sábado, novembro 04, 2006

Mediterráneo / Mediterrània (32): Catalunya: Barcelona


Barcelonès (1) in Catalunya des de l'aire (1999)

Barcelonès (2): Barcelona - Parc Güell in Catalunya des de l'aire (1999)

Barcelonès (3): Barcelona - L'Eixample (La Pedrera, La Mançana de la Discòrdia, Diputació de Barcelona) in Catalunya des de l'aire (1999)

Barcelonès (4): Barcelona - L'Eixample (Casa de les Punxes, Sagrada Familia) in Catalunya des de l'aire (1999)

Barcelonès (5): Barcelona - Ciutat Vella in Catalunya des de l'aire (1999)

Barcelona é uma das cidades que mais vezes visitei e é uma das que mais aprecio. É fascinante e oferece atractivos para os mais variados interesses. Para quem se interesse particularmente por arquitectura, é uma espécie de Meca... Tal sucede pela quantidade e qualidade de exemplos de modernismo, em especial, os criados pelo génio de Antoni Gaudi. Foi tendo em conta este particular atractivo que seleccionei as imagens destes clips. Foram construídos a partir do capítulo da série Catalunya des de l'aire, dedicado à comarca onde está implantada a cidade, o Barcelonès. Esta série está organizada em capítulos correspondentes às 41 comarcas catalãs.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Noites tropicais (11) (3 remake)

João Gilberto - Amoroso (1977)
Alguém disse (foi José Nuno Martins no saudoso Os Cantores do Rádio) que este seria o melhor álbum de sempre da música brasileira. Sem abandonar o espírito da bossa-nova, João Gilberto fez aqui um exercício de sofisticação e cosmopolitismo. Sofisticação que decorre tanto da sua forma de cantar (mais sussurrante do que nunca) como dos voluptuosos arranjos de Claus Ogerman. Cosmopolitismo, porque interpreta três temas não brasileiros: 'S Wonderful, de Gershwin; Estate, de Bruno Martino; Bésame Mucho, de Consuelo Velázquez (já anteriormente o tinha gravado, mas de um modo bem mais convencional). O curioso é que a sua inépcia linguística é um must adicional - um italiano e um castelhano que soam assim divinamente adocicados! Estate alarga-se por seis minutos e meio, tornando-se aqui uma espécie de afrodisíaco para espíritos refinados. Com o famoso bolero a receita intensifica-se. A cadência lentíssima e aveludada alarga-o por quase nove minutos de puro êxtase. Mas se parece impossível superar o transe destas emoções, há que esperar até ao último tema, Retrato em Branco e Negro (Zingaro), de Tom Jobim. Está para além da perfeição!
Esta obra-prima foi gravada em finais 1976 e início de 1977, entre Nova Iorque e Los Angeles e parece ser o culminar de uma década e meia em que o gosto norte-americano se rendeu à bossa-nova.
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quarta-feira, novembro 01, 2006

Complexo de Aljubarrota (8)

Os desplantes de Mourinho
Para o bem e para o mal, este homem deve ser hoje em dia um dos portugueses mais famosos do mundo. É uma personalidade que suscita emoções fortes e contraditórias. É arrogante e, por isso, compreende-se bem a onda de antipatia que pode gerar. Mas, é um tipo inteligente, que domina como mestre os segredos do futebol - vide a comparação que o jornalista Alfredo Relaño (De fuera vendrá quien las verdades te dirá in As) estabelece com o mítico Helenio Herrera. Um tanto à conta do seu desmedido ego, desenvolve estratégias psicológicas de condicionamento dos adversários e de empolgamento dos seus jogadores. Nisto, é um mestre e vê-se que teve no presidente Jorge Nuno Pinto da Costa um dos seus inspiradores. A mim, produz-me sentimentos contraditórios, que vão da irritação à exaltação. Seja como for, as gratas memórias sobrepõem-se aos sentimentos negativos: é que não esqueço as glórias que trouxe ao meu FC Porto!
A primeira página da Marca deve deixar orgulhosos muito portugueses. Dentro de um certo complexo de pequenês, as façanhas deste homem são percebidas, por muitos, como redentoras. Se, ainda por cima, é o público espanhol o contemplado por mais algum desplante, a coisa sabe ainda melhor... Por um momento, eu próprio cedo a estas emoções primárias e vejo nesta primeira página uma espécie de arremedo de glória pátria (que exagero, enfim...).
Contudo, para além das emoções primárias da tribo lusitana, há que ter em conta que a primeira página da Marca responde a outro tipo de emoções. Na verdade, ilustra um sentimento merengón (ou seja, pró-madridista). Mourinho desenvolveu um particular contencioso com o Barça e este é mais um episódio dessa histórica picaresca. Em Madrid olha-se, no mínimo, com simpatia para quem cause mal-estar can Barça. O que se passa, é que a relação de Mourinho com o clube por onde passou discretamente como tradutor e adjunto é de amor / ódio. Talvez, no fundo, ele sonhe ser idolatrado nas ramblas, mas se tal não poder ser, encontra consolo em continuar a ser aí odiado e vir a ser um dia aclamado na madrilena Cibeles. Quem sabe se, ao fim e ao cabo, o porta-estandarte do orgulho lusitano está em Londres, a expensas de um nababo russo, numa espécie de transito que o conduzirá, mais dia, menos dia, a Madrid ou Barcelona.

terça-feira, outubro 31, 2006

Para siempre boleros! (19) (6 remake)

Consuelo Velázquez
Alguns dos melhores boleros foram compostos por mulheres. Duas se destacam: María Grever (1885-1951) e Consuelo Velázquez (1920). Ambas eram mexicanas. Da sua produção destacam-se dois dos mais conhecidos boleros, respectivamente: Cuando vuelva a tu lado (+/- 1925) e Bésame Mucho (1944). Estava-se em plena 2ª Guerra Mundial quando estoirou Bésame Mucho. Foram muitos os soldados e respectivas noivas ou esposas que viveram em pleno o sentido dessa música... (Bésame, bésame mucho, como si fuera esta noche la última vez...) Em 1977, João Gilberto recria este tema no álbum Amoroso, tornando-o extensivamente voluptuoso e etéreo ao extremo. Muitas, muitas outras versões existem...
Note-se, como se pode apreciar numa
entrevista, que Consuelo Velázquez nunca tinha beijado nenhum homem quando compôs, com 17 anos, esse mais do que mítico Bésame Mucho...
De seguida, reproduzo um post de Carles Gracia Escarp, com a devida autorização extraído do seu magnífico blog Desde Barcelona:

Boleros: Amar y Vivir
Ay, si es que con el tema de los boleros pasa como con las canciones de Serrat, encontraríamos uno para cada ocasión, en cada situación que vivimos, para cada sentimiento tenemos ya cantado el bolero ideal, siempre con la emoción en las palabras, en ocasiones excesivos, pero siempre hechos a la medida de la circunstancia.
Amar y vivir - su autora es la pianista y compositora Consuelo Velázquez (Ciudad Guzmán / Zapotlán el Grande, Jalisco, 1924 - México DF, 2005), quien compuso entre otros éxitos Bésame mucho, Amar y vivir, Verdad amarga, Franqueza, Chiqui, Cachito, Que seas feliz, Enamorada, Orgullosa y bonita y Yo no fui, entre otros boleros ya en el recuerdo.
Y aunque su éxito universal fue Bésame mucho, traigo aquí Amar y vivir que cantaron entre otros Antonio Machín, Chavela Vargas, Moncho, Vicente Fernández, Raphael, Gigliola Cinquetti y Los Panchos, Diego El Cigala & Bebo Valdés, Paquita la del Barrio o Lucha Villa, por citar sólo alguno de sus intérpretes de las numerosas versiones del mismo, sin duda un gran bolero.

Amar y vivir

Por qué no han de saber
que te amo, vida mía,
por qué no he de decirlo
si fundes tu alma
con el alma mía.
Que importa si después
me ven llorando un día
si acaso me preguntan
diré que te quiero
mucho todavía.
Se vive solamente una vez
hay que aprender a querer
y a vivir
hay que saber que la vida
se aleja y nos deja
llorando quimeras.
No quiero arrepentirme después
de lo que pudo haber sido y no fue,
quiero gozar esta vida
teniéndote cerca
de mí hasta que muera.
Se vive solamente una vez
hay que aprender a querer
y a vivir
hay que saber que la vida
se aleja y nos deja
llorando quimeras.

Consuelo Velázquez

domingo, outubro 29, 2006

Extravagâncias (2)

Peter Webber - Rapariga com brinco de pérola (Girl with a pearl earring) (2003)

Desde logo, este filme assenta numa boa história - uma ficção construída em torno do enigmático quadro homónimo do pintor holandês Jan Vermeer. Não há bom filme sem boa história. Neste caso, a história, da escritora Tracy Chevalier, já fora um êxito como livro. O essencial começa, portanto, aqui. Contudo, há mais a destacar. Por exemplo, a fotografia (curiosamente, de um português, Eduardo Serra) consegue uma luminosidade adequada para a acção. Mais importante ainda são as interpretações, a começar pelas dos protagonistas, Scarlett Johansson (criada / modelo) e Colin Firth (pintor). A primeira compõe a figura da beleza nórdica por excelência, enriquecida por um registo de contenção, magistralmente acorde com o carácter do personagem que encarna. O filme proporciona algumas imagens construídas em torno do seu rosto, que são de invulgar beleza e constituem um paradigma já um pouco perdido nestes tempos em que a representação da beleza é geralmente alvo de interferências grosseiras... Com efeito, evitam-se os recursos demagógicos e o filme desenvolve-se por parâmetros de rigorosa castidade (não encontro melhor termo) no que concerne à relação entre pintor e modelo, nomeadamente na sua representação visual. Ou seja, não há nudez. Contudo, tal não obsta (bem pelo contrário...) a que, em muitas cenas, se instale a sensualidade. O interdito interiorizado pelos personagens centrais tem, assim, a sua coerente correspondência no que é dado a ver ao espectador.
Há ainda um aspecto que me seduziu: a reconstituição do ambiente da cidade de Delft, no terceiro quartel do século XVII. Os pormenores referentes ao vestuário, situações e lugares denotam rigor. É, portanto, também excelente como divulgação histórica, nomeadamente das condições de vida daquelas que eram, há cerca de 350 anos atrás, as populações com melhor nível de vida do mundo. Delft
(genuinamente holandesa) era, sem dúvida, um exemplo de opulenta cidade europeia desses tempos. E, no entanto, como era uma realidade rude comparativamente com a nossa, actual...
Uma nota final para referir que este filme foi distribuído em DVD, gratuitamente, pelo Expresso. Foi o último de uma série de oito DVDs. Foi uma insólita prenda proporcionada pela guerra dos semanários. Não deixa de ser bizarro que para enfrentar o aparecimento do Sol, se enveredasse por um táctica comercial tão extrema... Os leitores ficaram ganhar. Lástima foi eu não ter conseguido os dois primeiros.

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Info IMDb

sexta-feira, outubro 27, 2006

Flamenco (17)


Vicente Amigo - Tangos del Arco Bajo (2005)

Vicente Amigo - Tres notas para decir te quiero (1999)

28 de Outubro, Centro Cultural de Belém (Lisboa):
Vicente Amigo -
Un momento en el sonido (concerto).

Vicente Amigo está uma vez mais em Portugal para concertos em Faro e Lisboa. A base dos espectáculos é constituida pelo seu último álbum Un momento en el sonido, editado no ano passado. Não fora o facto de jogar a essa mesma hora o meu FC Porto contra o Benfica e não perderia o evento... O guitarrista cordobés é, para mim, o maior guitarrista flamenco da actualidade e isto sem pôr em causa a grandeza do consagradíssimo Paco de Lucía. O que contribui decisivamente para este meu conceito é o facto de denotar mais ampla margem de inovação e imaginação. Tal facto é, aliás, consensual entre a crítica.

Web oficial

Complexo de Aljubarrota (7)

Iberismo
Não cessam os ecos da tal sondagem do Sol em que mais de 1/4 dos inquiridos se manifestavam favoráveis a uma união ibérica. Parece que a revista Tiempo fez algo de similar e que a correspondente manifestação entre inquiridos espanhóis raiava os 50%. Nada de surpreendente. Não tenho notícia de anteriores dados que permitam estabelecer alguma evolução em inquéritos espanhóis, mas sei que no caso português se verifica um incremento. Seja como for, esta é uma temática muito portuguesa e pouco espanhola. Portugal está ausente das preocupações espanholas.
É saudável a evolução da opinião portuguesa. É sintoma de que um nacionalismo primário vai retrocedendo, embora tal suceda, creio, por razões interesseiras. Com efeito, existe por cá a visão exagerada de que os espanhóis vivem muito melhor. De tal monta, que poucos conseguem vislumbrar uma realidade: em Espanha há regiões cujo nível de vida é idêntico ou inferior ao de Portugal. Teoricamente, nada obstaria, em definitivo, a que numa
união ibérica, permanecessemos com um nível de vida idêntico ao que temos. Este iberismo pouco me diz, embora esteja ciente de que na sociedade espanhola existem desbloqueamentos do desenvolvimento que continuam a não existir entre nós. Tampouco me sinto inclinado a lucubrações teóricas de engenharia política que fazem tábua rasa da história. Na verdade, construções utópicas de um futuro confederal (ou algo parecido) parecem-me risíveis. Além de que, resta a questão essencial: substantivamente, que se ganharia? Tornarem-se os vizinhos mais iguais num mundo cada vez mais igual? O que me importa é contribuir para um maior conhecimento entre todos os povos da península, a partir, precisamente, das suas diferenças, construídas pela história e geografia, num quadro civilizacional comum. Este é o meu iberismo. É uma lástima que nós não nos apercebamos da benesse que é estar ao lado de um país tão interessante e estimulante como a Espanha e que, portanto, não saibamos tirar partido desse privilégio. Do mesmo modo, é uma lástima que os nossos vizinhos não se apercebam do mesmo em relação a nós. Sucede que existe uma certa complementaridade entre Portugal e Espanha, que pode ser mutuamente muito gratificante. Só uma escassa elite conhece tal segredo...

terça-feira, outubro 24, 2006

La movida (16)

Alaska y los Pegamoides: Mundo indómito (1998) (Origem: 1980+1981+1982)
Esta colectânea recolhe de forma exaustiva a produção do mítico grupo Alaska y los Pegamoides. Mítico em relação aos tempos áureos de la movida... Na verdade poucos grupos podem ser tão intimamente associados a este movimento madrileno. E tal sucede por variadas razões, que vão muito além da música. Uma certa estética, perfeitamente identificável, por exemplo, nos primeiros filmes de Pedro Almodóvar, está aqui já consagrada. O mesmo se pode dizer dos princípios de vitalidade hedonista. Concretamente, o barroquismo rococó (o melhor seria escrever rockockó...) da figura de Alaska (Olvido Gara) torna-se um ícone de tudo isto.


Alaska y los Pegamoides: Bailando (1982)
Sucede que em qualquer lista de temas mais associáveis aos tempos de la movida, Bailando terá, forçosamente, que estar lá. É um poderoso bombazo de feições disco, o que já então, em estritos termos de moda musical, estava um pouco desfasado no tempo. Provavelmente, se tivesse surgido uma meia dúzia de anos antes, teria sido um hino disco. Nesta conjuntura, tornou-se um hino de la movida. Significativamente, foi um dos singles mais vendidos em Espanha no ano de 1982. Ao mesmo tempo, era o prenúncio da iminente promoção de Alaska a um nível pop mais comercial.

domingo, outubro 22, 2006

La movida (15)

Vigo capital Lisboa (1984)

Fai un sol de carallo (1986)

Música doméstica (1987)

Os Resentidos: Discografía básica (2003) (1984 / 1986 / 1987)
Uma das derivantes da produção musical da movida foi a representada pelo grupo galego Os Resentidos. Enquadram-se num tempo que abrange a pós-movida e num território estranho, entre o punk e o folk. Alma mater e ideólogo deste projecto foi o viguês Antón Reixa. Se algo caracteriza Os Resentidos, assim como o posterior projecto Nación Reixa, é o carácter provocador original.
Este triplo CD reúne integralmente os três primeiros álbuns de Os Resentidos. Deve-se notar que, ao contrário dos grupos mais comerciais da movida viguesa (Golpes Bajos, Siniestro Total, Semen-Up), cantavam em galego e faziam uma música sem pretensões comerciais. Em todo o caso, estão a milhas de um alinhamento com o folk. Embora utilizem múltiplas das suas referências, fazem-no em favor de uma estética punk. É uma pós-modernidade ácida, nihilista e iconoclasta. Sob este ponto de vista, a capa e o título do primeiro álbum são elucidativos. A atitude que a imagem de Portugal desperta entre os espanhóis é resultante de um misto de ignorância e desdém (felizmente, cada vez menos...). Na rivalidade entre A Coruña e Vigo, as duas maiores cidades galegas, os habitantes da primeira apodam os vigueses, depreciativamente, como... portugueses. Em parte por isso, num alarde provocatório, Reixa, que, diga-se, parece saber muito mais de nós que a generalidade dos espanhóis (galegos incluídos), confecciona uma imagem e um título impensáveis (O nosso galo de Barcelos diz tanto à opinião pública espanhola como um qualquer tótem de uma perdida ilha dos mares do sul...) Depois, é certo, o conteúdo só marginalmente corresponde ao invólucro.
A mesma receita foi aplicada no segundo álbum, onde o alvar sorriso desdentado de um velho
labrego é acompanhado pela expressão genuinamente galega, de obsceno ênfase, fai un sol de carallo, que se constitui assim... em título do álbum... Algo que a nós, portugueses (pelos menos, aos nativos do rio Vouga para baixo) soa como impensável para título do que quer que seja...
Musicalmente como são estes produtos? Por força de tanta originalidade provocatória, o resultado é desconcertante. Há coisas boas: originalidade de risco; alguma verve. Desta mistura, no conjunto dos três álbuns, temos uma meia dúzias de temas interessantes, com um ou outro, roçando a genialidade. Contudo, a maioria é, em termos estritamente musicais, um inevitável fracasso.


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Como quem não quer a coisa, a verdade é que já passaram 20 anos! Podemos constatar tal facto nesta sequência que contém de uma recente aparição de Antón Reixa num programa da TVG. O tema é Galícia Canibal, do álbum Fai un sol de carallo. O refrão inspirou o título do álbum, ou vice-versa...