segunda-feira, dezembro 05, 2005

Castilla (12): Castilla y León


Salamanca
Nos campos castelhanos avistam-se longínquos campanários e torres senhoriais - autênticos marcos de referência num cenário de horizontes ilimitados. Aquela que será a torre mais imponente é a que corta o perfil de Salamanca - farol da cultura castelhana. A torre da catedral salmantina avista-se de longe e é um antecipado cartão de visita para uma cidade que se impõe conhecer e admirar!

sábado, dezembro 03, 2005

Mediterráneo / Mediterrània (28): Valencia

Urbàlia Rurana - A la banda del migjorn (1992)
Este grupo folk valenciano segue na mesma linha de Al Tall, partilhando ambos, aliás, o mesmo conceito de origem italiana, a riproposta. Com efeito, foram grupos italianos que teorizaram e levaram a cabo uma nova proposta para a música folk que assenta em avançadas formas de modernização e mestiçagem. Significativamente o grupo tem, ultimamente, integrado o ex-líder dos piemonteses La Ciapa Rusa, Maurizio Martinotti. Por outro lado, o seu repertório vai transcendendo cada vez mais o âmbito valeniciano e pan-catalanista, centrando-me num mais amplo contexto mediterrânico. Não é o caso ainda deste seu primeiro álbum, centrado numa temática localista, o qual, contudo, dá para patentear virtuosismo instrumental. Pena é que o trabalho de grupos como este estejam confinados a um universo restritíssimo, não só por se afastarem radicalmente de propostas comerciais, mas também, objectivamente, por um limitador confessionalismo político, ainda por cima, geralmente de feição radical...
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Boulevard nostalgie (20)

Christophe Barratier - Os Coristas (Les Choristes) (2004)
Eis um filme bonito que mereceria maior divulgação. É certo que não se pode dizer que seja um argumento original, mas a dedicação de um educador a um grupo de rapazes maus é um tema inesgotável.
No exercício das minhas funções de professor sigo uma espécie de máxima: jamais mercenário; jamais missionário! Contudo, a verdade é que no nosso sistema de ensino tão decadente e desorganizado, se não fosse a existência de algumas almas missionárias (ou quase) distribuidas por tantas escolas, as coisas seriam muito piores... Mas voltando ao filme. Há hoje a tendência para valorizar a originalidade e a ousadia, o que se compreende, porque a originalidade vai-se esgotando. Porém, as fórmulas convencionais continuam a suscitar muitos dos mais interessantes filmes. Não me estou a referir tanto ao rosário de sequelas com que a indústria de Hollywood vem abastecendo o mercado - muitas delas francamente oportunistas. Refiro-me, sobretudo, a cinematografias cada vez mais periféricas - a francesa é um bom exemplo. É certo que o cinema francês tem-me apresentado alguns dos filmes mais aborrecidos (muitos discursivos e intelectualizados), mas também, por outro lado, alguns dos mais interessantes. Este foi uma óptima surpresa!
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Guia hispânico (17)

Mapa dos dialectos catalães

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Boulevard nostalgie (19)

Robert Doisneau - Rue d'Alésia (Paris, 1968)

Robert Doisneau - Quai Branly (Paris, 1961)

Robert Doisneau - La Dernière Valse du 14 juillet (Paris, 1949)

Robert Doisneau - Les Enfants de la place Hébert (Paris, 1957)

Robert Doisneau - Les Amoureux aux poireaux (Paris, 1950)

Robert Doisnesu - Créatures de Rêve (1952)

Robert Doisneau - Baiser Blottot (Paris, 1950)

quarta-feira, novembro 30, 2005

Mediterráneo / Mediterrània (27): Valencia

Al Tall - Al Tall canta "Quan el mal ve d'Almansa" (1979)
O grupo Al Tall tem neste álbum um dos pontos mais altos de uma carreira dedicada à musica popular valenciana. Sucede que este trabalho desenvolve-se sob um conceito que se relaciona com as ocorrências da Guerra de Sucessão de Espanha, designadamente a batalha de Almansa (1707) (Um aparte para mencionar que Portugal teve uma destacada participação nesta guerra, ao lado, da Inglaterra, apoiando o Arquiduque Carlos de Áustria). Almansa, pela sua posição geográfica, era a tradicional porta de entrada na região valenciana para quem vinha da meseta castelhana. Aí se deu esta batalha que ganhou carga simbólica: a perda das liberdades forais do Reino de Valencia. Movimentos radicais pan-catalanistas têm-se esforçado por conferir um significado ainda mais profundo: o da perda de uma certa unidade e auto-governo de uma realidade que designam como Países Catalães. Al Tall está próximo desta perspectiva, mas deve-se sublinhar que é, hoje em dia, uma perspectiva minoritária na sociedade valenciana, onde o nacionalismo é inexpressivo e onde impera o regionalismo, que tem assumido uma feição anticatalanista. Nesta linha, os estereótipos da identidade valenciana têm acarinhado até à exaustão os elementos folclóricos, sublinhando neles aquilo que, segundo a sua interpretação voluntarista, os diferenciam do que é catalão. Em todo o caso, desta linha ideológica não veio jamais um trabalho sério dentro da música popular como o que Al Tall tem desenvolvido e, muito menos, alguma abordagem conceptual do calibre daquela que o álbum aqui em apreço demonstra. Deste e de outros álbuns do grupo ficamos com uma ideia de que a música popular valenciana está num lugar de intercepção entre a alegria da jota aragonesa, o virtuosismo instrumental catalão e o vigor telúrico de percussões berberes.
Um nota final para o que o cavalo da capa e contra-capa sugere: a estátua equestre do caudillo no centro da cidade de Valencia - a mais imponente de todas as que existiram em várias cidades espanholas. Em devido tempo foi retirada - precisamente por altura da edição do álbum. Há aqui uma analogia entre o primeiro rei da dinastia Bourbon, Filipe V, vencedor de Almansa, com o descavalgado caudillo - uma espécie de vingança da história...
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Mediterráneo / Mediterrània (26): Valencia

Da região valenciana conheço a sua capital e a região costeira da Província de Castelló. Estive duas vezes em Valencia - a primeira em 1986, durante três dias; a segunda em 1991, de passagem. Embora longe de ser desprovida de atractivos, não me apaixonou. Valencia, capital, é uma cidade simpática e alegre, mas de dimensão superior à que à primeira vista se possa pensar. O ar camponês patente nas descrições de um romance de Blasco Ibañez, La Barraca, já não tem, como é evidente, a mesma validade. Esse romance foi o meu primeiro contacto com a realidade valenciana, que me fez saber em que consistia a sociedade camponesa da Horta, assim como me fez aperceber a existência do idioma valenciano. Ainda hoje a comarca em que está inserida a cidade se conhece como L'Horta e, não obstante a mancha urbana abranger mais de 1.000.000 de habitantes, os campos de laranjais penetram ainda pela sua periferia.
Quanto à questão idiomática, pois aí aflora um típico radicalismo espanhol... Qualificar o valenciano como dialecto catalão, algo evidente para qualquer descomprometido observador, pode ser fonte de discussões, dado o regionalismo ultramontano que muitos valencianos alardeiam, ciosos dos seus particularismos. Mas, na prática, trata-se de catalão pronunciado com fonética castelhana, o que é lógico, dado que a maior parte da região foi povoada por catalães após a Reconquista. Deste facto têm orgulhosa consciência outros valencianos... Grupos folk locais como Al Tall e Urbàlia Rurana dão conta desta matriz histórico-cultural de origem catalã, a qual se apresenta mesclada, de forma original, com influências muçulmanas. As famosas Fallas, em Março, fazem parte desta identidade. É uma festa de fogo e petardos que, tanto quanto, a paella, constitui um dos seus mais visíveis traços de identidade. Outros existem, menos conhecidos, mas igualmente curiosos, como a afición pela música, que faz com que floresçam por todo o lado bandas sinfónicas. Não admira, por isso, que seja terra de pasodobles e cantores (Conchita Piquer, Nino Bravo...) - Um aparte para referir que o hino de Valencia é tão bonito como a sua bandeira. Noutro plano, é também a terra do bakalao - estranha designação que em Espanha é dada à música de discoteca. Aqui proliferam discotecas e estão estabelecidos alguns dos mais famosos DJs.
Outras coisas existem, bem menos edificantes e a menor das quais não será a destruição de parte das belezas naturais do litoral por empreendimentos urbanísticos de gosto duvidoso. Benidorm é o mais lamentável exemplo. Essa, enfim, é a Espanha que nunca me interessou...

segunda-feira, novembro 28, 2005

Mediterráneo / Mediterrània (25): Valencia

Comunitat Valenciana / Comunidad Valenciana

População: 4.470.885
Índice Paridades de Poder de Compra (Média UE25 = 100): 89,0
Idiomas: Castelhano; Catalão (Valenciano)
Capital: València/Valencia

Províncias: Castelló/Castellón (CS) (484.566); València/Valencia (V) (2.216.285); Alacant/Alicante (A) (1.461.925)

Principais cidades (Província) / Nível Económico (1-10) - População
Valencia/València (V) / 8
761.871
Alicante/Alacant (A) / 5
293.629
Elche/Elx (A) / 4
201.731
Castelló/Castellón de la Plana (CS) / 8
153.225
Torrevieja (A) / 5
69.763
Torrent de l'Horta (V) / 5
67.393
Gandia (V) / 7
62.280
Benidorm (A) / 6
61.352
Orihuela (A) / 4
61.018
Alcoy/Alcoi (A) / 4
60.465
Sagunto/Sagunt (V) /6
57.741
Elda (A) / 4
53.103
Villarreal/Vila-real (CS) / 7
43.595


Guia hispânico (16)

Espanha: Províncias