segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Rádio (6)



SER vs COPE
A rádio tem em Espanha uma importância maior do que em Portugal. Tal é particularmente válido no que diz respeito à opinião política. Há abundantes espaços de discussão (tertúlias) nos quais participam figuras gradas do jornalismo e outros criadores de opinião. Na realidade, esta prática está longe de se confinar à política - é relevantíssima no desporto e a sua origem mais provável estará nas apaixonadas discussões suscitadas pela lide taurina. É um saudável exercício de democracia que se recuperou a partir dos anos da transição. Assim, as grandes cadeias radiofónicas contratam entertainers que dirigem longos magazines, nos quais há sempre lugar destacado para uma tertúlia. Nem o crescente poder da televisão tem alterado o cenário.
A SER é, de longe, a cadeia de rádio líder de audiências. Integra o conglomerado mediático PRISA, cujo produto mais destacado é o diário El País, mas que abrange também outros jornais e cadeias de rádio, assim como emissoras televisivas e editoras livreiras. É o maior grupo mediático espanhol, tanto que, saltou fronteiras, como se pode constatar, por exemplo, na posição recentemente adquirida na TVI. É sabido que este grupo está próximo do PSOE.
A COPE é a segunda em audiências, embora a considerável distância. Pertence à Confederação Episcopal e alinha com o Partido Popular.

Sintoma da crispação da vida política espanhola é a rivalidade entre estas duas cadeias radiofónicas e o tom agressivo dos seus protagonistas de opinião política, em particular os da COPE: César Vidal e Federico Jiménez Losantos. Para um observador exterior é evidente a qualidade da "marca" PRISA. Independentemente da sua cor ideológica, tem que se reconhecer que há um padrão de qualidade associado a essa marca, de que, por exemplo, El País é uma referência a nível internacional. Em Espanha, tudo o resto, que, note-se, engloba muitos produtos mediáticos excelentes, está, regra geral, como se compreende, aquém desse nível. A direita deveria, em vez de lançar calúnias sobre a PRISA, seguir alguns dos seus exemplos e contribuir para melhorar alguns dos meios de comunicação que lhe são afins. Evitar um tom de cerrada agressividade talvez fosse um contributo não despiciendo para tal desígnio. Jiménez Losantos e, sobretudo, César Vidal são pessoas de considerável bagagem cultural e intelectual; defendem posições ideológicas que, no essencial, considero adequadas. Contudo, perdem-se pelo tom excessivo e por perspectivas sesgadas em certas matérias. É espantoso, por exemplo, que assumindo-se liberais, tenham em relação aos nacionalismos (basco e catalão) atitudes anti-liberais. Para um liberal as questões nacionalistas devem ser encaradas por uma pespectiva sistematicamente não-nacionalista. O moderno liberalismo não rasga as sua vestes em prol de nenhum nacionalismo, nem, tampouco, o considera em si mesmo um mal! Nisto, como em muitas outras coisas, a vontade dos cidadãos deve ser soberana. Até certo ponto, o modelo para encarar um problema extremo desta natureza é o processo de separação ocorrido entre checos e eslovacos. Foi uma cisão sem dramas. Na verdade, dramatizar estas questões é intrinsecamente anti-liberal! Em Espanha é lógico que os liberais critiquem o reforço do poder do aparelho de estado decorrente, por exemplo, dos processos de autonomia, como eventuais despesas acrescidas e duplicação de serviços. Que denunciem, claro está, com veemência, o terrorismo da ETA e seus cúmplices. Para um liberal, porém, quanto a autonomia, pois toda a que for requerida por quem quiser, sempre e quando signifique vontade dos cidadãos e subsidiariedade... e seja enquadrável no quadro constitucional. Em última análise, se a maioria dos cidadãos catalães e bascos se decidisse alguma vez pela independência (coisa, apesar de tudo, muito duvidosa...), pois, não obstante tal se poder entender que seria grossa asneira e algo irracional, um verdadeiro liberal aceitaria essa decisão. Os povos também devem ser livres para cometer erros, além de que estes não são sempre necessariamente irremediáveis... Não encarar os nacionalismos desta forma, sob o ponto de vista ideológico, é uma incoerência para quem pretenda ser um liberal.

Viagens (24)

Prossigo o meu inventário de lugares conhecidos com os territórios que historicamente integraram a Coroa de Aragão. 1ª coluna: classificação - escala de 1 a 10; 2ª coluna: lugar; 3ª coluna: tipo de lugar; 4ª coluna: província.

Aragão

08 Calatayud (Cidade) Zaragoza
09 Los Monegros (Planície) Zaragoza

Catalunha

07 Alt Penedès (Planície) Barcelona
06 Badalona (Cidade) Barcelona
10 Barcelona (Cidade) Barcelona
07 Calella de Mar (Cidade/Praia) Barcelona
07 Costa del Maresme (Costa) Barcelona
08 Alt Empordà (Planície) Girona
09 Blanes (Cidade/Praia)
09 Girona (Cidade) Girona
09 Puigcerdà (Localidade) Girona
08 Artesa de Segre (Localidade) Lleida
08 La Seu d'Urgell (Localidade) Lleida
08 Vall de Segre (Vale/Serra)
07 Costa Daurada (Costa) Tarragona

Ilhas Baleares

08 Palma de Mallorca (Cidade) Illes Balears
09 Sóller (Localidade) Illes Balears
08 Port de Sóller (Localidade) Illes Balears

Comunidade Valenciana

07 L'Horta (Planície) Valencia
08 Valencia (Cidade) Valencia

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Para siempre boleros! (15)

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Ana Belén -
Mírame (1997)
Esclareça-se: não é um álbum de boleros, mas tem um bolero, um senhor bolero, um bolerazo! É o segundo tema, No sé por qué te quiero. Para o mulherio há um atractivo adicional: é um dueto com Antonio Banderas. Sim, ele canta e, diga-se, pelo menos aqui, preciosamente, num registo adequado às caracteristicas da sua voz. É um tema sublime! De alma e carácter bolerístico até mais não... Ainda por cima, a bonita voz de Ana Belén nunca pareceu estar tão bonita... O autor desta pérola é, imagine-se, o seu marido, Victor Manuel - cantautor de trajectória e perfil progressista convencional. Contudo, não é de todo supreendente esta sensibilidade, já que tem alguns precedentes...
Para além deste, sem exagero, marco na história do bolero contemporâneo, deve-se salientar que o álbum inicia-se em esplendor, com Tú me amas (Sabor Locura), efectivamente pleno de sabrosura, ou não tivesse a participação de Ketama... Ainda por cima, ao desvanecer-se o seu ritmo nos nossos ouvidos, fica-se em estado de graça para a absorção da contrastante e delicada atmosfera criada pelo bem-aventurado bolero que lhe sucede... Depois destes dois temas iniciais, pouco mais resta. Não é que o resto seja mau, ou, sequer, demasiado banal, mas, inevitavelmente, perde brilho. Há, inclusive, outras participações sonantes: Lucio Dalla, Chico Buarque, Fito Páez e Chavela Vargas. Todos dão a voz a duetos que recriam temas do seu repertório - no caso do cantautor italiano, o seu famoso tema de homenagem a Caruso. Seja como for, ouço repetidamente os dois primeiros e fico sem vontade de passar daí.
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Página de Ana Belén en TodoMúsica

Ana Belén / Antonio Banderas - No sé por qué te quiero in Mírame (1997)

sábado, janeiro 28, 2006

Para siempre boleros! (14)

Laura Fygi - The latin touch (2000)
Eis mais um exemplo de como o bolero pode convergir com a modernidade. A bela voz da holandesa Laura Fygi, de fulgor jazzy e envolvida em cuidada produção, apresenta-nos um punhado de clássicos do bolero, com algum chachacha à mistura. Já em gravações anteriores havia insinuado as suas potencialidades nestes territórios. Confirma-se aqui que música latina tratada de forma mais sofisticada parece ser, definitivamente, o seu melhor destino artístico. Faz todo o sentido, tanto mais que estamos perante uma voz quente de uma mulher que, não obstante a sua origem, parece ser um paradigma de beleza latina...
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Audio Sampler JPC
Página Oficial

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Aragón (3)

Albarracín
Não conheço Albarracín, como, de resto, não conheço nada da província em que está inserida, Teruel. De todo Aragão, o que conheço foi-me aparecendo a caminho de Madrid ou de Barcelona. Nem sequer posso dizer que conheço Zaragoza, já que a única vez que não passei à sua ilharga correspondeu a uma brevíssima paragem nocturna. Foram uns escassos minutos, era já quase meia-noite. Os suficientes para comprovar que, desgraçadamente, por via de um congresso de agricultores, naquela altura a disponibilidade hoteleira era nula. Em desespero, meti-me de novo na autovia e só parei numa localidade anunciada pelos letreiros numa saída: Calatayud. Passava da 1, quando consegui alojamento num hotelzinho de suspeita animação no centro da localidade. A manhã seguinte deu para apreciar os seus encantos genuinamente aragoneses, nomeadamente, uma torre mudéjar. Esta experiência, juntamente com a já conhecida paisagem de Los Monegros, consolidou a minha atracção por estas terras. Atracção que aguarda oportunidade para se saciar... Assim, gostaria um dia de me adentrar no Aragão profundo, que é a província de Teruel, de uma beleza singular, feita de paisagens bravias e áridas e de cenários urbanos onde sobressai o mudéjar. Teruel, capital, é uma cidade pequena, provinciana, assolada por temíveis frios de Inverno e pela memória de combates da Guerra Civil. É precisamente nesta cidade que se situam algumas das mais carismáticas torres mudéjares. A poucos quilómetros a sudoeste está Albarracín, incrustada na serra do mesmo nome, onde... nasce o Tejo. Parece ser uma localidade de fisionomia fantástica, com o seu ar medieval que atesta o seu passado como capital de um reino de taifa. Os roteiros turísticos dão-lhe tal destaque, que se perfila como a principal atracção da província.

domingo, janeiro 22, 2006

Tiro ao Alvo (7)


Cavaco Silva ganhou!
...E por goleada, já que foi à primeira volta! À primeira! A grande virtude deste homem é que é uma pessoa honesta, sensata e equilibrada - alheio a ideologias programáticas. Vade retro toda a esquerda facciosa que nos conduziu a este triste estado e que agora ressurgiu, alardeando precisamente alguns dos seus mais notórios defeitos. Que nos conduziu, pois foi a esquerda que moldou o regime que temos e balizou as suas regras. A sua cosmovisão tornou-se tão influente na nossa sociedade que nunca deixou de afectar, por exemplo, a política levada a cabo, inclusivamente, pelos governos do PSD, incluindo os liderados por Cavaco Silva. É um óptimo sinal ver, pela primeira vez após o 25 de Abril, a esquerda arredada desse lugar simbólico que é a Presidência da República.
Mas se se evitou o pior, não quer dizer, evidentemente, que esta vitória tenha efeitos miraculosos. Nem sequer, como se sabe, a Presidência é um lugar com meios e condições para uma intervenção política ao nível decisivo que os nossos problemas exigem. Além de que Cavaco Silva, pese as suas qualidades, não pode ser o homem providencial. Em todo o caso, estou feliz... por Portugal!

Vintage (5)


Alfred Hitchcock - Janela Indiscreta (Rear Window) (1954)
É consensual: toda a gente adora este filme. É uma obra-prima do cinema. Desde os intelectuais ao público avulso não há quem pense o contrário. Hitchcock pertence àquela classe de realizadores (a maioria deles fazem parte do cinema clássico americano) que conseguem consensos.
Já muito se escreveu sobre A Janela Indiscreta e eu agora, depois de rever o filme, não me sinto propenso a reafirmar todos os muitos aspectos que são constantemente lembrados (e bem!) a seu propósito (o voyeurismo, o virtuosismo técnico, o significado dos detalhes, a amostragem de caracteres psicológicos...). Sucede que, simplesmente, fiquei ainda mais fascinado por Grace Kelly e estou como que hipnotizado por tanto beleza... É a beleza, sim, mas que vai além do corpo e cara de perfeição absoluta, abrangendo também: a extrema elegância dos gestos e maneirismos; o arrebatamento sem jamais perder a classe; as toilettes de extremo bom-gosto; a decidida femininalidade do gosto por futilidades como a moda. Alguém escreveu que a primeira cena em que Grace Kelly aparece é um marco na história do cinema - a sua face aparece esplendorosa para beijar James Stewart. O erotismo explícito, massivo, do cinema mais contemporâneo perde grotescamente perante cenas como esta. Nos anos 50 o cinema alcançou a forma mais magistral de fazer chegar a beleza de uma mulher à tela! Note-se, finalmente, que este foi um dos últimos filmes de Grace Kelly antes de cair nos braços do Príncipe Rainier.
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Info IMDB

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Aragón (2)

Tarazona
Aragão é a terra do Mudéjar. É uma arte exclusivamente espanhola, feita por mouriscos sob domínio cristão. As torres das igrejas e catedrais mudéjares parecem torres de mesquitas... com sinos. A pedra e a decoração destas construções reforçam a tez muçulmana. Se houve mestiçagem cultural entre o Islão e a Cristandade foi por aqui. Na Coroa de Aragão permaneceu uma extensa comunidade mourisca, mais do que em qualquer outro lugar da Peninsula.
A foto é de Tarazona. Não fica no Iémen ou em algum outro recanto das Arábias. Está no extremo oeste da província de Zaragoza, no sopé do Moncayo. Exemplos assim, dir-se-ia que ilustrações de cenários dos Contos das Mil e Uma Noites, podem encontrar-se em muitos lugares de Aragão, sobretudo na província de Teruel. Impera a cor avermelhada do tijolo. Sobressaem torres num horizonte marcado por serras, a sul e a norte da depressão cavada pelo grande rio - o Ebro. Emergem desertos - os maiores da Europa: Los Monegros, Las Bardenas (já nos limites de Navarra). Na verdade, Aragão é uma terra bem mais árida do que Castela. Mas tem o seu Nilo... o Ebro. À sua beira, Zaragoza é uma cidade cada vez maior para uma região cada vez mais despovoada. Com as suas torres, a capital aragonesa simboliza bem o tópico mudéjar... Mas o símbolo espiritual da cidade é um pilar, que se associa à aparição de uma virgem negra - a Virgen del Pilar. Baila-se a jota em honra da virgem e em honra de outras figuras santificadas - pretextos para antigas romarias como as que se podem apreciar em algumas estampas de um genial aragonês, Goya.
Turismo de Aragão
Governo de Aragão
Aragón.net

domingo, janeiro 15, 2006

Aragón (1)



Aragón

População: 1.230.090
Índice Paridades de Poder de Compra (Média UE25 = 100): 99,3
Idioma: Castelhano
Capital: Zaragoza

Províncias: Huesca (HU) (206.502); Zaragoza (Z) (861.855); Teruel (TE) (135.858)

Principais cidades (Província) / Nível Económico (1-10) - População
Zaragoza (Z) / 7
626.081
Huesca (HU) / 8
47.609
Teruel (TE) / 8
32.304