Mina - Grande, grande, grande (1972)
sexta-feira, outubro 06, 2006
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Mina - Grande, grande, grande (1972)
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Para siempre boleros! (17) (7 remake)
Armando Manzanero - Esta tarde vi llover (1967)
quarta-feira, outubro 04, 2006
Para siempre boleros! (16)
domingo, outubro 01, 2006
Viagens (44): Valladolid, Oviedo e Zamora / 2006 (5)











ZamoraQuando decidi abreviar a minha estadia em Oviedo, irritado com a chuva, considerei duas hipóteses: regressar pela Galiza e, finalmente conhecer Lugo (a única capital provincial galega que ainda não conhecia) ou por Castela de modo a, finalmente, conhecer Zamora. À partida, atraía-me mais Lugo que Zamora, mas consciente de que a chuva também é um visitante fiel das terras galegas, afiancei-me na aridez dos planaltos castelhanos. Em boa hora o fiz.
Uma vez mais, transposta a cordilheira cantábrica, deu-se uma radical mudança climática. Não só a chuva desapareceu de todo, como o céu ficou limpo. Voltou o calor. Gosto dos amplos horizontes dos campos castelhanos. O caminho para Zamora deu-me mais uma dose deles. O que eu já conhecia da província de Zamora, era a parte mais setentrional, a montanhosa região de Sanabria, que tem características diferentes. Mas a capital está implantada num cenário muito distinto, bem castelhano, junto ao Douro. Tem cerca de 70.000 habitantes e é uma das mais pequenas capitais provinciais espanholas. Todos os guias referem ser uma cidade interessante por ter uma grande quantidade de templos românicos. Para além disso, é daquelas cidades cujo nome ecoa na história… Sabia tudo isto, mas, ainda assim, transcendeu as minhas expectativas.
Há um certo espírito das cidades com o qual pode existir uma indefinível sintonia, que nos leva a simpatizar ou antipatizar, sem que, necessariamente, se possam alinhar argumentos racionais. Ora, sucede que sintonizei com Zamora. A parte antiga (ainda parcialmente rodeada por muralhas) é extensa e tem sobrado carácter. Aí se pode ver o que é uma cidade setentrional da meseta, com casas escuras e galerias de marquises tradicionais. Há ainda marcas de rusticidade que advêm da ligação com actividades agrícolas e pecuárias, o que se nota na abundância de comércio de produtos artesanais, desde enchidos a mantas. O românico, efectivamente, está omnipresente, através de numerosos edifícios religiosos - é este o factor que mais lhe confere um carácter rústico. Contudo, e de forma surpreendente, há vários edifícios modernistas, da primeira metade do século XX. Muitos deles notáveis e quase todos excelentemente conservados. Do contraste entre rusticidade e modernismo resulta uma personalidade citadina original. Como se não bastasse, apresenta ainda as consabidas qualidades das cidades espanholas: ruas centrais exclusivamente para peões, cheias de animação; um centro cívico bem reconhecível. No primeiro caso, Santa Clara é uma rua pedonal extensa que, além do mais, tem a vantagem de nos ir introduzindo progressivamente no coração da cidade através de uma transição gradual. No segundo caso, a Plaza Mayor, ostenta um templo românico que, se, por um lado, lhe retira a amplitude característica das plazas mayores, por outro, dá-lhe uma personalidade original.
Situada perto de Valladolid e Salamanca, Zamora parece, ainda assim, ter encontrado um espaço de afirmação próprio. Não ficou parada no tempo. Com efeito, a área moderna é mais extensa do que se possa supor e tem uma inesperada monumentalidade para uma cidade com menos de 100.000 habitantes, capital de uma província com menos de 500.000. Contudo, o diário de Valladolid, El Norte de Castilla, tem uma edição específica para a província e vê-se nos quiosques e nas mãos dos transeuntes com a mesma frequência que o diário local
Fiquei com vontade de voltar a Zamora e, se possível, na Semana Santa, já que, então, as múltiplas confrarias locais se esmeram em procissões, cuja grandiosidade nada fica a dever às mais afamadas da Andaluzia. E não é só uma questão grandiosidade, pois parece existir um clima emocional de autenticidade. A forma como vive essa quadra é hoje em dia o ponto mais alto da afirmação da sua cidadania.






