sábado, fevereiro 17, 2007

Andalucía (19)

Alpujarra Oriental in Andalucía es de cine (2002)

Alpujarra (ou Alpujarras) é uma região situada entre a Sierra Nevada e as montanhas do litoral, no sudeste da província de Granada. É montanhosa e o seu povoamento (pouco denso) dispersa-se por apertados vales. Alguns desses vales têm microclimas que determinam uma flora distinta da que predomina nesta parte da Peninsula. Com efeito, podem-se encontrar aqui, quase lado a lado, áreas de densa florestação e áreas desérticas.
Tem uma história densa e convulsa. Foi um dos mais importantes redutos da população mourisca que, após a queda do Reino de Granada, decidiu permanecer. Foi aqui que, em finais do século XVI e início do século XVII, ocorreu o mais grave levantamento mourisco. Foi implacavelmente afogado em sangue e determinou a expulsão do que restava desta comunidade para o norte de África. O seu vazio foi parcialmente ocupado por algumas vagas colonizadoras vindas do norte, nomeadamente da Galiza. Por essa razão são visíveis indícios de raízes galegas que podem parecer, à primeira vista, insólitos em bandas tão meridionais. Tais indícios vão desde apelidos familiares até à toponímia. Entremeados com dominantes vestígios mouriscos, ajudam a configurar uma peculiar identidade alpujarreña.

Com tão ricos antecedentes, ainda por cima bem conservados pelo grande isolamento geográfico, a Alpujarra é um catálogo de história e geografia. Não por acaso, o hispanista inglês Gerald Brenan escolheu a região para viver.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

La copla (10) (5 remake)

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Carlos Cano - Cuaderno de coplas (1985)
Este álbum significou um salto qualitativo. Com melhores meios de produção e, sobretudo, com caminhos artísticos bem definidos, a partir daqui todos as suas gravações foram de nível elevado. Para mim este é o melhor de todos, apresentado uma notável homogeneidade de ambiente sonoro e de temas. Um excelente gosto nos arranjos instrumentais confere-lhe um valor geral que supera a soma das partes. O universo de Carlos Cano fica aqui definido como uma original conjugação de referências que se podem resumir em algo como andalucismo neo-tradicionalista. Este "caderno" é um compêndio ilustrado de tal universo através de coplas, romances, habaneras, murgas, pasodobles, peteneras... Neste desfile destaco Pasodoble torero para Gerald Brenan. É uma homenagem ao grande hispanista britânico (Gerald Brenan in Wikipedia) afincado na sua amada Andaluzia, numa aldeia escondida das granadinas Alpujarras. Canta Carlos Cano num refrão de inexcedível beleza: Ay Alpujarra, Alpujarra que grandes son las estrellas, más grandes los corazones. Olé y viva Gerald Brenan! Cierro los ojos y te siento, aunque de ti esté lejos. Ay Alpujarra, Alpujarra. Ay Alpujarra.
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Carlos Cano - Pasodoble torero a Gerald Brenan in Cuaderno de coplas (1985)

Espanha - 22/04/1985: #17 Top Álbuns (8 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

La copla (9)

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Carlos Cano - Quédate con la copla (1987)

Graças a María la Portuguesa este álbum tornou-se o mais emblemático de Carlos Cano. Contudo, no seu conjunto, é verdadeiramente importante porque representa o culminar de um trajecto de recuperação e revalorização do tipo de canção tradicional que é usual em Espanha designar como copla. Em rigor, não se trata só da copla, mas também de outros géneros tradicionais como pasodobles, habaneras e, mesmo, marchas procesionales. É um conceito que poderíamos qualificar como neo-tradicionalismo e que assenta no orgulho da afirmação dos valores culturais autóctones contra um mundo cada vez mais estandardizado. Na sequência do álbum anterior (Cuaderno de coplas), o artista apresenta uma proposta amadurecida em todos os domínios. Em rigor, nem sequer se pode dizer que a homenagem a Amália que abre o álbum está desfasada do resto. O que leva Carlos Cano a Amália é precisamente a mesmo sentimento que o leva a espraiar-se no revivalismo coplero.
A meu ver, sendo um bom álbum, vale, sobretudo, pelo conceito amadurecido que apresenta. O anterior, a meu ver, é superior, já que em termos estritamente musicais resultou de um assomo inspirador inigualável. Ainda assim, temos aqui o artista na plenitude e, além da incontornável María la Portuguesa, encontramos magníficos temas. Aprecie-se uma conhecida marcha procesional de Semana Santa, em honra da sevilhana Virgen de la Macarena, com que o álbum encerra.

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Carlos Cano - Pasan los campanilleros in Quédate con la copla (1987)

Espanha - 10/08/1987: #18 Top Álbuns (28 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Complexo de Aljubarrota (13) (La copla 1 remake)

Carlos Cano (1946 - 2000)
Este cantautor granadino esteve na primeira linha da recuperação da copla (canção tradicional espanhola). Contribuiu decisivamente para um movimento de homenagem e modernização deste género, procedendo a um cruzamento entre tradição e inovação. Espírito generoso e solidário, Carlos Cano foi coerente com os seus ideais, traduzindo-os em empenhamento político. Sentimento que foi, aliás, transposto para a música popular de outros povos deste nosso tão desconhecido mundo. A nossa Amália teve nele um fiel devoto - facto que se traduziu concretamente naquele que foi o maior êxito da sua carreira - María, la Portuguesa. Uma bonita canção com inevitáveis ecos fadistas, ou não estivessem presentes acordes de guitarra portuguesa através de António Chainho... É o tema que abre Quédate con la copla, álbum de 1987. Espanta, espanta verdadeiramente que pouquíssimos ecos desta arrebatada e inspirada declaração de amor pelas coisas portuguesas tivessem cá chegado, tanto mais que foi mesmo um êxito em Espanha! É, enfim, uma outra vertente do velho complexo...

domingo, fevereiro 11, 2007

Complexo de Aljubarrota (12)

Pasión Vega - Lejos de Lisboa (2003)
Apesar de Portugal ser em Espanha um vazio, existe uma minoria informada, que não só se interessa, como aprecia o ignorado vizinho. Para alguma elite é mesmo um distintivo de bom gosto. Na cultura portuguesa encontram figuras e ambientes que promovem nos media e alguns encontram fontes de inspiração artística. É o caso de Pasión Vega que, no seu álbum Banderas de nadie, apresenta esta tema alusivo a Lisboa, com laivos de toada fadista. Em boa hora alguém fez esta montagem, que junta imagens de Lisboa com essse tema de Pasión Vega. É um simpático exercício doméstico que denota grande apreço pelo imaginário lisboeta.

sábado, fevereiro 10, 2007

Memória do futebol (4)

SL Benfica entre os clubes mais ricos

No post "Memória do futebol (2)", a propósito da patética campanha de afirmação do SL Benfica como "maior clube do mundo", com base na certificação do seu número de sócios, desmistifiquei tal intuito e apresentei como uma alternativa mais razoável a lista anual publicada pela Deloitte com os clubes mais ricos do mundo. Conclui esse post escrevendo o seguinte:
"No que diz respeito a clubes portugueses, só esteve próximo da lista o FC Porto. Passou, episodicamente pelos 5 lugares adicionais (ou seja, entre o 21º e o 25º lugar), por força da campanha que lhe deu o título europeu e os correspondentes prémios financeiros. Tal sucedeu em 2004. Não há perspectivas razoáveis que possa voltar a suceder a curto ou médio prazo com um clube português."

Ora, sucede que a lista recentemente publicada, referente a 2006, desmentiu a minha profecia. O SL Benfica atingiu o 20º lugar. Na verdade, excluindo uma dúzia de clubes da parte superior da tabela, cada vez mais, uma boa campanha na Liga dos Campeões é um factor decisivo para entrar nos restantes lugares da tabela. Este factor e o dos direitos televisivos são decisivos. Sob o ponto de vista conjuntural houve uma boa campanha na Liga dos Campeões. Sob o ponto de vista estrutural, pois se há algum clube em Portugal com capacidade para aparecer na lista é precisamente o SL Benfica, pela dimensão da sua base de apoio. Aliás, surpreende é que, desde 2002, só no ano passado a sua assistência média voltasse a ultrapassar as do FC Porto, com o magnífico número de 43.057 espectadores, que o situa entre os grandes da Europa e confirma uma tendência de subida, ano após ano.
Independentemente da grandeza estrutural do SL Benfica, há alguns factores a ter em conta para compreender a, ainda assim, algo inesperada promoção. Um factor decisivo é a crise do futebol italiano, a qual se traduz no desaparecimento da lista do SS Lazio e do AC Parma - o primeiro, note-se, até ao ano passado era um habitual dos primeiros lugares. Depois, há ainda a anotar a não qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões do CF Valencia e do Celtic, habituais da parte inferior da tabela.
Sublinhe-se, que a lista é um apuramento de receitas (receitas regulares, excluindo o valor das transferências), não de encargos. Ou seja, mais do que um retrato da saúde financeira, é um retrato (e bem fidedigno) das suas potencialidades financeiras.
Lista de 2006 (entre parêntesis a posição no ano anterior):
01 (01) Real Madrid - - - - - - - - - €292.2m
02 (06) Barcelona - - - - - - - - - - €259.1m
03 (04) Juventus - - - - - - - - - - - €251.2m
04 (02) Manchester Utd - - - - - - €242.6m
05 (03) AC Milan - - - - - - - - - - - €238.7m
06 (05) Chelsea - - - - - - - - - - - - €221.0m
07 (09) Inter - - - - - - - - - - - - - - €206.6m
08 (07) Bayern - - - - - - - - - - - - €204.7m
09 (10) Arsenal - - - - - - - - - - - - 192.4m
10 (08) Liverpool - - - - - - - - - - -€176m
11 (15) Olympique Lyon - - - - - -€127.7m
12 (11) AS Roma - - - - - - - - - - - 127m
13 (12) Newcastle Utd - - - - - - - 124.3m
14 (14) Schalke 04 - - - - - - - - - - €122.9m
15 (13) Tottenham Hotspur - - - €107.2m
16 (na) Hamburger SV - - - - - - - €101.8m
17 (17) Mancheter City - - - - - - -€89.4m
18 (na) Rangers - - - - - - - - - - - - €88.5m
19 (na) West Ham Utd - - - - - - - 60.1m
20 (na) Benfica - - - - - - - - - - - - -€58.8m

Ver relatório detalhado em: Deloitte Money League 2007

Il bel paese (11)

Amalfi
A cidade histórica de Amalfi está situada no Golfo di Salerno, na parte sul da peninsula de Amalfi / Sorrento, a cerca de 50 Km de Nápoles. A costa amalfitana é escarpada e de extraordinária beleza. Sucedem-se os lugares de referência, onde gente endinheirada e de bom-gosto tem o privilégio de possuir villas de estilo clássico ou fin de siécle.

Il bel paese (10)


Zizi Possi - Per amore (1997)
Para quem retém num lugar privilegiado do seu espírito uma ideia de Itália romântica, este videoclip poderá ser um objecto de culto. Com um pano de fundo de melodia e voz dulcíssimas, aqui se congregam todos os correspondentes sinais desse lugar-comum, diríamos que... em excesso. Há uma desmesurada teatralidade e até o cenário, se, porventura, real, parece intrinsecamente cénico. Seja cenário ou seja real, a luxuosa villa e a paisagem de Positano (ou algum outro abençoado recanto da costa amalfitana) são o vislumbre do que pode ser o paraíso. Com tal música e paisagem, a realidade é, aliás... dispensável.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Mediterráneo / Mediterrània (39)

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Joan Manuel Serrat - Mediterráneo (1971)

Eis um artista e um álbum dos mais importantes da música espanhola. Foi no seu tempo um exemplo de convergência da crítica com o sucesso comercial, assim como um dos símbolos de uma nova Espanha que começava a tentar libertar-se das amarras do franquismo. O tema que dá nome ao álbum adquiriu um tal impacto que, pelo menos para o público espanhol, não ficou jamais confinado ao simpático baúl de los recuerdos. Efectivamente, tem sido desde então tocado na rádio com assiduidade e o álbum continua a vender ano após ano.
Serrat conquistou uma posição privilegiada na cena musical espanhola, como cantautor de referência. Compreende-se esse lugar privilegiado, sobretudo pela grande valia do que fez nos primeiros vinte anos da sua carreira. Quer em catalão, (sua língua paterna), quer, em castelhano (sua língua materna), construiu uma importantíssima obra, em quantidade e qualidade. Foi um dos mais inspirados impulsionadores da nova cançó. Além disso, musicou grandes poetas castelhanos (Miguel Hernández, Antonio Machado...). A partir dos anos 80 começou a perder algum fulgor criativo, mas manteve-se sempre no primeiro plano através de digressões e edições discográficas assíduas, alternando álbuns em catalão e castelhano.
Recorde-se este momento alto da carreira deste barcelonês de Poble Sec, cantando um Mediterrâneo inspirador...

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Web: Joan Manuel Serrat - Página oficial

Web: Joan Manuel Serrat - Un temps de cançons

Web: Joan Manuel Serrat in Wikipedia



Joan Manuel Serrat - Mediterráneo in Mediterráneo (1971)

Espanha - 03/01/1972: #01 Top Álbuns (52 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)