sábado, maio 12, 2007

Tiro ao Alvo (18)

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Margaret Thatcher
Numa altura em que se cantam loas a Tony Blair, convém não ignorar que se alguém terá lugar reservado na história não será tanto este arauto do que Vasco Pulido Valente designa como "política do sentimento", mas antes a Dama de ferro. É certo que a política de Blair teve aspectos muito positivos, mas, essencialmente, definidos em função do legado thatcheriano. Em boa verdade, manteve tal legado e corrigiu alguns dos seus excessos. De forma pragmática dir-se-ia que foi magnífico e foi, com efeito. Contudo, a questão da coerência ideológica esvaiu-se no que pode ser considerado oportunismo. Alguns esforçam-se por embalar tal política nos bonitos adereços de uma "nova esquerda", só que esses esforços para dar respeitabilidade ideológica têm que inevitavelmente ter em conta a tendência sentimental-populista que parece confirmar um oportunismo tacticista. No mesmo modo, aliás, embora em sentido diferente e com resultados de popularidade negativos, se poderá entender o inconcional alinhamento na "aventura iraquiana"...
Em contrapartida, pouco de tacticista e muito de estratégico existiu no consulado da Dama de ferro. Havia ideologia e coerência política na sua aplicação, para o bem e para o mal... Dizem-nos as estatísticas que os seus efeitos, se não foram imediatamente mais positivos que negativos, acabaram idiscutivelmente por o ser a médio prazo. A decadência britânica, tão patente nos finais de 70, inverteu-se de tal modo que é hoje aquela, entre as maiores potências europeias (RU, FR, ALE, ITA, ESP), que tem uma economia mais dinâmica e o melhor nível de vida. Poucos políticos teriam a coragem de fazer o que a Dama de ferro fez, ainda por cima sabendo que os resultados positivos só poderiam ser apreciados muito para além dos cada vez mais apertados ciclos eleitorais. Uma boa dose de liberalismo, sabiamente administrada consoante as circunstâncias é sempre a melhor via para a riqueza e a verdadeira justiça social.

segunda-feira, maio 07, 2007

Cuore Matto (12)


Bobby Solo - Una lacrima sul viso (1964)

domingo, maio 06, 2007

Memória do futebol (6)


Garrincha, o Anjo das pernas tortas

sábado, maio 05, 2007

Flamenco (22)

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Navajita plateá - Desde mi azotea (1998)
Este é um duo de Jerez de la Frontera, composto por dois ciganos: Idelfonso de los Reyes (Pelé) e Francisco Carrasco (Curro) - o primeiro pôe a voz; o segundo a guitarra. Se algum lugar merece o epíteto de capital do flamenco é, precisamente esta cidade que, historicamente, tem sido o mais relevante centro de produção do que de mais puro existe no universo flamenco. Nem por isso deixa de ser o ponto de origem de experiências fusionistas avançadas, como a que é protagonizada, desde meados dos anos 90 por este duo. Com efeito, entre o blues, o rock e o flamenco desenvolve-se a música de Navajita plateá. Este álbum é bem demonstrativo dos níveis de heterodoxia trilhados, contudo o seu tema mais forte, Noches de bohemia, é uma simples balada bonita, mas onde sobressai a guitarra e a voz inconfundivelmente flamencas - receita simples com resultado brilhante! Foi um êxito e ainda hoje não deixa de ser escutado com alguma assiduidade nas emissoras de rádio espanholas.
Web: Página oficial
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Navajita plateá - Noches de bohemia in Desde mi azotea (1998)

quarta-feira, abril 25, 2007

Sertão e Nordeste (2)

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Alceu Valença - Cavalo de pau (1982)
Este álbum, Cavalo de pau, de 1982, juntamente com Anjo avesso, do ano seguinte, assinala a afirmação de Alceu Valença na cena artística brasileira. Esta fase continua a ser a mais representativa do ideal de fusão do rock com os ritmos nordestinos. É certo que na década de 90 lançou álbuns de uma qualidade que não é inferior (para mim os dois melhores são mesmo dos anos 90), contudo o impacto da originalidade do género apresentado e a intrínseca qualidade patenteada fazem situar nos anos de 1982 e 1983 o apogeu da sua carreira discográfica - facto que teve, certamente, repercussões comerciais. Entre ritmos de forró, onde perpassa a alma africana da herança esclavagista pernambucana, aparece um tema único: Como dois animais. É uma pérola lasciva, como não conheço outra. Um violento erotismo feito música. O velho "hino" erótico dos anos 60, Je t'aime moi non plus, de Serge Ginsburg / Jane Birkin, num plano distinto (muito mais sofisticado e menos selvagem) é o único que conheço digno de ombrear com este. O álbum, no seu conjunto, todo ele é bom, mas só por este tema, quanto mais não fosse, seria excepcional...
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Alceu Valença - Como dois animais in Cavalo de pau (1982)

domingo, abril 22, 2007

Sertão e Nordeste (1)

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Alceu Valença - Forró de todos os tempos (1998)
Alceu Valença conseguiu, desde o início dos anos 80, tornar-se o mais conhecido exemplo de fusão entre os ritmos populares nordestinos e o rock. O artista pernambucano conseguiu, assim, um lugar original na MPB. Se bem que, com múltiplas derivações em vários sentidos (no início, por roteiros mais genuinamente rock, nos tempos recentes por roteiros mais acústicos), a verdade é que pontualmente volta sempre ao estilo que lhe granjeou fama. Este álbum é, portanto, uma reiterada incursão no frenético forró. Contudo, aqui sobressaem temas tradicionais, nomeadamente do consagrado Luiz Gonzaga (Gonzagão), certo é que devidamente electrizadas, o que reforça o poder ritmico desta música eminentemente simples e popular. É um álbum de notável coerência e de um nível elevadíssimo pelo valor dos temas que o compõem. Na verdade, quase todos são muito bons! Eis um eco desse Brasil colonial e tropical, misto de índio, negro, português e... holandês (sim, os holandeses também deixaram a sua marca em Pernambuco...).

Alceu Valença - página oficial

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Alceu Valença - Vou pra Campinas in Forró de todos tempos (1998)

quinta-feira, abril 19, 2007

Euskal Herria (19) (9 remake)

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Kepa Junkera - Bilbao 00:00h (1998)
Este álbum duplo, apresentado em luxuosa edição com formato de livro, musicalmente é uma produção não menos luxuosa. Para quem imagina o carácter basco como fechado e pouco dado a cosmopolitismos, pode começar por aqui um processo de revisão de ideias. Na verdade, partindo da trikitixa (pequeno acordeão diatónico), opera-se aqui um exercício de transversalidade dentro da chamada world music. Participaram na gravação um vasto conjunto de artistas das mais variadas procedências, de um modo que visou mestiçagens em diferentes direcções. De notar que Dulce Pontes (cantando um tema em... basco) faz parte do elenco. Numa realização tão ambiciosa, com estas características, nem todos os temas podem brilhar à mesma altura. Destaca-se uma magnífica meia dúzia, dos quais saliento aqui Santimamiñeko Fandangoa & Ioaeoe, que, por sinal, é um dos que, sem deixar de ter um certo grau de mestiçagem (sobretudo na parte inicial), alardeia uma tonalidade genuinamente basca. O poder rítmico e melódico da triki ressalta de forma empolgante, favorecido pela rude sonoridade de fundo da txalaparta (primitivo instrumento de percussão).
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Kepa Junkera - Santimamiñeko fandangoa & ioaeoe in Bilbao 0:00h (1998)

Flamenco (21)

Manzanita / Ketama - Verde que te quiero verde in Carlos Saura - Flamenco (1995).

segunda-feira, abril 09, 2007

Baúl de los Recuerdos (16)



Alex y Christina - ¡Chas y aparezco a tu lado! (1988)
Esta musiquinha foi no seu tempo um êxito pop em Espanha. Foi um produto para adolescentes feita por adolescentes. É encantadora pela sua simplicidade e jovialidade. Todos estes factores foram reforçados pela beleza de Christina Rosenvinge, uma bonequinha nórdica... Com efeito, de ascendência dinamarquesa, foi nesse tempo uma imagem que conectou com a modernidade pija (betinha). Ao fim e ao cabo, uma boa parte da criatividade musical desatada pela movida madrilena desembocou, na segunda metade dos anos 80, em produtos deste tipo. Rapidamente desfeita a parceria com Alex de la Nuez, a bela loirinha encabeçou o grupo Christina y los Subterráneos e, posteriormente, enveredou por uma carreira a solo. A tendência da sua evolução foi sempre num sentido contrário à simplicidade aqui manifestada. Hoje em dia a música que faz está nos antípodas, já que parece ser pedante, um tanto densa, para não dizer um pouco neurótica... Seja como for, entre Madrid e Nova Iorque conseguiu um certo lugar - há, até, quem a compare a PJ Harvey... Quanto aos seus começos artísticos, a própria parece desqualificá-los como inanidades adolescentes. Mais do que nunca, portanto, ¡Chas y aparezco a tu lado! é uma saudade...

Pagina web oficial - Christina Rosenvinge
Página web Christina Rosenvinge in Smells like records
Christina Rosenvinge: La ambigüedad y el equivoco in El camino - Reportajes


Espanha - 25/07/1988: #10 Top Singles (23 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)