quinta-feira, dezembro 14, 2006

Noites tropicais (13)

Roberto Carlos - Amigo (1977)
Desde há muito que a carreira de Roberto Carlos se desenvolve em trâmites rotineiros. Um álbum de originais, cujo título é tão-só o nome do cantor, e um programa especial na Rede Globo cada ano, sempre pela mesma altura. Volta e meia enceta uma digressão. Contudo, para os mais atentos, é visível a existência de fases bem marcadas, só que a evolução que as traçou foi acompanhando a natural evolução das gerações que constituíram o seu público e deu-se sem rupturas. Assim, o rocker rebelde dos anos 60 deu lugar, quase sem se dar por isso, ao místico artífice de hinos religiosos dos anos 70. Paulatinamente, chega aos 8o, consolidado na condição de cançonetista clássico que abarca vários estilos enquadráveis nos gostos convencionais dos públicos mais maduros. A descrição desta evolução não pode, porém, deixar passar em branco o facto de, pontualmente, ter lançado êxitos de vendas que excederam o volume médio garantido de vendas apreciáveis. O caso mais notório foi, nos finais da década de 70, Amigo, tema dedicado a Erasmo Carlos, seu dilecto companheiro de composição (Veja-se o video que ilustra eloquentemente a sua natureza de dedicatória). Este foi, talvez, o maior êxito de toda a sua carreira, pelo menos em número de vendas excedeu certamente os míticos êxitos dos anos 60.

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Noites tropicais (12)

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Roberto Carlos - Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967)
Este álbum é um dos mais representativos da fase inicial de Roberto Carlos. Corresponde ao filme homónimo que foi um dos marcos que assinalou a explosão do fenómeno Roberto Carlos como expoente da jovem música brasileira nos anos sessenta. Ele representou para o Brasil (e não só...) o que os Beatles representaram para o mundo. Teve impacto com a imagem de jovem rebelde e com a música rítmica onde imperavam as guitarras eléctricas e o órgão Hammond. Tinha ainda uma voz e uma pose que, seguindo os padrões do rock & roll, era uma receita que arrasava por todo o lado.
Para mim este álbum ficará sempre ligado a um São João do Porto, tinha eu dez ou onze anos. Por todo o lado se ouvia o grande êxito Quando, em especial naqueles bailaricos dos largos e recantos, onde as populares rusgas se detinham ou formavam. Por estranho que possa parecer, é e será sempre, para mim, a música emblemática do São João do Porto, quando o martelinho de plástico ainda não se tinha imposto ao alho porro e à ramalhosa...
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Roberto Carlos - Quando in Roberto Carlos em ritmo de aventura (1967)

Tiro ao Alvo (16)

O livro de Carolina

Em boa verdade, as revelações de Carolina não acrescentam nada ao que já se sabia. Há muitas calúnias, mentiras, meias verdades e exageros. Mas há, certamente, algumas realidades que não se podem, nem devem ignorar, sobretudo pelos que, como eu, são orgulhosos da sua condição portista. Torna-se cada vez mais visível que Jorge Nuno Pinto da Costa foi decisivo e indispensável na ascensão e consolidação do FCP, mas perdeu brilho nos últimos anos. Sabe-se que nunca foi, nem pretendeu ser, um modelo de virtudes. Para os adeptos, o que sempre interessou foram as suas capacidades de líderança, cujos resultados transcenderam tudo o que se poderia imaginar e que jamais algum dirigente desportivo conseguiu alcançar. Todos os portistas, lhe estarão eternamente gratos. Tem um lugar à parte na história do clube. Contudo, não há personagens isentos de defeitos e Jorge Nuno Pinto da Costa é uma moeda de duas faces. Na menos brilhante inserem-se algumas práticas de "não olhar a meios para atingir fins". Acredito que entre meados de 80 e meados de 90 tivesse havido algum manejo de bastidores, em que se tentou influenciar a arbitragem e que isso deu alguns frutos, embora, nem pouco mais ou menos aqueles que, em típico delírio de inveja, foram e são esgrimidos... Nesse tempos, e dadas as circunstâncias, era compreensível. O futebol português era um mundo à margem. Entre influências institucionais vindas de um longo passado e pequenos jeitos para amigos, que sempre caracterizaram uma sociedade com uma matriz mental de manhas e expedientes camponeses, quem renunciasse a essas vias seria um tolo. Nesse contexto, tais manejos eram compreensíveis. Será necessário um pesado facciosismo ou, mesmo, alguma má-fé para não reconhecer que os outros só não o fizeram com eficácia, não por renegarem os métodos, mas por incompetência. O essencial é que, numa estratégia que incorporou tais práticas, se construiu a base para uma boa equipa de futebol, dentro das quatro linhas. A sua legitimidade não foi menor do que aquela que havia na base de amparo institucional para o Sporting dos 5 Violinos ou o Benfica de Eusébio. Seja como for, insisto, construiu-se a estrutura para o melhor futebol efectivamente jogado em Portugal e com projecção internacional.
Os tempos mudaram, evoluíram. Descontado o oportunismo das frustradas legiões de adeptos sportinguistas e benfiquistas, as exigências éticas foram crescendo. A persistência de tais práticas, pela força da rotina e do vício, tornou-se um inconveniente excesso de zelo. Nada trouxe de bom, sob nenhum ponto de vista, desde há uma década para cá. Nos últimos anos, entre os três grandes, o FCP é o relativamente menos beneficiado pelas arbitragens. Temerosos por serem associados a tais práticas, os árbitros, in dubio, decidem contra as cores azuis e brancas. Contudo, Jorge Nuno Pinto da Costa tem dificuldade em exercer de timoneiro sem esse modus operandi e, além do mais, certos males de um ego desmedido têm vindo a agravar-se. O livro de Carolina é o resultado destes dois factores.
Seria absurdo imaginar que a nação benfiquista seguisse o velho princípio imperial: "Roma não paga a traidores". Pelo contrário, esse universo plebeu recompensa, com entusiasmo pueril, os traidores. De certa fora, é a metáfora do país que temos, acrisolado na inveja. Imaginam o seu rival com depositário de todos os defeitos mafiosos, porque não aguentam a evidência do mérito das suas glórias. Afadigam-se em encontrar a chave do segredo, exclusivamente nos terrenos mais pantanosos, mas as tentativas de encontrar um padrinho superior têm sido grotescas e algumas, como o fenómeno Vale e Azevedo, trouxeram vexames inomináveis.
Pelo seu lado, a aristocracia de Alvalade insiste em proclamar as suas virtudes num processo que desde há muito consolidou uma cultura de derrota, servida por um exemplar espírito calimero.
Dois tipos distintos de medíocridade instalaram-se e criaram raízes na Segunda Circular. Na Invicta, criadas as indispensáveis estruturas que, em devido tempo, permitiram as condições para as vitórias internas, instalou-se um futebol competitivo e susceptível de proporcionar qualidade dentro das quatro linhas, conquistando glórias na Europa e no mundo. Para os portistas, evidentemente, há que preservar este estado de coisas, mas para os mais lúcidos, como Miguel Sousa Tavares, chegou a hora de dizer que, para tal, talvez seja preciso que o tempo de Jorge Nuno Pinto da Costa acabe. Entre os portistas que se discuta serenamente tal questão. Quanto a outros, pois que continuem a pagar a traidores. Vão longe!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Viagens (47): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (5)

4º Dia (3ª Feira / manhã)

Para este dia estava planeada uma visita a San Gimignano e Siena. Na Hertz diligenciei o aluguer de uma viatura. O que é que haveria de calhar em sorte? ...Pois, mais um Ford Ka.
A estrada que vai até Siena não sendo propriamente uma auto-estrada, tem faixas separadas, com óptimo piso e não tem portagem. A paisagem toscana está repleta de colinas e é verdejante. Vêm-se muitas casas de quintas. A natureza é ao mesmo tempo exuberante e civilizada. Predominam vinhedos e bosques.
Passei por Poggibonsi, cidadezinha de 20.000 habitantes, com ar próspero. É um dos centros de produção do vinho Chianti. Logo a seguir, consegue-se divisar ao longe San Gimignano, com as suas treze torres. Está no cimo de uma colina, amuralhada. A invasão turística que assolava Florença estendia-se até aqui, produzindo, desde logo, dificuldades para estacionar em qualquer um dos terreiros no exterior da muralha. Não há cidade fora da muralha e lá dentro todas as casas são medievais. Nem Óbidos consegue ter um aspecto tão homogéneo e coerentemente antigo, embora esta cidade seja maior, mais populosa e mais visitada, talvez, numa escala de dez vezes mais... As tais torres, são de palácios aristocráticos e sugerem-nos aquela Toscana medieval onde imperavam rivalidades entre cidades, príncipes e condottieri. Aqui, nesse passado convulso, cada nobre pretendia suplantar o nobre vizinho pela altura da sua torre. Este espírito puerilmente vaidoso é, ao fim e ao cabo, o mesmo que esteve na base do mecenato. É claro que o resultado atenta contra todas as noções de harmonia e proporção, mas não deixa de ser pitoresco. Algures antes dos finais da Idade Média, San Gimignano parou no tempo. O esplendor das vizinhas Florença e Siena determinaram o seu estertor. Apenas se manteve uma activa produção vinícola. Assim chegou aos nossos dias esta anacrónica pérola medieval. Renasce agora em função do turismo.
Estava um calor ainda mais insuportável que o nos dias anteriores. À hora de almoço, encontrei refúgio numa loja com ar condicionado, que vendia sanduíches e proporcionava ao mesmo tempo mesas e bancos para se comer. Assim, nesta espécie de self service rústico acabei por comer e, muito bem, ademais por um preço que, em Itália, é magnífico. Entre outras coisas, foi-me apresentada a mais popular cerveja italiana, a Moretti, assim como a Broschetta, que consiste numa fatia de pão frito com tomate e mais alguns condimentos.

Castilla (19): Castilla y León

Tierra de Campos in A vista de pájaro - Palencia
Entre as províncias de Burgos e León fica a província de Palencia. É uma das mais genuinamente castelhanas, com a maior parte do seu território espraiado por extensas planuras, bem características da meseta. Essas terras, juntamente com outras de províncias limítrofes, constituem a Tierra de Campos. A sequência é retirada de A vista de pájaro e mostra povoações transbordantes de carácter e história: Paredes de Nava, Fuentes de Nava e Becerril de Campos. São terras entranhadamente castelhanas.

Viagens (46)

Condé Nast Traveler, Nov 2006: Top ten cities Europe
O número de Novembro da revista norte-americana de viagens Condé Nast Traveler divulgou listas do que, segundo os critérios próprios, é o melhor em diferentes itens de viagens e turismo. Eis aqui o top ten das cidades europeias:

1 Florença 86,8
2 Roma 85,0
3 Veneza 82,9
4 Istambul 81,3
5 Paris 80,8
6 Barcelona 79,7
7 Siena 79,6
8 Bruges 78,3
9 Londres 78,3
10 Viena 78,1

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Castilla (18): Castilla y León

León (anos 50): León, Riaño e León

domingo, dezembro 10, 2006

Castilla (17): Castilla y León

Burgos (anos 50): Burgos, Poncorbo, Medina de Pomar e Santo Domingo de Silos

sábado, dezembro 09, 2006

Tiro ao Alvo (15)

Stephen Frears - The Queen (2006)

Vivemos tempos democráticos, em que o povo é servido à medida dos seus gostos por uma indústria mediática. Esta esmera-se em dar-lhe ídolos e sensações fortes. A Princesa Diana foi um desses ídolos. A sua morte foi uma oportunidade para um prato bem servido de sensações fortes. Este filme aborda o modo como a família real britânica, e muito em especial, a rainha, lidaram com as vagas altas dessa indecorosa exploração. Oferece ocasião para reflexões em diferentes sentidos: não só sobre a histeria sensacionalista do vigente império mediático, mas também sobre a natureza e o carácter da instituição monárquica e sobre o que efectivamente vale a democracia actual, por exemplo. Quem é avesso ao reconhecimento da valia das instituições monárquicas poderá ter aqui uma lição - no mínimo dos mínimos, pode ser um contraponto à vulgaridade imperante, ou seja esta mistela de plebeísmo e individualismo hedonista servida em doses maciças de superficialidade e falta de valores substantivos. Mas, não é difícil ir mais longe e perceber como a instituição monárquica pode deter um valor simbólico agregador dos valores históricos identitários da comunidade.
Fazer um filme como este não foi tarefa fácil. Pôr em cena personagens vivos que permanecem na ribalta, ainda por cima da talha da própria rainha ou do primeiro-ministro Tony Blair, requer coragem e suma habilidade. Stephen Frears sai-se bem da façanha. Se para tal tem o decisivo contributo da actriz Helen Mirren (candidata ao óscar de melhor actriz), na verdade também não deixa de ter uma boa ajuda por parte de Michael Sheen, como Tony Blair. Lidar com um argumento como o que serve de base a este filme é, logo à partida, um exercício de atrevimento que define a capacidade de um realizador.

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