domingo, dezembro 31, 2006

American dream (7)

David Frankel, Tom Hanks, David Leland, Richard Loncraine, David Nutter, Phil Alden Robinson, Mikael Salomon, Tony To - Irmãos de armas (Band of brothers) (2001)

Em todas as épocas o pacifismo tem sido, geralmente, um perigo. Sucede que, em muitas circunstâncias, é, objectivamente, um incentivo à guerra. A violência está na natureza humana e não se deve ignorar o facto. São algumas das ideologias que encaram a possibilidade da guerra e fomentam a preparação activa para tal, que melhor contribuem para as evitar ou minimizar.
Nos Estados Unidos o pacifismo nunca teve força, excepto quando, nos anos sessenta, se desenvolveu um vasto movimento juvenil contra a Guerra do Vietname. Para além do facto de, em vários sectores na sociedade norte-americana, imperar, inclusivamente, o que se pode designar como uma cultura de violência (facto, obviamente, muito negativo), a verdade é que a disposição dos Estados Unidos para a guerra tem sido uma benesse para a humanidade. Basta pensar que sem a sua intervenção a agonia da Grande Guerra de 1914-18 ter-se-ia prolongado e que, na II Guerra Mundial, o nazismo não teria sido derrotado; que, no final da Guerra Fria, graças à sua capacidade de dissuasão militar o comunismo não teria sido derrotado; que, hoje em dia, nos encontraríamos ainda mais indefesos frente ao megaterrorismo islâmico.
Esta série televisiva, da HBO, luxuosamente editada em pack DVD, lembra-nos como foi decisiva a participação norte-americana no desenlace da II Guerra Mundial. Como quase sempre sucede, muito do que de bom passa na televisão escapa-me. Felizmente, que de forma inesperada acabei por ver a edição em DVD. Deve-se salientar a qualidade técnica irrepreensível, a todos os níveis. Contudo, o mais importante é que mostra de uma forma extremamente realista o que é a guerra. Neste particular, só conheço um precedente com tal grau de rigor, O resgate do soldado Ryan. Para quem teima ignorar o que é essa realidade, talvez seja adequado uma imersão nesta série. Note-se que se baseia em histórias verídicas, que ocorreram com uma divisão de elite das forças aerotransportadas em cenários de guerra europeus (Normandia, Holanda, Bastogne, Hagenau...). Tanto assim é, que há o cuidado da ficção nunca se desprender de um tom de documentário - algo que é evidente, por exemplo, com a integração dos depoimentos de veteranos combatentes, que, em cada episódio, começam por fazer uma introdução. Finalmente, registe-se que a série é dirigida por distintos realizadores, entre os quais figura Tom Hanks. Cada um imprime um estilo um pouco diferenciado de episódio para episódio, o que, dado o formato em questão, é pertinente e enriquecedor. De notar, finalmente, que a página web da série constutui um autêntico guião histórico complementar (hiperligação em baixo). Produtos como este são uma verdadeira lição de história - um memorial em honra de todos aqueles que com extrema coragem e sacrifício lutaram e morreram pela liberdade!

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Salsa y merengue (18)

Marc Anthony - Todo a su tiempo (1995)
Este é o segundo álbum de Marc Anthony, ainda sob a chancela de Ralph Mercado e produzido por Sergio George. É ainda o melhor de toda a sua discografia. Por então ainda estava confinado ao universo latino e, em boa verdade, quase restrito à comunidade porto-riquenha de Nova Iorque e adjacências. Curiosamente, tornou-se mais conhecido na sequência de um dueto que cantou com Índia. É uma fase puramente salsera, onde ainda não existem objectivos de alcançar públicos mais vastos. Seja como for, nesse plano relativamente restrito consegue imediata notoriedade - há quem o crisme como el príncipe de la salsa. Para os puristas e para o público salsero, em geral, é óbvio que, até eventual reincidência, situou-se nessa altura um auge precoce, do qual este álbum é a mais adequada ilustração discográfica... Na verdade, temas como Nadie como ella, Te amaré e Vieja mesa são espectaculares...
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Página web oficial

sábado, dezembro 30, 2006

Salsa y merengue (17) (10 remake)

Marc Anthony - Valió la pena (2004)
Não sei se Valió la pena é a versão salsa de Amar sin mentiras ou se, pelo contrário, Amar sin mentiras é a versão pop de Valió la pena. Provavelmente, nenhuma das alternativas é correcta, havendo temas que foram originalmente salseros e outros originalmente pop. São sete os temas comuns, só que, em Amar sin mentiras apresentam-se despojados de carácter salsero. Os dois álbuns saíram no Verão de 2004 e este jogo de versões entre ambos reflecte a dupla via que a carreira de Marc Anthony tem assumido. Diga-se que Amar sin Mentiras é um produto onde predomina a balada pop convencional, com a marca de produção de Miami, ou, melhor dizendo, com a chancela Estefan. O contraste é notório e pode possibilitar um exercício de comparação. Para quem se habituou, por exemplo, a ouvir o tema Valió a pena em exuberante ritmo de salsa, não dá para entrar na outra versão. Por outro lado, Amar sin mentiras tem três temas que não foram convertidos em salsa e, portanto, não constam deste - um deles é o tema que dá nome ao álbum; outro é o tema Tan solo palabras. Como nota curiosa, refira-se que ambos apresentam o tema Escapémonos, que é um dueto conjugal - aí se pode ouvir a voz inexpressiva de Jennifer López, que nem na sua versão salsera consegue despertar um calor remotamente proporcional ao que a sua figura infunde entre a homenzarrada... São dois álbuns muito diferentes, cada um no seu estilo com bastante interesse, algo que tem muito a ver com as qualidades interpretativas de Marc Anthony, onde a versatilidade é uma das mais notórias. Em todo o caso, prefiro este; prefiro a salsa. Aqui Marc Anthony continua a provar que é um salsero de gabarito e o desfiar de temas ilustra-o de forma categórica. Assim, encontramos surpresas como o inolvidável Amigo, de Roberto Carlos, transfigurado em ritmo salsa e um remate de impacto, como o emblemático Lamento borricano (conhecida homenagem a Puerto Rico). No valioso lote só destoa mesmo o tal dueto conjugal...
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Marc Anthony - Amar sin mentiras (2004)

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sexta-feira, dezembro 29, 2006

Salsa y merengue (16) (2 remake)

La Lupe (1939-1992)
La Lupe (Guadalupe Victoria Yoli Raymond) distinguiu-se em vários géneros e ritmo latinos, abrangendo um leque que vai do bolero à salsa. Na verdade, teve uma forma de interpretação que saltou as convenções. Por esse estilo bravio tão pessoal conheceu epítetos como os de Yiyiyi, Too Much e, posteriormente, a escritora nova-iorquina Susan Sontag defeniu-a como "a primeira punk".
Esta cubana teve uma vida de culebrón. Nascida em Santiago de Cuba, filha de um modesto trabalhador da Bacardi, estudou para ser professora primária. Contudo, escapou a um modesto destino de docente em alguma aldeia da montanhosa província do Oriente. Aliás, desde cedo manifestou tendências artísticas que não conjugavam com a imagem de educadora, ainda por cima, com uma pose ostensivamente sensual, própria de mulata descaradona... Quando Castro y sus barbudos desceram da Sierra Maestra já estava na vida artística profissional e havia adquirido notoriedade. De imitadora de Olga Guillot passou a cultivar um estilo pessoal que manteve e desenvolveu. O título do seu primeiro álbum é significativo: Con el diablo en el cuerpo. Em programas televisivos reforçou essa imagem, nomeadamente com os pitorescos vexames que infligia ao seu submisso pianista Homero, como, por exemplo, descalçar-se e bater-lhe com um sapato.
Para o seu temperamento era impossível viver numa sociedade subordinada aos preceitos do novo regime. Seguiu a via da maioria dos artistas e exilou-se. Depois de uma passagem pelo México, estabeleceu-se em Nova York, onde retomou a sua carreira graças às possibilidades criadas pela apetência para experimentações de fusão entre jazz e ritmos latinos. Ao mesmo tempo, tornou-se popular na comunidade latina e conhecida de todos os públicos, graças a shows televisivos. Explorou o filão de interpretar de modo latino standards como Going out of my head e Fever ou êxitos emergentes da pop, como Yesterday. Em finais de 60 actuava com a orquestra de Tito Puente e era conhecida como The Queen of Latin Soul. Tornou-se, assim, uma figura do som latino.
Os excessos conduziram-na ao declínio a partir dos finais dos anos 70. Esse declínio está marcado por elementos anedóticos e dramáticos. Entre o anedótico temos um incontrolado arrebatamento que chegou ao ponto de rasgar as vestes em certo show televisivo, em directo... Entre o dramático temos a adição a drogas e álcool. Uma tentativa de refazer a vida em Puerto Rico apenas acabou por acentuar a decadência. Nos anos 80 levava uma existência miserável no nova-iorquino Bronx, aparentemente esquecida por todos. Viveu então uma rocambolesco cortejo de desgraças que ultrapassam a imaginação de um guionista de culebrones: um dia vai parar ao hospital espancada por um ex-marido; outro dia, ao pendurar umas cortinas, cai e fica temporariamente paralisada; outro dia, ainda, a sua habitação é palco de um incêndio. Recupera-se parcialmente de tanta desgraça e adere a uma seita religiosa evangélica denominada O fim aproxima-se! Nos últimos anos vida, até um ataque cardíaco a ter fulminado, dedica-se a pregar o evangelho de porta em porta...
Antes de desaparecer, quando, ironicamente, já renunciara à vida artística em prol da regeneração espiritual, alguém a resgatou do esquecimento. Foi Pedro Almodóvar, no filme Mujeres al borde de un ataque de nervios, colocando um dos seus temas na banda sonora. O tema é o extraordinário bolero Puro Teatro, do porto-riquenho Tite Curet Alonso. Foi o início do revivalismo de La Lupe. Em Espanha, a rádio começou a divulgar os seus velhos êxitos, que conheceram, assim, divulgação em plena década de 90. Tornou-se objecto de culto em certos meios.
La Lupe in Salsa Magazine 1

Salsa y merengue (15)



Marc Anthony - Valió la pena in Amar sin mentiras (2004)

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Rompecorazones (10)


Luis Miguel - La incondicional (1988)

Ainda muito jovem, e antes de enveredar por uma série de produções que constituiram uma bem sucedida recuperação do bolero, Luis Miguel não deixava de explorar já uma imagem romântica, cujo alvo, obviamente, era numa imensa legião de jovens adolescentes do mercado latino. O tema La incondicional é o melhor exemplo. Como se pode ver, o correspondente videoclip vai buscar inspiração directa a um modelo cinematográfico norte-americano que esteve em voga na primeira metade dos anos oitenta. É assim como que um misto de Top gun e Oficial e cavalheiro...

domingo, dezembro 24, 2006

Il bel paese (8)

Palermo - Postais (finais dos anos 40)

sábado, dezembro 16, 2006

Dancing Days (15)


Elton John & Kiki Dee - Don't go breaking my heart (1976)
É usual subvalorizar a música dos anos 70, sobretudo em comparação com os anos 60, mas também em comparação com os 80. São expeditamente tratados como os anos em que emergiu a música disco, sendo isto como que uma espécie de pecado identificador de toda uma década. Se é um facto que os anos 70 vêem emergir a música de discoteca, este facto, em si, não é mais do que o cumprimento de um natural destino da música popular de todos os tempos, que não é, nem nunca foi, contraditório com qualidade. Por outro lado, este juízo pode fazer esquecer que foram os anos 70 aqueles em que a música pop/rock atingiu o apogeu, sob o ponto de vista de penetração no mercado e implantação nos meios de comunicação. Este espectacular tema de Elton John e Kiki Dee será para sempre um exemplo de um tema pop. Simples, dançável e trauteável! Na verdade, muitas vezes, quando a música pop se arma em algo de muito especial e transcendente, estraga tudo... Os seus limites e o seu brilhantismo vêm inexoravelmente de uma receita simples aplicada a um dispositivo de três minutos, assente em ritmo e melodia, onde o refrão é uma bandeira erguida bem alto.

Baúl de los recuerdos (14)


Roberto Carlos - Amigo (1977)

Roberto Carlos alcançou bem cedo uma popularidade tão grande que extravasou as fronteiras do Brasil. Tal sucedeu, pelo menos, em todo o mundo latino. Em 1969 consagra-se em Itália, vencendo o Festival de San Remo (o único estrangeiro que o conseguiu), interpretando Canzone per te, de Sergio Endrigo. Mas é sobretudo no mundo de língua espanhola que atinge notoriedade. Muito cedo, aliás, começou a gravar versões em espanhol dos seus êxitos. Os anos 70 reforçam esta tendência. O tema Amigo é o ponto mais alto de sucesso. A sua versão em espanhol arrasa por toda Hispano-América e entra muito forte no mercado espanhol. Nunca nenhum artista brasileiro conheceu tão forte implantação nesses mercados.


Roberto Carlos - Amigo (1977)

Espanha - 21/08/1978: #13 Top Singles (11 semanas em lista)

Fonte: Fernando Salaverry - Sólo éxitos: Año a año (1959 - 2004)