quarta-feira, setembro 01, 2004

Viagens (2)

A partir dos meus conhecimentos (directos e indirectos), elaborei um mapa de Espanha que hierarquiza províncias e ilhas de acordo com o seu interesse turístico global (quanto mais escuro, melhor).

Viagens (1)

Apesar de algumas justificadas críticas, o Guide Rouge Michelin ainda é o vademecum dos que sabem (e podem) comer com requinte, embora (atenção!), a sua utilidade se restrinja à mesa topo de gama. Cada ano é divulgada uma lista onde se salientam os restaurantes com uma, duas e três estrelas. A consagração maior a que um chef de cuisine pode almejar, é que a sua casa receba as três estrelas Michelin. É bem conhecida a usura dos inspectores franceses - Portugal não tem nenhum restaurante com tal distinção... A Espanha tem quatro: dois estão na província basca de Guipúzcoa (que se gaba de ter a maior concentração mundial de estrelas Michelin por quilómetro quadrado!) e outros dois na Catalunha. São regidos por famosos chefs. Os preços são proibitivos e as marcações têm que ser efectuadas com inusitada antecedência. São os seguintes:

Can Fabes - Sant Celoni - Barcelona (Catalunya);
El Bullí - Roses (Cala Montjol) - Girona (Catalunya);
Arzak - Donostia / San Sebastián - Guipúzcoa (País Vasco);
Martín Berasategui - Lasarte - Guipúzcoa (País Vasco).

segunda-feira, agosto 30, 2004

La Copla (6)

Conchita Piquer
Esta cantora valenciana foi a mais importante intérprete da canção tradicional espanhola. Foi a sua voz cheia de garra e sentimento que mais popularizou nos anos 30, 40 e 50 temas como : Ojos Verdes; La Parrala; Tatuaje... Ouvi-la nessas velhas gravações é uma imersão no domínio mais hardcore das espanholadas... y Olé! (não aconselhável a temperamentos vegetais, sensibilidades insonsas e gostos estandardizados...!)

sábado, agosto 28, 2004

La copla (5)

Carlos Cano - Cuaderno de coplas (1985)
Este álbum significou um salto qualitativo. Com melhores meios de produção e, sobretudo, com caminhos artísticos bem definidos, a partir daqui todos as suas gravações foram de nível muito bom. Para mim este é o melhor de todos, apresentado uma notável coerência de ambiente sonoro e de temas. Um excelente gosto instrumental confere-lhe um valor geral acima da soma das partes. Há um tema muito especial: Pasodoble Torero para Gerald Brenan. É uma homenagem ao grande hispanista britânico afincado na sua amada Andaluzia, numa aldeia das Alpujarras. Canta Carlos Cano num refrão de inexcedível beleza: Ay Alpujarra, Alpujarra que grandes son las estrellas, más grandes los corazones. Olé y viva Gerald Brenan! Cierro los ojos y te siento, aunque de ti esté lejos. Ay Alpujarra, Alpujarra. Ay Alpujarra.
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La copla (4)

Carlos Cano - La copla, memoria sentimental (1999)
Foi o último disco gravado por Carlos Cano. É constituído por coplas das mais populares, nomeadamente: Ay, pena, penita; La bien pagá; Ojos verdes. Os mais consagrados compositores têm presença dominante, nomeadamente a inspirada tríade: León, Quintero y Quiroga. A recriação coplera levada a cabo nesta gravação é o que poderíamos designar como copla cool, sem precisar atrever-se por experimentalismos. A interpretação de Carlos Cano dispensou potência sem perder sentimento, bem pelo contrário...
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La copla (3)

La bien pagá
A maioria das coplas foram interpretadas por vozes femininas e veiculam um discurso feminino, não obstante quase todos os seus compositores terem sido homens. Entre as excepções, conta-se uma das mais populares: La Bien Pagá. No seu tempo, Miguel de Molina foi a voz que mais a divulgou. Consta do CD que recolhe canções das bandas sonoras dos filmes de Almodóvar. Carlos Cano também a interpretou. Eis a letra:

Na te debo na te pido
me voy de tu vera olvídame
ya que pago con oro tus carnes morenas
no maldigas paya que estamos en paz
no te quiero no me quieras
si to me lo diste yo na te pedí
no me eches en cara que to lo perdiste
también a tu vera yo to lo perdí
bien pagá
si tú eres la bien pagá
porque tus besos compré
y a mí te supiste dar por un puñao de parné
bien pagá bien pagá bien paga fuiste mujer
no te engaño
quiero a otra
no creas por eso que te traicioné
no cayó en mis brazos me dio sólo un beso
el único beso que yo no pagué
na te pido na
me llevo entre esas paredes dejo sepultás
Penas y alegrías
que te dao y me diste
y esas joyas que ahora pa otro lucirás
bien pagá
si tú eres la bien pagá
porque tus besos compré
y a mí te supiste dar por un puñao de parné
bien pagá bien pagá bien pagá fuiste mujer.
Ramón Perelló / Juan Mostaza

La copla (2)

Basílio Martín Patino - Canciones para después de una Guerra (1971)

O movimento de recuperação de La Copla não se limitou ao ambito musical, foi, até, precedida pelo cinema, através deste filme, que é um documentário de autor. Em tempos tardo-franquistas, contextualiza as castiças coplas plenas de salero e morbo, que encheram o éter radiofónico e as salas de cinema daquela desgraçada Espanha pós Guerra Civil. Império Argentina, Juanita Reina, Estrellita Castro, Lola Flores, Conchita Piquer são aqui escutadas como banda sonora de imagens que constituem um violento contraste ou uma irónica pontualização das suas mensagens.
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Info IMDB

La copla (1)

Carlos Cano (1946-2000)
Este cantautor granadino esteve na primeira linha da recuperação da copla (canção tradicional espanhola). Contribuiu decisivamente para um movimento de homenagem e modernização deste género, procedendo a um cruzamento entre tradição e inovação. Espírito generoso e solidário, Carlos Cano foi coerente com os seus ideais, traduzindo-os em empenhamento político. Sentimento que foi, aliás, transposto para a música popular de outros povos deste nosso tão desconhecido mundo. A nossa Amália teve nele um fiel devoto - facto que se traduziu concretamente naquele que foi o maior êxito da sua carreira - María, la Portuguesa.
Pasodoble torero para Carlos Cano!
Página Web

quarta-feira, agosto 25, 2004

Los Toros (3)

Não sou um aficionado, mas admiro a corrida numa perspectiva antropológica e cultural. Tenho simpatia por esse mundo, apesar de desconhecer muitas especificidades da lide. Não vejo que isto seja incompatível com o meu gosto por animais, bem pelo contrário! Que fique claro que considero ser um espectáculo cruel, mas também, e até em larga medida por isso mesmo, profundamente artístico! O sofrimento do touro é a exaltação das suas inatas qualidades de bravura - assim como uma exaltação da força bruta da vida selvagem em confronto com a racionalidade do homem. Uma genuína metáfora do triunfo da civilização, cujas raízes se embrenham no fundo dos tempos. Toda a coreografia e panóplia de rituais reforçam este carácter e adicionam elementos de esconjuro ao medo e de apoteose da coragem viril. É este conjunto de factores que são a base da Fiesta e no qual vão desaguar certos elementos sociais: a equitativa distribuição da carne do touro morto, pelo povo; a origem plebeia do matador... Um mundo sem a corrida é um mundo mais pobre, endereçado no caminho do "politicamente correcto", asséptico, insuportavelmente virtuoso no que de mais hipócrita o termo encerra... Felizmente que o mundo que sustenta a afición é resistente!