domingo, outubro 03, 2004

Noites tropicais (4)

Walter Wanderley - Rain Forest (1966)
A colecção Verve by Request tem reeditado luxuosamente em CD (reproduzindo, em encarte, o grafismo original) os LP's produzidos por Creed Taylor nos anos 60. Este foi o responsável pelo salto qualitativo da Bossa Nova ao produzir as extraordinárias experiências de fusão com João Gilberto, Astrud Gilberto e Stan Getz. A ele se deve também a produção de Walter Wanderley . Este, pernambucano de origem, era um organista e pianista de night clubs de São Paulo e foi dos primeiros a entrar na onda da Bossa Nova, mediante a sonoridade, então moderníssima, do órgão Hammond. Gravou com Astrud Gilberto, mas depois iniciou uma carreira exclusivamente instrumental. Este é o seu primeiro LP dessa fase. O sucesso foi enorme, por causa de Summer Samba, de Marcos Valle, o qual atingiu o Top40. Como as notas deste órgão electrónico soam tão quentes! Wanderley ficou para sempre nos EUA, instalando-se na California, onde viria, aliás, a falecer em meados dos anos 80.
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sábado, outubro 02, 2004

Euskal Herria (12)

Pedro Antequera Aizpiri - Ay Ne! in La Esfera, 1915
A caricatura é uma alusão ao atávico tradicionalismo rural dos bascos. Para além do simplismo do estereótipo, a verdade é que as raízes do nacionalismo basco são profundamente tradicionalistas e desenvolveram-se sempre em intimidade com um catolicismo fundamentalista. Com efeito, Sabino Arana Goiri, o fundador do nacionalismo, foi a síntese de duas tendências: a do carlismo e a do racismo positivista. A primeira é ultra-conservadora e antes de se reciclar no nacionalismo pugnava pela recomposição das liberdades tradicionais (Fueros). A segunda pertence ao mesmo tipo de modernidade, que entre outras coisas, sustentou uma das bases teóricas do nazismo. O lema do Partido Nacionalista Basco era Jaungoikoa eta Lagizarra (Deus e a Lei Antiga). No essencial, com muito mais moderação, é certo, esta marca genética persiste na grande maioria do nacionalismo, o qual é maioritário no País Basco. Porém, numa vasta franja Abertzale (esquerda nacionalista radical), encontramos a juvenil kale borroka (violência de rua) e o terrorismo etarra, que, apesar de algumas ideias feitas, também se filiam nessas origens...

Euskal Herria (11)

Pedro Antequera Aizpiri - Los Bersolaris in La Esfera, 1915
A gravura refere-se a uma das mais antigas tradições dos bascos: os bertsolaris. São poetas populares que improvisam versos em euskera (língua basca)durante competições festivas nas aldeias, em domingos, dias santos ou de romaria. É um dos símbolos da vitalidade da velha língua no coração de Euskal Herria.
O termo Euskal Herria é um neologismo nacionalista de finais do século XIX que significa "terra onde se fala euskera". Engloba sete territorios históricos. Em Espanha, quatro: Biskaia (Vizcaya), Gipúzkoa (Guipúzcoa), Araba (Álava) e Nafarroa (Navarra). Em França, três (que podem ser designados no seu conjunto como Iparralde): Zuberoa (Soule), Laburdi (Labourd) e Benafarroa (Basse Navarre).
Na verdade, a área que hoje em dia é euskaldun (basco-falante) é muito mais restrita, abrangendo só o Leste de Vizcaya, Guipúzcoa, o Norte de Navarra, e o Sul de Iparralde, num conjunto estimado entre 500.000 e 750.000 pessoas. Contudo, é certo que o proteccionismo linguístico do Governo Basco tem operado uma recuperação e não é menos certo que nas áreas euskaldun, sempre gozou, sem interrupção, até ao presente, de plena vitalidade. Em contrapartida, em Bilbao, por exemplo, o uso da língua, além de minoritário, reveste-se de um certo artificialismo, sustentado por convicções nacionalistas. Sucede também que em todo o Sul de Álava e em todo o Sul de Navarra, assim como na cidade francesa de Bayonne, o basco desapareceu há muito dos hábitos de comunicação (na maior parte dos casos, desde a Idade Média). O conceito de Euskal Herria, na prática, sustenta-se em hábitos, costumes e tradições, que, de facto, continuam fortes e permanecem comuns a muitas populações de todos os territórios. Se se pretende, como ocorre entre o nacionalismo, extrair ilações políticas em prol de uma mítica grande nação basca, pois entra-se num terreno polémico, que é contraditado pela vontade da maioria da população de fora do que constitui oficialmente País Basco.

Euskal Herria (10)

Iker Goenaga - Soinugorri (1998)
O êxito de Kepa acabou por fazer vir ao de cima um conjunto de tocadores de trikitixa que asseguraram a continuidade da tradição nas aldeias de Guipúzcoa e Vizcaya. Iker Goenaga é um deles. Neste álbum temos uma sonoridade menos cosmopolita, mas mais próxima da tradicional, a qual assentava na combinação rudimentar entre a triki e a pandeireta. O tema Elgeta merece destaque. Além de ser musicalmente forte, é uma homenagem a um velho tocador de San Sebastián, conhecido como Elgeta, que nos anos 40, 50 e 60 tocava triki pelas ruas e bares da cidade, vivendo da mendicidade.
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Euskal Herria (9)

Kepa Junkera - Bilbao 00:00h (1998)
Este álbum duplo, apresentado em luxuosa edição com formato de livro, musicalmente é uma produção não menos luxuosa. Para quem imagina o carácter basco como fechado e pouco dado a cosmopolitismos, pode começar por aqui um processo de revisão de ideias. Na verdade, partindo da trikitixa (pequeno acordeão diatónico), opera-se aqui um exercício de transversalidade dentro da chamada world music. Participaram na gravação um vasto conjunto de artistas das mais variadas procedências, de um modo que visou mestiçagens em diferentes direcções. De notar que Dulce Pontes (cantando um tema em... basco) faz parte do elenco. Numa realização tão ambiciosa, com estas características, nem todos os temas podem brilhar à mesma altura. Destaca-se uma magnífica meia dúzia, dos quais saliento aqui Santimamiñeko Fandangoa & Ioaeoe, que, por sinal, é um dos que, sem deixar de ter um certo grau de mestiçagem (sobretudo na parte inicial), alardeia uma tonalidade genuinamente basca. O poder rítmico e melódico da triki ressalta de forma empolgante, favorecido pela rude sonoridade de fundo da txalaparta (primitivo instrumento de percussão).
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Euskal Herria (8)

Kepa Junkera - K (2003)
Uma forma privilegiada de entrar no universo musical de Kepa Junkera é este duplo DVD que incide sobre um espectáculo realizado em Março de 2003 no Teatro Arriaga, em Bilbao. O espectáculo, propriamente dito consta do primeiro DVD. Não se limita a ser um mero registo de palco, na medida em que tem alguns interessantes pormenores de realização. Por outro lado, musicalmente, o espectáculo está ao nível das últimas gravações de estúdio, com um vasto conjunto de músicos convidados (das mais variadas procedências). A riqueza musical está também patente no espaço que é deixado para dois outros tradicionais instrumentos bascos: txalaparta e alboka. No segundo DVD há vários extras, entre os quais um excelente documentário que faz um enquadramento da trikitixa e de Kepa.
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Euskal Herria (7)

Kepa Junkera (1965)
O bilbaíno Kepa Junkera tornou-se o maior divulgador da trikitixa (triki) - instrumento basco, que é um acordeão diatónico. Tem um som inconfundível. Desde meados do século XIX tornou-se um elemento fundamental das romarias e festas familiares e, portanto, tornou-se o som basco, por excelência. Kepa modernizou de forma radical a utilização do instrumento, sem deixar de respeitar a sua essência. O seu virtuosismo e nível de produção têm dado aos seus espectáculos e gravações uma projecção que ultrapassa muito o contexto restrito do País Basco.

Euskal Herria (6): Euskadi : Bilbao

Aupa Athletic!
Para os conhecedores da res futebolistica, Bilbao tem um outro ex-libris: o Athletic. Clube de grande historial e rico palmarés, persiste hoje em dia numa política que sustentou desde sempre: só integra jogadores nascidos no País Basco. Tal persistência num campeonato onde imperam as mais cosmopolitas contratações milionárias, tendo recursos mais que suficientes para alinhar nessa política, não deixa de ser algo digno de louvor.

Euskal Herria (5): Euskadi: Bilbao

Bilbao (2003)
É uma perspectiva do conhecido edifício que é agora o ex-libris da cidade: o Museu Guggenheim, do arquitecto Frank Gehry.

Bilbao (2003)
Esta ponte continua a ser o elo mais importante de ligação entre o núcleo urbano mais antigo (Siete Calles) e o Centro (Abando). De um lado, estreitas ruas antigas, onde se multiplicam bares e restaurantes. Do outro lado amplas avenidas e praças arborizadas, onde imperam edifícios de boa traça (alguns de certa imponência) que servem de sedes a Bancos, Companhias de Seguros, Companhias de Navegação...