A divisão administrativa de Espanha está basicamente assente em comunidades autónomas, províncias e municípios. Destas três, só as províncias são directamente assimiláveis a uma divisão administrativa portuguesa. Correspondem aos distritos. Contudo, a dimensão média das províncias é superior à dos distritos. As comunidades autónomas só têm correspondência com as regiões autónomas insulares - Açores e Madeira. Os municípios espanhóis são um problema... Se nos ativéssemos aos municípios de Astúrias, Galiza e Canárias poderiamos dizer que havia correspondência com os municípios portugueses. Contudo, a situação dos municípios das outras comunidades remete-nos para uma realidade mais atomizada, chegando ao ponto, por exemplo, de que em Castela e Leão a correspondência a estabelecer seria mais com as nossas freguesias do que com os nossos municípios. Também se nota a falta da adopção generalizada por todas as comunidades de uma divisão intermédia entre município e província, correspondente ao que na Galiza e na Catalunha se designa como comarca. Em Portugal este última designação tem um carácter estritamente judicial, havendo, no entanto, para efeitos meramente estatísticos, uma divisão que é conhecida a nível do Eurostat como NUTS III, que está entre município e distrito - tal nomenclatura, em Espanha, é utilizada para as províncias. Conclui-se, portanto, que a divisão administrativa de Espanha não são não é coerentemente amologável à portuguesa, como apresenta incoerências internas.
sábado, dezembro 24, 2005
domingo, dezembro 11, 2005
Salsa y merengue (13)

Índia: Sobre el fuego (1997)No Amigo da Música dedicado à salsa, José Nuno Martins colocou no alinhamento um tema deste álbum, La voz de la experiencia - um dueto entre Celia Cruz e India que celebra uma espécie de passagem de testemunho da primeira (la reina de la salsa) para a segunda (la princesa de la salsa). Celia (recentemente falecida) era cubana, anti-castrista, radicada há muito nos EUA. India nasceu em Nueva York, de origem puertoriqueña. Este facto ilustra algo que José Nuno Martins soube magnificamente sintetizar: A salsa nasceu em Nueva York, mas não teria existido salsa sem Cuba. Quando digo Nueva York quero sublinhar que muito do que lateja nessa metrópole é vital manifestação de hispanidad...
Este é o melhor álbum de India. Não tem um tema absolutamente excepcional, mas, tampouco tem algum fraco. Quase todos são bons e constituem um conseguido pretexto para uma aparatosa manifestação de garra. A orquestração é vibrante e responde bem ao desafio de acompanhar voz tão pouco civilizada. Diria até que consegue aparar alguns excessos da cantora... E diga-se que esta assume aqui arrebatadamente, ainda mais do que até então, a imagem de fêmea furiosa. Por outro lado, o repertório ilustra uma outra característica da salsa - a sua plasticidade. Poucos géneros conseguem adaptar temas de géneros tão alheios. Ao fim e ao cabo, tudo (ou quase) é salserizável.
Este é o melhor álbum de India. Não tem um tema absolutamente excepcional, mas, tampouco tem algum fraco. Quase todos são bons e constituem um conseguido pretexto para uma aparatosa manifestação de garra. A orquestração é vibrante e responde bem ao desafio de acompanhar voz tão pouco civilizada. Diria até que consegue aparar alguns excessos da cantora... E diga-se que esta assume aqui arrebatadamente, ainda mais do que até então, a imagem de fêmea furiosa. Por outro lado, o repertório ilustra uma outra característica da salsa - a sua plasticidade. Poucos géneros conseguem adaptar temas de géneros tão alheios. Ao fim e ao cabo, tudo (ou quase) é salserizável.
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Salsa y merengue (12)
Aviso: Domingo 11/12 (11:00 e 23:00) na Antena 1, O Amigo da Música, de José Nuno Martins. Tema: Salsa.
Amiga atenta reincide em providenciais avisos. Assim reproduzo o recém-chegado:
"Esta semana O Amigo da Música é o amigo das Caraíbas. Salsa, merengue, rumba, etc... Para quem gosta e para os que não conhecem, mas gostam de novidades. Eu vou ouvir."
É já hoje, portanto.
"Esta semana O Amigo da Música é o amigo das Caraíbas. Salsa, merengue, rumba, etc... Para quem gosta e para os que não conhecem, mas gostam de novidades. Eu vou ouvir."
É já hoje, portanto.
quinta-feira, dezembro 08, 2005
Castilla (13): Castilla y León
As minhas visitas a SalamancaVisitei Salamanca duas vezes. Uma, em Abril de 1991. Outra, em Abril de 2003. Ainda estive mais uma vez em La Alberca, localidade situada na província de Salamanca, mas, na cidade propriamente dita, pois estive essas duas vezes e em ambos os casos a duração correspondeu a uma manhã. Na primeira vez vinha de Madrid e Ávila e seguia em direcção a Portugal, depois de ter atravessado a Espanha rumo a Valencia, Barcelona, Perpignan e Andorra, numa viagem de mais de uma semana. A segunda visita foi feita na companhia do meu amigo brasileiro mais a sua mulher - entretanto voltou à sua terra, casou-se e veio cá de férias. Nessa ocasião entrei na cidade por uma estrada secundária, vindo de La Alberca. Antes de atravessar o Tormes, parei na margem sul, junto à ponte romana e tirei algumas fotografias. A que ilustra este texto é uma delas. O destino da nossa viagem era a região cantábrica e o País Basco. Ainda nessa noite tencionava pernoitar em Riaño e, portanto, tratava-se de fazer apenas um reconhecimento da cidade. Ainda assim deu para estar quase 5 horas e a verdade é que nessa segunda vez acabei por ver mais coisas do que na primeira. Evidentemente que não deu para entrar em algum dos muitos monumentos, com excepção da Catedral. Confirmei que a Plaza Mayor (a de Salamanca bem se pode considerar a "mãe de todas as plazas mayores"...) é ainda mais espectacular ao vivo. Agradou-me muito a Rúa Mayor - curiosa a utilização do termo rúa (como na Galiza) para uma urbe castelhana... É uma artéria pedonal que liga a zona da Plaza Mayor à zona da Catedral. Tal como a generalidade das cidades espanholas, este tipo de artérias pedonais centrais desempenha uma função crucial na malha urbana. Há uma vida fervilhante em torno do comércio que aí está estabelecido e há animação, o que sucede aqui num grau elevado, graças ao turismo que a cidade atrai.
segunda-feira, dezembro 05, 2005
Castilla (12): Castilla y León
Salamanca
Nos campos castelhanos avistam-se longínquos campanários e torres senhoriais - autênticos marcos de referência num cenário de horizontes ilimitados. Aquela que será a torre mais imponente é a que corta o perfil de Salamanca - farol da cultura castelhana. A torre da catedral salmantina avista-se de longe e é um antecipado cartão de visita para uma cidade que se impõe conhecer e admirar!
sábado, dezembro 03, 2005
Mediterráneo / Mediterrània (28): Valencia
Urbàlia Rurana - A la banda del migjorn (1992)
Este grupo folk valenciano segue na mesma linha de Al Tall, partilhando ambos, aliás, o mesmo conceito de origem italiana, a riproposta. Com efeito, foram grupos italianos que teorizaram e levaram a cabo uma nova proposta para a música folk que assenta em avançadas formas de modernização e mestiçagem. Significativamente o grupo tem, ultimamente, integrado o ex-líder dos piemonteses La Ciapa Rusa, Maurizio Martinotti. Por outro lado, o seu repertório vai transcendendo cada vez mais o âmbito valeniciano e pan-catalanista, centrando-me num mais amplo contexto mediterrânico. Não é o caso ainda deste seu primeiro álbum, centrado numa temática localista, o qual, contudo, dá para patentear virtuosismo instrumental. Pena é que o trabalho de grupos como este estejam confinados a um universo restritíssimo, não só por se afastarem radicalmente de propostas comerciais, mas também, objectivamente, por um limitador confessionalismo político, ainda por cima, geralmente de feição radical...
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Boulevard nostalgie (20)
Christophe Barratier - Os Coristas (Les Choristes) (2004)
Eis um filme bonito que mereceria maior divulgação. É certo que não se pode dizer que seja um argumento original, mas a dedicação de um educador a um grupo de rapazes maus é um tema inesgotável.
No exercício das minhas funções de professor sigo uma espécie de máxima: jamais mercenário; jamais missionário! Contudo, a verdade é que no nosso sistema de ensino tão decadente e desorganizado, se não fosse a existência de algumas almas missionárias (ou quase) distribuidas por tantas escolas, as coisas seriam muito piores... Mas voltando ao filme. Há hoje a tendência para valorizar a originalidade e a ousadia, o que se compreende, porque a originalidade vai-se esgotando. Porém, as fórmulas convencionais continuam a suscitar muitos dos mais interessantes filmes. Não me estou a referir tanto ao rosário de sequelas com que a indústria de Hollywood vem abastecendo o mercado - muitas delas francamente oportunistas. Refiro-me, sobretudo, a cinematografias cada vez mais periféricas - a francesa é um bom exemplo. É certo que o cinema francês tem-me apresentado alguns dos filmes mais aborrecidos (muitos discursivos e intelectualizados), mas também, por outro lado, alguns dos mais interessantes. Este foi uma óptima surpresa!
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No exercício das minhas funções de professor sigo uma espécie de máxima: jamais mercenário; jamais missionário! Contudo, a verdade é que no nosso sistema de ensino tão decadente e desorganizado, se não fosse a existência de algumas almas missionárias (ou quase) distribuidas por tantas escolas, as coisas seriam muito piores... Mas voltando ao filme. Há hoje a tendência para valorizar a originalidade e a ousadia, o que se compreende, porque a originalidade vai-se esgotando. Porém, as fórmulas convencionais continuam a suscitar muitos dos mais interessantes filmes. Não me estou a referir tanto ao rosário de sequelas com que a indústria de Hollywood vem abastecendo o mercado - muitas delas francamente oportunistas. Refiro-me, sobretudo, a cinematografias cada vez mais periféricas - a francesa é um bom exemplo. É certo que o cinema francês tem-me apresentado alguns dos filmes mais aborrecidos (muitos discursivos e intelectualizados), mas também, por outro lado, alguns dos mais interessantes. Este foi uma óptima surpresa!
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quinta-feira, dezembro 01, 2005
Boulevard nostalgie (19)
Robert Doisneau - Rue d'Alésia (Paris, 1968)
Robert Doisneau - Quai Branly (Paris, 1961)
Robert Doisneau - La Dernière Valse du 14 juillet (Paris, 1949)
Robert Doisneau - Les Enfants de la place Hébert (Paris, 1957)
Robert Doisneau - Les Amoureux aux poireaux (Paris, 1950)
Robert Doisnesu - Créatures de Rêve (1952)
Robert Doisneau - Baiser Blottot (Paris, 1950)
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