Mina - Se telefonando (1964)
quarta-feira, setembro 13, 2006
domingo, setembro 10, 2006
Andalucía (17)
Jaén in Andalucía es de cine (2002)
Baeza (I) in Andalucía es de cine (2002)
Montefrío in Andalucía es de cine (2002)
Alcalá la Real in Andalucía es de cine (2002)
Há várias amostras no YouTube de clips da série Andalucía es de cine. Os exemplos acima apresentados são Jaén, Baeza, Montefrío e Alcalá la Real. De seguida reproduzo a imagem e o texto do post Geografia de Espanha 9.
Manuel Gutiérrez Aragón / Juan Lebrón / Fernando Olmedo - Andalucía es de cine (2002)
Na senda aberta por A Vista de Pajaro surgiram séries análogas dedicadas ao País Vasco e Navarra, à Catalunha e à Galiza. Recentemente tomei contacto com esta série, dedicada à Andaluzia. É, como as demais, notável, contudo, apresenta algumas particularidades que a afastam do modelo mais ou menos estabelecido. Apresenta-se como uma enciclopédia audiovisual geográfica. São 250 clips com a duração de 1 minuto e meio, dedicados a uma localidade, comarca ou serra. As mais importantes localidades são contempladas com dois ou três clips - é o caso, por exemplo, de Sevilha, Granada e de todas as demais capitais de província. A duração e concepção dão a entender que cada clip foi concebido como interlúdio nas emissões televisivas do canal autonómico Canal Sur. Esta particularidade é, à primeira vista, um pouco desconcertante mas acaba por ser entendida não só em função deste conceito de inserção televisiva, como, sobretudo, pelo carácter enciclopédico com que a edição em DVD é apresentada. Efectivamente, cada clip é apresentado por ordem alfabética e existem informações complementares como base de dados, mapas de localização e fotografias sobre cada lugar objecto do clip. A série é também original, na medida em que, por exemplo, a locução e o carácter dos textos têm um carácter muito diferente das outras séries. A locução (a cargo do actor Juan Luís Galiardo) é épica, arrebatada, muito afastada, por exemplo, da sóbria emotividade de Juan María del Río. A música é também épica (sempre o mesmo extracto da suite orquestral The Planets, de Gustav Holst) Deve-se dizer que locução e música adequam-se à natureza dos textos, da autoria do escritor José Caballero Bonald - são textos de prosa quase poética, recheados de adjectivos enfáticos e exaltantes. Sob o ponto de vista técnico é uma série extraordinária. A qualidade da fotografia e montagem reflecte da melhor maneira os avanços da tecnologia, mas reflecte, sobretudo, a mestria de um realizador como Manuel Gutiérrez Aragón. Note-se que não há uma utilização exclusiva de meios aéreos, pois há alguns planos terrestres - inovação que, tendo em conta os precedentes, quase se assume como heterodoxa, mas, que, apesar de tudo, não pode deixar de ser saudada. Por fim, uma palavra para a matéria-prima básica. Como é bela a Andaluzia! Como são belos aqueles pueblos blancos nas serranias ou nas planícies, entre olivos ou à beira das marismas!
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Euskal Herria (18)
Bermeo in La mirada mágica (2002)
Também disponível no YouTube um amostra da série La mirada mágica (Lau haizeetara). O exemplo diz respeito à localidade biscaínha de Bermeo. Reproduzo de seguida a imagem e o texto do post Euskal Herria 3.
Iñaki Pangua - Euskal Herria: Lau haizeetara / La mirada mágica (2002)
Inspirada por A vista de pájaro, a Televisão autonómica do País Basco (EITB) produziu e exibiu uma série que cobre todos os territórios de Euskal Herria (País Basco, Navarra e Iparralde ou País Basco francês) através de vistas aéreas a partir de helicóptero. Foi há pouco tempo editada em dez DVDs. Cerca de década e meia depois, o nível técnico é muito superior ao da série inspiradora. Por outro lado, dado o âmbito geográfico muito mais restrito, o detalhe é muitíssimo maior. Toda esta belíssima região tem, deste modo, um meio de divulgação que lhe faz jus.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Mediterráneo / Mediterrània (31): Valencia
Valencia in A vista de pájaro (1988)
Eis aqui o terceiro post alusivo à série A vista de pájaro. A sua oportunidade consiste em apresentar este exemplo disponível no YouTube. O trecho diz respeito à cidade de Valencia.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Soulsville (8)
Isaac Hayes - Walk on By (1969)
Eis o grande Ike numa apresentação televisiva que remonta a 1969. Foi precisamente nesse ano que se editou o aclamado Hot Buttered Soul, que virou uma página na sua carreira artística, até então, no essencial, confinada aos desempenhos de instrumentista e compositor. É desse álbum o tema aqui presente apenas pela metade. Com efeito, dificilmente a sua duração total seria compatível com as exigências televisivas, da mesma forma que não se imagina a apresentação em TV de alguns dos seus mais emblemáticos temas... Walk On By é um standard de Bacharach & David aqui suavemente transfigurado.
terça-feira, setembro 05, 2006
Il bel paese (2)
Italia Irredenta
A Itália é um estado recente. Foi formada no terceiro quartel do século XIX a partir do Piemonte (Monarquia da Casa de Sabóia). Esse estado englobava também o Vale d’Aosta, a Ligúria e a Sardenha. Todo o resto da Península Itálica estava retalhado por várias soberanias (Império Austríaco, no Norte e Nordeste; vários pequenos estados independentes, no Centro-Norte; Estados Pontifícios, no Centro (incluindo Roma); Reino de Nápoles, no Sul e Sicília.O processo de unificação designa-se Rissorgimento. O seu objectivo era estabelecer uma unidade estatal em toda a Península Itálica e ilhas adjacentes. O novo estado corresponderia a uma unidade geográfica natural e, neste contexto, Roma estaria naturalmente destinada a ser a capital, sendo que, ainda por cima, estava investida de poderoso significado histórico. Por outro lado, em todos esses territórios falavam-se línguas latinas e havia uma óbvia unidade religiosa – ao longo de séculos o catolicismo reforçara uma unidade cultural básica.
A consciência patriótica italiana desenvolveu-se a partir do início do século XIX, sobretudo entre a burguesia. Estabeleceu-se, sem grande discussão, o superior prestígio do toscano (idioma de Dante, Petrarca e Bocaccio) sobre todos os demais, assim como a vantagem de ser inteligível pelas populações meridionais e setentrionais. O toscano já era, aliás, a língua literária da inteligência de toda a Península, ainda que, no Norte, em situação de partilha com o francês ou alemão.
Alcançar a unificação política implicou guerras com o Império Austríaco e com a Santa Sé, que tiveram desenlaces vitoriosos, não só graças à mobilização do entusiasmo patriótico, mas também, ao apoio da França.
Contudo, quando o Rissorgimento alcançou os seus objectivos básicos, permaneciam fora da Itália territórios que reuniam requisitos geográficos e culturais de italianidade. Eram: Córcega e Nice (França); Ticino (Suiça); Trentino, Trieste e Fiume (Império Austro-Húngaro). Os patriotas radicais ainda adicionavam, com voluntarismo: Zara e toda a Dalmácia (Império Austro-Húngaro), Albânia e Malta. Em relação aos territórios franceses havia como que um tácito acordo de renúncia como contrapartida tácita pelo apoio francês. Quanto ao Ticino havia a consciência de que a população local permanecia alheia a qualquer tendência centrífuga em relação à Suiça. Onde a questão se colocava de forma aguda era em relação aos territórios sob soberania austríaca – extensos, importantes e onde havia uma opinião pública entusiasticamente envolvida no objectivo de se unir à Itália. É a partir daqui que surge o movimento Italia Irredenta, que visa completar a unidade italiana. Ele foi decisivo na reviravolta de alianças, aquando da eclosão da Grande Guerra em 1914, e foi a base sobre a qual se alicerçaram os primeiros ímpetos imperialistas do Fascismo. No pós II Guerra Mundial o irredentismo corporizou-se no vasto movimento de reintegração de Trieste no território italiano.
Galícia (11)
Andrés do Barro - San Antón (1970)
É espantoso o que se pode encontrar no YouTube. Dos tempos de miúdo passados no Porto, das audições que à noite fazia da Rádio Popular de Vigo e outras emissoras galegas, lembro-me bem desta canção de Andrés do Barro. 15 anos depois descobri o correspondente LP em Lisboa, na já desaparecida Discoteca Roma. Aliás, comprei esse e outro LP de Andrés do Barro, ambos incrivelmente baratos, em saldo. Quase todas as canções eram cantadas em galego. Além disso, tinham um estilo que era uma espécie de fusão entre pop comercial da época com referências folclóricas regionais. Isto que aqui aparece é um trecho de um filme. Andrés mais a sua namorada (papel desempenhado por Conchita Velasco) vão a uma romaria galega. Não faltam gaiteiros ataviados à maneira, nem outros elementos genuinamente galegos. Tudo isto tem um delicioso sabor retro... Infelizmente, Andrés do Barro já morreu. Desapareceu precocemente, mas deixou uma memória que ultimamente tem sido reavivada. Apesar de ter representado uma tedência algo datada e um pouco efémera, teve mais importância do que possa parecer. Em finais dos anos 60 e início dos 70 protagonizou não só a tentativa de afirmação de uma música popular moderna cantada em galego, como conseguiu um feito extraordinário ao conseguir posicionar algumas das suas canções cantadas em galego em elevadas posições nos tops de venda de toda a Espanha.
Dobarrismo in Blog A Regueifa
Dobarrismo in Blog A Regueifa
sábado, setembro 02, 2006
Galícia (10)
Castelao - A Derradeira Lección do Mestre (Série de desenhos Galicia Mártir)Alfonso Daniel Rodríguez Castelao foi um nacionalista galego de múltiplos talentos: formado em medicina sem ter exercido, espraiou-se na escrita, como dramaturgo, contista, antropólogo; foi também desenhador e caricaturista. O seu talento para o desenho pode ser apreciado em A Derradeira Lección do Mestre. Vivia-se a Guerra Civil e Castelao estava refugiado na zona republicana, concretamente em Valencia. Aí fez três séries de desenhos: Galicia Martir, Átila en Galicia e Milicianos. Constituem uma denúncia dos horrores cometidos na sua região pelos insurrrectos militares e seus apoiantes falangistas e requetés. Este exemplo é o mais comevedor. Dois miúdos vêem, consternados, o cadáver do seu professor fuzilado. Sublinhe-se que dois colectivos foram alvos preferenciais da barbárie: sacerdotes e professores. Se um bando eliminou milhares de sacerdotes, o outro bando não ficou atrás no que diz respeito aos professores. Porquê os professores? A maioria era de esquerda e em zonas rurais constituíam uma espécie de guarda avançada da modernidade para os espíritos, num universo conservador, hostil. Eram agentes de uma formatação ideológica concorrente com tradicionalismo clerical. Na verdade, muitos eram socialistas, muitos eram republicanos, alguns eram anarquistas e um ou outro era comunista. Todos foram indiscriminadamente tratados como perigosos rojos e sujeitos às maiores violências. Os fuzilamentos sumários junto aos cemitérios ou nas bermas das estradas eram uma constante. Ser professor, como ser operário, para já não referir, claro está, dirigente político de um partido da Frente Popular, era só por si condição de candidatura a vítima do capricho assassino de um qualquer falangista ou requeté. Muitas vezes os corpos jaziam dias e dias no lugar da execução - era uma forma de constrangimento pelo terror. Ao contrário do que se possa imaginar, a Galiza e outras regiões desde o início submetidas ao jugo insurrecto sem resistência assinalável, conheceram uma repressão de rectaguarda mais feroz do que outras mais tardiamente conquistadas.
Museo Castelao
Museo Castelao
Subscrever:
Mensagens (Atom)





