De seu verdadeiro nome Olvido Gara, Alaska é uma mexicana radicada em Madrid que esteve nos primórdios da movida - integrou em 1978 o efémero grupo Kaka de Luxe, que foi embrião de projectos artísticos que viriam a tornar-se decisivos. Depois, com os Pegamoides, esmerou a sua imagem. É ainda com este grupo que em 1982 interpreta um tema, Bailando, que seria um bombazo. Num tempo em que o Disco estava já em decadência, estoira na periferia hispânica um tema que não desmerece figurar em qualquer selectiva colectânea do género. Ouvida ainda hoje, Bailando apresenta-se plena de força e modernidade.
Deseo Carnal é outra coisa... É pop/rock, que, não renunciando os ritmos da pista de dança, discorre por uma lógica alheia à simplicidade Disco. Corresponde a uma fase em que a cantora era acompanhada pelo duo Dinarama (Nacho Canut e Carlos Berlanga). É um produto à altura da opinião e gosto dominantes entre a vanguarda blasé e hedonista da fervilhante Madrid de então. Além disso, funcionou comercialmente, e de que maneira! É um trabalho elaborado, mas que se destinava a ter impacto. Este começa, desde logo, com a foto da capa (de Javier Vallhonrat) - bela, sugestiva, ousada... O impacto reforça-se com o tema de entrada, Como pudiste hacerme esto a mi, que deve ser um dos mais fortes alguma vez dedicados ao adultério. Canta a violência do ciúme com uma crueza sinistra (o adúltero é deliberadamente atropelado pela traída, que ao volante de seu automóvel sem luzes numa noite sem luar, assim dá vazão ao seu desejo de vingança). Musicalmente é imponente, com uma orquestração de grande aparato e ritmo forte. Nesse cenário sonoro, a voz de Alaska impõe-se grave, não deixando de ser sensual. É, enfim, adequada a uma raiva assassina de mulher de armas. Este clima, marcado por temperamento de fêmea dominadora, volta a encontrar-se em Ni tú ni nadie e em Un hombre de verdad.













