sábado, janeiro 06, 2007

Flamenco (20)

click to comment
Camarón de la Isla - Una leyenda flamenca (1992)
Logo após a morte de Camarón de la Isla saiu esta colectânea em duplo CD. É um excelente resumo da sua carreira discográfica e com apresentação cuidada e detalhada. Pode ser uma alternativa modesta, mas digna, à monumental edição da sua discografia completa (17 álbuns) que há poucos anos foi editada. De notar que, não obstante Camarón ter dado voz a algumas das experiências mais inovadoras do flamenco, nomeadamente no álbum La leyenda del tiempo, a maior parte da sua obra insere-se nos modelos tradicionais. Tendo em consideração este aspecto pode-se dizer que está tão perto dos velhos patriarcas flamencos, como dos jovens flamencos.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


Camarón de la Isla / Paco de Lucía: Como el agua (1981)

Flamenco (19)


Jaime Chávarri - Camarón (2005)

Camarón de la Isla (José Monge Cruz) foi a última grande lenda do flamenco. A sua morte prematura impediu o desenvolvimento de uma carreira de projecção ímpar, mas alcandorou-o, definitivamente, à condição de mito. Deve-se dizer que a voz de Camarón era genuinamente flamenca, servida por uma intensa garra. Além disso, feve uma carreira que, apesar de curta, assinalou marcos importantes na evolução do flamenco. A sua voz esteve presente em projectos inovadores, ao lado de guitarristas como Tomatito e Paco de Lucía. Protagonizou a experiência de pôr poemas de Federico García Lorca em acordes flamencos, como sucedeu com La leyenda del tiempo - momento emblemático da afirmação nuevo flamenco, pelo significou de ruptura em concepções de arranjos instrumentais.
A avaliar pelas classificações dos espectadores no IMDb, é provável que o filme não seja a obra-prima que o artista mereceria, em todo o caso, não deixa de ser uma dimensão inovadora na já extensa memorabilia camaroniana...

Info IMDb
Camarón in Flamenco world
Camarón in Revista del flamenco
Camarón in La factoría del ritmo
Camarón in Wikipedia

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Flamenco (18) (9 remake)

click to commentclick to comment
El Pele / Vicente Amigo - Canto (2003)
Que se poderia esperar da junção destes dois cordobeses, Vicente Amigo e El Pele, (respectivamente, a melhor guitarra e uma das melhores vozes flamencas da actualidade) senão algo de notável? O que aqui há de moderno é relativamente discreto, mas eficaz. Contudo, os argumentos decisivos dizem respeito à alma do flamenco - há aqui momentos de duende y arte! A voz rasgada de El Pele e o virtuosismo de Vicente Amigo representam as qualidades inatas do espírito e da técnica próprios do flamenco. Na verdade, pode-se dizer que nesta gravação nos confrontamos com alguns momentos de cante jondo... O melhor ocorre no tema sete, Aconteció (seguirilla). Aí somos conduzidos quase ao transe emocional através da voz de El Pele, no seu estado mais selvagem, sabiamente sublinhada pelos acordes pontuais da guitarra e pela cadência rítmica da percussão.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


El Pele / Vicente Amigo - Aconteció in Canto (2003)

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Guia hispânico (25)

Manuel de Falla / Victoria de los Angeles / Rafael Frübeck de Burgos / Carlo Maria Giulini / Orquesta Nacional de España / Philarmonia Orchestra - La vida breve (1966); El amor brujo (1966); El sombrero de tres picos (1966)... (2001)

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


Manuel de Falla / Victoria de los Angeles / Rafael Frübeck de Burgos / Philarmonia Orchestra - El sombrero de tres picos - Segunda parte (La noche): Danza final (1966)

Viagens (49)

Marcel Schweitzer - Les guides bleus: Espagne (1935 / 1949)
De um tempo anterior ao turismo de massas veio este sóbrio Guia de Espanha. Nada de fotos. Apenas texto, muito texto (em letra miudinha), mapas e plantas de cidades. Um texto veiculando uma típica visão francesa de Espanha, mas informado e culto. Com o tempo, estes guias da Hachette perderam projecção, sobretudo em relação aos da Michelin. No entanto, estes são representativos de um modelo clássico, puro e duro - a matéria é Geografia, História, Arte. As mundanidades, alojamento e restaurantes aparecem discretamente em listas informativas, como apêndices. Há um outro atractivo: a Espanha a que nos reporta é aquela que foi cenário da Guerra Civil. Está mais perto do século XIX, do que da actualidade.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

American dream (8)

Johnny Cash - Man in black: The very best of Johnny Cash (2002)
Da América profunda vem a música de Johnny Cash - a América vigorosa, decidida e individualista; de valores simples e sólidos. Um desses valores é o orgulhoso patriotismo. Nesta colectânea, criteriosa e excelentemente apresentada, figura, precisamente, um dos seus temas mais patrióticos, That ragged old flag. Mais do que uma canção é um poema declamado. Criado e interpretado pelo próprio com a devida carga emocional. Passa em revista momentos marcantes da história nacional, curta, mas recheada de feitos heróicos. Originalmente, figura num álbum do mesmo nome, exclusivamente dedicado à temática patriótica, onde na capa, o artista aparece com a bandeira nacional desfcraldada em fundo. Esta colectãnea abrange exemplos muito diversos da música produzida durante uma longa carreira. Inclui, por exemplo, outro dos temas mais carismáticos, o que foi gravado ao vivo num espectáculo efectuado na prisão de Folson. Foi, aliás, um tema composto expressamente para esse insólito espectáculo e que o abriu. Depois de ouvir o álbum apetece dizer: God bless America!.

Johnny Cash - Folson Prison Blues (Live version) in Man in black: The very best of Johnny Cash (2002)

Viagens (48)

Cees Nooteboom - De omweg naar Santiago (Caminhos para Santiago) (1992)

"A Espanha é brutal, anárquica, egocêntrica, cruel; a Espanha é capaz de cavar a própria sepultura por razões absurdas, é caótica, sonha, é completamente irracional. (...) Quem percorreu apenas os circuitos obrigatórios não conhece a Espanha. Quem não tentou se perder na complexidade labiríntica da sua história ignora o país por onde anda. É um amor para toda a vida, o espanto não tem limites."

Cees Nooteboom

Nas crónicas de viagem do holoandês Cees Nooteboom revi a minha concepção de viajante. Na sua forma de apreciar a Espanha, revi também a minha. Este livro, de edição brasileira, é uma compilação das suas crónicas de viagens através de Espanha. Santiago é um destino pretexto para deambulações pouco liniares pelos interstícios da pele do touro, além de ser uma referência oportuna para evocar um trajecto de devoção. Não é, evidentemente, aquela Espanha do turismo de massas... Por aqui não há Benidorm ou Torremolinos, mas antes severos lugarejos da meseta, perdidas aldeias de montanhas, esconsos callejones ou amplas plazas mayores de urbes que transpiram história... Esta forma de ser viajante é uma capacidade de percepção e sentir através da geografia e da história. No caso das terras de Espanha é, necessariamente, um exercício que só tem a ganhar se for inspirado por uma sensibilidade trágico-romântica.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Salsa y merengue (20)


India / Marc Anthony - Vivir lo nuestro (1994)

É este o dueto que foi decisivo no início da carreira de Marc Anthony. India, a sua parceira neste dueto, já se tinha alcandorado numa posição destacada dentro do universo salsero. A verdade é que o novato aguentou-se aqui magnificamente ao lado da garbosa princesa de la salsa. Daí, logo alguns terem-lhe lançado o correspondente apodo de príncipe. Na vida real, porém, alguns anos depois, Marc Anthony proporcionou sucessivos pares principescos, ao casar-se, primeiramente, com um miss mundo e, posteriormente, com Jennifer López...

Salsa y merengue (19)

Marc Anthony - Sigo siendo yo (2006)
O mais recente álbum de Marc Anthony é uma recompilação de êxitos cantados em espanhol, gravados para a Sony Music, mas onde figuram também dois temas inéditos. Um destes é, precisamente, Que precio tiene el cielo, o último do alinhamento e que se tornou um êxito instantâneo. É a confirmação de que não pretende desvalorizar os seus créditos como intérprete salsero, em particular na sua vertente mais romântica.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


Marc Anthony - Que precio tiene el cielo in Sigo siendo yo (2006)