
Amadora (192? 193? 194?)
Tenho 47 anos e vivo na Amadora há 46. Gosto desta terra. Vi-a mudar muitíssimo, mas ainda gosto dela. Tornou-se de bom tom referir a Amadora como o paradigma do inferno suburbano. Discordo. Ou melhor, concordo se a afirmação incidir sobre a vasta periferia (
Buraca,
Damaia,
Brandoa...). O centro, não sendo já o que foi, tem ainda, pelo menos, as seguintes vantagens: um ambiente agradável, espaços de socialização e convívio, dois amplos parques e muito comércio e serviços. Já pouco resta, porém, das muitas vivendas que o povoavam. A que aparece neste postal de 1916, a
Casa Aprígio Gomes, situada, aliás, na zona onde vivo, definitivamente, sobreviveu e da melhor maneira, visto que foi recentemente restaurada e viu aí instalar-se o
Centro Ciência Viva da Amadora (CCVA) . Ficou como uma espécie de testemunho da Amadora do passado - terra de bons ares, escolhida por gente bem (
Mestre Roque Gameiro,
Delfim Guimarães,
Piteira Santos, por ex.) para acolher as sua moradias de verão.
No postal é visível, em primeiro plano, do lado esquerdo, uma casa térrea que ainda hoje existe, mas já abandonada. Aí foi a fábrica de rebuçados
Dr. Bayard, de onde saía. alguma vezes, um cheiro adocicado. Ao fundo vê-se bem a casa da
Tia Sofia, na
Rua Elias Garcia, junto ao parque. Já não existe. Era uma conhecida
casa de pasto e tinha um terreiro com parreira. Uma casa térrea ao lado, que não se vê no postal, essa sim, resiste. Nela está instalada uma agência funerária...