sábado, outubro 02, 2004

Euskal Herria (11)

Pedro Antequera Aizpiri - Los Bersolaris in La Esfera, 1915
A gravura refere-se a uma das mais antigas tradições dos bascos: os bertsolaris. São poetas populares que improvisam versos em euskera (língua basca)durante competições festivas nas aldeias, em domingos, dias santos ou de romaria. É um dos símbolos da vitalidade da velha língua no coração de Euskal Herria.
O termo Euskal Herria é um neologismo nacionalista de finais do século XIX que significa "terra onde se fala euskera". Engloba sete territorios históricos. Em Espanha, quatro: Biskaia (Vizcaya), Gipúzkoa (Guipúzcoa), Araba (Álava) e Nafarroa (Navarra). Em França, três (que podem ser designados no seu conjunto como Iparralde): Zuberoa (Soule), Laburdi (Labourd) e Benafarroa (Basse Navarre).
Na verdade, a área que hoje em dia é euskaldun (basco-falante) é muito mais restrita, abrangendo só o Leste de Vizcaya, Guipúzcoa, o Norte de Navarra, e o Sul de Iparralde, num conjunto estimado entre 500.000 e 750.000 pessoas. Contudo, é certo que o proteccionismo linguístico do Governo Basco tem operado uma recuperação e não é menos certo que nas áreas euskaldun, sempre gozou, sem interrupção, até ao presente, de plena vitalidade. Em contrapartida, em Bilbao, por exemplo, o uso da língua, além de minoritário, reveste-se de um certo artificialismo, sustentado por convicções nacionalistas. Sucede também que em todo o Sul de Álava e em todo o Sul de Navarra, assim como na cidade francesa de Bayonne, o basco desapareceu há muito dos hábitos de comunicação (na maior parte dos casos, desde a Idade Média). O conceito de Euskal Herria, na prática, sustenta-se em hábitos, costumes e tradições, que, de facto, continuam fortes e permanecem comuns a muitas populações de todos os territórios. Se se pretende, como ocorre entre o nacionalismo, extrair ilações políticas em prol de uma mítica grande nação basca, pois entra-se num terreno polémico, que é contraditado pela vontade da maioria da população de fora do que constitui oficialmente País Basco.

Euskal Herria (10)

Iker Goenaga - Soinugorri (1998)
O êxito de Kepa acabou por fazer vir ao de cima um conjunto de tocadores de trikitixa que asseguraram a continuidade da tradição nas aldeias de Guipúzcoa e Vizcaya. Iker Goenaga é um deles. Neste álbum temos uma sonoridade menos cosmopolita, mas mais próxima da tradicional, a qual assentava na combinação rudimentar entre a triki e a pandeireta. O tema Elgeta merece destaque. Além de ser musicalmente forte, é uma homenagem a um velho tocador de San Sebastián, conhecido como Elgeta, que nos anos 40, 50 e 60 tocava triki pelas ruas e bares da cidade, vivendo da mendicidade.
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Euskal Herria (9)

Kepa Junkera - Bilbao 00:00h (1998)
Este álbum duplo, apresentado em luxuosa edição com formato de livro, musicalmente é uma produção não menos luxuosa. Para quem imagina o carácter basco como fechado e pouco dado a cosmopolitismos, pode começar por aqui um processo de revisão de ideias. Na verdade, partindo da trikitixa (pequeno acordeão diatónico), opera-se aqui um exercício de transversalidade dentro da chamada world music. Participaram na gravação um vasto conjunto de artistas das mais variadas procedências, de um modo que visou mestiçagens em diferentes direcções. De notar que Dulce Pontes (cantando um tema em... basco) faz parte do elenco. Numa realização tão ambiciosa, com estas características, nem todos os temas podem brilhar à mesma altura. Destaca-se uma magnífica meia dúzia, dos quais saliento aqui Santimamiñeko Fandangoa & Ioaeoe, que, por sinal, é um dos que, sem deixar de ter um certo grau de mestiçagem (sobretudo na parte inicial), alardeia uma tonalidade genuinamente basca. O poder rítmico e melódico da triki ressalta de forma empolgante, favorecido pela rude sonoridade de fundo da txalaparta (primitivo instrumento de percussão).
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Euskal Herria (8)

Kepa Junkera - K (2003)
Uma forma privilegiada de entrar no universo musical de Kepa Junkera é este duplo DVD que incide sobre um espectáculo realizado em Março de 2003 no Teatro Arriaga, em Bilbao. O espectáculo, propriamente dito consta do primeiro DVD. Não se limita a ser um mero registo de palco, na medida em que tem alguns interessantes pormenores de realização. Por outro lado, musicalmente, o espectáculo está ao nível das últimas gravações de estúdio, com um vasto conjunto de músicos convidados (das mais variadas procedências). A riqueza musical está também patente no espaço que é deixado para dois outros tradicionais instrumentos bascos: txalaparta e alboka. No segundo DVD há vários extras, entre os quais um excelente documentário que faz um enquadramento da trikitixa e de Kepa.
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Euskal Herria (7)

Kepa Junkera (1965)
O bilbaíno Kepa Junkera tornou-se o maior divulgador da trikitixa (triki) - instrumento basco, que é um acordeão diatónico. Tem um som inconfundível. Desde meados do século XIX tornou-se um elemento fundamental das romarias e festas familiares e, portanto, tornou-se o som basco, por excelência. Kepa modernizou de forma radical a utilização do instrumento, sem deixar de respeitar a sua essência. O seu virtuosismo e nível de produção têm dado aos seus espectáculos e gravações uma projecção que ultrapassa muito o contexto restrito do País Basco.

Euskal Herria (6): Euskadi : Bilbao

Aupa Athletic!
Para os conhecedores da res futebolistica, Bilbao tem um outro ex-libris: o Athletic. Clube de grande historial e rico palmarés, persiste hoje em dia numa política que sustentou desde sempre: só integra jogadores nascidos no País Basco. Tal persistência num campeonato onde imperam as mais cosmopolitas contratações milionárias, tendo recursos mais que suficientes para alinhar nessa política, não deixa de ser algo digno de louvor.

Euskal Herria (5): Euskadi: Bilbao

Bilbao (2003)
É uma perspectiva do conhecido edifício que é agora o ex-libris da cidade: o Museu Guggenheim, do arquitecto Frank Gehry.

Bilbao (2003)
Esta ponte continua a ser o elo mais importante de ligação entre o núcleo urbano mais antigo (Siete Calles) e o Centro (Abando). De um lado, estreitas ruas antigas, onde se multiplicam bares e restaurantes. Do outro lado amplas avenidas e praças arborizadas, onde imperam edifícios de boa traça (alguns de certa imponência) que servem de sedes a Bancos, Companhias de Seguros, Companhias de Navegação...

Euskal Herria (4): Euskadi: Bilbao

Bilbao (Anos 50)
Bilbao é a capital de Vizcaya e a mais importante cidade do País Basco. A sua área metropolitana tem mais de meio milhão de habitantes (2/3 da população de Vizcaya e cerca de 1/4 da população do País Basco). Está situada a poucos quilómetros do Mar Cantábrico e o seu Centro coincide com o ponto onde o Rio Nervión se transforma em Ria - poucos metros a jusante da ponte mostrada nos dois postais. Não tem os encantos da inexcedível beleza de San Sebastián, mas é uma cidade com carácter. Carácter de uma cidade industrial, mineira e marinheira. Operária e Burguesa. É também de uma cidade com carácter ao mesmo tempo basco e espanhol, numa cabal demonstração prática de que as duas identidades não são antagónicas...

Geografia íntima (11)

Amadora (193? 194?)
Esta panorâmica aérea incide na parte Leste do Centro. Em primeiro plano, junto à linha de caminho-de-ferro, está a fábrica de cintas e espartilhos Santos Matos. Lembro-me bem desse edifício, contudo tinha deixado as suas funções fabris muitos anos antes de eu o conhecer. Vislumbra-se, no centro do postal, o edifício (branco) onde hoje está instalada a Agência Natália. São muito poucos outros exemplos de casas sobreviventes, mas são numerosos aquelas de que guardo memória. Note-se que os terrenos que hoje pertencem à Academia Militar, na parte superior do postal, correspondiam ainda nesta altura (anos 30, 40?) ao aeródromo que notabilizou a Amadora na primeira metade do século XX..