Lago Maggiore: Stresa / Isole Borromee in L'Italia dal cielo (2005)
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Il bel paese (5)
Desde que em meados dos anos 80 a RTVE produziu a monumental série A vista de pájaro, foram surgindo em Espanha sucessivas séries análogas, mas de âmbito ainda mais detalhado, focando especificamente diversas regiões. Têm vindo a ser realizadas por iniciativa, ou com a participação, de emissoras televisivas autonómicas. Hoje em dia, a Espanha é uma referência para esse tipo de documentários.
Sempre ambicionei encontrar documentários do mesmo género referentes a outros países, muito em particular, em relação à Itália. Que melhor matéria se poderia ter do que as paisagens italianas? Finalmente encontrei e acedi a esta série, editada em 3 DVDs. Note-se que é a versão italiana de uma produção originariamente norte-americana.
Depois de a ver, deixa-me sensações contraditórias. Como seria de esperar, as belas paisagens naturais e citadinas sustentam um produto notável. Sucede ainda que a qualidade técnica é excelente, com imagem de alta definição. Os textos cumprem adequadamente com a sua função. A locução e a música estão a um nível igualmente adequado. Contudo, fiquei com um sabor próprio de um magnífico aperitivo, mas como que privado do resto da refeição... O problema traduz-se simplesmente da seguinte maneira: Como meter a Itália toda em 3 horas e 45 minutos? Muita, muita coisa tem que ficar de fora e em quase todos os sítios por onde se passa a passagem é demasiado superficial. Dois exemplos: nada sobre Milão ou Turim! Habituado que estou ao detalhe das produções espanholas, aguardarei que um dia surjam produções de nível idêntico para a Itália. Para já saboreio este aperitivo.
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Sempre ambicionei encontrar documentários do mesmo género referentes a outros países, muito em particular, em relação à Itália. Que melhor matéria se poderia ter do que as paisagens italianas? Finalmente encontrei e acedi a esta série, editada em 3 DVDs. Note-se que é a versão italiana de uma produção originariamente norte-americana.
Depois de a ver, deixa-me sensações contraditórias. Como seria de esperar, as belas paisagens naturais e citadinas sustentam um produto notável. Sucede ainda que a qualidade técnica é excelente, com imagem de alta definição. Os textos cumprem adequadamente com a sua função. A locução e a música estão a um nível igualmente adequado. Contudo, fiquei com um sabor próprio de um magnífico aperitivo, mas como que privado do resto da refeição... O problema traduz-se simplesmente da seguinte maneira: Como meter a Itália toda em 3 horas e 45 minutos? Muita, muita coisa tem que ficar de fora e em quase todos os sítios por onde se passa a passagem é demasiado superficial. Dois exemplos: nada sobre Milão ou Turim! Habituado que estou ao detalhe das produções espanholas, aguardarei que um dia surjam produções de nível idêntico para a Itália. Para já saboreio este aperitivo.
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sábado, novembro 25, 2006
Galícia (15)
Uxía - Estou vivindo no ceo (1995)Há uma deriva na música galega, que se transformou numa corrente dominante desde há muito tempo. É a da influência irlandesa. Resulta da consciência do carácter céltico da cultura popular galega, o qual, se bem que legitimado por muitos elementos objectivos, não deixa de ter uma certa dose de mito. Independentemente do grau de autenticidade, a verdade é que os frutos dessa deriva têm produzido resultados interessantes. Contudo, o álbum em apreço representa uma outra deriva, a qual, em proporções muito mais modestas não deixa de ter os seus representantes. É a da influência portuguesa. Note-se que é uma corrente modesta em termos musicais, mas, verdade se diga, que existe no galeguismo intelectual uma corrente com peso, cuja expressão em termos de doutrina linguística é o reintegracionismo, ou seja, a defesa da reintegração do idioma galego nas normas ortográficas e fonéticas da língua portuguesa. Por este exemplo se pode aperceber o romantismo utópico que grassa nessas hostes... Seja como for, existe entre essa gente, de forte empenhamento político (geralmente alinhado com o Bloque Nacionalista Galego), uma natural simpatia pelas coisas portuguesas.
Uxía Senlle, ex-integrante do grupo Na lúa, enquadra-se nestes meios. Meios onde, por exemplo, a figura de José Afonso foi uma referência. Este álbum é uma cabal demonstração do peso dessa referência, ou não se desse o facto de incluir três versões de famosos temas dele: Verdes são os campos (soneto de Camões), Milho verde (tradicional) e Senhora do Almortão (tradicional). Significativamente, a produção artística é de Júlio Pereira. Contudo, não deixaria de ser um álbum banal se se limitasse a estas recriações de sabor requentado e sem inovações de registo. Na verdade, e em contra-tendência com o tributo lusitano, abre com uma jóia de valor excepcional, que é genuinamente galega: Alala das Mariñas, um tradicional da região do mesmo nome, no nordeste da província da Coruña e noroeste da província de Lugo. Que belo fulgor de espessa melancolia passa por este canto de nostalgia emigrante! Sublime!
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Página web sobre Uxía in Nubenegra
Página web sobre Uxía in At-Tambur
Uxía Senlle, ex-integrante do grupo Na lúa, enquadra-se nestes meios. Meios onde, por exemplo, a figura de José Afonso foi uma referência. Este álbum é uma cabal demonstração do peso dessa referência, ou não se desse o facto de incluir três versões de famosos temas dele: Verdes são os campos (soneto de Camões), Milho verde (tradicional) e Senhora do Almortão (tradicional). Significativamente, a produção artística é de Júlio Pereira. Contudo, não deixaria de ser um álbum banal se se limitasse a estas recriações de sabor requentado e sem inovações de registo. Na verdade, e em contra-tendência com o tributo lusitano, abre com uma jóia de valor excepcional, que é genuinamente galega: Alala das Mariñas, um tradicional da região do mesmo nome, no nordeste da província da Coruña e noroeste da província de Lugo. Que belo fulgor de espessa melancolia passa por este canto de nostalgia emigrante! Sublime!
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Página web sobre Uxía in Nubenegra
Página web sobre Uxía in At-Tambur
Uxía: Alala das Mariñas in Estou vivindo no ceo (1995)
Galícia (14)
Betanzos / Pontedeume in A vista de pájaro - A Coruña
Betanzos e Pontedeume são duas localidades situadas no norte da província de A Coruña, próximas da capital, na região de As Mariñas.
Betanzos ou Betanzos dos Cabaleiros (como em tempos idos era designada) é uma cidadezinha histórica, situada na confluência de dois rios (Mendo e Mandeo), pouco antes das suas águas se juntarem com as do mar, formando uma ria. É também sede da comarca do mesmo nome.
Pontedeume é uma vila antiga, cujo nome advem da extensa ponte que atravessa o rio Eume, aí já praticamente ria. É sede da comarca de Eume.
Estas duas localidades têm uma insuspeita ligação a Portugal, ou melhor, às mais ancestrais raízes de Portugal. Vimara Peres, que conquistou Portucale (Porto) aos mouros, em 868, e fundou Vimaranis (Guimarães), seria provavelmente oriundo dessa região. Daí teria trazido os povoadores da Terra Portugalensis (Entre o Douro e Minho), carenciadas de gente, após o despovoamento causado pelos avanços e recuos da fronteira entre mouros e cristãos. Os indícios vêm dos nomes de lugares e gentes, nomeadamente das nobiliárquicas estirpes Mendo (...e, consequentemente, Mendes, ou seja, filho de Mendo) e Andrade, tão destacadas nos tempos do 1º e 2º Condados Portucalenses. Ambos os apelidos evocam Betanzos e Pontedeume.
Betanzos ou Betanzos dos Cabaleiros (como em tempos idos era designada) é uma cidadezinha histórica, situada na confluência de dois rios (Mendo e Mandeo), pouco antes das suas águas se juntarem com as do mar, formando uma ria. É também sede da comarca do mesmo nome.
Pontedeume é uma vila antiga, cujo nome advem da extensa ponte que atravessa o rio Eume, aí já praticamente ria. É sede da comarca de Eume.
Estas duas localidades têm uma insuspeita ligação a Portugal, ou melhor, às mais ancestrais raízes de Portugal. Vimara Peres, que conquistou Portucale (Porto) aos mouros, em 868, e fundou Vimaranis (Guimarães), seria provavelmente oriundo dessa região. Daí teria trazido os povoadores da Terra Portugalensis (Entre o Douro e Minho), carenciadas de gente, após o despovoamento causado pelos avanços e recuos da fronteira entre mouros e cristãos. Os indícios vêm dos nomes de lugares e gentes, nomeadamente das nobiliárquicas estirpes Mendo (...e, consequentemente, Mendes, ou seja, filho de Mendo) e Andrade, tão destacadas nos tempos do 1º e 2º Condados Portucalenses. Ambos os apelidos evocam Betanzos e Pontedeume.
terça-feira, novembro 21, 2006
Cuore matto (11)
Mina - Ancora, ancora, ancora (1978)
Este vídeo ilustra, ao que parece, a última aparição televisiva de Mina, algures nos finais dos anos 70. É uma transbordante manifestação de sensualidade e poderio interpretativo. Apesar da amostra aqui presente estar truncada (pela duração abruptamente encurtada e pelo desfilar do genérico), é um testemunho incrível - um autêntico desplante da artista, que dir-se-ia estar no limiar do descontrolo. Veja-se como, num arrebatamento de impetuosa gestualidade (que lhe era, aliás, comum), a páginas tantas enceta uma desconexa batalha com o cabelo, que resulta num desenlace sem solução de continudade. Nesse impasse, expeditamente retoma a desenvoltura com um sorriso trocista... É um vulcão de eruptiva sensualidade. Comparado com isto, os exibicionismos de madonnas e outras divas de pacotilha do actual pop mainstream, mais não são do que insonsas imposturas pronto-a-vestir de marketing para o povinho...
Para ser visto (e idolatrado!) ancora, ancora, ancora... sempre ancora.
Para ser visto (e idolatrado!) ancora, ancora, ancora... sempre ancora.
Cuore matto (10)

Ornella Vanoni - A un certo punto... (1974)
O ano de 1974 é particularmente notável na carreira discográfica de Ornella Vanoni. Apenas uns meses antes de La voglia di sognare, havia surgido este álbum, A un certo punto.... São os dois muito bons. Neste, descontado o último tema - versão do alegre tema de Caetano Veloso, Chuva, suor e cerveja - há uma nuvem de suavidade que perpassa por todo o álbum. É algo que esbate os conteúdos fortes, modulando a expressão das emoções. Sucedem-se as canções de amor tocadas pela melancolia. Bela melancolia, diga-se, iluminada por laivos de dramatismo contido... É um dos registos em que os dotes de Ornella mais sobressaem. Para completar, as canções são de boa colheita compositora e os arranjos orquestrais são um primor. Enfim, é maais um momento alto do cançonetismo italiano.
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Ornella Vanoni - Prime ore del mattino in A un certo punto... (1974)
Ornella Vanoni - Il continente delle cose amate in A un certo punto... (1974)
Cuore matto (9)

Ornella Vanoni - La voglia di sognare (1974)
Nos anos 70, um pouco em contra-tendência, a canção italiana atinge a sua plenitude. É um facto que o Festival de San Remo estava cada vez mais longe do esplendor da década anterior, mas, em contrapartida, a produção discográfica utiliza meios de produção mais modernos, incorporando, pontualmente, alguns elementos oriundos do pop/rock. A perda de importância do cançonetismo, em Itália, traduz-se, assim, mais no plano quantitativo e, eventualmente, comercial, do que no plano substantivo da qualidade. É o que se passa com Ornella Vanoni, uma das consagradas dos tempos áureos de San Remo.
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
La voglia di sognare apresenta uma linha melodiosa homogénea. Contudo, o repertório não deixa de ser relativamente variado, com duas versões de temas franceses e uma versão de um tema brasileiro, sendo os oito restantes temas inéditos de consagrados compositores italianos. O valor do conjunto é elevado, mas o destaque vai para Un mondo di più, de Lucio Dalla e Sergio Bardotti - um sugestivo tema de amor que prova como a voz de Ornella, apesar de frágil, pode ser insinuante e quente...
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Ornella Vanoni - Un mondo di più in La voglia di sognare (1974)
Cuore matto (8)
Grande senhora da canção italiana, Ornella Vanoni é quem mais tem sustentado um estatuto de paridade em relação a Mina. Entre os fans de ambas (gente já com idade para ter juízo...) há um longo passado de rivalidades, um pouco à maneira do que ocorria cá, nos anos 60, entre os fans de Madalena Iglésias e os de Simone, mas em ponto muito maior. A verdade é que, quer Ornella, quer Mina, cada uma no seu estilo, representam o melhor da música ligeira. Por mim, adoro as duas, reconhecendo, obviamente, que são muito diferentes. Em todo o caso, a disputa, se é que verdadeiramente existe, pode-se presumir no que diz respeito às respectivas páginas oficiais na Web. Neste particular, parece que se pretende não ficar atrás de Mina... Com efeito, no seu sítio oficial há um excelente grafismo, que se adequa ao seu estilo.
sábado, novembro 18, 2006
Galícia (13)


Amancio Prada - A dama e o cabaleiro / Poemas de Álvaro Cunqueiro (1987)
Amancio Prada é um cantautor berciano (da região situada no oeste da província de León, conhecida como Bierzo, onde cerca de metade da população é de língua galega). De acordo com tais origens, tem dividido a sua carreira entre a expressão galega e a expressão castelhana. Este álbum pertende ao "ramo galego". Aqui, dedica-se a pôr em música cantigas de amigo e cantigas de amor não legítimas, ou seja, não aquelas, trovadorescas, que foram escritas na Idade Média (algo que já anteriormente havia feito em Leliadoura, 1977), mas sim contemporâneas, da lavra do escritor, poeta (e gastrónomo...) Álvaro Cunqueiro. O resultado é magnífico. A lírica galega passa em elevado plano por todo o álbum, atingindo o ponto mais alto nos temas Amiga namorado vou e No niño novo do vento. Ao contrário do que sucedeu em Leliadoura, Prada opta por arranjos que não são enquadráveis no folk ou no tradicional, mas sim na canção clássica, sobressaindo um piano que pauta o ambiente. Em quatro faixas adopta-se a junção de dois temas em contínuo, sendo este o único recurso, digamos, um pouco menos convencional, mas bem conseguido. Longe, é certo, de outras suas propostas bem originais (algumas até radicais...), este álbum é um dos melhores de toda a sua carreira, sendo aquele que, fora dos característicos registos folk e/ou tradicional, mais nos faz chegar à alma galega.
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Amancio Prada: No niño novo do vento in A dama e o cabaleiro (1987)
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