terça-feira, setembro 14, 2004

Para siempre boleros! (5)

Moncho
Moncho é diminutivo do nome próprio Ramón e, neste caso, nome artístico de Ramón Calabuch, cigano barcelonês, cujo apodo é El gitano del bolero. Nunca esteve propenso para o flamenco ou para a rumba, mas antes para o... bolero. Nos anos 70 atingiu alguma notoriedade, tendo, então, gravado LP's com excelentes arranjos e onde sobressaía a sua voz, entre o áspero e o aveludado, exactamente como aprecio. Os anos 80 foram um retrocesso na sua carreira - caiu no esquecimento, passou de moda. Ressurgiu nos anos 90 com novas gravações, embora produzidas com arranjos um pouco melosos, mantendo ou reforçando, porém, as suas qualidades interpretativas. Ultimamente fez gravações com um bom nível de produção, seguindo duas vias paralelas: por um lado, a tradicional, continuando a desbravar o território do bolero puro e duro; por outro lado, a inovadora, cantando boleros ou canções bolerizadas em catalão, incluindo alguns conhecidos temas de Joan Manuel Serrat. Ainda assim, sobressai, como não podia deixar de ser o sabor a bolero, sendo neste caso apropriado exclamar: Per sempre bolers!

Para siempre boleros! (4)

Tony Évora - El libro del bolero (2001)
Esta obra de um cubano radicado em Madrid, Tony Évora, é uma autêntica enciclopédia não apenas do bolero, mas, diria, sem exagero, da música ligeira hispano-americana. Detalha as origens e desenvolvimento do bolero. Referencia criticamente compositores e intérpretes.
Ideias básicas: o bolero nasceu em Cuba; as suas remotas raízes, aparentemente tão distintas, estão nas regiões levantinas de Espanha e em África. Os grandes centros criativos foram Cuba, México (em particular, DF, Yucatán, Veracruz, Jalisco) e Nueva York. Os Anos 40 e 50 foram o tempo de apogeu. Dominou o cenário da música ligeira de todo o mundo de língua espanhola até meados dos anos 60.
Maiores compositores: Agustín Lara, Ernesto Lecuona, Júlio Gutiérrez, Roberto Cantoral, Consuelo Velázquez, María Grever, René Touzet, César Portillo de la Luz, Tite Curet Alonso, Armando Manzanero. Maiores intérpretes: Tito Rodríguez, Rolando Laserie, Toña la Negra, Olga Guillot, Lucho Gatica, Viventico Valdés, Pedro Vargas, Antonio Machin, Los Panchos, La Lupe, Paquita la del Barrio.
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Para siempre boleros! (3)

Luís Miguel - Romance (1991)
Para quem quiser introduzir-se no mundo do bolero, pois nada melhor que este CD do mexicano Luís Miguel. A produção, de Armando Manzanero, é excepcional, com um envolvimento orquestral do melhor com que alguma vez o género foi apresentado. Aqui figuram alguns dos boleros cimeiros: No me platigues más, Inolvidable, La barca, Contigo en la distáncia, La mentira, Cuando vuelva a tu lado. O êxito ultrapassou todas as expectativas (mais de 7 milhões de unidades vendidas!), de tal modo que a experiência, que se concebia esporádica num percurso pop convencional, acabou por ter mais duas sequelas, igualmente recomendáveis e bem-sucedidas. Porém, para mim, a sua voz, apesar de vibrante, carece de pathos bolerista - diria que é uma voz demasiado juvenil... Há um certo contra-senso em pôr um jovem quase imberbe a cantar boleros (com mulheres é diferente...). Para se cantar boleros há que ter um certo castigo na alma, uma vivência que, em princípio, num homem, só a barreira dos 40 confere. É evidente que isto não pretende ser nenhuma regra - Manzanero, no seu auge, nos anos 60, estava nos 30, mas a sua voz pouco convencional e, para alguns, pouco harmoniosa, teve sempre aquele travo amargo que sugere a tal vivência...
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segunda-feira, setembro 13, 2004

Viagens (4): Barcelona / 2004

Como comer bem todos os dias é um luxo a que poucos turistas podem aceder, além de que a própria saúde desaconselha, há que recorrer a expedientes aceitáveis. Em Barcelona há uma cadeia de "restaurantes" a ter em conta: Fresc Co. Desde logo, são centrais, estão abertos todos os dias e têm um estilo standard, funcional, mas não agressivo. Aí, o essencial é uma extraordinária variedade de saladas, além de pizzas e massas. A coisa pode sugerir um espírito vegetariano (vade retro!), mas a verdade é que não faltam variedades de carnes por entre as saladas e massas, além de que estão disponíveis, em recomendável variedade, ingredientes pouco saudáveis... para quem deles quiser desfrutar. A cerveja à pressão é o mais indicado neste ambiente. Tudo corre em sistema self-service e, sobretudo, o preço é ainda o mais delicioso! É, enfim, uma certa forma de fast food não aviltante...

sábado, setembro 11, 2004

Viagens (3): Barcelona / 2004

É sabido como o turista comum tem tendência para ir comer a lugares deploráveis. Na verdade, quase toda a cidade ou estância turística apresenta uma ampla oferta de restauração onde se come barato e muitíssimo mal ou onde se come sofrivelmente e muitíssimo caro. Já nem me refiro a coisas risíveis como a fast food e formas grotescas de comer (por exemplo, em pé, como os ruminantes...), refiro-me a restaurantes e esplanadas convencionais. Desgraçadamente, em Espanha é abundante esta forma de exploração e a ignorância, passividade e/ou indigência do turista comum torna-o presa fácil. A coisa, porém, é irónica, já que se há país onde se pode comer muito bem e relativamente barato é exactamente a Espanha. Nem sequer é preciso ser propriamente um conhecedor para fugir a esse destino banal, basta tomar certas precauções elementares (jamais cair numa esplanada demasiado central; por norma procurar "refúgio" na oferta do menu del día, etc...). Em Barcelona, por exemplo, evite-se cair nas esplanadas das Ramblas! A cidade tem muito para oferecer em matéria de restaurantes acessíveis, mas há que saber. Nesta minha última visita descobri um lugar onde se come dignamente e... que é também uma livraria. É a Laie - Llibrería Café, situada a um pulo da Plaça Catalunya, na Carrer Pau Claris. Trata-se de uma pequena livraria que no piso superior alberga uma sala onde se servem refeições, com serviço atencioso (self-service para saladas e sobremesas) e ambiente de sóbrio bom gosto. O filet de solomillo (bife do lombo) que escolhi era excelente, acompanhado por um naipe de verduras onde pontificavam pimientos morrones. As saladas eram variadas e o vinho tinto da casa bastante digno. Isto mais sobremesa e café por uns 15 euros.

sexta-feira, setembro 10, 2004

Mediterráneo / Mediterrània (15): Catalunya: Barcelona

Uma das três FNAC's de Barcelona está implantada bem no centro, na Plaça Catalunya, num recente edifício denominado El Triangle. Não é tão grande como a de Madrid mas é imponente. Ainda assim, não deixam de prosperar muitas casas de discos especializadas e esplêndidas livrarias pelas redondezas.




Ramblas amunt; Ramblas avall (Ramblas acima; Ramblas abaixo) é um lema que sintetiza um estatuto de espectador feito de descomprometimento e voyeurismo.

Dizem os mais viajados que não há no mundo artéria tão animada como Las Ramblas. Entre quiosques de jornais, de pássaros e de flores, num contínuo fluxo de gente, há quase sempre um friso estátuas vivas e outras bizarras manifestações artísticas de rua. É um ambiente festivo que sugere música rumbera de Gato Pérez.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Mediterráneo / Mediterrània (14): Catalunya: Barcelona

Sabe-se como Barcelona é importante por ser um mostruário de arquitectura modernista. Antoni Gaudi, Puig i Cadafalch, Domènech i Montaner deixaram testemunhos do mais espectaculares exemplos do estilo. Aqui, no Passeig de Gràcia, temos dois dos mais famosos edifícios: Casa Amatller (Cadafalch) e Casa Batlló (Gaudí). Um pouco mais acima, deste lado do passeio fica a celebérrima a Casa Milà i Camps , mais conhecida como La Pedrera (Gaudí).

Esta foto tirei-a desde Monjuïc, a caminho do teleférico Miramar-Barceloneta. Em primeiro plano o Bairro de Poble Sec (com as três torres da velha Central Eléctrica), onde nasceu o cantautor Joan Manuel Serrat. Ao fundo, no centro, vêem-se as torres da Catedral.

Recém-chegado de Barcelona eis aqui algumas fotos que tirei. Esta, no fim da tarde de domingo, desde o teleférico Miramar-Barceloneta, oferece um plano sobre as Ramblas e a Plaça Colom. Atrás vê-se El Raval, todo o Barri Gòtic, La Ribera e El Born, ou seja o núcleo mais antigo.

quarta-feira, setembro 01, 2004

Viagens (2)

A partir dos meus conhecimentos (directos e indirectos), elaborei um mapa de Espanha que hierarquiza províncias e ilhas de acordo com o seu interesse turístico global (quanto mais escuro, melhor).

Viagens (1)

Apesar de algumas justificadas críticas, o Guide Rouge Michelin ainda é o vademecum dos que sabem (e podem) comer com requinte, embora (atenção!), a sua utilidade se restrinja à mesa topo de gama. Cada ano é divulgada uma lista onde se salientam os restaurantes com uma, duas e três estrelas. A consagração maior a que um chef de cuisine pode almejar, é que a sua casa receba as três estrelas Michelin. É bem conhecida a usura dos inspectores franceses - Portugal não tem nenhum restaurante com tal distinção... A Espanha tem quatro: dois estão na província basca de Guipúzcoa (que se gaba de ter a maior concentração mundial de estrelas Michelin por quilómetro quadrado!) e outros dois na Catalunha. São regidos por famosos chefs. Os preços são proibitivos e as marcações têm que ser efectuadas com inusitada antecedência. São os seguintes:

Can Fabes - Sant Celoni - Barcelona (Catalunya);
El Bullí - Roses (Cala Montjol) - Girona (Catalunya);
Arzak - Donostia / San Sebastián - Guipúzcoa (País Vasco);
Martín Berasategui - Lasarte - Guipúzcoa (País Vasco).