seu talento musical é indiscutível, quer como compositor, quer como intérprete - tem uma voz de timbre metálico muito expressiva.

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Rubén Blades / Son del Solar - Camaleón in Caminando (1991)

terça-feira, junho 05, 2007

Mariachi y tequila (38)

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Vicente Fernández - La tragedia del vaquero (2006)
A mais recente fase da carreira discográfica de Vicente Fernández tem com este álbum a confirmação de uma qualidade de produção elevada. Sem chegar, naturalmente, ao nível superlativo do anterior, La tragedia del vaquero consegue evitar de todo o que pareceria quase inevitável: que o álbum sucessivo ficasse remetido à obscuridade por contraste com o brilhantismo do antecessor. Na verdade, mais parece uma continuação. Sucede que, embora não o seja pela temática mais variada aqui apresentada, a verdade é que a voz e os arranjos estão no mesmo tom. Quase todos os temas são de grande qualidade tendo ainda a virtude de proporcionarem demonstrações do virtuosismo de uma voz que abarca os registos mais díspares, sempre natural e sensível. Curiosamente, aparece mais um tema clássico de José Alfredo Jiménez, El coyote. Quer o original, quer este são, cada um à sua maneira, magníficos.

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Vicente Fernández - La tragedia del vaquero in La tragedia del vaquero (2006)

domingo, junho 03, 2007

Mariachi y tequila (37) (21 remake)

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Vicente Fernández - Vicente Fernández y sus corridos consentidos (2005)
Este é o penúltimo álbum de Vicente Fernández, exclusivamente composto por corridos. Desde 1980 que Vicente Fernández não fazia um álbum assim. Tem, portanto, coerência temática. Além disso, é produzido com inusitado requinte, o qual se manifesta no grafismo do encarte (explanando pletórica iconografia da Revolução Mexicana), na qualidade da gravação e dos executantes. A voz, essa está melhor do que nunca. Continua poderosa e rica de nuances, tendo vindo a ganhar, com o tempo, um acento agreste. Fora do mundo da ópera não haverá voz, com excepção da de Mina, tão versátil. Num ápice vai do sussurro ao troar poderoso, sem fissuras. É expressiva nos mais diferentes registos e alardeia grandiosidade. Ou seja, as qualidades da interpretação de Vicente Fernández e a esmerada produção (Pedro Ramírez) puseram de pé um trabalho modelar! Todos os temas são fortes e todos se inserem na categoria de corridos tradicionais. Destaco: Valentín de la Sierra; El martes me fusilan - evocação dos levantamentos católico-tradicionalistas (Los Cristeros) contra o laicismo militante dos governos de Obregón e Calles nos anos 30; Valente Quintero; Los dos hermanos - um jogo de vozes entre um dueto sottovoce de Alejandro Fernández e Vicente Fernández Jr e a voz tenor do pai e protagonista, Don Chente; Le pusieron 7 leguas (mais um tema para a longa série de homenagens a cavalos).
É um álbum épico e, na intrínseca rudeza da sua matéria, na forma exímia como a trata, é sublime! A rudeza é a própria do género ranchero e, em particular, do corrido. Rudeza inscrita na temática das crónicas narradas, muitas delas centradas em heróis da Revolução Mexicana (1910-1919), mais ou menos subsidiárias da mítologia de Pancho Villa e Emiliano Zapata. São efectivamente crónicas, desenrolando tramas com impacto, repletas de violência. O epílogo chega, quase sempre, com a morte do herói, em estereotipado dramatismo. Sucedem-se cenas de fanfarronadas, desplantes absurdos e caprichos cruéis. Enfim, o politicamente correcto vive numa galáxia muito distante, como se pode apreciar neste exemplo: "que bonitos son los hombres que se matan pecho a pecho, cada uno con su pistola, defendiendo su derecho" (corrido de Arnulfo González).
Estes corridos consentidos entraram há muito na categoria de clássicos populares. Foi uma forma comum de perpetuar a memória de bandoleros, soldados, charros valientes y... caballos. É um completo devocionário de virtudes viris e valores essenciais. Aliás, o álbum tem uma faixa extra multimédia, que é um filme de animação, cujo enredo é significativo: Don Chente e seus dois filhos (Alejandro e Vicente Jr), passeando a cavalo, inquirindo estes sobre o seu famoso currículo de conquistador; o patriarca não dá confiança para se discutir o assunto, mas acaba por sair de cena abraçado a uma jovem, com visível vaidade de todos. É significativo, sobretudo, pela cumplicidade de valores varonis estabelecida entre pai e filhos. Na verdade, deste universo de corridos rancheros, o mulherio está num plano secundário. O seu lugar é o de figurante que ajuda a dar nexo à trama ou embeleza a paisagem. A excepção é enquanto mala mujer e/ou objecto de disputa, tornando-se um detonador de desgraças. Seja como for, como é evidente, não se deixa de cantar (e muito) o sexo, mas sempre em rigoroso plano machista. Os afectos e emoções que predominam são o amor paternal, o filial, o fraternal, assim como a camaradagem. Afectos e emoções que se sustentam em valores - precisamente os mais tradicionais e que, no caso, formam parte de uma imagem de um México profundo, que é já um mito. Enfim, para quem esse mito é sedutor e, particularmente, para quem conhece e gosta mesmo de música ranchera este álbum não é um apenas um álbum muito bom, é um objecto de culto!
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Vicente Fernández - Los dos hermanos in Vicente Fernández y sus corridos consentidos (2005)

quinta-feira, maio 31, 2007

Mariachi y tequila (36)

Paquita la del Barrio - Piérdeme el respeto (2000)

domingo, maio 20, 2007

Napule e'... (7)

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Tamburi del Vesuvio / Nando Citarella - Terra 'e motus (1997)


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Web: Tamburi del Vesuvio


Tamburi del Vesuvio / Nando Citarella - Fronna di saluto in Terra 'e motus (1997)

sábado, maio 19, 2007

Napule e'... (6)

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Enzo Avitabile - Sacro Sud (2006)
Por via da sua participação na última gravação do basco Kepa Junkera tomei conhecimento de Enzo Avitabile. É um músico napolitano cuja trajectória tem derivado da fusão entre jazz e rock para um domínio cada vez mais marcado pela música étnica. Sacro Sud é, efectivamente, música étnica pura e dura, sendo exclusivamente composto por uma temática aparentemente árida: cantos religiosos populares do Sul da Itália. É um meio para conhecermos a realidade dialectal dessas regiões, que é, aliás, hoje em dia, no conjunto da Itália, a que revela, de longe, maior vitalidade. Tal dialecto surge assim fora das tradicionais canções napolitanas, doce e áspero, mas sempre com um carácter genuinamente rural. Um primitivismo mediterrânico atravessa esta música, não só pelo canto e pela matéria cantada, mas pelos instrumentos, onde pontificam rudes sonoridades.

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Web: Enzo Avitabile


Enzo Avitabile - 'A peste in Sacro Sud (2006)

Andalucía (24)


Sevilla FC vs Real Bétis Balonpié: Rivalidade sevilhana con morbo y salero

Andalucía (23)



El Arrebato - Himno del Centenario FC Sevilla (2006)

sexta-feira, maio 18, 2007

Andalucía (22)

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El Arrebato - Una noche con arte (2003)

O sevilhano El Arrebato (de seu nome Javier Labandón) faz uma música simples e alegre que se adequa ao lugar-comum que se associa à capital andaluza. Aqui e ali uns acordes de guitarra flamenca, uma voz aflamencada, ritmo compassado e espírito alegre. Nesta receita introduzem-se umas pitadas techno, assim como uma pose marginal e o resultado está garantido. Em Espanha El Arrebato vende muito e alcançou notoriedade. Além disso, o seu fulgor sevillista (adepto do Sevilla FC) tornou-o um fenómeno de popularidade no vibrante universo local. Com efeito, foi ele que deu voz ao Himno del Centenario, aquando da comemoração dos 100 anos do clube. Vem a propósito esta alusão, na sequência do terceiro grande êxito internacional do clube:
depois da categórica vitória na Taça UEFA do ano passado contra o Middlesbrough (4 - 0), depois da estrepitosa vitória na Supertaça Europeia sobre o Barça (3 - 0), surge agora a segunda vitória (e consecutiva!) na Taça UEFA, agónica, mas épica sobre o RCD Espanyol. E ainda está na final da Taça do Rei (onde é claramente favorito contra o modesto Getafe) e no terceiro lugar da Liga, com opções não negligenciáveis para a ganhar. Haja alegria e venha um tema pegadizo de El Arrebato...!

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El Arrebato - Un amor tan grande in Una noche con arte (2003)