terça-feira, outubro 11, 2005
Andalucía (13)
quarta-feira, outubro 05, 2005
Perros callejeros (7)
Baúl de los recuerdos (5)
Pois bem, Jeanette é antes de mais a voz, por excelência, da candura e suavidade, mas... também desconcertantemente perversa, pois há um erotismo imanente (aqui e ali com a ajuda de algumas letras...). Mas tudo em plano suavíssimo... Nunca conheci voz assim! Nesta antologia estão temas da fase inicial (finais dos anos 60) - quando era vocalista do grupo folk Pic-Nic, de Barcelona - , assim como temas da fase que lhe deu fama (segunda metade dos anos 70). Só foram compiladas gravações feitas para a Hispavox. Não há nenhuma de Todo es nuevo (álbum gravado para a Ariola), o que é uma lástima... Em todo o caso, constam os seus temas mais conhecidos e todos eles soberbos: Soy rebelde, Frente a frente, Por que te vas, Reluz, Corazón de Poeta e Viva el pasodoble - quase todos de um grande compositor da canção espanhola, Manuel Alejandro.
Para concluir devo esclarecer que Jeanette era, de facto, muito jovem, mas não era uma cantora-menina - tinha 21 anos quando gravou Porque te vas. Também não era francesa. Era hispano-britânica e vivia em Barcelona. Porém, até aos 12 anos vivera em Los Angeles e Londres (onde nascera). O pai era inglês. A mãe era espanhola, de origem canária. Tinha olhos verdes e um corpo fransino. Acabou por ser tornar, graças à voz e à aparência, num sex symbol de low profile adequado aos tempos da transição democrática e cuja correspondência no domínio da moral e dos costumes se designou como Destape. A fama que acabou por alcançar foi em larga medida credora do filme de Carlos Saura - a popularidade de Porque te vas não se seguiu à edição em disco, mas sim à exibição do filme e esteve longe de se limitar a Espanha (pelo menos foi extensível a França e Alemanha). Foi uma popularidade repentina, forte, mas efémera. Caiu numa terra de ninguém da qual só saiu, pela via da recuperação nostálgica nos anos 90. A voz, apesar de ter perdido muito da sua frescura, mantém ainda hoje um timbre que sugere uma espécie de eterna juventude.
quarta-feira, setembro 28, 2005
Baúl de los recuerdos (4)
Este velhinho single foi um dos primeiros discos por mim comprados. Vá lá saber-se porquê, desde que me conheço tive particular atracção por música espanhola (entre outras coisas dos nossos "inimigos históricos"...). Desde os 8, 9 anos que, quando caía a noite, punha-me à caça na Onda Média de emissoras como Radio Intercontinental, Radio España - Madrid (aqui na Amadora) ou Radio Nacional de España - Centro Emisor del Noroeste (quando estava no Porto). Por entre pasodobles e muiñeiras foram, com o tempo, rompendo figuras ascendentes do pop espanhol de finais de 60 e inícios de 70, como, entre outros, Juan y Júnior, Andrés do Barro e, sobretudo, conjuntos como os Formula V e Los Diablos. Lembro-me, aquando da minha primeira ida a Espanha (uma excursão à Galiza de vizinhos da Vitória, no Porto, onde então passava as minhas férias escolares), que arrasava por todo o lado Un Rayo de Sol. Lembro-me, em especial, que no miradouro do Castro, em Vigo, onde aquela algazarrenta tripeirada desaguou numa soalheira manhã de Agosto, que o rádio do autocarro, sintonizado na Radio Popular de Vigo, emitia essa musiquinha. Uma parte da adorável gente daquela excursão, extrovertídissima e muito dada à música, desatou a cantar Un Rayo de Sol ao mesmo tempo que se precipitava para um bar, onde alguns não resistiram à emoção de beber uma coca-cola (proibida em luso terrunho). Também eu, entre intermitente ensaio de assobio da introdução dessa melodiazinha de verão, bebi a minha primeira coca-cola. Já depois de vazia, a bojuda garrafinha ajudou a dar ao assobio uma tonalidade especial...
Para um miúdo de treze anos, na altura, não resultou fácil comprar un Rayo de Sol. Aliás nunca o cheguei a comprar... Algum tempo depois, também no Porto, entrei pela primeira vez numa loja de discos (na Rua de Santo António) com essa finalidade. Já não o tinham e comprei Oh, Oh, July, também de Los Diablos, mas que, desgraçadamente, não se comparava a Un Rayo de Sol...
terça-feira, setembro 27, 2005
Baúl de los recuerdos (3)
Letra y Música de Juan Pardo y Antonio Morales (1968)
sábado, setembro 24, 2005
Noites tropicais (7)

Este álbum é posterior à série de álbuns Aquarela Brasileira, ao longo da qual o cantor se espraiou por clássicos da bossa e, sobretudo, do samba-canção. Foi um prolongado exercício nostálgico, comercialmente compensador. Contudo, esses álbuns eram interessantes pela matéria-prima e pela voz, mas algo limitados pelo conceito e orquestrações. Com efeito, a sistemástica utilização do medley e de arranjos convencionais caracterizam a série Aquarela. As suas qualidades de intérprete acabariam por ser melhor aproveitadas nos últimos álbuns, os quais reflectem conceitos de produção mais refinados. Beija-Flor está produzido por Mazzola e é um trabalho elaborado, bem acabado e coerente. Apesar da presença de canções de compositores mais jovens (Lulu Santos, Chico César), há algumas de compositores mais antigos (Ivan Lins), alguns temas clássicos da canção brasileira e, mesmo um dos meus boleros preferidos, Esta tarde vi llover, de Armando Manzanero. Há grande variedade de interpretações deste famoso bolero, pois a que aqui se apresenta é excelente. Enfim, para este tipo de vozes o bolero vem mesmo a calhar... Contudo, o ponto mais alto deste álbum de elevado valor médio, está em temas genuinamente brasileiros, entre as quais destaco o clássico Brigas.
Para siempre boleros! (10)


Este álbum é dominado pela bachata, sendo, um dos mais representativos do género. Apresenta um conjunto homogéneo de temas que compõem um ambiente de evocação nostálgica de salão de baile popular... É também uma produção de qualidade, ao nível das de Juan Luís Guerra (não admira, pois também foi produzido em Miami...). Victor Victor alcançou nos anos 90 uma certa projecção nas ondas radiofónicas hispânicas, aproveitando-se do impacto de Juan Luís Guerra. Contudo, este álbum e, pelo menos, mais outros três gravados nessa altura são bem demonstrativos da sua íntrinseca valia.
Euskal Herria (15)
Basta Ya! Iniciativa Ciudadana: Euskadi, del sueño a la vergüenza / Guía útil del drama vasco (2004)
Que Euskal Herria é uma realidade histórico-cultural ninguém informado e de boa-fé o poderá negar. Porém, não se pode também negar a sua integração na hispanidade, como um vasto conjunto de mitos nacionaistas pretende fazer crer. É evidente que não há nacionalismos sem mitos, mas, no caso concreto da matriz do pensamento nacionalista basco, encontramos uma boa dose daqueles mitos que se formaram nos finais do século XIX e que tanto contribuiram para precipitar a Europa e o mundo na trágica deriva nacionalista cuja expressão mais extrema foi o nazismo. Com efeito, uma boa parte deste livro constitui desmontagem dessa mitologia arreigada às teorias de Sabino Arana Goiri, fundador do Partido Nacionalista Vasco (PNV/EAJ), as quais foram incorporadas até à actualidade no ideário dominante no universo nacionalista e abertzale. A ETA é um dos resultados desse ideário.
Esta obra colectiva obedece a um propósito de denúncia de uma situação que se tem vivido no País Basco e que é praticamente única na Europa Ocidental: a vigência de um clima de constrangimento e terror exercida sobre uma parte substancial da população, em nome de um nacionalismo étnico. Algo que só encontra algum paralelo nos Balcãs e Irlanda do Norte. Se é injusto assacar a responsabilidade desta situação a todo o nacionalismo, não é menos injusto minimizar a gravidade da situação e, em particular, desamparar as largas centenas de vítimas e suas famílias. (desde o fim do franquismo são quase um milhar de assassinados e largos milhares os ameaçados e chantageados!). Um bom início para criar um sentimento colectivo que sustente o fim deste estado de coisas é, precisamente, começar por desfazer mitos. A marcada personalidade de Euskal Herria não deixa de se integrar num puzzle com coerência histórico-cultural - puzzle que é a Espanha (sob este ponto de vista está mais integrada até, por exemplo, do que a Catalunha...). Muito do que é o genuíno carácter castelhano radica num estracto pré-romanização que se sedimentou nos redutos montanhosos do norte peninsular e que é comum a Euskal Herria. A própria língua castelhana, nascida nos confins nortenhos de La Rioja e de Burgos, o que tem de dissonante em relação às línguas românicas vizinhas é reconhecido como estando presente no idioma basco e resulta de comuns influências pré-romanização (a transformação do f em h, por exemplo). De algum modo podemos dizer que uma boa parte da Hispania pré-Romana (um vasto território do Centro Norte) era Euskal Herria e que Castela começou a germinar aí. Para lá do espesso manto da romanização depara-se, assim, uma afinidade muito maior do que se supõe... Depois, ao longo dos tempos nunca Euskal Herria correspondeu a uma entidade política autónoma e coerente, além de que, o que é ainda mais significativo, a sociedade nos seus segmentos mais dinâmicos e desenvolvidos (zonas urbanas e litoral, em geral) sempre se integrou, respectivamente em França e Espanha, sem especiais tensões.
Em Portugal, onde impera entre a intelectualidade (de esquerda e direita) uma visão distorcida da realidade basca, haveria bastante proveito em que este livro fosse traduzido.
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