domingo, novembro 07, 2004

Rompecorazones (1)

Daniela Romo
Em 1983 a belíssima mexicana Daniela Romo, que até então se notabilizara como modelo, irrompeu na cena musical. Com um género comercial simples, entre temas dançáveis ao jeito disco e baladas românticas, teve uma estreia auspiciosa, confirmada um ano mais tarde com o álbum Amor Prohibido. Em breve a sua carreira alargou-se ao cinema e à televisão, protagonizando, por exemplo, algumas telenovelas. No final dos anos 80, a sua popularidade estava firmada em todo o mundo de expressão espanhola.

sexta-feira, novembro 05, 2004

Viagens (7): Picos de Europa / 2001 (2)

2º Dia – 5 de Abril (5ª Feira) (manhã)

O primeiro destino do dia seria a Serra de Montesinho, o segundo o Lago de Sanabria e o terceiro, Riaño, já nos Picos de Europa. O tempo não estava soalheiro, porém parecia esconjurada a ameaça de chuva. Ao deixar Mirandela, confirmei a ideia de véspera – era uma localidade agradável e que poderia ser um ponto de partida para uma futura exploração do Nordeste Transmontano.
Em breve se chegou a Bragança – para não deixar de ter alguma imagem da cidade, deixei a IP4 e internei-me no núcleo urbano. Foi decepcionante – a zona nova era vulgar; a zona antiga estava demasiado degradada e sem encanto especial. De atraente encontrei somente a imagem do castelo, com a sua torre de menagem. Foi pena que nesta incursão, feita exclusivamente de automóvel, não se me tivesse deparado o ex-libris brigantino – Domus Municipalis.
De Bragança tomei uma estrada secundária em direcção a Espanha, através do Parque Natural da Serra de Montesinho. Ao longe avistavam-se os cumes nevados das serranias de Sanabria. As referências sobre a região destacavam duas localidades: França e Rio de Onor. Resultava incompatível conciliar uma passagem pelas duas. A opção pela segunda era pouco prática, pois o mapa indicava que a estrada em Espanha não era alcatroada. Além disso, tinha a ideia de que o interesse de Rio de Onor residiria apenas no facto de estar dividida pela fronteira. Note-se que em tempos antigos as gentes destas terras falavam leonês e tinham a mesma forma de vida, de um e de outro lado da fronteira. O mirandês (dialecto astur-leonês), cujos resquícios ainda hoje sobrevivem mais para sudeste, é, juntamente com esta comunidade aldeã transfronteiriça, o que ficou dessa primitiva unidade.
Montesinho, fazendo jus ao nome, mais que uma serra é uma bucólica colecção de montes. A aldeia de França, porém, foi uma desilusão - notei um punhado de casas características, com telhado de ardósia, mas degradadas, perdidas num conjunto incaracterístico, onde imperavam as portas e marquises de alumínio. Além disso, parecia uma aldeia fantasma, habitada por cães... Num café, onde se cumpriu o ritual de despedida do café português, indaguei as razões do nome da terra, mas a sorumbática mulher, que estava atrás do balcão, nada esclareceu, encolhendo os ombros com enfado.
Imediatamente antes de se abandonar Portugal, uma pequena placa apontava a direcção para uma aldeia anunciada como "preservada". De facto, perante o exemplo de França, é sensato imaginar que se impunha preservar alguma aldeia. Por um caminho poeirento entrei nas profundezas da Serra e, no fim, pude admirar uma aldeia genuína. Suspeito que foram os serviços do Parque Natural que possibilitaram a sua preservação.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Mediterráneo / Mediterrània (22)

Maria del Mar Bonet - L'Aguila Negra (1971)
Em 1971, em plena maré ascensional da nova cançó, Maria del Mar Bonet publica o seu segundo álbum. Um ano antes havia publicado o primeiro, Maria del Mar Bonet (Fora d’es sembrat), mas já em 1967 e 1968 havia publicado um single e dois EP’s, respectivamente. Tinha pouco mais de 20 anos, possuía um timbre de voz melodioso e dedicava-se, especialmente, a recriar temas populares maiorquinos. Nesta orientação convergiam duas linhas: a canção de intervenção e o folk. O álbum confirma a orientação, embora também inclua temas de pura canção de texto, de poetas e compositores reconhecidos, assim como temas da sua autoria. Aliás, Cançó per una bona mort e Mercé (este último uma homenagem à sua mãe) são ambos de sua autoria e são os melhores. Apesar de um pouco desigual, há neste álbum uma frescura e um lirismo encantadores. De notar que a reedição em CD é feita a partir da reedição em LP feita dez anos depois da primeira edição, incorporando um tema que não constava originalmente, embora tivesse sido editado na mesma época. Esse tema é L’águila negra - versão catalã de L’aigle noire, de Barbara - e acabou por ser utilizado como título das reedições, já que o original ostentava como título, apenas, o nome da cantora.
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Audio Sampler Terra Musica Premium (fazer busca a álbum "Aguila Negra")

Mediterráneo / Mediterrània (21): Mallorca

Maria del Mar Bonet - Saba de terrer (1979)

A produção discográfica de Maria del Mar Bonet alberga várias pérolas. Até meados dos anos 80, entre os discos dedicados à música popular maiorquina, este é, para mim, o melhor. Só por si, o tema de entrada, o romance tradicional, Sa des cavaller, é esplendoroso, sendo que o resto, porém, em nada desmerece... Nunca a sua voz soou tão etérea. A capa, reproduzindo uma velha foto de artesãs maiorquinas, sugere o ambiente tradicional de onde provem a música. Os arranjos e a concepção artistica global indicam uma cuidada prospecção pela música tradicional maiorquina. Mas, se os arranjos não estão longe do purismo tradicionalista é por uma via elaborada, pois não deixam de evidenciar formação erudita, algo que se nota particularmente no último tema - El cant de la sibil.la.
Temos também oportunidade de apreciar como o dialecto mallorquí, apresenta, comparativamente com o catalão padronizado, uma doçura fonética arcaizante que, provavelmente, o aproxima do provençal. Já agora, vem a propósito esclarecer que saba de terrer, significa sapato de terreiro, terreiro de festa, de baile. É, portanto, uma alusão às festas tradicionais.
Pena é que a 1ª edição em CD seja tão pobre em informações e grafismo, comparada com a edição original em LP.
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Audio Samper Sapo XL Música (Fazer busca a título Saba de terrer)

Mediterráneo / Mediterrània (20): Mallorca

A maiorquina Maria del Mar Bonet é o nome mais importante da canção catalã. Ao longo da sua carreira, apesar de algum ecletismo, são dominantes as referências às suas origens maiorquinas. Cantou sempre exclusivamente em catalão, ficando assim confinada a uma projecção relativamente limitada.

Mediterráneo / Mediterrània (19): Mallorca

Palma de Maiorca (início dos anos 50)
Panorâmica da Baía de Palma, desde o castelo de Bellver. No centro, a parte mais antiga da cidade, onde se destaca a catedral. Ao fundo, no lado direito, S'Arenal, onde hoje se estende uma longa fila de hotéis.

Mediterráneo / Mediterrània (18): Mallorca

Mallorca (início dos anos 50)
Eis um traje tradicional maiorquino. Em tradições (vestuário, danças...) e na língua (dialecto mallorquí) a ilha permaceu como um repositório da mais ancestral catalanidade sujeita a influências mediterrâneas mais meridionais (berberes, árabes...).

Mediterráneo / Mediterrània (17): Mallorca

Mallorca (início dos anos 50)
Os folhetos turísticos anteriores aos anos 60 revelam-nos uma realidade bem diferente da que surge com o turismo de massas, o qual, em larga medida, veio a transformar a paisagem. Contudo, neste caso concreto, esta advertência não será tão pertinente, pois a paisagem da costa montanhosa do ocidente de Maiorca (Tramuntana) não foi muito alterada.

Mediterráneo / Mediterrània (16): Mallorca

Baleares
Região Autónoma: Illes Balears/Islas Balears (947.000 habitantes)
Capital: Ciutat de Palma/Palma de Mallorca (334.000)
Índice Paridades de Poder de Compra: 115,7 (Média UE25 = 100)
Ilhas: Menorca (72.000); Mallorca (677.000); Eivissa/Ibiza (88.000); Formentera (5.500).