quarta-feira, setembro 29, 2004

Boulevard Nostalgie (5)

CD: Erik Satie / Pascal Roge - 3 Gymnopédies & other piano works (1984)
Paris, entre a Belle Époque e os Loucos Anos 20 evoca a figura de Erik Satie. Foi pianista de cabarets de Montmartre e compôs uma repertório erudito com um carácter algo naïf, entre o expressionismo e o surrealismo. Os desconcertantes nomes que deu a algumas peças atesta-o, ao mesmo tempo que reforça a sua irónica melancolia. A mais conhecida, Gymnopédie No.1, serve agora como fundo de um spot publicitário de choque sobre o desastre quotidiano nas estradas portuguesa. Um peça de tão encantadora languidez não é adequada para esse efeito...
Este CD é uma versão puramente pianistica. Há, com efeito, uma versão orquestral de Claude Debussy, amigo de Satie, mas esta é a original. De notar que a capa reproduz uma pintura de Joan Miró.
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Boulevard Nostalgie (4)

Paris - Postal (em torno de 1920)
L'Opéra

Boulevard Nostalgie (3)

Paris - Postal (em torno de 1920)
Place de la Concorde

Boulevard nostalgie (2)

Paris - Postal (em torno de 1920)
Gare du Nord

Boulevard nostalgie (1)

Paris - Postal (em torno de 1920)
Boulevard de Saint-Denis - Porte de Saint-Martin.
Esta é uma imagem de Paris, de um tempo em que era a capital artística e cultural do mundo. Anos dourados em que nela se acolhiam artistas e escritores de todo o mundo. As grandes avenidas parisienses evocam La Bohéme e cosmopolitismo. Em tom nostálgico, vem a propósito recordar a canção popularizada por Yves Montand:
Les Grands Boulevards
J'aime flâner sur les grands boulevards
Y a tant de choses, tant de choses
Tant de choses à voir
On n'a qu'à choisir au hasard
On s'fait des ampoules
A zigzaguer parmi la foule
J'aime les baraques et les bazars
Les étalages, les loteries
Et les camelots bavards
Qui vous débitent leurs bobards
Ça fait passer l'temps
Et l'on oublie son cafard
Je ne suis pas riche à million
Je suis tourneur chez Citroën
J'peux pas me payer des distractions
Tous les jours de la semaine
Aussi moi, j'ai mes petites manies
Qui me font plaisir et ne coûtent rien
Ainsi, dès le travail fini
Je file entre la porte Saint-Denis
Et le boulevard des Italiens
J'aime flâner sur les grands boulevards
Y a tant de choses, tant de choses
Tant de choses à voir
On y voit des grands jours d'espoir
Des jours de colère
Qui font sortir le populaire
Là vibre le cœur de Paris
Toujours ardent, parfois frondeur
Avec ses chants, ses cris
Et de jolis moments d'histoire
Sont écrits partout le long
De nos grands boulevards
J'aime flâner sur les grands boulevards
Les soirs d'été quand tout le monde
Aime bien se coucher tard
On a des chances d'apercevoir
Deux yeux angéliques
Que l'ont suit jusqu'à République
Puis je retrouve mon petit hôtel
Ma chambre où la fenêtre donne
Sur un coin de ciel
D'où me parviennent comme un appel
Toutes les rumeurs, toutes les lueurs
Du monde enchanteur
Des grands boulevards

terça-feira, setembro 28, 2004

Guia hispânico (1)

Eduardo Delgado, Ángel del Pozo - A vista de pájaro (1999)
Trata-se de uma colecção de 18 cassetes com documentários sobre todas as províncias espanholas, vista de helicóptero. Foi realizado na segunda metade dos anos 80 pela RTVE e implicou a mobilização de vastos recursos humanos e materiais. Durante os anos 90 esses documentários foram exibidos na TVE 2 e na TVE Internacional, com o título A Vista de Pájaro, abrangendo cada capítulo uma província. Em 1999 foi feita esta edição em VHS. Ainda não há edição em DVD.
É um espantoso trabalho de produção e montagem e o seu resultado revela a que ponto de mestria pode chegar a aliança entre o amor às coisas próprias e a competência técnica. A própria Banda Sonora é original, da autoria de Jaime Pérez e... é magnífica. Diria que é uma das melhores formas de conhecer o país vizinho sem passar a fronteira. Tornou-se um clássico, na medida em que, pelo menos as televisões da Catalunha e do País Vasco já produziram um equivalente mais detalhado para o seu respectivo âmbito.
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segunda-feira, setembro 27, 2004

American Dream (1)

New York - Foto (2000)
Faz pouco mais de 4 anos que tirei esta foto do topo do Empire State Building. Como se sabe esta panorâmica foi dramaticamente mutilada e toda a humanidade sofreu um abalo. Com efeito, aqui é o centro do mundo - o ponto zénite da nossa civilização. Tudo o que de melhor e pior ela tem produzido encontra aqui o seu máximo expoente de realização. A globalização trouxe enormes benefícios e muitos problemas novos. O mundo globaizado é, sobretudo, o mundo das imagens e também, embora cada vez menos, dos sons. O cinema americano e a música popular anglo-americana representam o mais eficaz elemento desse processo. O seu êxito consiste em veicularem, ou de algum modo reflectirem, o american dream - o sonho da felicidade individual possível neste mundo.
Há muita coisa que destesto na galáxia de espectáculo mediático (sobretudo o mais comercial e superficial), mas há, igualmente, muita coisa de gosto - em muitos casos, o melhor que se pode encontrar. Sob a rubrica American Dream, proponho-me abordar o que mais aprecio mo cinema e na música popular anglo-americanos e também fazer algumas observações sobre o american way of life.

domingo, setembro 26, 2004

Noites tropicais (3)

João Gilberto - Amoroso (1977)
Alguém disse uma vez (José Nuno Martins no saudoso Os Cantores do Rádio) que este seria o melhor disco de música brasileira de sempre. Sem abandonar o espírito da bossa-nova, João Gilberto fez neste disco um exercício de sofisticação e cosmopolitismo. Sofisticação que decorre da sua forma de cantar (mais sussurrante do que nunca) e dos voluptuosos arranjos orquestrais de Claus Ogerman. Cosmopolitismo, porque o criador da bossa-nova capricha em interpretar três temas não brasileiros: 'S Wonderful, de Gershwin; Estate, de Bruno Martino; Bésame Mucho, de Chelo Velázquez. O curioso é que a inépcia linguística do genial baiano soa aqui como um must adicional - um italiano e um castelhano que soam assim divinamente adocicados! Estate alarga-se por 6 minutos e meio, tornando-se aqui uma espécie de afrodisíaco para espíritos refinados. Com o famoso bolero a receita intensifica-se. A cadência lentíssima e aveludada alarga-o por quase 9 minutos e é um êxtase! Mas se parece impossível superar o transe destas experiências, há que esperar até à último tema, Retrato em Branco e Negro (Zingaro), de Tom Jobim. Está para além da perfeição!
Esta obra-prima foi gravada em finais 1976 e início de 1977, entre Nova Iorque e Los Angeles e parece ser o culminar de uma década e meia em que o gosto norte-americano se rendeu à bossa-nova.
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Noites tropicais (2)

Noites Tropicais (2000)
Noites Tropicais tem um correspondente em CD. É a melhor antologia da MPB que conheço - são muitos os grandes temas incluídos, os quais cobrem extensivamente todas as fases e tendências. Além do mais, a apresentação é soberba e está graficamente ajustada ao livro. O objectivo de funcionarem em complemento mútuo foi perfeitamente atingido.
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