sexta-feira, abril 28, 2006

Asturias (4)

Gijón / Xixón

Asturias (3)



Llan de Cubel - IV (1995)
Dentro do conceito de música tradicional asturiana, o grupo Llan de Cubel deve ser o mais representativo. Este CD é uma boa apresentação da sonoridade asturiana. Sendo uma sonoridade céltica, não se move exclusivamente dentros dos lugares-comuns já tão conhecidos deste género - há uma particular rusticidade que a aproxima do carácter da região. Tudo nos sugere as paisagens de montanhas e pastos verdejantes por entre as brumas... Significativamente os trechos cantados, assim como as notas do encarte estão escritas em asturiano. O mesmo sucede com o sítio oficial do grupo.
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Asturias (2)



Astúrias
Região Autónoma: Principado de Asturias (1.079.000 habitantes)
Capital: Oviedo (201.000) / Outras cidades: Gijón (271.000); Avilés (83.000)
Índice Paridades de Poder de Compra: 79,5 (Média UE25 = 100)

O Principado de Asturias é uma região montanhosa e verdejante. Abundam espectaculares paisagens de montanha (Parque Natural de Somiedo; Parque Nacional Picos de Europa) e a costa apresenta também paisagens magníficas. A promoção turistica da região salienta esta condição de "paraíso da natureza", que permite, inclusivamente, a sobrevivência de alguns dos últimos redutos europeus de vida selvagem, como lobos e, note-se, ursos. Porém, o contraste surge, quase paredes-meias com estes paraísos naturais, nas zonas industriais e mineiras do Valle de Caudal (Mieres) e do Valle del Nalón (Langreo, Sotrondio, Laviana). Aí a acção do homem irrompeu do modo mais agressivo para com a natureza e deixou marcas perenes. Apesar de parte destes sectores de actividade terem entrado em decadência, a extracção mineira, a indústria pesada, as lutas operárias e a poluição são ainda elementos marcantes na política, história e geografia asturiana. Estas zonas estão situadas perto do triângulo constituído pelas três maiores cidades da região: Gijón, Oviedo e Avilés. Estas cidades têm abundantes motivos de interesse.
Gijón tem um enquadramento paisagistico favorecido por uma extensa praia e por uma costa recortada. O centro apresenta construções imponentes e recantos de casas tradicionais. É uma cidade que, apesar de industrial, não deixa de ter um aspecto senhorial e airoso.
Oviedo, a capital, tem um rico centro histórico, onde avulta a catedral com uma única torre imponente. Tem artérias repletas de edifícios de bom gosto burguês, assim como amplos parques. Na periferia, junto ao monte Naranco (que domina a cidade), há dois exemplos de pré-românico asturiano: as ermidas de Santa María del Naranco e de San Miguel del Lillo (ambas declaradas Património da Humanidade).
Avilés está longe de se resumir à condição de decadente cidade industrial que acolhe uma siderúrgia que já foi das maiores do mundo. O centro histórico ostenta rico património evocativo das suas raízes medievais. É cidade de carácter.
Os centros históricos destas cidades estão cuidados e integrados na vitalidade urbana. Com efeito, há aí múltiplas ruas pedonais, movimentadas e plenas de actividades de comércio, serviços e lazer.
Toda a região denota personalidade cultural vincada, apesar da língua própria - asturianu, bable ou simplesmente llingua (juntamente com o mirandês, é o que resta do leonês) - ter uma existência quase residual, não deixa de haver empenhados movimentos em sua defesa, incluindo uma Academia. A esta personalidade pode-se aplicar o lugar-comum celticismo, muito embora, convenha não a confudir com a Galiza, não obstante certas semelhanças e contiguidades. A gaita de foles asturiana, a sidra (bebida feita a partir da maçã), os grandes espigueiros quadrados (hórreos asturianos) e a habada (feijoada asturiana) são os seus símbolos. Há em boa parte desta simbologia um sabor rústico e arcaico que denuncia um isolamento geo-histórico e que se pode traduzir numa imagem de Norte Profundo.
Finalmente, é de salientar que é uma região historicamente destacada, quanto mais não seja pelo facto de aqui se ter iniciado a Reconquista num processo que denota continuidade com os tempos visigóticos. Testemunho disso é o original estilo pré-românico, patente em ermidas e outros monumentos religiosos.

terça-feira, abril 25, 2006

Viagens (32): Norte de Itália / Julho - Agosto de 2001 (1)

1º Dia (manhã)
A viagem até Milão fazia escala em Madrid. Na sala de embarque, um exótico exemplar encheu a hora de espera. Mulher enorme, possuída por contumaz verborreia e insolitamente enciclopédica no que a matérias futebolísticas dizia respeito, em particular as referentes ao Sporting. O facto dos seus interlocutores (o marido e o filho adolescente) lhe corresponderem apenas com contida sinalética (esgares e grunhidos ténues), não a dissuadiu do exercício, que se traduzia, por exemplo, em manifestar conhecimentos tão inverosímeis como os resultados das mais ignoradas partidas da Copa América. Tudo isto era feito num tom que chocava estridentemente na sonolência das oito da manhã. Felizmente a verborreia desvaneceu-se logo que foi iniciado o embarque.
Como o céu estava limpo e ia junto a uma janela, lá fui identificando uma após outra as localidades avistadas. Mal dei por mim, estávamos em Barajas, que é enorme – uma babilónia quase com as proporções de Charles de Gaulle, mas sem linhas futuristas. Os anúncios pelo sistema sonoro, lembravam-nos que estávamos em Espanha, quer pelo escorreito castelhano (que, aliás, tão pouco se vai ouvindo no dia a dia espanhol), quer por aquela pronúncia inglesa que só os espanhóis têm. Na verdade falam inglês, submetendo-o com tranquilo desplante ao sotaque castelhano...
No avião que nos levaria a Milão, metade da população era espanhola, metade era italiana, o que se constatava através dos que retiravam da bandeja o El País ou o Corriere della Sera. Continuei a ter a sorte de ir à beira da janela e do céu estar limpo. Vi a imensidade das terras áridas de Teruel até aos limites do Maestrat, na confluência com a Catalunha. Depois, avistei Amposta, o delta do Ebro e daí para diante mar. Imaginei que, como a rota seguia paralela à costa, quem estava junto às janelas do outro lado, teria o privilégio de ver Barcelona…
Depois dos Alpes, a Itália chegou aos meus olhos com os campos da Lombardia, que estendiam-se planos e verdejantes, arrumados geometricamente. Múltiplos povoados concentrados surgiam desse verde. O nítido curso do permitiu-me identificar Piacenza. Aterrámos em Malpenza, um dos dois aeroportos que servem Milão. Fica a, nem mais nem menos, 60 km da cidade!
Já tinha planeado o percurso da viagem. Fizera marcações on-line não só para os hotéis como para o aluguer de automóvel. A primeira coisa a fazer era procurar a Hertz.
O moderno aeroporto faz jus aos méritos do design italiano. Os tons verdes e a visível qualidade dos materiais dão o mote a um estilo sóbrio. É nestes aspectos que a sensibilidade italiana sobressai... Há, como o resto da viagem haveria de confirmar, um natural bom gosto nos cenários comuns da vida quotidiana.
No escritório da Hertz tive a precisa noção de que tinha acabado de entrar no domínio da mais bela das línguas. O meu primeiro diálogo, contudo, processou-se através de um inglês elementar. O carro que nos estava destinado era.... um Ford Ka, aquele ínfimo ovinho!

Cuore matto (2)

As melhores canções italianas (1)
Experimentei fazer uma lista das 10 melhores canções italianas. Depois de muito penar acabei por fazer uma lista de 30:

ANEMA E CORE (ROBERTO MUROLO)
NOSTALGICO SHOW (JULA DE PALMA)
LOVE IN PORTOFINO (DALIDA)
COME PRIMA (TONY DALLARA)
ESTATE (BRUNO MARTINO) 1960

ADDIO ADDIO (DOMENICO MODUGNO) 1962
QUANDO, QUANDO, QUANDO (TONY RENIS) 1962
SAPORE DI SALE (GINO PAOLI) 1963
UNA LACRIMA SUL VISO (BOBBY SOLO) 1964
UN BUCO NELLA SABBIA (MINA) 1964

SE TELEFONANDO (MINA) 1965
HO CAPITO CHE TI AMO (LUIGI TENCO)

CIAO AMORE, CIAO (LUIGI TENCO ) 1967
LA BAMBOLA (PATTY PRAVO) 1968
GRANDE, GRANDE, GRANDE (MINA) 1971

IL MIO CANTO LIBERO (LUCIO BATTISTI) 1972
PAROLE PAROLE (MINA) 1972
UN GRANDE AMORE E NIENTE PIÙ (PEPPINO DI CAPRI) 1973
E POI... (MINA) 1973

BELLA SENZ'ANIMA (RICCARDO COCCIANTE) 1974
IL CONTINENTE DELLE COSE AMATE (ORNELLA VANONI) 1974
PRIME ORE DEL MATTINO (ORNELLA VANONI) 1974
UN MONDO DI PIÙ (ORNELLA VANONI) 1974
L'IMPORTANTE È FINIRE (MINA) 1975
ANCORA, ANCORA, ANCORA (MINA) 1978
MAGICA FOLLIA (MINA) 1982
ROSE SU ROSE (MINA) 1984
I TRENI DI TOZEUR (FRANCO BATTIATO) 1984
UN POMERIGGIO E 1/2 (MILVA) 1986
CHIAMAMI ADESSO (PAOLO CONTE) 1992

sábado, abril 22, 2006

Viagens (31)

Prossigo o inventário de lugares conhecidos através de Astúrias, Cantábria e País Basco. 1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.
Astúrias
09 Cangas de Onís (Localidade)
09 Covadonga (Santuário)
08 Gijón (Cidade)
09 Oviedo (Cidade )
10 Picos de Europa: Lagos de Covadonga (Serra)
08 Sierra de Cuera (Serra)
07 Caudal (Vale)
08 Villaviciosa (Localidade)
Cantábria
09 La Hermida (Desfiladeiro)
10 Picos de Europa: Fuente-Dé (Serra)
09 Potes (Localidade)
08 San Vicente de la Barquera (Localidade)
09 La Liébana (Vale / Serra)
País Basco
08 Subijana (Desfiladeiro) Álava
10 San Sebastián (Cidade) Guipúzcoa
08 Bilbao (Cidade) Vizcaya

sexta-feira, abril 21, 2006

Asturias (1)

Asturias - La Mirada del Viento (2006)
Multiplicam-se os documentários de panorâmicas aéreas de Espanha. O rol é cada vez mais extenso: A Vista de Pájaro (toda a Espanha - o pioneiro); Catalunya des del Aire (Catalunha); La Mirada Mágica (País Basco); Terra e Vento (Galiza); Andalucia es de Cine (Andaluzia); Madrid desde el Aire (Comunidade de Madrid); Entre el Cielo y la Tierra (toda a Espanha); Un Paseo por las Nubes (Canárias); Un Paseo por las Nubes (Castilla - La Mancha). O último que acabei de conhecer é este: La Mirada del Viento (Astúrias). Foi distribuido com o jornal diário de maior tiragem de Astúrias, La Nueva España. Não se limita a ser uma colecção de 14 DVDs, com cerca de 45 minutos cada um, pois há também um livro que acompanha cada DVD.
Recém-chegado ao rol, esta colecção também demonstra méritos para se tornar uma referência. Não se trata apenas da privilegiada matéria-prima (as paisagens asturianas) - a qualidade técnica e o conceito são excepcionais. Na verdade, o conceito não varia muito do modelo dominante, só que é superior no detalhe. Este facto manifesta-se na quantidade e natureza das informações transmitidas pela locução, na aproximação das imagens tomadas de helicóptero e na adequada lentidão dos travelings de câmara. Além disso, há também imagens tomadas do solo e no interior de alguns edifícios importantes. Destaque-se ainda a banda sonora musical, de Manuel Pacho. Exclusivamente instrumental e dominada por teclados electrónicos, sugere constantemente tons e ambientes que vulgarmente se convencionaram designar como célticos. Seja como for, é particularmente adequada às paisagens asturianas e evoca eficazmente a música popular da região. Para quem ainda ignora a espectacularidade da "Espanha Verde" esta colecção pode ser o início de uma surpresa.

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quarta-feira, abril 19, 2006

domingo, abril 16, 2006

Geografia íntima (20)

Rua de Belomonte (Freguesia de São Nicolau / Freguesia da Vitória)


Rua de Belomonte (Freguesia de São Nicolau / Freguesia da Vitória)


Igreja da Vitória - vista da Rua dos Pelames (Freguesia da Sé)


Torre dos Clérigos - vista da Vandoma (Freguesia da Sé)


Rua da Bainharia (Freguesia da Sé)


Sé - vista da Rua do Ferraz (Freguesia da Vitória)


Rua da Vitória (Freguesia da Vitória)


Rua da Vitória (Freguesia da Vitória)


Sé - vista da Bataria (Freguesia da Vitória)

Porto - Abril / 2006