Tania Libertad - Tómate esta botella conmigo (1998)
Tania Libertad nasceu no Peru e nas suas veias corre sangue africano - aí, como em algumas outras zonas de Hispano-América, há descendentes de escravos negros. Vem, portanto, da mesma realidade étnico-cultural de que vem também, por exemplo, Susana Baca, só que a sua carreira já transcendeu muito as suas origens. Com efeito, vive há muitos anos no México e, não obstante nunca ter deixado de se apresentar como orgulhosa portadora dessas raízes afro-peruanas (de que o recente álbum Costa Negra é um cabal testemunho), a verdade é que já pertence plenamente à cena artística do seu país de adopção. Tem um timbre de voz original, de cariz lírico. O seu repertório tem incidido no bolero clássico, para o qual a sua voz se revela particularmente adequada. Contudo, para além dos retornos periódicos às suas raízes, tem feito incursões por outros âmbitos. Esta gravação é um exemplo disso, pois culmina em grande estilo algumas incursões prévias na música ranchera. Trata-se de uma homenagem a José Alfredo Jiménez, onde interpreta alguns dos seus temas num registo pouco comum ao género. Parece ser um pouco arriscado pôr uma voz tão delicada a interpretar um género tão bravio, mas o resultado não deixa de ser magnífico - destaque-se, por exemplo, o conhecido Si nos dejan, que soa inusitadamente celestial...
É curioso observar que as montagens fotográficas que acompanham este CD não só sugerem uma homenagem a José Alfredo Jiménez como também uma evocação da figura de Chavela Vargas - a pose de Tania Libertad é ostensiva nesse propósito. Aliás, para quem conhece a trajectória das duas trágicas glórias da música mexicana, nomeadamente os problemas de alcoolismo que os afectaram, a ideia faz sentido e reforça o significado do tema que é utilizado para título.
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