quinta-feira, dezembro 08, 2005

Castilla (13): Castilla y León

As minhas visitas a Salamanca
Visitei Salamanca duas vezes. Uma, em Abril de 1991. Outra, em Abril de 2003. Ainda estive mais uma vez em La Alberca, localidade situada na província de Salamanca, mas, na cidade propriamente dita, pois estive essas duas vezes e em ambos os casos a duração correspondeu a uma manhã. Na primeira vez vinha de Madrid e Ávila e seguia em direcção a Portugal, depois de ter atravessado a Espanha rumo a Valencia, Barcelona, Perpignan e Andorra, numa viagem de mais de uma semana. A segunda visita foi feita na companhia do meu amigo brasileiro mais a sua mulher - entretanto voltou à sua terra, casou-se e veio cá de férias. Nessa ocasião entrei na cidade por uma estrada secundária, vindo de La Alberca. Antes de atravessar o Tormes, parei na margem sul, junto à ponte romana e tirei algumas fotografias. A que ilustra este texto é uma delas. O destino da nossa viagem era a região cantábrica e o País Basco. Ainda nessa noite tencionava pernoitar em Riaño e, portanto, tratava-se de fazer apenas um reconhecimento da cidade. Ainda assim deu para estar quase 5 horas e a verdade é que nessa segunda vez acabei por ver mais coisas do que na primeira. Evidentemente que não deu para entrar em algum dos muitos monumentos, com excepção da Catedral. Confirmei que a Plaza Mayor (a de Salamanca bem se pode considerar a "mãe de todas as plazas mayores"...) é ainda mais espectacular ao vivo. Agradou-me muito a Rúa Mayor - curiosa a utilização do termo rúa (como na Galiza) para uma urbe castelhana... É uma artéria pedonal que liga a zona da Plaza Mayor à zona da Catedral. Tal como a generalidade das cidades espanholas, este tipo de artérias pedonais centrais desempenha uma função crucial na malha urbana. Há uma vida fervilhante em torno do comércio que aí está estabelecido e há animação, o que sucede aqui num grau elevado, graças ao turismo que a cidade atrai.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Castilla (12): Castilla y León


Salamanca
Nos campos castelhanos avistam-se longínquos campanários e torres senhoriais - autênticos marcos de referência num cenário de horizontes ilimitados. Aquela que será a torre mais imponente é a que corta o perfil de Salamanca - farol da cultura castelhana. A torre da catedral salmantina avista-se de longe e é um antecipado cartão de visita para uma cidade que se impõe conhecer e admirar!

sábado, dezembro 03, 2005

Mediterráneo / Mediterrània (28): Valencia

Urbàlia Rurana - A la banda del migjorn (1992)
Este grupo folk valenciano segue na mesma linha de Al Tall, partilhando ambos, aliás, o mesmo conceito de origem italiana, a riproposta. Com efeito, foram grupos italianos que teorizaram e levaram a cabo uma nova proposta para a música folk que assenta em avançadas formas de modernização e mestiçagem. Significativamente o grupo tem, ultimamente, integrado o ex-líder dos piemonteses La Ciapa Rusa, Maurizio Martinotti. Por outro lado, o seu repertório vai transcendendo cada vez mais o âmbito valeniciano e pan-catalanista, centrando-me num mais amplo contexto mediterrânico. Não é o caso ainda deste seu primeiro álbum, centrado numa temática localista, o qual, contudo, dá para patentear virtuosismo instrumental. Pena é que o trabalho de grupos como este estejam confinados a um universo restritíssimo, não só por se afastarem radicalmente de propostas comerciais, mas também, objectivamente, por um limitador confessionalismo político, ainda por cima, geralmente de feição radical...
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Boulevard nostalgie (20)

Christophe Barratier - Os Coristas (Les Choristes) (2004)
Eis um filme bonito que mereceria maior divulgação. É certo que não se pode dizer que seja um argumento original, mas a dedicação de um educador a um grupo de rapazes maus é um tema inesgotável.
No exercício das minhas funções de professor sigo uma espécie de máxima: jamais mercenário; jamais missionário! Contudo, a verdade é que no nosso sistema de ensino tão decadente e desorganizado, se não fosse a existência de algumas almas missionárias (ou quase) distribuidas por tantas escolas, as coisas seriam muito piores... Mas voltando ao filme. Há hoje a tendência para valorizar a originalidade e a ousadia, o que se compreende, porque a originalidade vai-se esgotando. Porém, as fórmulas convencionais continuam a suscitar muitos dos mais interessantes filmes. Não me estou a referir tanto ao rosário de sequelas com que a indústria de Hollywood vem abastecendo o mercado - muitas delas francamente oportunistas. Refiro-me, sobretudo, a cinematografias cada vez mais periféricas - a francesa é um bom exemplo. É certo que o cinema francês tem-me apresentado alguns dos filmes mais aborrecidos (muitos discursivos e intelectualizados), mas também, por outro lado, alguns dos mais interessantes. Este foi uma óptima surpresa!
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Guia hispânico (17)

Mapa dos dialectos catalães

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Boulevard nostalgie (19)

Robert Doisneau - Rue d'Alésia (Paris, 1968)

Robert Doisneau - Quai Branly (Paris, 1961)

Robert Doisneau - La Dernière Valse du 14 juillet (Paris, 1949)

Robert Doisneau - Les Enfants de la place Hébert (Paris, 1957)

Robert Doisneau - Les Amoureux aux poireaux (Paris, 1950)

Robert Doisnesu - Créatures de Rêve (1952)

Robert Doisneau - Baiser Blottot (Paris, 1950)

quarta-feira, novembro 30, 2005

Mediterráneo / Mediterrània (27): Valencia

Al Tall - Al Tall canta "Quan el mal ve d'Almansa" (1979)
O grupo Al Tall tem neste álbum um dos pontos mais altos de uma carreira dedicada à musica popular valenciana. Sucede que este trabalho desenvolve-se sob um conceito que se relaciona com as ocorrências da Guerra de Sucessão de Espanha, designadamente a batalha de Almansa (1707) (Um aparte para mencionar que Portugal teve uma destacada participação nesta guerra, ao lado, da Inglaterra, apoiando o Arquiduque Carlos de Áustria). Almansa, pela sua posição geográfica, era a tradicional porta de entrada na região valenciana para quem vinha da meseta castelhana. Aí se deu esta batalha que ganhou carga simbólica: a perda das liberdades forais do Reino de Valencia. Movimentos radicais pan-catalanistas têm-se esforçado por conferir um significado ainda mais profundo: o da perda de uma certa unidade e auto-governo de uma realidade que designam como Países Catalães. Al Tall está próximo desta perspectiva, mas deve-se sublinhar que é, hoje em dia, uma perspectiva minoritária na sociedade valenciana, onde o nacionalismo é inexpressivo e onde impera o regionalismo, que tem assumido uma feição anticatalanista. Nesta linha, os estereótipos da identidade valenciana têm acarinhado até à exaustão os elementos folclóricos, sublinhando neles aquilo que, segundo a sua interpretação voluntarista, os diferenciam do que é catalão. Em todo o caso, desta linha ideológica não veio jamais um trabalho sério dentro da música popular como o que Al Tall tem desenvolvido e, muito menos, alguma abordagem conceptual do calibre daquela que o álbum aqui em apreço demonstra. Deste e de outros álbuns do grupo ficamos com uma ideia de que a música popular valenciana está num lugar de intercepção entre a alegria da jota aragonesa, o virtuosismo instrumental catalão e o vigor telúrico de percussões berberes.
Um nota final para o que o cavalo da capa e contra-capa sugere: a estátua equestre do caudillo no centro da cidade de Valencia - a mais imponente de todas as que existiram em várias cidades espanholas. Em devido tempo foi retirada - precisamente por altura da edição do álbum. Há aqui uma analogia entre o primeiro rei da dinastia Bourbon, Filipe V, vencedor de Almansa, com o descavalgado caudillo - uma espécie de vingança da história...
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Mediterráneo / Mediterrània (26): Valencia

Da região valenciana conheço a sua capital e a região costeira da Província de Castelló. Estive duas vezes em Valencia - a primeira em 1986, durante três dias; a segunda em 1991, de passagem. Embora longe de ser desprovida de atractivos, não me apaixonou. Valencia, capital, é uma cidade simpática e alegre, mas de dimensão superior à que à primeira vista se possa pensar. O ar camponês patente nas descrições de um romance de Blasco Ibañez, La Barraca, já não tem, como é evidente, a mesma validade. Esse romance foi o meu primeiro contacto com a realidade valenciana, que me fez saber em que consistia a sociedade camponesa da Horta, assim como me fez aperceber a existência do idioma valenciano. Ainda hoje a comarca em que está inserida a cidade se conhece como L'Horta e, não obstante a mancha urbana abranger mais de 1.000.000 de habitantes, os campos de laranjais penetram ainda pela sua periferia.
Quanto à questão idiomática, pois aí aflora um típico radicalismo espanhol... Qualificar o valenciano como dialecto catalão, algo evidente para qualquer descomprometido observador, pode ser fonte de discussões, dado o regionalismo ultramontano que muitos valencianos alardeiam, ciosos dos seus particularismos. Mas, na prática, trata-se de catalão pronunciado com fonética castelhana, o que é lógico, dado que a maior parte da região foi povoada por catalães após a Reconquista. Deste facto têm orgulhosa consciência outros valencianos... Grupos folk locais como Al Tall e Urbàlia Rurana dão conta desta matriz histórico-cultural de origem catalã, a qual se apresenta mesclada, de forma original, com influências muçulmanas. As famosas Fallas, em Março, fazem parte desta identidade. É uma festa de fogo e petardos que, tanto quanto, a paella, constitui um dos seus mais visíveis traços de identidade. Outros existem, menos conhecidos, mas igualmente curiosos, como a afición pela música, que faz com que floresçam por todo o lado bandas sinfónicas. Não admira, por isso, que seja terra de pasodobles e cantores (Conchita Piquer, Nino Bravo...) - Um aparte para referir que o hino de Valencia é tão bonito como a sua bandeira. Noutro plano, é também a terra do bakalao - estranha designação que em Espanha é dada à música de discoteca. Aqui proliferam discotecas e estão estabelecidos alguns dos mais famosos DJs.
Outras coisas existem, bem menos edificantes e a menor das quais não será a destruição de parte das belezas naturais do litoral por empreendimentos urbanísticos de gosto duvidoso. Benidorm é o mais lamentável exemplo. Essa, enfim, é a Espanha que nunca me interessou...

segunda-feira, novembro 28, 2005

Mediterráneo / Mediterrània (25): Valencia

Comunitat Valenciana / Comunidad Valenciana

População: 4.470.885
Índice Paridades de Poder de Compra (Média UE25 = 100): 89,0
Idiomas: Castelhano; Catalão (Valenciano)
Capital: València/Valencia

Províncias: Castelló/Castellón (CS) (484.566); València/Valencia (V) (2.216.285); Alacant/Alicante (A) (1.461.925)

Principais cidades (Província) / Nível Económico (1-10) - População
Valencia/València (V) / 8
761.871
Alicante/Alacant (A) / 5
293.629
Elche/Elx (A) / 4
201.731
Castelló/Castellón de la Plana (CS) / 8
153.225
Torrevieja (A) / 5
69.763
Torrent de l'Horta (V) / 5
67.393
Gandia (V) / 7
62.280
Benidorm (A) / 6
61.352
Orihuela (A) / 4
61.018
Alcoy/Alcoi (A) / 4
60.465
Sagunto/Sagunt (V) /6
57.741
Elda (A) / 4
53.103
Villarreal/Vila-real (CS) / 7
43.595