sexta-feira, outubro 29, 2004

Mediterráneo / Mediterrània (21): Mallorca

Maria del Mar Bonet - Saba de terrer (1979)

A produção discográfica de Maria del Mar Bonet alberga várias pérolas. Até meados dos anos 80, entre os discos dedicados à música popular maiorquina, este é, para mim, o melhor. Só por si, o tema de entrada, o romance tradicional, Sa des cavaller, é esplendoroso, sendo que o resto, porém, em nada desmerece... Nunca a sua voz soou tão etérea. A capa, reproduzindo uma velha foto de artesãs maiorquinas, sugere o ambiente tradicional de onde provem a música. Os arranjos e a concepção artistica global indicam uma cuidada prospecção pela música tradicional maiorquina. Mas, se os arranjos não estão longe do purismo tradicionalista é por uma via elaborada, pois não deixam de evidenciar formação erudita, algo que se nota particularmente no último tema - El cant de la sibil.la.
Temos também oportunidade de apreciar como o dialecto mallorquí, apresenta, comparativamente com o catalão padronizado, uma doçura fonética arcaizante que, provavelmente, o aproxima do provençal. Já agora, vem a propósito esclarecer que saba de terrer, significa sapato de terreiro, terreiro de festa, de baile. É, portanto, uma alusão às festas tradicionais.
Pena é que a 1ª edição em CD seja tão pobre em informações e grafismo, comparada com a edição original em LP.
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Audio Samper Sapo XL Música (Fazer busca a título Saba de terrer)

Mediterráneo / Mediterrània (20): Mallorca

A maiorquina Maria del Mar Bonet é o nome mais importante da canção catalã. Ao longo da sua carreira, apesar de algum ecletismo, são dominantes as referências às suas origens maiorquinas. Cantou sempre exclusivamente em catalão, ficando assim confinada a uma projecção relativamente limitada.

Mediterráneo / Mediterrània (19): Mallorca

Palma de Maiorca (início dos anos 50)
Panorâmica da Baía de Palma, desde o castelo de Bellver. No centro, a parte mais antiga da cidade, onde se destaca a catedral. Ao fundo, no lado direito, S'Arenal, onde hoje se estende uma longa fila de hotéis.

Mediterráneo / Mediterrània (18): Mallorca

Mallorca (início dos anos 50)
Eis um traje tradicional maiorquino. Em tradições (vestuário, danças...) e na língua (dialecto mallorquí) a ilha permaceu como um repositório da mais ancestral catalanidade sujeita a influências mediterrâneas mais meridionais (berberes, árabes...).

Mediterráneo / Mediterrània (17): Mallorca

Mallorca (início dos anos 50)
Os folhetos turísticos anteriores aos anos 60 revelam-nos uma realidade bem diferente da que surge com o turismo de massas, o qual, em larga medida, veio a transformar a paisagem. Contudo, neste caso concreto, esta advertência não será tão pertinente, pois a paisagem da costa montanhosa do ocidente de Maiorca (Tramuntana) não foi muito alterada.

Mediterráneo / Mediterrània (16): Mallorca

Baleares
Região Autónoma: Illes Balears/Islas Balears (947.000 habitantes)
Capital: Ciutat de Palma/Palma de Mallorca (334.000)
Índice Paridades de Poder de Compra: 115,7 (Média UE25 = 100)
Ilhas: Menorca (72.000); Mallorca (677.000); Eivissa/Ibiza (88.000); Formentera (5.500).

quinta-feira, outubro 28, 2004

Mariachi y tequila (8)

Mariachi Vargas de Tecalitlán - Lo mejor de lo mejor (1990)
Na colecção de antologias Lo mejor de lo mejor, da RCA Victor/ México, temos este duplo CD que é do melhor que se pode encontrar no género. O Mariachi Vargas, da pequena cidade de Tecalitlán (extremo sul de Jalisco), é tido como o mais conceituado, tendo uma trajectória histórica.
O género Mariachi tem o seu epicentro no estado de Jalisco (capital: Guadalajara) e é a forma mais tradicional de execução de música ranchera. Para além do conhecido tipicismo dos atavios dos músicos, a orquestração é rica, combinando uma vasta secção de cordas com uma poderosa secção de metais. Na sua versão Norteña (a qual, mais que versão de Mariachi, é um outro género que abarca também a música ranchera), o acordeão assume um protagonismo, que aqui apenas se entrevê esporadicamente. A origem do Mariachi remonta à presença francesa nos mais altos meios da sociedade mexicana do século XIX. O termo, aliás, deriva da corruptela de marriage. Com efeito, a origem destes grupos parece encontrar-se nas festividades de bodas entre as elites terratenentes de Jalisco.
O músico mariachi tornou-se um símbolo do México bravio. Não se trata de um simples músico, mas de um cow-boy rude, que no intervalo de aventurosas andanças se expande em desaforados comportamentos. Desce à cidade para beber, tocar e deitar-se com uma mulher a jeito... Esta imagem foi reforçada através de mitologia popular de heróis emergentes de uma confusa história de revoluções e acabou por ficar sedimentada através do cinema mexicano dos anos 40, 50 e 60.
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Mariachi y tequila (7)

Robert Rodríguez - El Mariachi (1992)
Robert Rodríguez, de San Antonio (Texas) - coração do universo chicano - já tinha um percurso de colaboração com Quentin Tarantino, quando em 1992 se abalança como argumentista e realizador para uma produção de baixo orçamento, que se centra na temática e iconografia do Mariachi, de uma forma original, vanguardista mesmo... Apesar dos meios rudimentares, do plantel de actores pouco menos que anónimo, o filme teve um justo sucesso, de tal modo que dele haveria uma sequela - Desperado, já com um orçamento dem diferente e integrando vedetas como Antonio Banderas, Salma Hayek e, já agora... Joaquim de Almeida. Apesar de não desmerecer (de facto, também é bom...), não consegue alcançar a mesma surpreendente originalidade.
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quarta-feira, outubro 27, 2004

Mariachi y tequila (6)

José Alfredo Jiménez (1926-1973)
Alguém disse (Tony Évora in El Libro del Bolero) que não há nada mais intrinsecamente machista que a música ranchera. É bem possível, tanto mais que são evidentes, no seu conteúdo e pose, traços marcantes de uma cultura de fronteira, feita de bravatas e fanfarronices em narrativas épicas. Curiosamente, José Alfredo Jiménez, el Rey, que foi o maior compositor do género, assume, várias vezes, uma imagem que poderíamos designar como de "macho fragilizado"... Este facto não será alheio à sua dependência do álcool, que causou um processo degenerativo que culminou na sua morte precoce.
A protagonista da novela de Pérez Reverte, A Rainha do Sul, por entre as múltiplas referências musicais que evoca (entre narcocorridos e Paquita la del Barrio), reserva a mais sentimental para uma ranchera de José Alfredo. Esse é o momento em que a surpreendemos mais comovida, lembrando o seu México distante.