sexta-feira, abril 21, 2006

Asturias (1)

Asturias - La Mirada del Viento (2006)
Multiplicam-se os documentários de panorâmicas aéreas de Espanha. O rol é cada vez mais extenso: A Vista de Pájaro (toda a Espanha - o pioneiro); Catalunya des del Aire (Catalunha); La Mirada Mágica (País Basco); Terra e Vento (Galiza); Andalucia es de Cine (Andaluzia); Madrid desde el Aire (Comunidade de Madrid); Entre el Cielo y la Tierra (toda a Espanha); Un Paseo por las Nubes (Canárias); Un Paseo por las Nubes (Castilla - La Mancha). O último que acabei de conhecer é este: La Mirada del Viento (Astúrias). Foi distribuido com o jornal diário de maior tiragem de Astúrias, La Nueva España. Não se limita a ser uma colecção de 14 DVDs, com cerca de 45 minutos cada um, pois há também um livro que acompanha cada DVD.
Recém-chegado ao rol, esta colecção também demonstra méritos para se tornar uma referência. Não se trata apenas da privilegiada matéria-prima (as paisagens asturianas) - a qualidade técnica e o conceito são excepcionais. Na verdade, o conceito não varia muito do modelo dominante, só que é superior no detalhe. Este facto manifesta-se na quantidade e natureza das informações transmitidas pela locução, na aproximação das imagens tomadas de helicóptero e na adequada lentidão dos travelings de câmara. Além disso, há também imagens tomadas do solo e no interior de alguns edifícios importantes. Destaque-se ainda a banda sonora musical, de Manuel Pacho. Exclusivamente instrumental e dominada por teclados electrónicos, sugere constantemente tons e ambientes que vulgarmente se convencionaram designar como célticos. Seja como for, é particularmente adequada às paisagens asturianas e evoca eficazmente a música popular da região. Para quem ainda ignora a espectacularidade da "Espanha Verde" esta colecção pode ser o início de uma surpresa.

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quarta-feira, abril 19, 2006

domingo, abril 16, 2006

Geografia íntima (20)

Rua de Belomonte (Freguesia de São Nicolau / Freguesia da Vitória)


Rua de Belomonte (Freguesia de São Nicolau / Freguesia da Vitória)


Igreja da Vitória - vista da Rua dos Pelames (Freguesia da Sé)


Torre dos Clérigos - vista da Vandoma (Freguesia da Sé)


Rua da Bainharia (Freguesia da Sé)


Sé - vista da Rua do Ferraz (Freguesia da Vitória)


Rua da Vitória (Freguesia da Vitória)


Rua da Vitória (Freguesia da Vitória)


Sé - vista da Bataria (Freguesia da Vitória)

Porto - Abril / 2006

quinta-feira, abril 06, 2006

Mediterráneo / Mediterrània (29): Mallorca

Maria del Mar Bonet - Maria del Mar Bonet (Sonet) (1974)

Este é o terceiro álbum de Maria del Mar Bonet. Foi o primeiro gravado para a editora Ariola. Apresenta um distintivo inconfundível: a capa, da autoria do pintor Joan Miró (A edição em CD é mais um exemplo de empobrecimento em relação às edições originais, em vinil). Os velhos LPs eram susceptíveis de complementos artísticos desta natureza - algo que nos anos 70 ocorreu com frequência. Contudo, o contributo de um pintor como Miró era, evidentemente, invulgar (também ocorreu num álbum do cantautor Raimon). Quanto ao conteúdo musical deve-se dizer que não desmerece. Não é um dos melhores álbuns de Maria del Mar Bonet, mas, tendo em conta o elevado nível da primeira metade da sua carreira, dizer que estará na média já é significativo.
É o primeiro álbum que não está dominado pelo folk maiorquino. Impera a canção ligeira de corte clássico, com arranjos cuidados, mas convencionais. Com excepção de um par de temas com letra da própria Maria del Mar Bonet (Vigila el mar e Jo viajava amb tu) todos os demais são construídos sobre poemas de autores maiorquinos da primeira metade do século XX, com destaque para Bartomeu Rosselló-Pòrcel. Notável é também a participação do cantautor madrileno Hilario Camacho que é o compositor de todas músicas, com excepção de Desolació. Este facto ainda é mais notável se se tiver em conta que nunca foi muito expressiva a colaboração de nomes estranhos à catalanofonia no universo da nova cançó. Há um tema dedicado a Sóller - uma melodia construída sobre um poema de Rosselló-Pòrcel que consegue sugerir impressivamente o ambiente do vale, impregnado de aroma de laranjais e de uma lânguida doçura de vida provinciana. O mais destacado é, porém, Vigila el mar, que foi, talvez, uma das canções cantadas em catalão que mais projecção teve em toda a Espanha. Não deixa de ser uma melodia simples (embora bem construída e magnificamente arranjada), sobre uma pobre letra de lirismo ecológico vulgar... Na verdade, uma boa parte do segredo reside num elemento óbvio: a voz de Maria del Mar Bonet.

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Audio Sampler El Corte Inglès Música

Amics de Maria del Mar Bonet

Maria del Mar Bonet in Eye for Talent

Maria del Mar Bonet in Trovadores

terça-feira, abril 04, 2006

Dancing Days (12)

Pino d'Angiò - Una notte maledetta (1999) (1983+1986)

No início dos anos 80 o disco sound estava em declínio. Contudo, uma refrescante novidade começava a surgir: o italo-disco. Ou seja, nova música de discoteca produzida em Itália. Um dos pioneiros foi Pino d'Angiò, de Pompeia, província de Nápoles (não confundir com o também napolitano Pino Daniele), cujo verdadeiro nome era Giuseppe Chierchia. Com Ma quale idea (1979) estoirou nos tops europeus. Era uma erupção de funky rap à italiana, onde pontificava uma voz e pose de macho latino. Fez furor. Porém, não abandonando este registo, em 1983 tem um álbum verdadeiramente interessante, Evelonpappa, evelonmamma. Aí encontram-se temas sugestivos e originais. Um deles é Mani in alto, que tem uma letra delirante, que consiste no relato, na primeira pessoa (o delinquente), de um assalto a um banco, a sua fuga, o acidente mortal, a tumultuosa chegada às portas do paraíso, as objecções de São Pedro e o subsequente caos violento que aí se instala. Jamais alguém se lembrou de pôr uma coisa assim como letra de música, ainda por cima numa batida forte. Comercialmente, ao contrário de Ma quale idea, esteve aquém das expectativas - era demasiado sofisticado para o seu público.
Não mais tive notícias de Pino d'Angiò até uma recente reaparição... como participante numa curiosa variante de Big brother, Esta cocina es un infierno. da espanhola Tele 5. A imagem que me aparece é ilustrativa de uma largo hiato... Enfim, tudo indica que, pelo menos em termos estritamente musicais, foi um cometa efémero de uma música já de si efémera. Seja como for, em 1999 uma ignota editora milanesa fez uma edição em CD, onde juntou Evelonpappa, evelonmamma e um outro álbum de 1986. Como título pegou no de uma das melhores canções do primeiro, Una notte maledetta. À distância de mais de 20 anos as virtualidades de Pino d'Angiò ressaltam ainda mais, sobretudo se comparadas com o italo rap de Jovanotti e os enjoativos produtos mais comuns com que desde então para cá a cena pop/rock italiana nos tem brindado (Zucchero, Ramazzotti...).

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Web: Pino d'Angiò



Viagens (29): Mallorca / 2005 (1)

Sóller
Em meados de Agosto passado estive com o meu filho em Mallorca. Entrecortando a estadia em Palma, desloquei-me durante um dia à cidadezinha de Sóller, incrustada na Serra de Alfàbia (Tramuntana), no noroeste da ilha.
Há muito tempo que tinha curiosidade em ir a Mallorca e, em particular, a esse destino específico. Sucede que tenho no meu quarto duas sugestivas gravuras de Sóller, uma das quais apresentando uma vista a partir de um plano semelhante ao da primeira foto. Eram do meu pai, o qual, no início dos anos 50 aí esteve de férias. Descreveu-me várias vezes os encantos desse lugar, assim como de um lugar próximo, Valldemossa, onde Chopin passou uma temporada na companhia de George Sand. Fui num velho comboio, mantido com finalidades turísticas e que se conserva praticamente como nos tempos em que o meu pai o conheceu (segunda foto). Os atractivos do passeio começaram precisamente neste simpático meio de transporte - um arcaismo que, além do mais, proporciona paisagens atraentes. Tanto na ida como na vinda ia cheio - tudo turistas, a grande maioria alemães, os quais, diga-se de passagem, têm na ilha uma presença massiva. Dir-se-ia que para reforçar o sabor
retro, a composição saiu de Palma com o atraso de mais de uma hora, por avaria... (Continua)
Página Web Ferrocarril de Sóller
Página Web Ajuntament de Sóller

segunda-feira, abril 03, 2006

Viagens (28)

Área Metropolitana de Lisboa
Prossigo a apreciação dos lugares que conheço em Portugal.
1ª coluna:
classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar.
Lisboa
05 A-da-Beja (Localidade)
06 Alcabideche (Subúrbio)
07 Algés (Subúrbio)
05 Alverca do Ribatejo (Subúrbio)
06 Amadora (Subúrbio)
06 Barcarena (Localidade)
06 Belas (Localidade)
01 Brandoa (Subúrbio)
06 Bucelas (Localidade)
03 Cacém (Subúrbio)
06 Caneças (Subúrbio)
01 Carenque (Subúrbio)
06 Carnaxide (Subúrbio)
02 Casal de Cambra (Subúrbio)
08 Caxias (Subúrbio)
09 Colares (Localidade)
09 Costa do Estoril (Costa)
08 Costa Praia Grande - Ericeira (Costa)
09 Dafundo / Cruz Quebrada (Subúrbio)
02 Damaia (Subúrbio)
09 Estoril / Cascais (Cidade)
10 Guincho (Costa)
07 Linda-a-Velha (Subúrbio)
09 Lisboa (Cidade)
07 Lourel (Localidade)
06 Loures (Localidade)
06 Malveira (Localidade)
08 Malveira da Serra (Localidade)
04 Massamá / Queluz Ocidental (Subúrbio)
07 Mem Martins (Subúrbio)
03 Mira-Sintra (Subúrbio)
04 Moscavide (Subúrbio)
04 Odivelas (Subúrbio)
07 Oeiras (Subúrbio)
08 Paço d'Arcos (Subúrbio)
08 Parede / Carcavelos (Cidade)
06 Pero Pinheiro (Localidade)
04 Porto Salvo (Subúrbio)
05 Queluz (Subúrbio)
04 Queluz de Baixo (Subúrbio)
05 Rio de Mouro (Subúrbio)
04 Sacavém (Subúrbio)
04 São Domingos de Rana (Subúrbio)
10 Serra de Sintra (Serra)
10 Sintra (Cidade)
07 Vale de Lobos / Sabugo (Localidade)
07 Vila Franca de Xira (Localidade)
08 Alcochete (Localidade)
Setúbal
07 Almada (Subúrbio)
05 Amora / Fogueteiro (Subúrbio)
03 Baixa da Banheira (Subúrbio)
07 Barreiro (Cidade)
04 Charneca da Caparica (Localidade)
05 Corroios (Subúrbio)
07 Costa da Caparica (Localidade / Praia)
05 Cova da Piedade (Subúrbio)
07 Feijó (Subúrbio)
05 Laranjeiro (Subúrbio)
04 Monte da Caparica (Subúrbio)
07 Montijo (Cidade)l
04 Quinta do Conde (Localidade)
07 Seixal (Localidade)
05 Trafaria (Localidade)

Il bel paese (1)

Lago Maggiore
Eram assim os folhetos turísticos na era anterior ao turismo de massas, quando só os ricos se poderiam dar ao luxo de viajar. O Lago Maggiore é sublime. Percorri-o nos finais de Julho de 2001 desde Sesto Calende a Locarno, na Suiça. Em Stresa, a meio do percurso, fiquei num pequeno hotel sobranceiro ao lago. A famosa canção de Mort Schuman, Lac Majeur, faz-lhe jus.

Le Lac Majeur


Il neige sur le lac Majeur
Les oiseaux-lyre sont en pleurs
Et le pauvre vin italien
S'est habillé de paille pour rien ...
Des enfants crient de bonheur
Et ils répandent la terreur
En glissades et bombardements
C'est de leur âge et de leur temps
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
Voilà de nouveaux gladiateurs
Et on dit que le cirque meurt
Et le pauvre sang italien
Coule beaucoup et pour rien...
Il neige sur le lac Majeur
Les oiseaux-lyre sont en pleurs
J'entends comme un moteur
C'est le bateau de cinq heures
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
J'ai tout oublié du bonheur
Il neige sur le lac Majeur
Mort Schuman

Cuore matto (1)

Em 1967, no Festival de San Remo, Little Tony interpreta Cuore Matto (Coração Louco). Com o seu cabelo abrilhantinado, estilo Elvis, com a sua pose arrebatada, estava em ruptura com os modelos de crooner ou de tenor ligeiro já decadentes. Era um urlatore, designação que se atribuía, com desconfiança, aos jovens artistas com influências do rock & roll. Contudo, quem ganha essa edição é Claudio Villa, com Non pensare a me. Estalou polémica. Villa já era, para os padrões da época, um canastrão, mais alinhado com os esteriótipos dos anos 50. Mas, dessa música vencedora já ninguém se lembra, o mesmo não se pode dizer de Cuore Matto, resgatada, segundo parece, no último filme de Almodóvar.
Eis aqui o seu texto:

Un cuore matto che ti segue ancora
giorno e notte pensa solo a te,
e non riesco a fargli mai a capire
che tu vuoi bene a un altro e non a me.
Un cuore matto, matto da legare,
che crede ancora che tu pensi a me,
non è convinto che sei andata via,
che m'hai lasciato e non ritornerai...
Digli la veritàe forse capirà;
perché la veritàtu non l'hai detta mai...
Un cuore matto che ti vuole bene
e ti perdona tutto quel che fai,
ma prima o poi tu sai che guarirà,
lo perderai, così lo perderai...
Un cuore matto, matto da legare...

É através da brisa da Riviera Ligure, entre San Remo e Portofino, por entre um certo glamour latino, um pouco ao estilo anúncio Martini, que esta rubrica Cuore Matto se propõe evocar os tempos áureos da canção italiana. Entre tantos artistas cujo esplendor esmoreceu há muito, apagados os flashes dos paparazzi, desvanecidos os faustos das produções da RAI (a preto e branco... ) de Sabbato Sera e Mille Luce, duas lendas, entretanto, persistem vivas: Mina e Ornella Vanoni - as duas grandes senhoras da canção italiana. Cada uma à sua maneira, através de uma longa carreira, mostra-nos que, afinal, esse tempo não morreu de todo...
Mas, a predisposição para desenvolver esta rubrica será, sobretudo, um pretexto para apontamentos pessoais e variados sobre Itália...